Primeiro os fatos - a segunda de duas explosões que aconteceram na manhã desta quinta-feira no distrito de Al-Qazzaz em Damasco é a explosão mais destrutiva desde o início do levante popular no país no ano passado.
A TV estatal síria rapidamente mostrou imagens de carros sujos de sangue, atingidos por estilhaços ou coisas piores. Acredita-se que pelo menos 55 pessoas tenham morrido.Um especialista militar em Dispositivos Explosivos Improvisados (DEIs), que pediu para não ser identificado, disse à BBC que o ataque foi "extremamente bem planejado e orquestrado".
"O ataque também foi organizado com pouca consideração pelas morte de civis. Parece que o primeiro dispositivo era um clássico 'come on' (vamos lá, em tradução livre) - um dispositivo relativamente pequeno detonado para encorajar os funcionários a saírem dos prédios e irem para as áreas externas - para um ataque posterior com um dispositivo bem maior."
"Este segundo dispositivo provavelmente continha entre 225 quilos e 450 quilos de explosivos e deve ter sido detonado por um controle remoto em um momento específico para maximizar as mortes. Pela natureza dos danos, parece que o dispositivo era caseiro", afirmou.
Regime 'capaz' de ataques
As perguntas-chave são: quem fez isso e por que?O governo sírio responsabilizou os rebeldes de oposição, a quem chamou de "terroristas", acusando-os de violar o cessar-fogo proposto pela ONU.
O alvo principal foi o chamado "Ramo Militar Palestino", local onde oposicionistas seriam interrogados e torturados pelo regime.
Mas os oposicionistas negam estar por trás das explosões. Eles acusam o regime de realizá-las contra seus próprios funcionários, para descreditar a oposição e ganhar a simpatia dos monitores da ONU que estão na cidade.
É realmente possível que um Estado soberano como a Síria porra ser cínico ao ponto de matar deliberadamente seus próprios aliados por um motivo maquiavélico como este?
"O regime sírio é mais do que capaz de planejar ataques contra seu próprio povo por razões de propaganda. Já vimos isso no Líbano no passado", disse o analista militar.
Grupo extremista possivelmente ligado à Al-Qaeda assumiu atentados no passado
Grupo islâmico?
Além da oposição organizada, há uma "terceira força" em ação na Síria, que já assumiu a responsabilidade por outros grandes ataques no passado.O grupo "Frente de Batalha Al-Nusra" emergiu em janeiro e, desde então, disse estar por trás de ataques a bomba em carros e caminhões, incluindo uma explosão em março ao quartel-general da polícia e da inteligência da Aeronáutica.
O grupo tem uma agenda extremista islâmica clara e se refere a seus combatentes como "os mujahideen de Sham na arena da Jihad" e há suspeitas de que possa ter laços com a Al-Qaeda.
No início desse ano, o sucessor de Osama bin Laden como líder da Al-Qaeda, Ayman Al-Zawahiri, divulgou uma mensagem na internet pedindo que os muçulmanos apoiem a revolução na Síria, mas os principais grupos de oposição preferem se manter distantes de grupos islâmicos.
No momento, há um sentimento crescente de que somente duas organizações tem conhecimento sobre a fabricação de bombas e organização suficiente para montarem um ataque tão espetacular, planejado e eficiente na Síria - a Al-Qaeda no Iraque (que faz fronteira com o país) e o governo sírio.
Tudo depende de em quem você acredita.
abisudo
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