sábado, 4 de maio de 2013

Partido húngaro reúne centenas em manifestação antissemita

O partido húngaro de extrema direita Jobbik reuniu centenas de pessoas em uma manifestação contra a realização, em Budapeste, do Congresso Mundial Judaico (WJC).
O congresso está previsto para este domingo. Segundo o Jobbik, o objetivo do protesto era chamar atenção para o que seus integrantes dizem ser uma "tentativa dos judeus comprarem a Hungria".
O Jobbik é o terceiro maior partido no Parlamento húngaro e promete "proteger os valores e interesses" do país. Ele emite declarações antissemitas com alguma frequência.
"Os conquistadores israelitas, esses investidores, devem procurar outro país do mundo, porque a Hungria não está à venda", disse o presidente do partido, Gabor Vona, de acordo com a agência de notícias Reuters.
No ano passado, Gyongyosi provocou indignação ao defender que todos os funcionários do governo de origem judaica deveriam ser identificados porque poderiam representar um "risco para a segurança nacional".
Alguns dos presentes na manifestação deste sábado usavam o uniforme preto do Guarda Húngara, o banido grupo paramilitar do Jobbik, acusado de atacar comunidades ciganas.
O primeiro-ministro Viktor Orban havia ordenado que a polícia proibisse a manifestação, mas um tribunal de Budapeste anulou a proibição, alegando que ela teria por base "presunções infundadas".
Um esquema de segurança foi montado para evitar episódios de violência durante o protesto.
O WJC em geral acontece em Jerusalém, mas os organizadores do evento optaram por realizá-lo na Hungria este ano para chamar atenção para o que dizem ser uma crescente onda de antissemitismo na Europa.
O tema em debate este ano será o "aumento alarmante de partidos políticos neo-nazistas e incidentes antissemitas em vários países europeus, incluindo a Hungria."
Calcula-se que 500 mil de judeus húngaros tenham sido mortos no Holocausto.

Imigração e aumento da população feminina mudam imagem da Austrália

A população da Austrália superou recentemente a marca dos 23 milhões de habitantes. E, conforme os números mudam no país, o mesmo acontece com sua imagem.
Estrangeiros tendem a ter uma percepção estereotipada dos australianos. Muitos veem os "aussies" - como costumam ser chamados os nativos desse país - como indivíduos de humor ácido e uma autoconfiança que beira a pretensão.
Mas dados do Escritório de Estatísticas do país mostram que está na hora de esquecer o "Crocodilo Dundee": o povo australiano de hoje, na média, não tem nada a ver com um homem bronco, sentado em sua varanda com uma cerveja na mão, ou uma loira surfista.
A mulher australiana "média" tem 37 anos, é casada e tem dois filhos. Também vive em uma casa de três quartos, em uma das principais cidades australianas.
Além disso, em um país onde os cargos de primeiro-ministro e governador-geral são ocupados por mulheres, esses dados recentes confirmam o que os demógrafos já desconfiavam há algum tempo: a Austrália está se tornando um país cada vez mais feminino.

As mulheres mais poderosas da Austrália

Mulheres mais poderosas da Austrália / montagem BBC
  • Primeira-ministra Julia Gilard: Nasceu em Barry, no País de Gales, em 1961. Cresceu em Adelaide e tornou-se cidadã australiana em 1974. Ganhou uma cadeira no Parlamento pelo Partido Trabalhista em 1998. Foi titular das pastas de Educação e Emprego antes de substituir o ex-premiê Kevin Rudd.
  • Magnata da mineração Gina Rinehard: Nasceu em Perth, 1954. Filha de Lang Hancock, milionário do setor de minério de ferro. Passou a controlar a companhia da família em 1992. Foi considerada a mulher mais rica do mundo em 2012. Tem ações das empresas Channel Ten e Fairfax Media.
  • Governadora-geral Quentin Bryce: Nasceu em Brisbane, 1942. Trabalhou como acadêmica e advogada de direitos humanos. Foi governadora da província de Queensland antes de se tornar a primeira mulher governadora-geral (representante da Rainha Elizabeth 2ª), em 2008.
Nos anos após a colonização britânica, em 1788, a proporção da população australiana era de seis homens para cada mulher.
Ex-colônia de desterro da Grã-Bretanha, a Austrália recebeu milhares de prisioneiros homens. E, para cuidar deles, também vieram ao país agentes penitenciários - em geral, também homens.
A corrida do ouro no final do século 19 e as primeiras ondas de imigração pós-guerra do sul da Europa ajudaram a manter o desequilíbrio entre a população feminina e a masculina.
Há um século, um australiano "médio" era um homem de 24 anos. Há 50 anos, um homem de 29 anos. Foi só em 1979 que o número de mulheres finalmente ultrapassou o de homens.
Mas como a expectativa de vida das mulheres é maior, essa tendência tende a se perpetuar – embora no oeste da Austrália os homens ainda superem as mulheres, uma consequência do desenvolvimento da indústria da mineração na região.

A nova face do esporte australiano

  • Moisés Henriques: Jogador de críquete, nasceu em Portugal.
  • Bernard Tomic: Tenista, nasceu na Alemanha. Ocupa atualmente a 47ª posição no ranking dos melhores do mundo, tendo se tornado o mais novo jogador de tênis do país a ter chegado às quartas-de-final do torneio de Wimbledon, na Inglaterra, desde Boris Becker em 2011.
  • Usman Khawaja: Jogador de críquete; atua como rebatedor. Nasceu no Paquistão. Foi o primeiro muçulmano a jogar pela Austrália.
  • Jason Day: Jogador de Golfe, nasceu em Queensland, de mãe filipina. É atualmente o 26º melhor jogador do mundo e terminou em terceiro lugar atrás do compatriota Adam Scott nos Masters dos EUA deste ano.
O australiano médio ainda é um indivíduo que nasceu no país, assim como seus pais. No entanto, em uma nação poliglota e multicultural, esse panorama também mudará em breve.
Atualmente, mais de um quarto dos australianos nasceu em outro país – 26% - e apenas 54% dos cidadãos têm pais nascidos na Austrália.
A mudança nos rostos da equipe australiana de críquete ilustra bem essa nova tendência demográfica: o promissor Moises Henriques nasceu em Lisboa e o talentoso Usman Khawaja vem de Islamabad.
A noção de que o críquete, um dos poucos esportes que desperta o mesmo nível de paixão por todo o território, deve ser considerado como o esporte típico do australiano também está sendo contestada.
Em termos de etnia, o futebol, sem dúvida, se tornou o esporte mais representativo do país.
A Liga A conta com jogadores de 56 ascendências diferentes. Os Socceroos, a equipe de futebol nacional, é formado por jogadores com nomes como Schwarzer, Aloisi, Ognenovski e Bresciano.
Seu jogador principal, Tim Cahill, nasceu em Sydney, filho de uma mãe de Samoa e um pai inglês de ascendência irlandesa.
Há 25 anos, a imagem "étnica" do futebol australiano era uma barreira para o seu crescimento e penetração na sociedade.
Agora, sua diversidade é vista como uma espécie de imã de audiência, e uma das razões pelas quais os jogos da Liga A retornaram à televisão aberta, depois de anos sendo transmitidos principalmente na TV a cabo. Segundo seus dirigentes, agora o campeonato é a "cara da Austrália".
Em outros esportes, novos perfis de australianos também estão chegando ao topo. O jogador de golfe Adam Scott, que em abril se tornou o primeiro australiano a vencer o Masters dos EUA, pode se encaixar no perfil tradicional do "aussie".
Mas se as coisas tivessem sido um pouco diferentes no Augusta National Club, onde o torneio foi realizado, poderíamos hoje estar falando de outro australiano, que terminou em terceiro: Jason Day, filho de pai irlandês e mãe filipina.
Já a estrela do tênis Bernard Tomic nasceu na Alemanha, de pais croatas e bósnios.
Bandeira da Austrália / AFP
Na Austrália, uma em cada cinco pessoas fala uma língua diferente do inglês dentro de casa
Hoje, uma em cada cinco pessoas que vivem na Austrália fala uma língua diferente do inglês em sua casa, sendo o mais comum o mandarim - o que reforça como a China em especial (e a imigração em geral) está mudando a cara do país dos cangurus.
O aussie médio é católico e não anglicano em função do grande número de imigrantes das Filipinas e do Vietnã, de irlandeses e imigrantes do Mediterrâneo.
Também é notável o forte crescimento de grupos não-cristãos, explicado, mais uma vez, pela imigração. Das religiões não-cristãs, a maior delas é o budismo (2,5% da população), o islamismo (2,2%) e hinduísmo (1,3%). De 2006 para 2011, o número de hinduístas na Austrália quase dobrou, passando de 148.130 para 275.534 seguidores.
De acordo com Rebecca Huntley, do instituto de pesquisas Ipsos Mackay, traçar esse novo perfil da população australiana é muito oportuno porque os cidadãos australianos estão chateados com a imagem estereotipada do país no exterior e os clichês usados para "vender" a Austrália turisticamente.
Pesquisas recentes mostram, por exemplo, que as pessoas têm implicância com o sotaque anasalado da primeira-ministra Julia Gillard, por causa de como ele soa em fóruns internacionais. "A voz no estilo Kath e Kim – premiada série de TV australiana - alimenta a ideia de que somos uma nação de Shane Warnes (famoso jogador de críquete)", diz Rebecca.

Maduro acusa ex-presidente colombiano de complô para matá-lo

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe de tramar seu assassinato junto com setores da direita venezuelana.
"Uribe está por trás de um plano para me assassinar. Tenho evidências suficientes de que está conspirando. Há setores da direita venezuelana em contato direto com ele para isso", disse Maduro.
Em sua conta no Twitter, Uribe rejeitou as acusações como "imaturas".
Desde que foi proclamado o vencedor das eleições presidenciais, em 14 de abril, Maduro vem denunciando uma série de complôs para derrubar seu governo, mas até agora não apresentou provas concretas dessas conspirações.
A oposição venezuelana vem contestando o resultado da votação.

Síria: EUA avaliam novas opções de intervenção

Pressionados pela possibilidade de que o conflito na Síria descambe em uma crise regional, por informações sobre o uso de armas químicas em combate e por uma escalada da violência no país, os Estados Unidos estão começando a analisar novas opções de intervenção no embate entre grupos insurgentes e forças fiéis a Bashar Al-Assad.
Já se passaram dois anos desde o início do conflito sírio. Mais de 60 mil pessoas morreram segundo a ONU. E não só os combates não parecem dar sinais de trégua como cada vez mais envolvem países vizinhos.
Neste sábado, por exemplo, autoridades militares israelenses confirmaram, sob condição de anonimato, informações divulgadas por fontes americanas de que Israel teria realizado uma ataque aéreo contra a Síria. O alvo, segundo os israelenses, seria um carregamento de mísseis para o grupo libanês Hezbollah. Autoridades sírias, porém, negam que o ataque tenha ocorrido.
Pouco antes, forças rebeldes denunciaram a ocorrência de dois novos massacres, dessa vez na área costeira da Síria. Segundo os insurgentes, pelo menos 50 pessoas teriam morrido na cidade de al-Bayda na quinta-feira e dezenas de outras na cidade de Baniyas, o que levou centenas de pessoas a fugirem da região. Vídeos mostrando corpos queimados e mutilados de mulheres e crianças foram colocados na internet para mostrar a escala da matança - embora sua procedência não possa ser verificada.
As pressões para uma mudança de atitude dos Estados Unidos frente ao conflito sírio começaram a aumentar com as denúncias, ainda não confirmadas, de que tropas oficiais de Assad teriam usado armas químicas contra a população civil e os insurgentes.
No passado, o próprio Obama havia afirmado que o uso desse tipo de arma seria um divisor de águas, fazendo com que os americanos tivessem de tomar uma atitude mais drástica frente ao conflito.

Mudança de posição

Obama disse na última sexta-feira não ver nenhum cenário em que tropas americanas seriam enviadas para a Síria - mas isso não quer dizer que os americanos não planejem ampliar seu engajamento no conflito.
Tanto que, na véspera desse pronunciamento, o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, admitiu pela primeira vez que o governo está estudando diversas opções para a Síria, incluindo fornecer armas a rebeldes sírios.
No ano passado, Obama rejeitara essa ideia, proposta pela então secretária de Estado Hillary Clinton. A retomada do projeto parece sinalizar, portanto, uma significativa mudança de posição de seu governo.
"Há muitas opções sobre a mesa (no que diz respeito à intervenção americana na Síria) e elas tem o mesmo peso neste momento", revelou uma autoridade americana ao jornal New York Times, segundo um artigo publicado neste sábado.
Segundo analistas, além do apoio militar a insurgentes, pelo menos outras três alternativas vêm sendo debatidas pelos americanos e seus aliados para a Síria: a realização de ataques aéreos "cirúrgicos", uma campanha aérea mais ampla e a imposição de uma uma zona de exclusão aérea sobre o território do país.
"Os argumentos para algum tipo de intervenção estão crescendo, impulsionados por esse suposto uso de armas químicas", explicou, em um artigo recente, Jonathan Marcus, correspondente da BBC especializado em assuntos diplomáticos.
"O medo não é só que o número de mortos seja muito grande se essas armas forem usadas - porque esse número já atingiu patamares altíssimos. Há muita preocupação com a possibilidade de que essas armas caiam em mãos de grupos jihadistas ou do Hezbollah, aliados de Assad no Líbano. Nessa linha de raciocínio, quanto mais a guerra demorar, maior será o número de vítimas e o risco de o conflito se espalhar para outros países da região."

Opções

Insurgentes em Allepo (Foto AFP)
Insurgentes em Allepo: conflito já se arrasta por dois anos
É claro que cada opção de engajamento dos EUA no conflito implica em uma série de riscos e custos.
Se os americanos decidirem fornecer armas, mísseis antiaéreos, treinamento e equipamento militar para os rebeldes sírios de fato podem ajudar a fazer com que o impasse do conflito seja resolvido no médio prazo a favor dos insurgentes - e sem colocar em risco a vida de soldados americanos.
No curto prazo, porém, há sempre o risco de que mais armas signifiquem apenas uma escalada da violência, com o aumento do número de mortos e feridos. Por isso, essa é uma opção bastante criticada por autoridades da ONU.
Além disso, segundo Marcus, como entre os insurgentes sírios é forte a presença de combatentes jihadistas, autoridades dos Estados Unidos também temem que, no longo prazo, tais armas acabem sendo usadas contra tropas americanas - como ocorreu no Afeganistão, depois que os EUA armaram combatentes mujahedin contra tropas soviéticas.
Para completar, a estratégia poderia prejudicar bastante as relações entre Washington e Moscou - visto como aliado de Assad.

Ataques aéreos

Um ataque aéreo cirúrgico poderia ser lançado a partir de aviões de fora do espaço aéreo sírio ou de navios de guerra e submarinos estacionados no Mediterrâneo.
"A escolha do alvo, porém, seria bastante complicada - e não está claro se as supostas instalações contendo armas químicas poderiam ser atingidas sem liberar produtos químicos perigosos para a atmosfera", diz Marcus.
Segundo informações publicadas pelo New York Times neste sábado, um dos possíveis alvos seriam as estradas e outras vias de escoamento sírias - o que impediria Assad de colaborar e receber a colaboração de outros grupos da região.
Uma terceira outra opção de intervenção no conflito sírio seria uma campanha aérea mais extensa - mas o risco de mortes entre civis também seria maior.
De acordo com Marcos, essa campanha precisaria ser precedida de ataques para destruir o sistema antiaéreo da Síria - seus mísseis, radares e centros de comando.
A quantidade de recursos usada numa operação desse tipo também seria maior - e não está claro se haveria apoio entre a opinião pública americana para tais dispêndios em tempos de crise.
A quarta opção debatida por americanos e seus aliados seria o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea no território sírio, assegurada por mísseis dos EUA e da Otan alocados na Turquia.
O maior problema, nesse caso, é que os EUA precisariam garantir o apoio de seus aliados regionais e da Otan para o projeto - e muitos países parecem demonstrar resistências a uma ação desse tipo.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Desemprego nos EUA cai para 7,5%, o menor em quatro anos

O governo dos Estados Unidos revelou nesta sexta-feira que a taxa de desemprego no país ficou em 7,5% da população economicamente ativa em abril, o menor nível em quatro anos.
A queda reflete mais um aumento real das ofertas de emprego do que a abertura de vagas por quem deixou de trabalhar.
Segundo o Departamento do trabalho, foram geradas 165 mil vagas de trabalho no país no mês de abril, superando a expectativa de economistas para o período, de criação de cerca de 145 mil vagas.
O número não inclui as vagas de trabalho criadas nas fazendas e em organizações sem fins lucrativos ou empregos em residências ou no governo.
O país tem registrado uma alta constante no número de empregos nos últimos meses, com um aumento médio mensal de mais de 200 mil desde novembro.
Entretanto, analistas recomendaram cautela ao observar que o país esteja saindo da crise econômica e apontam para a menor oferta de emprego no setor da construção e a estagnação no número de vagas no setor industrial.
O Departamento do Trabalho dos EUA também revisou para cima as estatísticas de março e fevereiro, quando 332 mil empregos foram criados, o maior ganho mensal desde maio de 2010. Os números de março foram ampliados em 50 mil, chegando a 138 mil.
Os novos números sobre o desemprego americano geraram uma reação positiva dos mercados. Na bolsa de Nova York, o índice Dow Jones ultrapassou a marca dos 15 mil pontos pela primeira vez.

Quatro fatores para entender a crise do etanol

A história recente do etanol no Brasil pode ser comparada a um filme com um roteiro marcado por mudanças repentinas. As primeiras cenas mostram o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva alardeando em todo o mundo o produto feito de cana-de-açúcar como uma alternativa sustentável aos combustíveis fósseis e algo que poderia mudar a economia nacional.
A narrativa continua com vitórias como a ampliação da frota de carros flex no país e a perspectiva de o etanol brasileiro poder entrar no mercado americano, após uma intensa disputa com produtores e lobistas locais.
Mas o que se segue é uma reviravolta surpreendente, com o país sem etanol suficiente para exportar e, no âmbito doméstico, carros flex sendo abastecidos sempre com gasolina, por custar menos que o etanol.
No outro extremo das bombas de combustível, o setor vem enfrentando o fechamento sistemático de usinas. De 2008 a 2012, mais de 40 deixaram de funcionar, sendo 30 apenas entre 2011 e 2012, de acordo com a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
Assim, em pouco tempo, a "menina dos olhos" do governo brasileiro acabou mergulhando no que muitos consideram uma grave crise.
Diante desse cenário, o governo lançou na semana passada um pacote de medidas para incentivar a atividade sucroalcooleira, que foi recebido por especialistas e algumas entidades como um alento importante, porém tímido demais para impulsionar o setor.
O Ministério de Minas e Energia, por sua vez, afirma que o pacote de medidas é resultado de um processo de negociação com o setor produtivo que começou em 2011 e durante o qual foram recebidas diversas sugestões. "Neste período, a equipe técnica do governo analisou os impactos das medidas sugeridas e definiu aquelas que são possíveis e necessárias", diz o ministério, em nota.
Veja abaixo quatro pontos que ajudam a entender a atual crise do etanol brasileiro:

Falta de planejamento a longo prazo

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil e órgãos ligados ao setor concordam que o crescimento e a consolidação do etanol só vai ocorrer quando o governo colocar em prática uma política com efeitos de longo prazo.
"A falta de planejamento do governo é a principal causa para a crise do etanol", afirma o engenheiro e professor da Unicamp Luis Augusto Barbosa Cortez, especialista em bioenergia. "Essa indústria já está no país há mais de 40 anos e, mesmo assim, não há uma política consolidada. O governo só toma medidas esporádicas, que não resolvem o problema pela raiz."
Açúcar / AP
Fabricantes preferem produzir açúcar em vez de etanol devido a preços mais atrativos
Cortez ressalta que uma das implicações dessa falta de planejamento é a dificuldade do setor em dissociar a produção de álcool da do açúcar, cujo preço no mercado internacional é mais alto e, portanto, mais atrativo para o fabricante.
"Se conseguíssemos fazer essa separação, muitas usinas não precisariam ficar produzindo açúcar, e isso impulsionaria a produção de etanol."
Fatores como esses contribuem para críticas sobre a estratégia energética do país. O projeto de liderar o mercado mundial de biocombustível parece não ser mais prioritário, em um momento em que o setor avança em outros países, caso do etanol de milho nos Estados Unidos.
Com a descoberta do pré-sal, o petróleo voltou a ganhar espaço. Com o foco de volta nos combustíveis fósseis, o etanol ficou em segundo plano.
A Unica elogiou o pacote de incentivos do governo, dizendo que ele aumentará em 2,3 bilhões de litros a demanda adicional por etanol nos postos, melhorará a competitividade e dará "fôlego" ao setor (por conta de novas condições de financiamento e reduções de impostos). Mas pediu apoio ao financiamento de pesquisas sobre o etanol de "segunda geração" (produzido com o bagaço da cana).
Em nota, na semana passada, a Unica setor ressaltou a importância de se buscar "incessantemente" soluções de longo prazo para retomar o crescimento do setor e pediu, por exemplo, que se defina melhor o papel do etanol na matriz energética nacional.
Por meio de uma nota, o Ministério de Minas e Energia afirmou que o governo tem atuado para "oferecer condições para o aumento sustentável da competitividade do etanol" e que "todas as medidas implementadas foram solicitadas pelo setor". O ministério diz ainda que o etanol deve ser competitivo no longo prazo e, "para tanto, o setor deve atuar fortemente na redução dos custos de produção e no aumento da produtividade".
Ainda de acordo com o governo, "a adoção de outras medidas de incentivo solicitadas pelo setor implicariam na volta de subsídios, o que se constituiria um retrocesso".

Peso da gasolina na economia

Para José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de São Paulo), que reúne revendedores de combustíveis, hoje só abastece com etanol quem é muito preocupado com o meio ambiente. "É uma uma minoria", diz. "A maioria está bem mais preocupada com o bolso."
Gouveia acrescenta que só vale a pena abastecer com álcool se o valor for até 70% do preço da gasolina, já que o etanol é menos eficiente.
Mas, nos últimos anos, muitos consumidores já nem fazem essa conta, por saberem de antemão que a gasolina custará menos. Prova disso é um levantamento feito pelo braço de investimentos do banco Itaú: se em janeiro de 2009, 80% dos carros flex consumiam prioritariamente álcool, esse número caiu para 27% em outubro de 2012.
"É preciso aumentar a oferta (nos postos), garantindo um preço (que cubra os custos dos produtores) e a vantagem para os consumidores", diz à BBC Brasil o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues. "E também precisamos de uma campanha de valorização, que vá além do preço e mostre as externalidades positivas do etanol, como (as vantagens) ambientais."
E, segundo especialistas, o etanol vem perdendo a disputa nos postos por causa da interferência do governo no valor da gasolina. "Se a ideia é voltar a valorizar o etanol, não se pode mais usar a gasolina para fazer política econômica", diz Gouveia.
Os analistas dizem que, mesmo prejudicando o caixa da Petrobras, o governo controla o preço da gasolina para, assim, controlar a inflação. Sem deixar o preço da gasolina flutuar com o do mercado internacional, como ocorre na maioria dos lugares, o etanol fica mais vulnerável e menos competitivo.
No início do ano, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu a política de preços do governo. "Essa política implica em manter o preço médio da gasolina e não alterá-lo a cada mudança de preços do petróleo e derivados", disse, durante uma coletiva de imprensa em fevereiro. "Em alguns momentos, os preços ficam acima do mercado internacional e em outros períodos ficam abaixo."

Produtividade

A crise financeira internacional de 2008 não passou batida pelas usinas de cana. Ela encolheu os créditos e ampliou os custos de plantio, tornando a produção mais cara.
Para Cortez, ela também reduziu os investimentos no setor, inclusive os de capital estrangeiro, que chegaram ao país no auge do etanol por meio de empresas como BP, Shell e Bunge.
Cana de açúcar / AP
Crise financeira encolheu o crédito para produtores de etanol, diz especialista
E o dinheiro ficou mais escasso também na hora de manter e renovar o canavial - etapas essenciais para se ter boas safras. Por último, a turbulência mundial também obrigou usineiros brasileiros a fechar as portas.
A crise contribuiu para a queda da produtividade de um setor inteiro nos últimos anos. Mas não só ela. Segundo o engenheiro agrônomo José Baccarin, da Unesp, a mecanização da colheita também teve sua parcela de culpa.
"A produção de cana caiu de 86,6 toneladas por hectare em 2006, para 74,7 em 2012", diz Cortez, ao comentar a queda da produtividade por hectare. "É claro que a máquina reduz o custo total, mas o corte mecânico acaba desperdiçando parte da cana por não cortar tão rente ao solo, como o manual."
Pádua Rodrigues, da Unica, diz que o setor viveu uma "crise de custos", que englobou desde salários, recuperação de áreas de preservação ambiental e perda de produtividade até falta de crédito. Além disso, diz ele, a fase de mecanização do setor ainda passa por uma "curva de aprendizagem", em que muitos dos produtores ainda estão aprendendo a manter a mesma capacidade da época em que a colheita era manual.

Questões climáticas

Cortez, da Unicamp, avalia que é injusto culpar a cana pela crise no setor, já que não houve catástrofes no plantio de cana recentemente, mas ele admite que as condições climáticas prejudicaram as últimas safras.
Uma foi seca demais; outra, muito chuvosa e a terceira (em 2012), veio acompanhada de geada que atingiu várias plantações.
Essas intempéries acabaram contribuindo para o aumento do custo do etanol. Um impacto que muitas vezes não foi repassado para o preço, devido a sua já desvantajosa posição. Mas acabou aprofundando o endividamento do setor e reduzindo sua capacidade de produção - fechando esse ciclo de crise do etanol.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Por que Obama não consegue fechar Guantánamo?

Poucas promessas eleitorais têm dado tanta dor de cabeça ao presidente americano, Barack Obama, do que a de fechar a prisão de Guantánamo.
A questão é tema de críticas, inclusive, entre grandes simpatizantes de Obama.
Na última terça-feira, a repercussão da greve de fome de 100 presos que protestam por sua detenção por tempo indeterminado - e sem indiciamento formal - fez o líder americano mais uma vez se comprometer com o fechamento da polêmica cadeia em Cuba.
Em função do "limbo legal" em que os presos se encontram em Guantánamo, a situação desatou uma onda de críticas de governos estrangeiros e ONGs.
"É fundamental que entendamos que Guantánamo não é essencial para a segurança dos Estados Unidos", disse Obama. "Devemos fechá-la."
Mas se a mesma promessa foi feita há quatro anos e acabou não saindo do papel, o que, afinal, tem impedido Obama de tomar uma atitude?

Argumentos

Um dos argumentos dos que defendem o fechamento de Guantánamo está relacionado a seus custos: a prisão é provavelmente a mais cara do mundo.
Segundo um relatório enviado pelo presidente americano ao Congresso, o Departamento de Defesa gasta aproximadamente US$ 150 milhões (R$ 300 milhões) por ano para mantê-la - o equivalente a US$ 800 mil (R$1,6 milhões) por prisioneiro, quando um detento em uma prisão de segurança nos Estados Unidos americana custa US$ 25 mil (R$ 50 mil) anuais.
Outro argumento contra a prisão é que, segundo algumas análises, ela seria ineficiente - como ressaltou o próprio Obama na entrevista de terça-feira.
"A prisão não serve a interesses de segurança nacional americanos. Existem melhores alternativas que Guantánamo para mantermos esses presos", disse à BBC Ken Gude, vice-presidente do Centre for American Progress (CAP), instituto de pesquisa de centro-esquerda com sede em Washington.
Barack Obama (Foto Getty Image)
BArack Obama discursa sobre a prisão cubana: 'Devemos fechá-la'
"Metade dos 166 prisioneiros pode ser transferida imediatamente para seus países de origem. Entre eles, iemenitas cuja liberação já foi até aprovada."
Tal libertação não teria acontecido até agora principalmente porque faltava cooperação entre o governo americano e o Iêmen e pelo temor de que o país não tenha condições de evitar que os prisioneiros se juntem a grupos extremistas.
"Mas há um novo governo no país, com o qual temos um bom relacionamento", diz Gude.
Pra ele, a existência de Guantánamo e situações como a greve de fome dos presos está prejudicando a reputação internacional dos Estados Unidos.
"Trata-se de uma questão estratégica, porque nesse cenário há mais incentivos para o recrutamento de indivíduos por grupos radicais", diz Gude.

Opções de Obama

De acordo com a legislação em vigor hoje nos EUA, o presidente americano pode transferir presos que estão em vias de serem libertados para seus países de origem ou um terceiro país - e nessa categoria se encontram pelo menos metade dos prisioneiros de Guantánamo.
Na prisão em Cuba também há cerca de 40 detentos esperando para serem levados a julgamento - algo que poderia ocorrer nos Estados Unidos se eles fossem transferidos. E, no caso, os condenados poderiam cumprir suas penas em prisões de segurança máxima.
Muitos dos que não se encaixam em nenhuma dessas categorias foram trazidos do Afeganistão. "E como o envolvimento americano no conflito afegão vai acabar em breve, esses prisioneiros poderiam ser entregues a esse país como parte do processo de paz", diz Gude.
O grande problema para a implementação de uma estratégia como essa é que o Congresso aprovou uma série de obstáculos para impedir o fechamento da prisão em Cuba no curto prazo.
Muitos legisladores se opõe ferozmente ao julgamento dos presos em tribunais civis em solo americano, com todas as garantias processuais que a lei do país prevê.
Também há resistências à transferência desses detentos para prisões de segurança máxima nos Estados Unidos - o que motivou o Congresso a proibir o uso de fundos públicos em tais transferências.

Oposição

Os que se opõem ao fechamento de Guantánamo argumentam que, uma vez dentro do país, seus detentos poderiam fugir e se tornar um problema de segurança.
Prisioneiros em Guantánamo (Foto Getty Image)
Prisioneiros em Guantánamo: centro de detenção prejudica imagem internacional dos Estados Unidos
Também há temores de que as prisões nas quais eles estão se tornem alvos de ataques com o objetivo de facilitar suas fugas.
"Trata-se de um medo irracional, já que eles estariam em prisões de segurança máxima, como outras centenas de pessoas condenadas por terrorismo nos Estados Unidos", opina Gude.
Muitos legisladores também não veem com bons olhos a ideia de enviar os prisioneiros para seus países de origem.
É verdade que nos últimos anos a resistência ao fechamento de Guantánamo vem diminuindo.
Nas últimas eleições presidenciais, por exemplo, o candidato republicano Mitt Romney, que sempre foi um grande defensor do centro de detenção, preferiu não falar sobre o tema.
Mas mesmo que Obama consiga iniciar um processo de desmantelamento da prisão, é possível que não consiga completá-lo antes do fim de seu mandato, em janeiro de 2017.
Ainda é preciso finalizar os processos militares contra os implicados nos ataques de 11 de setembro. Certamente haverá apelações - o que pode estender a existência do centro de detenção por vários anos.
"Quando esses casos forem resolvidos, estivermos mais distantes do 11 de setembro e a guerra no Afeganistão tiver sido concluída, haverá mais apoio popular para o fechamento de Guantánamo", diz Gude.
"É inevitável: um dia essa prisão será fechada. Em 25 anos não estaremos discutindo sobre ela."

Justiça do Quênia condena iranianos por planejar atentado

A Justiça do Quênia condenou dois iranianos por planejar um ataque a alvos ocidentais no país.
Ahmed Mohammed e Sayed Mansour foram flagrados com 15 quilos de explosivos na capital Nairobi, em junho do ano passado.
Eles foram acusados de participar de uma rede extremista que planejava explodir alvos britânicos, americanos ou israelenses em Nairobi e na cidade portuária de Mombasa.
Eles foram acusados de terrorismo e sentenciados a 15 anos de prisão.

Crescem indícios de que Hezbollah ajuda governo sírio em conflito

O grupo militante xiita libanês Hezbollah há tempos vinha sendo suspeito de enviar combatentes para ajudar o regime de Bashar al-Assad, na vizinha Síria.
Inicialmente, os únicos indícios dessa colaboração eram funerais de membros do Hezbollah realizados na Síria, mas era impossível saber ao certo quanto combatentes xiitas libaneses estiveram no país ou qual seria exatamente o seu papel.
Agora, pela primeira vez, a BBC pode testemunhar o envolvimento do Hezbollah em alguns dos combates-chave com os quais o regime Assad diz estar reconquistando o controle de determinadas áreas.
E o indicativo mais claro do envolvimento do Hezbollah vem do próprio grupo.
Em um raro discurso transmitido na terça-feira, o líder do grupo, Hassan Nasrallah, declarou que "a Síria tem amigos verdadeiros que não a deixarão cair (perante) os EUA, Israel ou radicais islâmicos".
Alegando que grupos armados de oposição são fracos demais para derrubar Assad, Nasrallah afirmou que, ante a ameaça de rebeldes de capturar aldeias sob controle do governo, "é normal oferecer toda a ajuda possível e necessária para o Exército sírio".

Apoio militar e treinamento

Sabe-se que o Hezbollah vinha provendo ajuda médica, logística e prática para refugiados sírios que tentam escapar da guerra civil em seu país.
Mas, na últimas semanas, a BBC viu, em algumas áreas, combatentes do Hezbollah cruzando livre e abertamente a fronteira sírio-libanesa, dando apoio militar e treinamento para seus aliados na Síria.
Nasrallah em discurso
Em discurso, líder do Hezbollah disse que a Síria tem 'amigos verdadeiros'
No norte do Líbano, no vale Bekaa, a fronteira tradicional significa pouco para moradores locais, que há séculos fazem trocas comerciais e casam entre si. Mas, passando a fronteira, na crucial cidade síria de Quseir, estão ocorrendo algumas das mais duras batalhas da guerra civil.
Imagens e depoimentos colhidos em Quseir sugerem que o Hezbollah está cada vez mais envolvido no combate e na coordenação de milícias pró-governo, que são pouco organizadas e inexperientes.
O Exército sírio, ainda que amplo e bem equipado, está em seu limite, tentando conter uma rebelião em vários pontos do país que já dura dois anos.
Por isso, o que o Hezbollah conseguir conquistar em Quseir, na cidade próxima de Homs e nos subúrbios de Damasco, será vital para a estratégia militar síria.

Controle de fronteira

A situação do conflito está claramente em mudança. Em partes do noroeste do Líbano, ambos os lados da fronteira são controlados pelo Hezbollah e seus aliados sírios. E eles dizem estar ganhando terreno.
Abu Mohammed
'Estamos defendendo nossa terra de rebeldes', diz miliciano
Com a ajuda de "comitês populares locais", a equipe da BBC conseguiu cruzar a fronteira com a Síria para conversar com Abu Mohammed, miliciano pró-governo.
Durante o breve e tenso encontro, cercado por homens armados com fuzis AK-47, ficou claro que, ao menos nesta área, o Hezbollah, o Exército sírio e as milícias ligadas a Assad operam como se fossem um só.
Ainda assim, Mohammed insistiu que o Hezbollah não está diretamente envolvido no conflito.
"Eles nos dão apoio logístico e médico e nos ajudam a reconquistar território, mas não estão combatendo", diz o miliciano, com seu rosto coberto.
Questionado quanto à preocupação de que o envolvimento de grupos libaneses como o Hezbollah desestabilizariam ainda mais as relações na frágil fronteira, ele disse: "Estamos defendendo nossa terra de rebeldes que bombardeiam nossas aldeias."

Ampliação do conflito

Casa no Líbano alvejada por foguete da oposição síria
Casa libanesa alvejada por sírios mostra que conflito está ultrapassando as fronteiras
O temor é de que o envolvimento do Hezbollah e outras facções façam com que o conflito sírio se espalhe para o outro lado da fronteira. E isso parece já estar acontecendo.
No Líbano, a cidade xiita de Hermel tem sido constantemente alvejada por foguetes de rebeldes sírios, já que a cidade apoia o regime Assad e é acusada de enviar combatentes ao lado sírio da fronteira.
No país, nem todos apoiam o papel do Hezbollah na Síria. Abu Alawa é um idoso da aldeia que fala com carinho das relações sírio-libanesas na região antes de a guerra civil começar.
"Há mais vozes moderadas na comunidade xiita que deveriam ter um papel na resolução do conflito", diz ele. Mas sua voz é cada vez mais solitária numa região com cada vez mais tensões sectárias.

Radicalização

Assim, quanto mais o conflito sírio se prolonga, mais expostas ficam as diferenças entre sunitas e xiitas nos dois países.
Em mesquitas sunitas libanesas, jovens estão sendo radicalizados. Sobretudo em cidades como Trípoli, onde as divisões sectárias espelham as da Síria, clérigos estimulam seus seguidores com chamados à jihad (guerra santa).
Nas últimas semanas, diversos imãs fizeram chamados públicos para que jovens se alistem para o combate.
Em conversa com a BBC em Trípoli, o xeique Salem Rafii disse que a iniciativa é uma resposta necessária ao papel do Hezbollah no conflito vizinho. "Há pessoas oprimidas lá (na Síria). Mulheres e crianças estão sendo estupradas, mortas e expulsas. Então qualquer libanês deveria ir ajudá-los, e será recompensado por Deus", diz.
Com isso, o futuro do Líbano fica ameaçado pelas turbulências na Síria. Geograficamente cercado e historicamente dominado pelo vizinho maior, talvez fosse querer demais que o Líbano e suas divisões sectárias ficassem alheias aos desdobramentos sírios.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Colegas de suspeito de Boston comparecem perante Justiça

Três colegas do suspeito dos atentados na Maratona de Boston tiveram de comparecer perante a Justiça americana nesta quarta-feira, acusados de obstuir a investigação policial.
Segundo a polícia, Azamat Tazhayakov e Dias Kadyrbayev, ambos do Cazaquistão, são acusados de destruição de provas, por supostamente terem jogado fora o laptop e a mochila de Dzhokhar Tsarnaev (preso como o responsável pelo atentado, ao lado do irmão, morto em confronto com policiais).
O terceiro colega, o americano Robel Phillipos, é acusado de falso testemunho à polícia.
Nenhum dos três teria qualquer envolvimento com o planejamento dos atentados, mas ficarão presos para que não fujam, a pedido da Promotoria. Segundo a imprensa, os três são colegas de universidade de Tsarnaev.
Os atentados da Maratona de Boston, em 15 de abril, deixaram três mortos e 264 feridos.

Ossos 'comprovam' canibalismo de colonos britânicos nos EUA

Ossos humanos recém-descobertos provam que os primeiros colonos britânicos a chegar à América do Norte tiveram de recorrer ao canibalismo durante o duro inverno de 1609 e 1610, informam pesquisadores americanos.
Cientistas descobriram cortes incomuns, consistentes com canibalismo, em ossos deixados em um depósito de lixo da época.
O crânio e a tíbia de 400 anos, pertencentes a uma adolescente do estado americano da Virgínia, foram escavados no ano passado, em uma colônia fundada em 1607.
"A evidência é totalmente consistente com o desmembramento e com (a retirada da) carne desse corpo", diz Doug Owsley, antropólogo forense no Museu Smithsonian de História Natural, em Washington.
Documentos escritos já sugeriam que colonos, em desespero, haviam recorrido ao canibalismo. Mas a ossada da menina britânica de 14 anos é a primeira prova científica disso.

'Tempo da fome'

Os pesquisadores acreditam que a menina, depois de morrer, se tornou fonte de alimentos para uma comunidade que lutava para sobreviver ao inverno de 1609 e 1610 - período conhecido pelos historiadores como "tempo da fome".
Esse período é considerado um dos mais terríveis dos primórdios da era colonial na América do Norte. Os colonos em James Fort, Virgínia, estavam sitiados pela população indígena local e não tinham comida o bastante para sobreviver ao inverno.
Os colonos primeiro comeram seus cavalos; depois recorreram a cães, gatos, ratos, camundongos e cobras. Alguns chegaram a comer o couro de seus sapatos.
Por fim, tiveram de recorrer ao canibalismo, mas não se sabe quantos dos mortos da época viraram fonte de alimentos para seus pares. Acredita-se que a adolescente não tenha sido a única.
O alívio veio quando um nobre chegou ao assentamento com comida e mais colonos. Dos 300 colonos originais, sobraram apenas 60, após seis meses de isolamento e fome.

Cortes

No caso da menina, "havia numerosos cortes - na testa, na parte atrás do crânio e uma picada no lado esquerdo da cabeça, para extrair o cérebro", diz Owsley. "A intenção clara era remover tecido facial é cérebro para consumo. Essas pessoas estavam vivendo em circunstâncias extremas. Então, qualquer carne disponível seria usada."
Não se sabe exatamente como a menina de 14 anos morreu, mas o uso de seu corpo teria ocorrido pouco depois.
Análises mais aprofundadas indicam que, em sua vida, ela era bem nutrida e se alimentou com muita carne, dieta consistente com as classes mais abastadas da época.

Briga no Parlamento complica crise política na Venezuela

A oposição venezuelana e congressistas ligados ao chavismo se enfrentaram no único lugar que ainda se comunicavam: a Assembleia Nacional da Venezuela.
Representantes da oposição e deputados governistas trocaram socos na terça-feira, em reação à aprovação de uma medida exigindo que congressistas só possam discursar se reconhecerem a vitória do presidente Nicolás Maduro.
A crise ameaça complicar ainda mais o panorama político na Venezuela.
Onze deputados ficaram feridos no episódio - uma briga inédita na história recente da Venezuela, que evidencia a fragilidade da relação entre a oposição e o governo.
Desde as eleições presidenciais de 14 de abril, a violência política parece estar permanentemente a ponto de explodir, mas algo sempre a mantém contida - apesar de alguns confrontos, inclusive com mortes atribuídas a manifestações convocadas pela oposição.
Mas esse estopim final e definitivo ainda não aconteceu, ao menos não com a intensidade arrasadora que alguns previam. Só que, enquanto isso, a governabilidade do país fica cada vez mais comprometida.
E a violência na Assembleia Nacional a complica ainda mais, porque é difícil imaginar como os dois lados poderão se aproximar depois dos enfrentamentos, em um espaço institucional que, em tese, pressupõe convivência e diálogo.

Sem palavras ou salários

O sempre insipiente diálogo já havia sido danificado semanas atrás, depois que o presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, decidiu negar o direito à palavra aos deputados que não reconhecessem a vitória de Maduro. Além disso, Cabello suspendeu seus salários.
Os opositores não reconheceram a eleição de Maduro sob orientação de seu líder, Henrique Capriles, que perdeu as eleições presidenciais e contesta os resultados eleitorais - ele pediu uma auditoria da votação e pode tentar impugnar formalmente o pleito.
Deputado oposicionista que esteve envolvido nos conflitos de terça (Reuters)
Confrontos de terça-feira na Assembleia evidenciam deterioração do cenário político
A sessão parlamentar desta terça-feira foi a primeira depois de Cabello adotar a polêmica decisão, questionada por opositores que alegam que limitar o trabalho de representantes populares está fora do escopo de atribuições do presidente da Assembleia.
A sessão começou sem que fosse reconhecido o direito da bancada de oposição. Quando esta tentou interromper o debate, usando faixas e buzinas, despertou uma reação violenta por parte de alguns deputados do governo.

Chávez, muro de contenção

O alvoroço fez com que muitos lembrassem de uma advertência recente de Diosdado Cabello, que dissera à oposição que o ex-presidente Hugo Chávez, morto em março, era um "muro de contenção" - palavras que soaram como ameaças para alguns.
"Chávez era incapaz de machucar alguém. E digo que vocês, senhores da oposição, deveriam ter rezado muito para que Chávez continuasse vivo, porque ele era o muro de contenção de muitas ideias loucas que nos vêm à cabeça."
Ainda que alguns opinem que o tom de Cabello era mais uma bravata do que uma ameaça real, outros destacam que a fala ilustra uma preocupante deterioração do discurso político venezuelano. E o discurso pode preceder uma ação concreta.
Como em qualquer briga, é difícil estabelecer quem bateu mais, com mais força ou primeiro. As "provas" em vídeo nunca mostrarão o momento exato em que tudo começou. E as imagens sempre ficam sujeitas de interpretações parciais.
O mais grave é que o uso da violência pelos representantes da cidadania pode refletir o estado das coisas nas ruas da Venezuela, onde as tensões podem se tornar incontroláveis à medida que a crise e as divisões se aprofundam.

OMS alerta para riscos de nova cepa da gripe aviária

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quarta-feira que a nova cepa do vírus da gripe aviária surgida na China representa uma série ameaça à saúde humana.
O vírus H7N9 já infectou pelo menos 126 pessoas desde que foi detectado pela primeira vez, há um mês.
Desse total, 24 pessoas já morreram e outras estão internadas em estado grave no hospital.
Cientistas dizem que estão preocupados com o ritmo e a gravidade do surto, mas ainda não se sabe, até agora, se o vírus poderia sofrer mutações e, assim, se tornar contagioso entre humanos.

Avião ‘escapa de colisão com ovni’ na Escócia

Um relatório divulgado na Grã-Bretanha revelou que um avião de passageiros quase colidiu no ar com um misterioso objeto voador não identificado (ovni) quando a aeronave, um Airbus A320, estava se preparando para pousar no aeroporto internacional de Glasgow, na Escócia.
Segundo o relatório, preparado pela organização britânica que avalia segurança aérea e investiga casos de quase colisão no país, a UK Airprox Board, o episódio ocorreu em 2 de dezembro do ano passado. O avião já estava com as luzes de pouso acesas, em condições meteorológicas boas e a uma altitude de quase 1,2 mil metros, quando o piloto viu um objeto "emergir à frente".
O objeto teria passado diretamente abaixo da aeronave, a pouco mais de 90 metros de distância, antes que a tripulação tivesse tempo de tomar medidas preventivas (para o caso de uma colisão) ou "realmente registrar" o que seria este objeto.
O ovni não apareceu no radar, e o piloto do Airbus afirmou que o risco de colisão foi "alto".
Tanto os tripulantes quanto o piloto concordam que o objeto parecia ser amarelo e azul e ter uma pequena área frontal, mas era "maior que um balão".
Durante o incidente, o piloto chegou a perguntar a um controlador de tráfego aéreo de Glasgow se ele estava em contato com alguma outra aeronave na área, mas o controlador afirmou que não estava falando com mais ninguém e não tinha registrado nada no radar.

28 segundos

Logo depois da ocorrência foi feita uma busca na região, mas sem resultados.
Os controladores de tráfego aéreo informaram que não obtiveram vestígios de outros objetos na área do incidente. Mas o radar do outro aeroporto de Glasgow, o aeroporto de Prestwick, captou uma "rota não identificada" a 1,3 milha náutica (cerca de 2,4 km) da posição do Airbus A320 apenas 28 segundos antes.
"Parece que escapamos por apenas algumas centenas de pés, veio diretamente abaixo de nós. Onde quer que estivéssemos quando chamamos o controle de tráfego aéreo, (o objeto) estava a cerca de dez segundos (de distância). Não posso dizer em qual direção estava indo, mas veio diretamente abaixo de nós."
Piloto do avião
"Parece que escapamos por apenas algumas centenas de pés, veio diretamente abaixo de nós. Onde quer que estivéssemos quando chamamos o controle de tráfego aéreo, (o objeto) estava a cerca de dez segundos (de distância). Não posso dizer em qual direção estava indo, mas veio diretamente abaixo de nós", disse o piloto quando a aeronave pousou.
Quando perguntado se o objeto poderia ser um "planador ou coisa parecida", o piloto respondou que "poderia ser um ultraleve. Parecia grande demais para um balão".

Mistério

O relatório informou que os investigadores não conseguiram determinar o que era o objeto.
"A investigação das fontes de vigilância disponíveis não foi capaz de rastrear qualquer atividade que corresponda àquela descrita pelo piloto do A320. Adicionalmente, não havia nenhuma outra informação que indicasse a presença (de outra aeronave) ou atividade na área", afirmou o relatório.
A UK Airprox Board também afirmou que acredita ser improvável que o objeto tenha sido uma aeronave de asas fixas, helicóptero ou balão de ar quente, pois o objeto não apareceu no radar como estes objetos apareceriam.
O relatório também afirmou que um balão meteorológico apareceria no radar. Além disso, um balão destes não teria sido solto naquela região.
A organização não descartou a possibilidade de o ovni ser um planador, mas afirmou que seria improvável a presença de uma aeronave destas na região de Glasgow devido à falta de espaço aéreo e de atividade térmica necessária para o voo de planador. Na época do incidente, Glasgow registrava temperaturas baixas.
Outros tipos de objetos, como uma asa-delta ou semelhantes, apareceriam no radar, segundo a UK Airprox Board.

Polícia de Boston prende mais três suspeitos por ligação com atentado a Maratona

A Polícia de Boston informou nesta quarta-feira que prendeu mais três suspeitos por ligação com o atentado à Maratona da cidade. Eles ainda não tiveram os nomes revelados.
O anúncio foi feito via Twitter.
Os ataques, ocorridos no dia 15 de abril, deixaram três mortos e mais de 260 feridos.
Até agora, a suspeita da autoria do atentado recai sobre os irmãos Tsarnaev, Tamerlan e Dzhokhar.
Tamerlan morreu em confronto com a polícia na madrugada da sexta-feira seguinte aos ataques. Já Dzhokhar foi gravemente ferido e permanece sob custódia da polícia.

Cigarro causa mais câncer em mulheres, diz estudo

Uma pesquisa feita por cientistas noruegueses sugere que mulheres fumantes têm mais risco de desenvolver câncer de intestino que homens fumantes.
Os pesquisadores, da Universidade de Tromso, analisaram os registros médicos de 600 mil pacientes e concluíram que a incidência da doença é duas vezes maior entre mulheres que fumam.
O estudo foi divulgado na publicação especializada Cancer Epidemiology Biomarkers & Prevention.
Ele mostra que as mulheres fumantes têm 19% mais risco de desenvolver esse tipo de câncer que as não fumantes, enquanto entre os homens o cigarro aumenta esse risco em 9%.
Durante o período analisado, cerca de 4 mil pacientes tiveram câncer no intestino.
O risco de desenvolver a doença mostrou-se especialmente alto entre mulheres que começaram a fumar aos 16 anos ou mais jovens e aquelas que fumaram durante décadas.
Segundo os cientistas noruegueses, esse é o primeiro estudo a mostrar que até mulheres que fumam menos que homens têm um risco maior de desenvolver câncer no intestino grosso - um indicativo de que elas seriam mais vulneráveis aos efeitos tóxicos do cigarro.
Mas eles fizeram a ressalva de que a pesquisa não conseguiu levar em conta outros fatores que poderiam afetar a incidência da doença, como o consumo de álcool e a dieta dos pacientes.

Doenças cardíacas

Especialistas também já haviam mostrado que mulheres fumantes têm mais chances de sofrer um ataque cardíaco que homens fumantes, mas não sabiam muito bem o motivo dessa diferença.
Outra pesquisa recente, publicada por uma equipe da Universidade do Oeste da Austrália na revista médica Journal of Clinical Endrocrinologyand Metabolism, apresenta uma possível explicação para isso.
De acordo com ela, adolescentes expostas ao fumo passivo apresentariam baixos níveis do colesterol "bom" (HDL), que ajuda a reduzir o risco de doenças cardíacas.
Já entre meninos, o fumo passivo não teria o mesmo impacto negativo - ou seja, os níveis de colesterol "bom" não seriam afetados pela exposição à fumaça de cigarro.
O estudo analisou mais de mil adolescentes na região de Perth, na Austrália.
"Levando em conta que doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no mundo ocidental, essa é uma preocupação importante", afirmou Chi Le-Ha, que coordenou a pesquisa.
De acordo com um terceiro estudo, que acompanhou a trajetória de mais de um milhão de mulheres, aquelas que abandonaram o cigarro aos 30 anos evitaram quase completamente o risco de uma morte prematura devido a doenças relacionadas ao fumo.
"Já se sabe que fumar causa pelo menos 14 tipos diferentes de câncer", diz Sara Williams, da organização britânica Cancer Research UK.
"Para homens e mulheres, as provas são incontestáveis: não fumantes têm menos chances de desenvolver câncer, problemas cardíacos, deficiências pulmonares e muitas outras doenças graves."

Cabine 'escaneadora' e cabideiro robô: novas tecnologias ajudam a comprar roupas

As luzes fluorescentes estão piscando, o espelho está claramente torto, e você está pingando de suor.
De pé, dentro de provador, vestindo um jeans que não cabe, você se conforma com o fato de parecer fora de forma - em vez de exuberante - nas calças que cobiçava.
Parabéns. Você está fazendo compras nas lojas do século 21. É uma experiência que a maioria de nós ama ou odeia.
E esse medo dos provadores está levando muitos consumidores a comprar online, criando enormes desafios para as lojas físicas.

Consumidor com controle remoto

Nadia Shouraboura ama roupas. Mas ela não gosta do teste de resistência que costuma ser a busca por um par de jeans que lhe caia bem.
"Quando vou a uma loja tradicional, sempre fico decepcionada com a experiência, de tirar a roupa no provador e gritar através da porta para pedir algo à vendedora", diz. "E odeio desmontar pilhas de roupas. Fico incomodada, porque sei que alguém vai ter que vir arrumar. Pensei que poderíamos melhorar drasticamente todas essas coisas com a tecnologia."
Com tablet ou celular, cliente seleciona as peças que quer provar
Como ex-chefe de suprimentos e tecnologias para a gigante online Amazon, Shouraboura tinha muitas ideias. O resultado disso é a Hoiter, uma loja-conceito estabelecida em Seattle (EUA) e inicialmente focada no público masculino.
As roupas são exibidas em cabideiros minimalistas, facilitando sua observação pelo cliente. Se este quiser provar uma roupa, basta encostar nela com seu smartphone, se ele tiver NFC (a tecnologia "near field communication"), ou escaneá-lo com o código QR. Daí você é automaticamente alocado para um provador e pode continuar comprando.
Escolhidas as roupas, o cliente vai ao provador determinado, onde elas estarão esperando por ele (foram transportadas por coletores robóticos).
Precisa de um tamanho diferente? Pode usar seu smartphone e o item vai aparecer na sua frente em 30 segundos, diz Shouraboura.
Para efetuar a comprar da roupa escolhida, o cliente passa o cartão de crédito num terminal automático.

Preços

Os preços são dinâmicos: variam ao longo do dia para se manterem competitivos em relação aos preços das lojas online e para evitar que os consumidores apenas olhem os produtos na loja e depois os comprem na internet.
Isso só é possível porque os custos são mantidos baixos, diz Shouraboura. Menos espaço ocupado significa um aluguel menor; automação significa menos trabalhadores.
Nadia (centro) e seus colegas da Hointer
Nadia (centro) desenvolveu uma loja com provador automatizado
A tecnologia por trás disso envolve um piso para exibir as mercadorias e um estoque robotizado, controlado por um sistema central que se comunica com aplicativos de celular e tablet.
"É muito rápido e compacto, como uma lata de sardinha que pode rapidamente mover itens selecionados pelo consumidor."
Shouraboura acredita que esse tipo de inovação pode ajudar as redes varejistas a sobreviver à brutal concorrência online.
"Acho que a experiência (de comprar) online é ótima, mas a de loja pode ser ainda melhor porque você pode provar, tocar e sentir os produtos", diz ela. "E pode ser uma experiência mais barata, porque não há custos de frete."

Dos pés à cabeça

Agora, a questão do tamanho: um P em uma loja pode ser um M em outra.
Fits.me
O Fits.me oferece um serviço virtual de prova de roupas
Para lidar com isso, foi criada a Me-ality, uma cabine presente em mais de 20 shopping centers americanos que escaneia o cliente dos pés à cabeça e cria um perfil de seu corpo, que fica arquivado em uma conta pessoal online. O perfil, então, recomenda peças de roupa que melhor cabem no cliente.
A cabine usa um sistema de ondas milimétricas. Cada rotação da cabine leva cerca de 10 segundos, em que ondas liberadas rebatem na pele do consumidor.
"Isso nos dá 200 mil pontos de referência de seu corpo", diz Kathleen Funke, que trabalha no Me-ality. "Nosso software cruza essa informação com medidas de roupa e produz um relatório."
O sistema funciona com quase 200 marcas de roupa, e varejistas americanas começam a usá-lo para ajudar os clientes a identificar aquele par de jeans perfeito difícil de encontrar.
"O sucesso do varejo depende de ele se adaptar e integrar novas tecnologias, sob o risco de se marginalizar por conta das lojas online", diz Funke.

Provadores virtuais

Me-ality
O Me-ality é uma cabine que escaneia o usuário e cria um perfil do seu corpo
E para quem se incomoda em até mesmo entrar em um provador de roupas, o sistema Fits.me oferece um serviço virtual de prova, que permite que os clientes vejam como fica uma roupa em seu tipo de corpo sem ter que vesti-la.
Destinado principalmente para varejistas online, o serviço também está disponível via tablet em algumas lojas. A empresa também firmou contrato com um canal de compras na TV.
O sistema usa manequins robóticos conectados a um laptop e uma câmera e vestidos com os principais itens de cada varejista. Um banco de dados é formado com o máximo de informações possíveis sobre tamanhos e dimensões das roupas.
O usuário que procura, por exemplo, por uma camisa, pode colocar suas medidas no site ou aplicativo, e é apresentado com um avatar humano com um tipo físico semelhante. Daí ele "experimenta" diferentes tamanhos de roupa para ver o que fica melhor.

Bolívia expulsa agência do governo americano do país

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quarta-feira que expulsará a agência de desenvolvimento internacional dos Estados Unidos (USAID, na sigla em inglês) do país.
Morales acusou o órgão ligado ao governo americano de se intrometer em assuntos domésticos.
A expulsão soma-se à outra polêmica criada na última segunda-feira, quando Morales aprovou uma emenda constitucional que lhe permitirá concorrer novamente à reeleição no ano que vem.
Atualmente, Evo Morales está em seu segundo mandato à frente da presidência da Bolívia.
A medida provocou protestos na oposição. Na última terça-feira, opositores fizeram um apelo à Organização dos Estados Americanos (OEA) para denunciar um suposto uso do Tribunal Constitucional por parte do presidente boliviano.

Conheça oito áreas de trabalho que passam por profundas mudanças

Não é só o trabalho doméstico, recentemente alvo de uma nova legislação no Brasil, que está em transformação.
Seja por motivos legais, econômicos ou tecnológicos, outras profissões também passam por mudanças significativas, que podem ocasionar desde mais ganhos para o trabalhador até novas exigências de qualificação ou adaptação a novos desafios.
Muitas mudanças são naturais, decorrente da evolução do mercado de trabalho no mundo inteiro e da busca de competitividade nas empresas; outras, são decorrentes das carências e transformações do Brasil.
Com a ajuda de especialistas, a BBC Brasil identificou oito profissões ou áreas de trabalho em acelerado processo de mutação, no Brasil e na América Latina:

Infraestrutura/tecnologia

Com o gargalo da infraestrutura brasileira em um "momento crítico", o Brasil tem um déficit de engenheiros e técnicos, muitos com qualificações bem específicas, diz Priscilla Tavares, pesquisadora da escola de economia da FGV-SP.
Segundo ela, em regiões do interior de São Paulo, onde há forte demanda por esse tipo de mão de obra, torneiros mecânicos podem chegar a ganhar o mesmo que engenheiros.
Especialistas dizem que essa demanda abrange também as áreas de eletrônica, mecatrônica, informática e telecomunicações.
"Todos os profissionais da área de rede (de telecomunicações) estão em transformação", diz João Nunes, diretor da consultoria em RH Michael Page, citando, por exemplo, o avanço da fibra ótica.
"O Brasil, bem como diversos países da América Latina, é deficiente em áreas de alta complexidade, criando uma forte demanda por esses profissionais. "Não há, por exemplo, conhecimento no país para fazer trens de alta velocidade, então a mão de obra e tecnologia têm de ser importadas", diz Nunes.
Aplicativos
Em algumas profissões, aplicativos podem mudar a relação do profissional com seus clientes e provedores
"Estamos evoluindo para um patamar de alto valor agregado, em que não basta construir uma estrada, mas sim uma estrada apta para o trânsito intenso, como no Porto de Santos."

Tecnologia da Informação

A área de TI, antes mais técnica do que funcional, hoje precisa interagir mais com outros departamentos da empresa, para entender e atender suas necessidades – algo que está mudando a forma como esses profissionais são recrutados, segundo João Nunes.
"Hoje esse profissional não é necessariamente um técnico em informática, mas um administrador que entende de tecnologia."
Nunes afirma que cresce também o investimento das empresas – sobretudo bancos, telecomunicações e setores de pesquisa e desenvolvimento – na área chamada de "Big Data", que consiste na análise de uma grande quantidade de dados para atender com mais rapidez as demandas da empresa e seus clientes.
"Para esses cargos, é necessário mais do que uma formação acadêmica", diz Nunes. "(As empresas buscam) pessoas que evoluíram em suas carreiras e têm conhecimentos técnico e de negócios."
Nunes agrega outra mudança vivenciada por essa área: a trabalhista. Com a incorporação de muitos funcionários de TI que antes trabalhavam de forma independente, como PJ (pessoa jurídica), as empresas estão tendo que investir mais para cobrir seus custos trabalhistas e para integrar esses funcionários aos demais.

Caminhoneiros

A Lei dos Caminhoneiros, em vigor desde março, determina que esses profissionais tenham 30 minutos de parada a cada quatro horas de direção, além de 11 horas seguidas de descanso diário. O objetivo da lei é coibir jornadas excessivas e prevenir acidentes nas estradas.
Isso pode trazer benefícios aos profissionais – como o aumento do adicional noturno - mas a medida pode ter efeitos "colaterais" problemáticos, na avaliação de Tavares, da FGV-SP.
Caminhoneiros
Lei passa a regulamentar descanso de caminhoneiros
Primeiro, diz a pesquisadora, há o perigo de que se aumente a informalidade em transportadoras menores, o que seria ruim para os trabalhadores. Outro desafio é que, em muitas estradas brasileiras, não há bolsões adequados onde os caminhoneiros possam descansar com segurança a cada quatro horas dirigidas.
Por fim, existe o impacto econômico da medida: em um país em que a maior parte do transporte é realizado pela malha rodoviária, transportadoras e empresas agrícolas se queixam de que a nova lei vai elevar em cerca de 14% os custos de frete, o que acabará sendo repassado ao consumidor ou ao preço de exportação.
Mas as mudanças legais são uma boa notícia para os trabalhadores, opina João Antonio Felício, secretário da CUT (Central Única dos Trabalhadores). ""É inaceitável que um motorista dirija por 16 horas consecutivas, é um risco."

Prestação de serviços tradicionais

Algumas profissões de baixa remuneração, como as de pintor, encanador ou costureira, passam por uma mudança estrutural, opina Adriano Gomes, professor de administração da ESPM.
Com a adoção de tecnologias mais avançadas por parte de seus fornecedores (no caso de encanadores, empresas de tubos e conexões), muitos estão tendo que se capacitar e sair da informalidade para manter a clientela e os rendimentos.
"As empresas (fornecedoras de material de construção ou tintas, por exemplo) sabem que na ponta precisam de um profissional capacitado e estão fornecendo cursos para formá-los", diz Gomes.
Encanador
Prestadores de serviços tradicionais estão mudando sua capacitação e organização
"E esses profissionais também estão virando pequenos empreendedores, montando empresas ou pequenas franquias de prestação de serviços tradicionais. Hoje é mais fácil chamar um encanador de uma empresa prestadora de serviço do que um indicado pelo vizinho. Quem não se adaptar vai perder espaço."

Professores

Para Regina Madalozzo, professora do Insper, sua profissão está em constante transformação, por conta das mudanças sociais e tecnológicas de cada época. A atual geração, porém, traz desafios extras aos mestres.
"Hoje temos que lidar com alunos (conectados a) celulares, laptop e internet, que desde criança aprendem e pesquisam de outra maneira", diz Madalozzo.
Em uma aula de mestrado recente, recorda, os alunos checavam imediatamente online cada dado que ela citava, algo que aumenta a cobrança sobre o professor.
Ao mesmo tempo, outra mudança está em curso na área de exatas, sobretudo em escolas básicas brasileiras, explica Priscilla Tavares, da FGV-SP.
"Em exatas, há um apagão de professores", afirma. "Mulheres que antes ocupavam esses postos agora têm opções mais bem remuneradas no mercado de trabalho. E os salários de professores ficaram defasados em relação a carreiras que exigem o mesmo nível de educação."
Com isso, resta a muitas escolas optar por profissionais de pior formação ou contratar professores sem a formação adequada para determinada disciplina – por exemplo, um professor de matemática acaba fazendo as vezes de professor de química ou física.

Taxistas

A rotina desses profissionais também está mudando, sobretudo nas cidades-sede da Copa do Mundo e nas capitais em que já existem aplicativos de smartphones.
Os aplicativos colocam os consumidores em contato direto com o taxista que estiver mais próximo dele, substituindo a central telefônica. Sendo assim, muda a relação desse profissional com os dois lados da cadeia.
"Esse mesmo taxista já aceita cartão de crédito e oferece TV para seus passageiros. Não sabemos se essas tecnologias mudarão seu trabalho para melhor, mas certamente são algo novo", diz Adriano Gomes.

Comunicação/jornalismo

Queda em faturamento de jornais, encolhimento das redações, incerteza quanto a como obter receitas com a internet e como lidar com as novas tecnologias. O cenário é de mudanças radicais no setor.
"A informação mudou na forma como é produzida. As pessoas consomem mais informação, mas de pouca qualidade", opina Priscilla Tavares, da FGV-SP.
O mundo digital mudou também a rotina dos profissionais que atuam em comunicação empresarial, diz João Nunes, da Michael Page.
"Os departamentos de comunicação passaram a fazer atualização de Facebook e a cuidar da imagem da empresa nas redes sociais", afirma Nunes. "É uma área que ficou mais jovem. Quem tem menos aptidão acabou deixando o mercado."

Domésticas

Agência Brasil
Profissão das domésticas mudava antes mesmo da PEC
Poucas profissões mudaram tanto no Brasil recente quanto a das domésticas, mesmo antes da mudança na legislação que igualou seus direitos aos dos demais profissionais.
"A PEC (proposta de emenda constitucional) acelerou o processo, mas a profissão já passava por mudanças e aumentos de salário acima da inflação", diz Regina Madalozzo, do Insper.
"Embora ainda tenhamos um número muito elevado de domésticas, muitas já não tinham a pretensão de se manter nesse ramo por muito tempo e trabalhavam para que seus filhos pudessem estudar e buscar outro emprego."
Agora, com a nova lei – que, em partes, ainda precisa ser regulamentada -, a tendência é que haja menos domésticas mensalistas, mas mais diaristas, com um ganho superior por hora trabalhada.
Por se tratar de um processo novo, seus desdobramentos positivos e negativos ainda estão por vir.
"Mas há vantagens para as domésticas, como o tratamento igualitário, o direito ao FGTS e a um horário fixo", diz Madalozzo, lembrando, porém, que a regulamentação adequada do governo é importante para estimular - em vez de inibir - a formalização desses profissionais. "Por enquanto, apenas 30% deles são registrados."