quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Reino Unido lança campanha contra prostituição infantil na Copa do Brasil

Prostituição infantil no Brasil | Crédito: IAP
ONGs temem explosão de prostituição infantil durante Copa do Mundo no Brasil
Com o apoio dos brasileiros David Luiz, Ramires e Oscar, que atuam no futebol inglês e na Seleção, entidades de proteção aos direitos das crianças lançaram uma campanha no Reino Unido para combater a prostituição infantil durante a Copa do Mundo no Brasil.
O objetivo é alertar turistas britânicos sobre o risco de pagar inadvertidamente por sexo com menores de 17 anos, o que é considerado crime segundo as leis brasileiras.
A campanha, batizada de It’s a penalty ("É crime", em tradução livre), foi criada pelas instituições The Jubilee Campaign, A21 campaign e Happy Child International, esta última sediada em Belo Horizonte.
Além dos jogadores brasileiros, também apoiam a iniciativa os comentaristas esportivos e ex-jogadores da seleção inglesa Gary Lineker e Alan Shearer, o atual técnico da seleção inglesa Roy Hodgson, o jogador português aposentado Paulo Ferreira, entre outros.
Juntos, eles estrelam um filme promocional da campanha (veja o Clique vídeo), que será veiculado em voos da companhia britânica British Airways partindo do Reino Unido com destino ao Brasil durante a Copa do Mundo.

Prisão

Pelo menos 5 mil britânicos devem viajar ao Brasil para assistir ao Mundial. No total, 600 mil turistas internacionais são esperados para o evento, segundo estimativas oficiais.
Logo do Its a penalty | Crédito: IAP
Campanha quer conscientizar turistas britânicos sobre exploração sexual de menores no Brasil
"Tendo trabalhado com meninos de rua no Brasil desde 1991, estou muito agradecida por todo o apoio que conseguimos levantar para esta importante campanha. Se nos unirmos contra este crime horrível, centenas de vidas das crianças serão salvas desse efeito catastrófico da exploração sexual", afirmou, em nota, Sarah de Carvalho, CEO da Happy Child International.
No ano passado, o Comando de Exploração das Crianças e de Proteção Online (CEOP) da Agência Nacional de Crimes do Reino Unido já havia alertado, em seu relatório anual, que o fluxo elevado de turistas durante a Copa do Mundo poderia aumentar o mercado de prostituição infantil no Brasil.
"A maioria dos torcedores que viajará ao Brasil durante as finais da Copa do Mundo ficaria horrorizado com o pensamento de causar mal a crianças brasileiras. No entanto, nós sabemos que há riscos significativos para as crianças antes, durante e depois desses eventos esportivos de grande magnitude e algumas pessoas explorarão as crianças por dinheiro", diz, no mesmo comunicado, Johnny Gwynne, diretor do CEOP.
"Crianças brasileiras são submetidas a abusos no mercado de prostituição e talvez mudem a aparência para parecer mais velhas. Não ache que porque elas se aproximam de você isso significa que elas estão consentindo com a relação sexual e você não será responsável criminalmente. Elas são crianças, e elas são ameaçadas e intimidadas por pessoas inescrupulosas que querem ganhar dinheiro com isso", alerta Gwyne aos turistas britânicos.
"A lei não vai se importar se você não sabia que a pessoa com quem você praticou sexo é menor de idade. Você corre risco de ser detido e preso no Brasil ou em seu retorno ao Reino Unido. Se você estiver em dúvida, não vá em frente", acrescentou.

Turismo sexual

David Luiz | Crédito: IAP
Brasileiro David Luiz é um dos embaixadores da campanha It's a Penalty
ONGs e outras entidades civis temem que haja uma “explosão” do turismo sexual durante a Copa do Mundo, especialmente envolvendo menores de idade, devido ao aumento do número de turistas estrangeiros.
O mesmo temor foi partilhado por autoridades britânicas durante os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres.
Estimativas do Mapa da Violência revelam que a violência sexual é o segundo tipo de agressão mais frequente contra crianças entre 10 e 14 anos no Brasil.
Em 2011, 10.425 crianças e adolescentes foram vítimas de violência sexual no Brasil, 83% das quais mulheres, de acordo com o mesmo estudo.
A campanha It’s a penalty conta com o apoio dos governos brasileiro e britânico, da Associação de Futebol britânica, da Europol, da polícia europeia, e da Polícia Metropolitana de Londres.

Relatório da ONU sobre abuso é distorcido, injusto e tendencioso, diz Vaticano

Crítica de comissão à posição sobre homossexualismo foi influenciada por ideólogos pró-gays, reage arcebispo

O Vaticano rejeitou nesta quarta-feira um relatório da ONU sobre abuso sexual na Igreja Católica, afirmando que ele era distorcido, injusto e ideologicamente tendencioso. Segundo o chefe da delegação da Santa Sé na ONU em Genebra, o arcebispo Silvano Tomasi, pareceu que a Comissão da ONU sobre os Direitos das Crianças simplesmente não ouviu quando a Santa Sé detalhou todas as medidas que adotou para proteger as crianças.
Crítica: ONU acusa Vaticano de adotar políticas que permitiram abuso sexual
AP
Relatório põe nova pressão sobre o papa Francisco para atuar de forma mais decisiva na questão do abuso (foto de 13/1)
Respondendo às críticas que o relatório também faz às posições da Igreja sobre homossexualismo, aborto e contracepção, o chefe da delegação da Santa Sé na ONU em Genebra, o arcebispo Silvano Tomasi, afirmou que o órgão não pode pedir que a Igreja mude seus ensinamentos morais "não negociáveis". À Rádio do Vaticano, Tomasi acusou a comissão que redigiu o documento de ter traído os próprios objetivos do órgão internacional ao se permitir ser influenciado por ideólogos pró-gays.
De acordo com o relatório da comissão, o Vaticano "sistematicamente" adotou políticas que permitiram aos padres estuprar e molestar dezenas de milhares de crianças durante décadas, conclamando-o a abrir seus arquivos sobre os pedófilos e os religiosos que esconderam seus crimes.
Arcebispo: Vaticano reconhece que 'não há desculpas' para o abuso de crianças
Em um relatório devastador saudado pelas vítimas de abuso, a comissão da ONU também criticou duramente a Santa Sé por suas atitudes em relação ao homossexualismo, à contracepção e ao aborto e disse que a Igreja deveria mudar seu direito canônico para assegurar os direitos das crianças e para que seu acesso à assistência à saúde seja garantido.
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O relatório, que pegou o Vaticano de surpresa, põe uma nova pressão sobre o papa Francisco para atuar de forma mais decisiva na questão do abuso e cumprir promessas de criar uma comissão do Vaticano para estudar o abuso sexual, recomendando melhores práticas para combatê-lo. A comissão foi anunciada em dezembro, mas poucos detalhes foram revelados desde então.
A comissão fez suas recomendações depois de submeter a Santa Sé a um interrogatório de um dia de duração no mês passado sobre sua implementação da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, o principal tratado internacional para garantir os direitos infantis, que a Santa Sé ratificou em 1990.
Auxílio às vítimas: Papa estabelecerá comissão para combater abuso infantil
De forma crítica, a comissão da ONU rejeitou o antigo argumento do Vaticano de que não controla os bispos ou seus padres abusivos, dizendo que a Santa Sé era responsável por implementar o tratato não apenas na Cidade do Vaticano, mas ao redor do mundo "como o poder supremo da Igreja Católica por meio de indivíduos e instituições postos sob sua autoridade".
AP
Kirsten Sandberg, presidente da comissão de direitos humanos da ONU sobre direitos das crianças, fala durante coletiva em Genebra, Suíça
O arcebispo Tomasi, que chefiou a delegação do Vaticano na sessão de 16 de janeiro em Genebra, ficou claramente surpreso com o tom do relatório. "É como se esse documento tivesse sido preparado antes da reunião, na qual o Vaticano deu respostas detalhadas em vários pontos que não foram relatos nesse documento final ou parecem não ter sido levados em conta", afirmou.
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Em seu relatório, o órgão criticou o "código de silêncio" que há muito tempo é usado para calar as vítimas, afirmando que a Santa Sé tem "sistematicamente colocado a preservação da reputação da Igreja e do alegado agressor acima da proteção das vítimas infantis". O documento pede que a Santa Sé ofereça uma indenização às vítimas e faça com que prestem contas não apenas os autores dos abusos, mas também os que encobriram seus crimes.
"A comissão está gravemente preocupada que a Santa Sé não reconheceu a extensão dos crimes cometidos, não adotou as medidas necessárias para lidar com os casos de abuso sexual infantil e para proteger as crianças e estabeleceu políticas e práticas que levaram à continuidade do abuso pelos perpetradores e à sua impunidade", disse o relatório.
O documento pede que a incipiente comissão de abuso sexual do papa conduza uma investigação independente de todos os casos de abusos e da forma como a hierarquia católica respondeu com o passar do tempo, requisitando que a Santa Sé crie regras claras para a denúncia mandatória de abuso à polícia.
Papa: Francisco pede 'determinação' contra casos de abusos sexuais na Igreja
Nenhum bispo católico foi alguma vez punido pelo Vaticano por proteger um padre abusivo, e apenas em 2010 a Santa Sé ordenou que os bispos denunciassem os autores de abuso à polícia quando requerido por lei. Funcionários do Vaticano reconheceram que a prestação de contas dos bispos continua um grande problema e sugeriram que, sob Francisco, as coisas podem começar a mudar.
As recomendações da comissão não são obrigatórias e não há nenhuma mecanismo que force o cumprimento das medidas. Em vez disso, a ONU pediu que o Vaticano implemente as recomendações e entregue um relatório sobre a questão até 2017. O Vaticano teve um atraso de 14 anos em submeter seu relatório mais recente.
Enquanto a maior parte da atenção do documento deu ênfase ao abuso sexual infantil, as recomendações da comissão vão bem além, entrando em questões como discriminação das crianças e seus direitos a uma adequada assistência à saúde.
A comissão, por exemplo, conclamou o Vaticano a emendar seu direito canônico para identificar circunstâncias em que o acesso ao aborto possa ser permitido às crianças, tal como salvar a vida de uma jovem mãe. Ela pede também que a Santa Sé garanta que a educação sexual, incluindo o acesso à informação sobre contracepção e a prevenção do HIV, seja mandatória nas escolas católicas. Além disso, requisitou que a Santa Sé use sua autoridade moral para condenar a discriminação contra crianças homossexuais ou crianças criadas por casais do mesmo sexo.
A Igreja ensina que a vida começa na concepção. O Vaticano, que portanto se opõe ao aborto e à contracepção artificial, pede o respeito aos gays, mas considera os atos homossexuais como sendo "desordenados de forma intrínseca". O Vaticano tem um histórico de confronto diplomático com a ONU em tais questões.
Tomasi disse que o pedido para que a posição sobre o aborto seja reconsiderada vai contra os próprios objetivos do tratado de proteger a vida das crianças antes e depois do nascimento e acusou grupos de defesa dos direitos gays e do casamento gay de ter "reforçado uma linha ideológica" com a comissão.

Documentário revela segredos mórbidos de Khadafi

Desde o fim do regime de Muammar Khadafi, na Líbia, morto pelos rebeldes em outubro de 2011, muito já foi publicado e dito sobre o ex-líder. Mas, agora, um novo filme dirigido por Christian Olgiati, com depoimentos inéditos de pessoas que tinham muita proximidade com Khadafi, apresenta um retrato amplo do ex-líder brutal e contraditório.
Ali Aujali, o ex-embaixador do regime de Khadafi nos Estados Unidos, começou a carreira na diplomacia líbia poucos anos depois de Khadafi chegar ao poder em 1969.
Fiquei surpreso ao presenciar, na luxuosa embaixada líbia em Washington, o depoimento de Aujali, no qual ele praticamente despedaçou o ex-líder.
Aujali passou para o lado dos rebeldes em fevereiro de 2011 e se transformou no embaixador deles nos Estados Unidos.
Segundo Aujali, não havia nada de bom no homem cujo regime ele serviu pela maior parte de sua vida adulta. Ele contou muitos segredos do regime de Khadafi e nós checamos todas as acusações que podiam ser checadas.
O embaixador contou algumas histórias que não puderam ser confirmadas, como a acusação de que um homem foi amarrado a dois carros e arrebentado ao meio depois de reclamar que Khadafi havia mantido relações sexuais com sua esposa.
Mas, pudemos checar outras acusações.
Uma foi a que afirmava que em 22 de dezembro de 1992, quase quatro anos depois de o voo 103 da Pan Am explodir sobre a cidade escocesa de Lockerbie, Khadafi ordenou a derrubada de um 727 da Lybian Arab Airlines, o voo 1103.
Um total de 157 pessoas, entre líbios e estrangeiros, morreram.
Depois da queda de Khadafi, a esposa britânica de uma das vítimas tentou fazer com que o novo governo líbio abrisse um inquérito.
Ali Aujali (BBC)
Ali Aujali trabalhou para o governo de Khadafi a maior parte de sua vida
Jornalistas juntaram declarações de pilotos de jatos militares na área do incidente, controladores de tráfego aéreo e funcionários da companhia aérea.

Primeira declaração

O mais importante a respeito da declaração de Aujali é que esta foi a primeira vez que uma fonte interna, parte do governo de Khadafi, falou sobre o incidente.
E Aujali afirmou que tinha "100%" de certeza sobre suas declarações.
Segundo o depoimento dele, uma bomba com um cronômetro foi colocada dentro do avião. Houve uma falha no detonador e então Khadafi deu a ordem para o avião ser derrubado perto do aeroporto de Trípoli.
Aujali afirma que o motivo para esta ação era mostrar ao Ocidente, através da imprensa controlada pelo governo líbio, como as sanções internacionais impostas depois de Lockerbie estavam prejudicando os cidadãos comuns da Líbia.
A história divulgada pelo governo líbio é que, sem conseguir comprar peças de reposição, os aviões do país não podiam voar com segurança e os mortos no acidente eram vítimas do que Khadafi gostava de chamar de terrorismo ocidental.
Mas, a explicação oficial também podia variar. Depois de um tempo, o governo prendeu um piloto de um jato MiG da Força Aérea líbia e seu instrutor, alegando que eles tinham colidido com o 727.
O instrutor de voo, Majid Tayari, nos encontrou em um hotel de Trípoli. Ele insistiu que não houve colisão e disse que viu uma parte da cauda do avião indo em direção do jato onde ele estava.
Algo atingiu a parte de baixo do MiG e iniciou um incêndio. Ele e o piloto conseguiram ejetar seus assentos.
Destroços do voo 1103 (BBC)
Destroços do voo 1103 ainda podem ser vistos perto do aeroporto de Trípoli
Pedaços da fuselagem do 727 atingiram o jato em alta velocidade e perfuraram o MiG.
O gerente de segurança da Libyan Arab Airlines em 1992, Mahmud Tekalli, também questiona a versão de uma colisão entre o 727 e o jato. Ele acredita que avião do voo 1103 foi deliberadamente destruído.
Fomos até o local do acidente e negociamos nossa entrada com a milícia que faz a guarda do aeroporto de Trípoli.
Na estrada já vimos os destroços do 727 em boas condições, protegidos pelo clima do deserto. Com os destroços nestas condições, as causas do acidente poderiam ser investigadas.

'Escondendo as fraquezas'

Nos encontramos com outra fonte interna, parte do governo de Khadafi. Em uma ilha particular no Oceano Pacífico, conversamos com Lutz Kayser, um projetista de foguetes alemão que trabalhou para Khadafi na década de 1980.
"Ele era uma pessoa boa, humilde e eu tinha a impressão de que ele estava escondendo suas fraquezas atrás de uma fachada", disse Kayser.
A esposa de Kayser, Susanne, afirma que Khadafi era "charmoso e poderia enfeitiçar os passarinhos para eles saírem das árvores", mas acrescentou que depois ficou decepcionada, pois ele não conseguiu estabelecer uma "utopia" na Líbia.
Em Havana, Cuba, entrevistamos Frank Terpil, um fugitivo da Justiça americana que dirigia uma espécie de empresa de assassinatos para Khadafi na década de 1970. O papel dele era matar dissidentes líbios em outros países.
Frank Terpil (BBC)
Frank Terpil mantinha um serviço de 'eliminação de dissidentes' para Khadafi
"Khadafi pensava que qualquer um que fosse um dissidente seria eliminado. Ele contratou muitas pessoas em Londres", disse Terpil.
Outro que entrevistamos depois de meses de tentativas foi Urs Tinner, um engenheiro suíço que trabalhou para Abdul Qadeer Khan. Khan já foi considerado o homem mais perigoso do mundo.
Khan desenvolveu armas nucleares para o Paquistão e, depois, ofereceu tecnologia nuclear para qualquer país que tivesse o dinheiro necessário. Khadafi era o cliente mais lucrativo de Khan.
Tinner afirmou que não sabia que Khan era um "proliferador nuclear" mas quando percebeu isto, deu a informação para a CIA, que interceptou um navio com as peças para uma centrífuga.
Também descobrimos provas de que Khadafi abusou sexualmente de meninas.
E uma das guarda-costas do ex-líder, que agora vive escondida, nos contou que acabou com medo de Khadafi.
"(Uma noite) Estávamos indo assistir a execução de 17 estudantes. Eles não foram enforcados. Foram mortos a tiros. Fomos proibidas de gritar. Recebemos ordens para aplaudir", disse.

ONU acusa Vaticano de proteger padres pedófilos

Um relatório da ONU não economizou na linguagem forte ao acusar o Vaticano nesta quarta-feira de "sistematicamente" adotar políticas que permitiram o abuso sexual de menores por membros do clero, incluindo medidas para "proteger" os religiosos das consequências de seus crimes.
O Comitê da ONU sobre Direitos da Criança expressou "consternação" com a recusa da Santa Sé em reconhecer a extensão dos crimes cometidos, e pediu que o Estado católico abra seus arquivos para revelar os crimes.
A chefe do órgão, Kirsten Sandberg, disse que o Vaticano continua violando a Convenção da ONU para os direitos das crianças "porque não fez o que precisa ser feito".
"A Santa Sé adotou políticas e práticas que levaram a abusos contínuos e à impunidade dos agressores. A Santa Sé repetidamente colocou a reputação da Igreja e a proteção dos agressores acima dos interesses das crianças", afirmou Sandberg.
"Em suas conclusões, o comitê sobre esse tema destacou a prática de mobilidade dos agressores. Estes eram mudados de transferidos de paróquias para paróquias quando as coisas eram reveladas, o que ainda põe as crianças em muitos países em alto risco de abuso sexual."
Para o comitê da ONU, a Igreja deve "remover imediatamente" todos os padres suspeitos de abusos ou que comprovadamente praticaram abusos.

Medidas

O Vaticano disse à BBC que emitirá um comunicado escrito em resposta ao relatório da ONU.

Abusos sexuais na Igreja Católica

Alemanha: um padre, identificado apenas como Andreas L, admitiu em 2012 culpa em 280 acusações de abuso sexual envolvendo três meninos, ao longo de uma década
EUA: Revelações de abusos nos anos 1990, por dois padres de Boston - Paul Shanley e John Geoghan - causaram ultraje
Bélgica: O bispo de Bruges, Roger Vangheluwe, renunciou em abril de 2010 após admitir ter abusado sexualmente de um menino, durante anos
Itália: A Igreja admitiu, em 2010, que cerca de cem casos de padres pedófilos haviam sido relatados ao longo de dez anos
Irlanda: Um relatório de 2009 descobriu que abusos psicológicos e sexuais eram "endêmicos" em escolas e orfanatos sob comando da Igreja, durante boa parte do século 20
A sede do governo papal estabeleceu uma comissão para combater o abuso de crianças dentro da Igreja.
Barbara Blaine, porta-voz da associação de vítimas Snap, disse à BBC que não vê "nenhuma ação sendo tomada pelo papa Francisco ou sua administração" para proteger as crianças que ainda correm o risco de serem exploradas por religiosos.
Em dezembro, a Santa Sé rejeitou um pedido da ONU por informações a respeito dos abusos, alegando que só transfere esse tipo de informação a outros países no contexto de investigações judiciais.
"Temos recomendações bem concretas que (o Vaticano) deveria seguir, entre elas, de proteção e compensação das vítimas. Além de cooperar com as autoridades policiais em outros países", afirmou Sandberg.
"Quando às vítimas, elas precisam de medidas de reintegração, proteção; precisam de compensação monetária e na forma de medidas que possam ajudá-las hoje", disse.
O documento também criticou a Igreja Católica por suas posições quanto à homossexualidade, a contracepção e o aborto.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Mundo contempla ‘maremoto’ de câncer e custos fogem do controle, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu nesta terça-feira que o mundo corre o risco de enfrentar um "maremoto" de casos de câncer nos próximos anos, e os gastos com o tratamento da doença estão ficando descontrolados em todo o mundo.
Segundo o alerta da entidade, feito no Dia Mundial do Câncer, o número de casos da doença deve chegar a 24 milhões até 2035, mas metade deles pode ser prevenido. Para tanto, existe uma "necessidade real" de ampliar os esforços preventivos, combatendo tabagismo, a obesidade e o alcoolismo.
No Brasil, um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde e pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer) no ano passado indica que haverá 576.580 casos diagnosticados apenas neste ano. O relatório prevê que os tipos com maior incidência serão o câncer de pele, de próstata e de mama.
Um estudo divulgado em 2013 no periódico Lancet Oncology, previa um aumento de 38,1% nos casos de câncer no país ao longo desta década, passado de 366 mil casos em 2009 para mais de 500 mil em 2020.
No mundo, estima-se que 14 milhões de pessoas sejam diagnosticadas todos os anos com câncer, segundo a OMS. A previsão é de que esse número aumente para 19 milhões em 2025 e 24 milhões em 2035, com os países emergentes concentrando os novos casos.

Hábitos

Em seu Relatório Mundial do Câncer 2014, a OMS diz que além da combinação de obesidade e sedentarismo, do álcool e do fumo, outros fatores associados ao câncer que poderiam ser prevenidos são:
  • A radiação (solar e de scanners médicos);
  • A poluição atmosférica;
  • Poluição atmosférica e outros fatores ambientais;
  • Adiar a gravidez para quando as mulheres têm mais idade, ter menos filhos e não amamentar.
Para Chris Wild, diretor da agência internacional da OMS para a pesquisa sobre o câncer, disse que o "fardo global do câncer está se tornando mais pesado e mais evidente, principalmente devido ao envelhecimento e crescimento da população".
"Se verificarmos o custo de tratamento do câncer, ele está fugindo do controle até em países com renda alta. Prevenção é algo absolutamente crucial e vem sido um tanto negligenciada."
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Brasil

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se que 576 mil brasileiros desenvolvam câncer em 2014, o mesmo número esperado para 2015. "O câncer de pele do tipo não melanoma (182 mil casos novos) será o mais incidente, seguido pelos tumores de próstata (69 mil) e mama feminina (57 mil)", diz a nota.
Os dados mostram, no entanto, uma redução na incidência dos casos novos de cânceres do colo do útero e de pulmão, de acordo com o Inca.
Consultado pela BBC Brasil, o Ministério da Saúde informou que o investimento em assistência a pacientes com câncer cresceu 26% em dois anos.
"O recurso alocado para o diagnóstico e tratamento da doença passou de R$ 1,9 bilhão, em 2010, para R$ 2,4 bilhões, em 2012. Além desses recursos, estão reservados ao setor, para o período de 2011 a 2014, R$ 4,5 bilhões em programa estratégico de prevenção do câncer de colo do útero e de mama, que prevê também o fortalecimento da rede de assistência e diagnóstico precoce", disse o ministério em nota.
De acordo com o ministério, com o aumento de recursos "foi possível ampliar em 17,3% o número de sessões de radioterapia" e em "14,8% as de quimioterapia".

Prevenção

Bernard Stewart, um dos editores do relatório da OMS, diz que a prevenção tem "um papel crucial no combate ao maremoto de câncer que estamos vendo surgindo em todo o mundo".
Ele explicou que o avanço da doença está associado, em muitos casos, aos hábitos das pessoas e citou o exemplo dos australianos que costumam tomar sol nas praias "até que cozinham de forma homogênea em ambos os lados".
"Em relação ao álcool, por exemplo, nós estamos cientes dos seus graves efeitos, sejam eles acidentes de carro ou agressões. Mas há um problema que não é discutido simplesmente porque não é reconhecido, especialmente envolvendo o câncer."
"Há coisas que devem estar na pauta de discussões: modificar a disponibilidade do álcool, a rotulagem do álcool, a promoção do álcool e o preço do álcool", afirmou.
Stewart disse que um argumento similar pode ser apresentado em relação ao açúcar, que impulsiona a obesidade, que por sua vez eleva o risco de tumores.

Incêndio destrói Centro Cultural do Liceu em SP

Um incêndio de grandes proporções nesta madrugada destruiu o Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Parte do acervo, que incluía réplicas em escala natural de esculturas clássicas, foi perdida. Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve vítimas.
As chamas começaram por volta da 1h e foram enviadas 21 viaturas. No início desta manhã, o fogo já estava controlado e os homens do Corpo de Bombeiros faziam o trabalho de rescaldo.
O Centro Cultural – na rua da Cantareira, 1351, no bairro do Bom Retiro, região central da capital paulista – funcionava num prédio anexo à escola Liceu. O estabelecimento publicou um comunicado no seu site informando que o prédio da escola não foi atingindo. Porém, as aulas estarão suspensas nesta terça-feira (4).

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Ao Congresso, Dilma diz que apoia medidas para levar inflação a centro da meta


A presidente Dilma Rousseff reafirmou, em mensagem enviada ao Congresso Nacional, o compromisso de seu governo com a responsabilidade fiscal e medidas que façam com que a inflação convirja para o centro da meta estabelecida pelo governo.
Na mensagem de mais de uma hora, lida pelo senador João Vicente Claudino (PTB-PI), Dilma relacionou as realizações de seu governo em 2013 e afirmou ver fortes indícios de que os primeiros sinais de que as economias desenvolvidas estão começando a se recuperar da recente crise.
A presidente disse que "manterá" neste ano, em que tentará a reeleição, o "compromisso" com a responsabilidade fiscal e o controle da inflação.
Dilma reafirmou sua "determinação" com "medidas orientadas para a convergência da inflação para o centro da meta".
O Banco Central iniciou em abril do ano passado um ciclo de aperto monetário que trouxe, até o momento, a taxa básica de juros de 7,25 por cento para 10,5 por cento ao ano, apesar do fraco crescimento econômico. E no final do ano passado, o governo assinou com líderes parlamentares um pacto para que o Legislativo não aprove medidas que possam ter impacto nas contas públicas.
Em sua mensagem, a presidente lembrou que pelo décimo ano seguido a inflação ficou dentro do intervalo de tolerância da meta, que é de 4,5 por cento ao ano com margem de dois pontos para mais ou para menos.
A presidente lembrou ainda das atividades de política externa de seu governo em 2013 e pediu a "implementação urgente" da reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) e garantiu que o Brasil seguirá sendo um "mercado atraente" para o investidor estrangeiro.

Corrupção custa 120 bilhões de euros à Europa por ano

Euros (Arquivo/PA)
Padrão de corrupção variou de um país para outro do bloco
Um estudo da Comissão Europeia mostra que a corrupção custa cerca de 120 bilhões de euros por ano (quase R$ 390 bilhões) à economia do bloco, o que é equivalente a quase todo o orçamento anual da União Europeia.
Este valor também equivale a 1,04% do PIB do bloco, de US$ 15,5 trilhões, segundo dados de PIB do Banco Mundial.
O relatório foi apresentando nesta segunda-feira pela comissária de Assuntos Internos da União Europeia, Cecilia Malmstroem.
Para efeitos de comparação, um estudo de 2010 da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) mostrou que a corrupção custa ao Brasil entre R$ 49,5 e R$ 69,1 bilhões por ano. Tomando o valor mais alto e fazendo a correção cambiária atual, o montante de valores desviados dos cofres públicos brasileiros equivaleria a 3% do PIB de US$ 2,3 trilhões do país - três vezes maior, portanto, que a corrupção europeia.
A Comissão Europeia analisou o problema da corrupção nos 28 países-membros no primeiro levantamento do gênero, que também ouviu o público.
Três quartos dos europeus entrevistados relataram que a corrupção é comum e mais da metade dos ouvidos informaram que o nível de corrupção aumentou.
Ao comentar o relatório, Malmstroem afirmou que a corrupção prejudica a confiança nos governos.
"A corrupção desgasta a confiança nas instituições públicas e na democracia. Prejudica nosso mercado interno, atrapalha o investimento estrangeiro, custa milhões aos contribuintes e, em muitos casos, também é uma ferramenta para redes de crime organizado", disse a comissária.
"Existem estimativas de que a corrupção custa à União Europeia não menos do que 120 milhões de euros a cada ano, e isto é o equivalente ao orçamento anual da União Europeia, então estamos falando de muito dinheiro."
De acordo com Malmstroem, os vários anos de austeridade econômica em muitos países europeus agravaram ainda mais o problema.
"Muito dinheiro dos cidadãos está sendo perdido em contratos corruptos, ou em subornos e em questões nas quais eles não recebem os serviços que precisam. Ou então não recebem o valor ou o benefício do dinheiro de seus impostos. A crise certamente destacou a necessidade de fazer tudo o que pudermos para que a economia da Europa volte a ficar em ordem", afirmou.

Números diferentes

Os números de pesquisados que disseram que a corrupção está espalhada pela Europa ou que tiveram experiências pessoais com corrupção variaram entre um país e outro.
Na Grã-Bretanha, por exemplo, apenas cinco pessoas entre as 1.115 ouvidas, menos de 1%, disseram que já tinham passado pela experiência na qual alguém esperava que elas pagassem um suborno. Segundo o relatório, "foi o melhor resultado em toda a Europa.
Entre os britânicos que responderam à pesquisa, 64% acreditam que a corrupção está disseminada pela Grã-Bretanha, enquanto que a média na União Europeia foi de 74% nesta questão específica.
Em outros países, os números foram relativamente maiores.
Na Croácia, República Tcheca, Lituânia, Bulgária, Romênia e Grécia, entre 6% e 29% dos pesquisados diseram que já receberam um pedido de pagamento de suborno nos últimos 12 meses.
Os níveis de relatos de suborno também foram altos na Polônia (15%), Eslováquia (14%) e Hungria (13%), onde o problema prevalece no sistema de saúde.
Na Europa, cabe aos governos de cada país e não às instituições do bloco a luta contra a corrupção, explicou a comissária.
A União Europeia tem uma agência de combate a fraudes, chamada Olaf, que se concentra em fraudes e corrupção que afetem o orçamento do bloco. Mas a agência tem recursos limitados. Em 2011, o orçamento da Olaf foi de apenas 23,5 milhões de euros (cerca de R$ 76 milhões).

Modelo sueco

Em um artigo no jornal sueco Goeteborgs-Posten, Malmstroem afirmou que, apesar do problema ser grave em toda a Europa, a Suécia não parece ser tão afetada.
"A extensão do problema na Europa é de tirar o fôlego, apesar de a Suécia estar entre os países com menos problemas", escreveu.
Segundo a comissária, "outros países da União Europeia deveriam aprender com as soluções suecas para lidar com o problema", destacando o papel das leis sobre transparência no país.
Para Malmstroem, o relatório apresentado nesta segunda-feira pode ser uma ferramenta para combater o problema.
"É claro que é preciso muito mais do que um relatório para erradicar a corrupção, mas, enquanto estamos encontrando nosso caminho para fora da crise econômica, pode ser uma ferramenta (...). Esperamos que se inicie um processo muito construtivo que vai estimular a vontade política e os compromissos necessários em todos os níveis para tratar da corrupção, pois o preço (a ser pago por) não fazer nada é simplesmente alto demais", afirmou.

Policiamento é reforçado na Vila Cruzeiro, no Rio, após morte de PM

Crime aconteceu domingo (2) durante patrulhamento em favela com UPP.
Alda Rafael Castilho será enterrada nesta segunda-feira (3).

O policiamento na Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio, foi reforçado nesta segunda-feira (3), após uma policial ter sido morta a tiros neste domingo (2). De acordo com a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), uma varredura está sendo feita na região para buscar os suspeitos envolvidos com o crime. Alda Rafael Castilho será enterrada na tarde desta segunda-feira, no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste. Ela foi baleada na barriga durante quando fazia patrulhamento na Estrada José Rucas, na comunidade Parque Proletário. Na ocasião, três pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, na Zona Norte.
De acordo com a polícia, o soldado Marcelo Gilliard, baleado na coxa, foi avaliado, medicado, teve quadro clínico estabilizado e será transferido para o Hospital Central da Policia Militar, fora de perigo. Uma mulher, identificada como Elaine Marques, também baleada na cabeça, passou por cirurgia na noite de domingo, e seu estado era grave. O marido dela, Antonio Marcos Travesso, foi medicado e recebeu alta.
A Divisão de Homicídios investiga a morte. Uma perícia foi feita no local e a polícia aguarda a liberação médica das vítimas para que elas possam prestar depoimento. Outras testemunhas também serão ouvidas.
Rotina de ataques a UPPs
O projeto de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), iniciado em 2008 pela Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro com o objetivo de devolver a segurança aos moradores da cidade, vem enfrentando uma série de problemas, principalmente após novembro de 2013. De lá para cá, o número de registros de tiroteios e ataque a sedes de UPP nas comunidades passou de 10, como contabilizou o G1, de dezembro e janeiro.
Por meio de nota, a assessoria de imprensa das UPPs informou que as unidades “não estão em crise”. O Instituto de Segurança Pública (ISP) não divulgou o número de ocorrências nos últimos dois meses.
Nesta sexta-feira (31), um suspeito foi detido por arremessar coquetéis molotov no terreno que abriga a UPP e a delegacia do conjunto de favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio. Na mesma comunidade, na quarta-feira (29), um tiroteio assustou moradores e um policial da UPP morreu após ser baleado em uma troca de tiros em novembro de 2013.
No início de novembro, homens no Batalhão de Choque passaram a ocupar a Rocinha, na Zona Sul do Rio, e agentes do Batalhão de Operações Especiais voltaram para o conjunto de favelas do Alemão, na Zona Norte. Estas são as duas maiores favelas com UPPs, das 36 que possuem o projeto do governo.
Em dezembro, a UPP do Lins foi atacada por três vezes. No mesmo mês, a UPP São Carlos também foi atacada após um tiroteio entre traficantes. Ainda em dezembro, traficantes e criminosos trocaram tiros na área da UPP dos Macacos. Uma troca de tiros entre policiais da UPP Fallet-Fogueiro e criminosos foi registrada no dia 15 de dezembro. No último mês de 2013, em uma confusão durante uma abordagem, um policial matou um idoso na UPP de Manguinhos.
GNews - UPP da Rocinha (Foto: GloboNews)UPP da Rocinha: tiroteios assustam moradores
desde dezembro (Foto: GloboNews)
No mês de janeiro, a UPP Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, Zona Sul do Rio, teve dois tiroteios. Ainda na Zona Sul, a Rocinha teve outra troca de tiros na segunda-feira (27). Na manhã do Natal de 2013, disparos assustaram moradores na favela na localidade Largo do Boiadeiro. No início de dezembro, um confronto de aproximadamente 12 horas deixou cinco pessoas feridas — dois policiais e três moradores — na comunidade. Também em dezembro, um policial militar foi baleado durante troca de tiros na Rocinha.
Segundo a assessoria de imprensa das UPPs, as ocorrências relacionadas aconteceram porque os policiais que patrulham as áreas pacificadas se deparam com focos de resistência de traficantes que querem retomar os territórios hoje sob controle do estado.
A assessoria disse ainda que o policiamento foi reforçado nas áreas citadas com policiais de outras UPPs e do Batalhão de Choque para garantir a paz de moradores e comerciantes.
Beltrame faz balanço positivo
Em dezembro de 2013, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou, em entrevista exclusiva ao G1, que ainda não havia motivos para comemorar [as UPPs] e que toda resistência encontrada pela polícia em locais que eram considerados grandes redutos do tráfico será enfrentada com extremo rigor. O secretário ainda admitiu a possibilidade de superar a meta inicial do programa, que era de 40 UPPs.

Uso do Facebook para atrair jovens a combater na Síria preocupa UE

Abou Shaheed. Foto: Facebook
Francês Abou Shaheed foi combater ao lado de rebeldes ligados à Al-Qaeda na Síria
Autoridades da Uniao Europeia estão preocupadas com o uso de sites de mídia social como Facebook para engajar jovens europeus na guerra da Síria.
A Comissão Europeia recomendou recentemente aos governos do bloco "ir além da proibição ou remoção de material ilegal" postado no Facebook e "passar a publicar mensagens opostas para contrariar as versões dos extremistas" e reduzir o impacto das redes sociais na radicalização de jovens.
Diversas páginas foram abertas no Facebook com mensagens explícitas para tentar recrutar jovens europeus. Páginas supostamente criadas por outros jovens que já lutam em território sírio, exibem um objetivo claro: promover a causa e atrair mais simpatizantes à luta.
A maioria dessas páginas seria de jovens que teriam se convertido ao islamismo radical contra a vontade de suas famílias e passado a integrar os batalhões do Estado Islâmico no Iraque e Levante (EIIL), um grupo ligado à Al-Qaeda que pretende instalar a sharia (lei islâmica) na Síria.
As autoridades francesas estimam que cerca de 250 cidadãos desse país participam do combate na Síria e outros 150 teriam manifestado o desejo de participar.
Na Bélgica, o ministério de Assuntos Exteriores já identificou cerca de 200 cidadãos que lutam em território sírio, além de 20 já mortos, mas afirma que esses números variam rapidamente.

Incentivo

As páginas trazem estampadas fotos dos supostos combatentes com o rosto à mostra e mensagens disponibilizadas a todo o público da rede social não apenas contra o governo de Bashar al-Assad, mas também contra grupos rebeldes moderados e contra toda forma de democracia.
Em contas abertas com pseudônimos religiosos, são publicadas regularmente fotos mostrando esses jovens em mansões em que viveriam, na região de Aleppo, expropriadas de ricos habitantes que fugiram das cidades depois da chegada dos radicais, e nelas eles comentam seu dia a dia.
"Coloco minhas fotos para dar força aos irmãos para vir (à guerra)", afirma o francês Abou Shaheed ao lado de uma imagem na qual aparece em uniforme camuflado, um grande sorriso no rosto descoberto e um fuzil na mão.
A mesma justificativa é dada por Abu Houdaifa Ahmed, que se diz belga, de 21 anos. Ele exibe orgulhoso suas armas e uma grande jarra de suco fresco de fruta, explicando como os "candidatos ao martírio" têm tudo o que necessitam na "terra de Alá" que tentam conquistar.
Ismail, outro que se diz belga, afirma que se uniu ao combate há um ano, aos 16 anos. Ele revela um rosto angelical coroado com um turbante em meio a imagens de fuzis AK 47 e lança-granadas.
Nos comentários embaixo das fotos, muitos simpatizantes se dizem "ansiosos por se unir" ao grupo e "combater os infiéis".
Abu Houdaifa Ahmed. Foto: Facebook
Abu Houdaifa Ahmed, de 21 anos, diz que 'candidatos ao martírio' têm tudo que querem
Os combatentes na linha de frente prometem ajudar com a logística e "esperar de braços abertos" os novos recrutas, mas não se limitam às palavras.

Simpatia

Warda Salame, jornalista do semanário belga Le Vif, se passou por um simpatizante e, depois de meses de contatos, recebeu indicações precisas e números de telefone de intermediários que a ajudariam a chegar a uma brigada do EIIL através da fronteira turca.
Até as fotos de cadáveres de companheiros de luta - menos frequentes - despertam simpatia entre os contatos dos combatentes, que louvam a coragem do defunto e desejam "que Alá abra as portas do paraíso" ao "mártir" ou "reserve a mesma honra" a si próprio.
"Viemos todos aqui para isso", lê-se em um desses comentários.
A rede social também é usada para pedir doações e enviar mensagens às famílias, por intermédio de membros do grupo que ficaram no país de origem.

Exibicionismo

Para François Ducrotté, analista do centro de pesquisa International Security Information Service (ISIS), com base em Bruxelas, essa atividade explícita é também uma forma de exibicionismo para jovens procedentes de classes desfavorecidas.
"É um orgulho para eles (mostrar a vida que levam na Síria). Essas pessoas, que são geralmente esquecidas pela sociedade, podem ter um momento de glória lutando por uma causa que talvez nem conheçam. E elas utilizam as redes sociais para ganhar protagonismo", afirmou em entrevista à BBC Brasil.
No entanto, "sendo inconscientes e orgulhosos, (os autores das páginas) também ajudam as autoridades a identificar as células de recrutamento e células terroristas" ativas em seus países de origem, acredita o analista.
O Ministério de Interior da Bélgica afirma que esses sites são monitorados pelos serviços antiterrorismo e que as informações divulgadas nessas páginas são usadas nas investigações sobre os combatentes que voltam ao país.
Segundo a Europol, as autoridades europeias não têm poderes legais para controlar publicações em internet realizadas fora de seu território ou perseguir suspeitos em outros países.
Questionado pela BBC Brasil, o Facebook disse que as páginas identificadas pela reportagem violam as regras do site que proíbem a difusão de conteúdo incitando ou apoiando a violência, mas continuavam no ar porque não haviam sido denunciadas por nenhum usuário.
Os perfis foram rapidamente desativados, mas a empresa admitiu que é incapaz de impedir que as mesmas pessoas criem uma nova conta ou de supervisionar o conteúdo publicado por seus mais de um bilhão de usuários, o que poderia ser qualificado como invasão de privacidade.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Philip Seymor Hoffman atuou em mais de 60 filmes

Philip Seymor Hoffman (foto: Getty)
Polícia diz suspeitar que morte possa ter sido provocada por abuso de entorpecentes
O ator americano Philip Seymour Hoffman - que atuou em mais de 60 filmes e ganhou o Oscar por Capote - foi encontrado morto neste domingo em Nova York, segundo a polícia.
Ele tinha 46 anos e foi encontrado sem vida em seu apartamento em Manhattan depois que um amigo ligou para o serviço de emergência. A polícia afirmou que a causa da morte poderia ser overdose de drogas.
Hoffmann começou a se tornar conhecido nos anos de 1990 devido a atuações nos filmes Boogie Nights (Prazer sem limites) e Big Lebowski (O grande Lebowski).
Ele chegou ao ápice em 2005 ao ganhar o Oscar de melhor ator pela interpretação do escritor Truman Capote. O filme Capote é uma biografia do escritor e narra como ele escreveu o livro A Sangue Frio, que conta a história da chacina de uma família do Kansas, nos Estados Unidos.
Ao longo de sua carreira Hoffman também atuou em filmes independentes e teve papéis em sucessos de Hollywood, como Mission: Impossible 3 (Missão Impossível 3).
Seu trabalho mais recente foi na série de fimes Hunger Games (Jogos Vorazes).
Além de atuar em filmes, ele fez peças na Broadway e chegou a ser indicado para dois prêmios Tony.
O ator britânico John Hurt, que estrelou com Hoffmann em 2003 o drama Owning Mahowny (Incrível Obcessão), afirmou que a notícia de sua morte o atingiu de forma muito dura.
"Ele foi um grande ator, um grande membro da comunidade do cinema e do teatro. Um talento extraordinário como diretor e como ator. Ele fará muita falta", disse.
No ano passado, Hoffman disse ao site de celebridades TMZ que havia procurado tratamento por causa do vício em drogas. Afirmou que já havia usado remédios e um pouco de heroína antes de procurar ajuda.
Ao todo, Hoffman participou de mais de 60 filmes, incluindo Magnolia e The Master (O Mestre), do diretor Paul Thomas Anderson.
Ele estreou como diretor em 2010 com o filme Jack Goes Boating (Vejo Você no Próximo Verão), no qual também atuou.

Woody Allen volta a ser acusado de abuso por filha adotiva

Woody Allen | Foto: AFP
Cineasta foi inocentado de alegações de abuso em investigação de 1992
A filha adotiva de Woody Allen voltou a afirmar que o cineasta "abusou sexualmente" dela quando criança, em 1992.
Em uma Clique carta aberta publicada no site do New York Times, Dylan Farrow acusa Allen de molestá-la em um "sótão escuro e fechado" na casa da atriz Mia Farrow, sua mãe adotiva, quando ela tinha sete anos.
Dylan, de 28 anos, também critica a celebração em Hollywood do que ela chama de "um predator que trouxe o caos para o nosso lar".
Allen foi submetido a uma investigação a respeito das alegações na época do incidente, mas não foi formalmente acusado.
Um painel de psicólogos designados por promotores americanos e pela polícia concluiu após exames que Dylan não havia sido molestada.
O causo provocou controvérsia quando um promotor disse depois que haveria "causa provável" para acusar Allen, mas que ele escolheu não fazê-lo para proteger a criança.
Pouco depois, um comitê disciplinar da Justiça americana repreendeu o promotor Frank Maco pela declaração.
O diretor de cinema sempre negou as acusações de abuso. Ele também chegou a acusar Mia Farrow de inventar as alegações após o rompimento da relação dos dois em 1992.

'Me recuso a ficar em pedaços'

Dylan Farrow começa sua carta perguntando: "Qual é o seu filme favorito de Woody Allen? Antes que você responda, deveria saber: quando eu tinha sete anos, Woody Allen me pegou pela mão e me levou a um sótão escuro e fechado no segundo andar da nossa casa".
"Ele me disse para deitar de barriga para baixo e brincar o trem elétrico de meu irmão. Depois ele abusou sexualmente de mim."
Farrow, que vive na Flórida usando um nome diferente, disse que desenvolveu um distúrbio alimentar e o hábito de se autoflagelar após o incidente.
Ronan Farrow | Foto: AP
Filho de Mia Farrow e Woody Allen criticou entrega de prêmio ao pai
"O fato de ele ter se livrado do que fez comigo me perseguiu durante o meu crescimento" diz.
Do painel que concluiu que não houve abuso em 1993, ela comenta: "Alegações de abuso sexual contra os poderosos são abafadas mais facilmente. Havia especialistas que queriam atacar a minha credibilidade".
Ela diz que decidiu romper o silêncio após duas décadas, quando o filme mais recente de Woody Allen, Blue Jasmine, foi indicado ao Oscar na semana passada.

'Tormento' de Hollywood

Farrow diz que Hollywood "piorou seu tormento" ao fazer "vista grossa" a sua história.
"Cada vez em que vejo o rosto do homem que abusou de mim - em um cartaz, em uma camiseta, na televisão - só conseguia esconder meu pânico até encontrar um lugar para ficar sozinha e cair aos pedaços. Mas desta vez, eu me recuso a cair aos pedaços", diz.
"Woody Allen é um testamento vivo da forma como nossa sociedade negligencia os sobreviventes de violência sexual e abuso".
A filha também se dirige a atores que apareceram nos filmes de Allen. "E se fosse seu filho, Cate Blanchett? Você me conhecia quando eu era pequena, Diane Keaton. Esqueceu de mim?"
No mês passado, Diane Keaton, que se relacionou com Allen antes de Mia Farrow, aceitou em seu nome um prêmio pelo conjunto da obra. O cineasta é conhecido por ser recluso e não comparecer a entregas de prêmios.
A presença de Keaton causou debate nas redes sociais e recebeu críticas do filho biológico de Allen com Mia Farrow, Ronan, que escreveu em seu perfil no Twitter:
"Não vi o tributo a Woody Allen - eles colocaram a parte em que uma mulher publicamente confessou que ele a molestou aos sete anos antes ou depois de Noivo neurótico, noiva nervosa (filme do cineasta, de 1977)?"
A carta de Dylan Farrow repercutiu em Hollywood. A atriz Cate Blanchett respondeu dizendo que "é claramente uma situação longa e dolorosa para a família e espero que eles consigam resolução e paz".
Mia Farrow | Foto: AFP
No Twitter, atriz insinuou que ex-companheiro é "pedófilo"
As acusações também geraram afirmações duras da mídia americana. O colunista do Wall Street Journal, Tom Gara, que disse que a carta é "o fim de Woody Allen".

Repercussão

Durante a entrega do prêmio, a atriz Mia Farrow disse que premiação "mostrou desprezo" por Dylan e outros sobreviventes de abusos. Ela também tuitou "Será que ele é um pedófilo?", incluindo o link para uma Clique reportagem da revista Vanity Fair que fala sobre as alegações de abuso.
Em Clique um texto sobre o assunto, o cineasta Robert B. Weide - autor de um documentário sobre Allen e da montagem sobre sua carreira exibida na entrega do Globo de Ouro - questiona a postura da atriz, afirmando que ela concordou sem dificuldades que trechos de filmes estrelados por ela fossem exibidos na homenagem.
Mia Farrow se envolveu com Woody Allen no início dos anos 1980. O casal, que nunca se casou oficialmente e viveu em casas separadas durante toda a relação, adotou Dylan e seu irmão, Moses.
Eles se separaram em 1992, após a revelação de que Allen teve um caso com Soon-Yi Previn, filha adotiva de um relacionamento anterior de Farrow, que na época tinha 19 anos.
As acusações de abuso sexual aconteceram pouco depois do rompimento. Na época, Woody Allen divulgou um comunicado dizendo que as alegações eram "uma manipulação inescrupulosa e horrivelmente danosa de crianças inocentes, por motivos vingativos e de interesse próprio".
Allen e Soon-Yi Previn se casaram em 1997 e adotaram duas meninas.

Açúcar ou gordura: médicos gêmeos testam eficácia de dietas

Chris e Alexander Van Tulleken | Foto: Joanna Barwick / BBC
Gêmeos adotaram novos hábitos alimentares para avaliar vantagens de dietas
Para comparar a eficácia de duas das principais dietas da moda, os irmãos gêmeos britânicos Alexander e Chris Van Tulleken – que também são médicos - decidiram viver na pele as provações e os desafios de cardápios extremamente restritivos.
Com o acompanhamento de uma nutricionista, Alexander cortou totalmente os carboidratos (pães, massas, cereais, etc.), enquanto Chris ingeriu uma quantidade mínima de gordura (frituras). Ambos podiam comer quanto quisessem, desde que seguissem à risca as limitações impostas.
Eles também mantiveram uma rotina semelhante de exercícios físicos.
O objetivo dos irmãos consistia em alcançar um resultado o mais verossímil possível dos efeitos positivos e negativos das dietas, uma vez que eliminariam, por serem gêmeos, qualquer influência genética sobre seus organismos. Eles também queriam entender qual delas seria mais eficiente.
A experiência da dupla, de 35 anos, foi tema do documentário Sugar v Fat ("Açúcar vs Gordura", em tradução livre) produzido pelo canal BBC 2.
O resultado surpreendeu: Alexander perdeu cerca de cinco quilos, enquanto Chris, que se limitou a ingerir alimentos com menos de 2% de gordura, perdeu um pouco menos.
Por outro lado, apesar de o ponteiro da balança cair, os dois relataram os efeitos devastadores de ambos os regimes.
Alexander, que se alimentou basicamente de carnes, peixes, ovos e queijos, afirmou se cansar muito mais rapidamente, além de ter perdido o fôlego nas atividades físicas.
Já seu irmão Chris, que cortou as gorduras, relatou que nunca se sentia satisfeito e que, frequentemente, se via beliscando petiscos.
Em linhas gerais, Chris teve um desempenho melhor do que Alexander, que demonstrou um cansaço ininterrupto e frequentes dores de cabeça.
Isso ficou patente em uma competição promovida entre os dois irmãos para ver quem ganhava dinheiro mais rápido em um simulador de ações da bolsa.
Ambos começaram com 100 mil de dinheiro virtual. Em uma hora, Chris ganhou quase o triplo de Alexander.
A mesma performance se repetiu durante os treinos físicos, que envolveram desde alongamentos a sessões exaustivas de spinning. Chris voltou a ter um desempenho consideravelmente superior ao de Alexander.
Apesar de perder mais peso, Alexander conta que tudo foi mais difícil para ele.
Os exames de sangue feitos ao final da experiência também refletiram os prejuízos de ambas as dietas para os indivíduos.
O de Alexander, que cortou os carboidratos, revelou que parte da energia de que ele necessitava diariamente vinha exclusivamente das proteínas não só das refeições quanto também dos músculos, uma dos motivos que explicaria o seu cansaço endêmico.
O exame de Chris, que perdeu menos peso, mostrou um aumento do nível de açúcar, o que, a longo prazo, poderia gerar problemas de saúde.

Moda

Recentemente, milhares de pessoas que sonham com corpos 'sarados' vêm testando dietas que preveem consumo zero de carboidratos.
A corrente de médicos que defende esse tipo de regime afirma que seu segredo está na chamada "síndrome metabólica".
O pensamento segue uma lógica simples: carboidratos elevam o nível de açúcar no sangue, estimulando o corpo a produzir mais insulina, hormônio produzido no pâncreas e responsável por "quebrar" as moléculas de açúcar.
Porém a substância também tem outro efeito: ela funciona como um gatilho para o corpo converter o açúcar em gordura e estocá-la. Essa gordura é mais difícil de perder, pois o organismo entende que só deve consumi-la em situações limite de insuficiência energética.
O que os médicos chamam de "síndrome metabólica", por sua vez, é essa combinação de obesidade abdominal, pressão alta e altas taxas de colesterol e gorduras no sangue. Isso faz com que o indivíduo tenha maior tendência a desenvolver diabetes do tipo 2, doenças cardiovasculares, câncer e outros.
Por essa teoria, as calorias dos carboidratos seriam "piores" do que as calorias das gorduras. Em tese, elas facilitariam o ganho de peso e aumentariam as chances de paradas cardíacas.
Para esses cientistas, o segredo para a solução da epidemia de obesidade global seria, portanto, reduzir a ingestão de açúcar.
"Essa hipótese, de que a chave para o sobrepeso é o nível de insulina elevado, causado principalmente pelo consumo de carboidratos, descarta a ideia mais básica do por que engordamos: se você ingerir mais calorias do que consegue gastar, vai engordar", contesta Alexander.

Conclusão

Chris e Alexander Van Tulleken | Crédito: Joanna Barwick / BBC
Ganho de peso está ligado à combinação de gordura e açúcar, dizem gêmeos
Ao final do experimento, os médicos gêmeos concluíram que o ganho de peso não está ligado exclusivamente ao consumo de gordura ou ao de açúcar (carboidratos).
O problema, na prática, é a combinação desses dois elementos, dizem eles.
Segundo estudos consultados por Alexander e Chris, a associação de gordura e açúcar - como achocolatados, sorvete ou batatas-fritas, por exemplo - têm um efeito semelhante ao da cocaína no corpo humano.
A chave para entender por que essa combinação é tão perigosa está numa substância chamada dopamina, um neurotransmissor que controla a sensação de recompensa do cérebro.
Uma ingestão de carboidratos e gorduras eleva a dopamina, afetando o funcionamento do organismo.
Segundo Alexander e Chris, a dica é: evite, ao máximo, as comidas processadas, que funcionam como uma "bomba viciante" e cujos efeitos para o corpo são devastadores.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

História de amor cruza fronteiras na Síria

Homem em Aleppo | Foto: AFP
Jovem esconde apoio à oposição para namorar filha de oficial da inteligência síria
A capital da Síria, Damasco, é uma cidade dividida, com algumas partes sob o controle das forças do governo e outras áreas dominadas pelos rebeldes. Mas o que acontece quando o amor cruza estas fronteiras?
Um trabalhador que conheci na capital era como a maioria dos jovens sírios de hoje - endurecido, sarcástico e aparentando mais idade do que tem.
Nos encontramos em uma rua movimentada no centro de Damasco - dos cafés era possível ouvir o barulho do bombardeio atingindo os subúrbios controlados pelos rebeldes.
Ele é de uma das cidades sob ataque e sua família ainda está presa lá. E ele me explicou, sem muita emoção, quão difícil é enviar suprimentos pelos pontos de controle que circundam o local.
Enquanto conversávamos, ele olhava constantemente para as pessoas ao nosso redor sob seus cílios grossos. Estávamos em uma área controlada pelo governo, cheia de consumidores bem vestidos e guardas de trânsito.
Não estávamos fazendo nada de errado, mas a vida sob a vigilância do temível serviço de inteligência militar sírio - o Mukhabarat - deixa sua marca nas pessoas. Ele me pediu para não usar seu nome real - eu o chamarei de Abu Anas.
Em determinado momento, ele começou a procurar uma foto em seu telefone para me mostrar. Quando pessoas das áreas da oposição mostram o telefone delas a você, é preciso se preparar para ver imagens chocantes de pessoas feridas em bombardeios aéreos do governo.
Mas Abu Anas tinha algo diferente para mostrar - uma jovem de olhos apaixonados em uma camiseta brilhante e calças jeans justas.

'Amo uma garota do regime'

Acontece que este filho dos subúrbios rebeldes tinha se apaixonado. Infelizmente para ele, era pela filha de um alto oficial da inteligência.
"Estou péssimo", suspirou ele, parecendo de repente mais próximo de sua idade real. "Eu odeio o regime, mas amo uma filha do regime."
Ele a conheceu por acaso antes do início do levante popular contra o governo de Bashar Al-Assad, e fala com ela ao telefone quase todos os dias desde então, em meio aos protestos e às bombas.
Como muitas pessoas em sua cidade natal, Abu Anas apoiou as manifestações quando elas começaram, mas isso não o impediu de continuar procurando a filha do oficial do Mukhabarat.
"Eu fiz uma distinção clara entre meu relacionamento com ela e meu relacionamento com o governo", explicou.
Nenhum dos seus amigos em redutos rebeldes locais sabe sobre sua namorada - se souberem, podem suspeitar que ele seja um informante.
O pai da jovem ficou furioso quando descobriu o namoro, mas ainda não sabe que o trabalhador que roubou o coração de sua filha tem laços com a rebelião.
"Eu mantenho em segredo o lado que apoio", ele diz, gabando-se da sua própria audácia de navegar entre os dois mundos.
Não são apenas os amantes proibidos que levam vidas duplas na Damasco de hoje. Uma rede de pontos de controle separa o centro da cidade - quase completamente preservado - dos subúrbios rebeldes bombardeados.
Centro de Damasco | Foto: Getty
Centro de Damasco permanece preservado, apesar de bombardeios
Mas isso não significa que todos de um lado apoiam o governo e do outro, a oposição. À medida em que a guerra continua, muitos se convencem de que vale a pena ser flexível.

Informantes

As áreas sob o controle rebelde estão cheias de informantes pagos, que passam informação para o governo. Na fronteira sul da cidade, um combatente leal ao regime me disse que o governo sabia os nome de todos os que pegaram em armas do outro lado.
"Eles sabem exatamente quem está e quem não está envolvido - temos informantes na comunidade deles como eles têm na nossa", afirmou.
Abu Anas me disse que os soldados e milicianos de olhar preocupado que ficam nos pontos de controle do governo também podem ser subornados. No entanto, eles impõem um cerco muito duro em alguns lugare, que causa fome aguda nos moradores.
Em outros, segundo o jovem, eles ficaram ricos aceitando dinheiro de contrabandistas.
"Alguns oficiais só tinham dinheiro para a comida. Agora eles têm carros, estão se casando, estão progredindo na vida", diz Abu Anas.
Um tom de inveja está na sua voz enquanto ele fala. Neste momento, ele está mais interessado em seguir com a vida do que com a revolução - diz sentir-se completamente desiludido com ela.
Ele saiu dos subúrbios antes que o cerco piorasse e está tentando ganhar a vida no centro da cidade.
Ele também tentou esquecer a garota, porque não conseguia ver como eles poderiam se casar algum dia. Mas quando tentou romper a relação, ele descobriu que não conseguia.
Um caso de amor proibido entre duas pessoas de lados opostos no confronto não dá esperança para a Síria - o conflito aqui parece pior do que nunca. Mas para Abu Anas, isso parece oferecer alguma esperança, em uma vida que se tornou dura e sombria.
"Não é todo dia que você encontra alguém que o adora tanto. É uma história maravilhosa, mas é cheia de conflito", diz ele.

Manifestantes protestam contra violência em frente à residência de Agnelo

Diante de um quadro de violência urbana que vem assustando moradores do Distrito Federal, um grupo de manifestantes decidiu fazer um protesto em frente a residência oficial do governador Agnelo Queiroz. O protesto foi marcado em uma página de rede social e, até o início da manhã deste sábado, contava com mais de 3 mil confirmações.
Apenas no primeiro mês de 2014, o número de mortes violentas chegou a 73, sendo 68 homicídios e cinco latrocínios. A média é de 2,4 casos por dia. Os ataques contra a vida superam em 37,7% a quantidade registrada no mesmo período de 2013. Parte do aumento da violência é atribuída a uma Operação Tartaruga em curso pela Polícia Militar do DF.

Agnelo Queiroz e autoridades de segurança do DF, durante entrevista a jornalistas na sexta-feira Foto: Agência Brasil
Agnelo Queiroz e autoridades de segurança do DF, durante entrevista a jornalistas na sexta-feira
Foto: Agência Brasil

Ontem, Agnelo realizou duas reuniões com a cúpula da segurança pública do DF e saiu delas com a promessa de que a Operação Tartaruga dos policiais e bombeiros militares chegou ao fim.
O compromisso firmado pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Anderson Carlos de Castro Moura, é de que os militares, inclusive coronéis e comandantes, trabalharão todos os dias até que a corporação restaure a ordem nas ruas do DF. Segundo ele, todos os policiais que participaram da Operação Tartaruga, instaurada há dois meses, passarão por um procedimento disciplinar, podendo ser punidos com advertências e até mesmo demissão do cargo em que ocupam. Até o momento, foram identificados cinco policias, entre oficiais e praças.


Um dos casos de maior repercussão no cenário recente de violência foi o do assassinato de Leandro Almeida, de 29 anos, morto a tiros na última quinta-feira quando chegava em casa no bairro de Águas Claras, a 20 quilômetros do centro de Brasília. Os manifestantes decidiram passar em frente ao prédio de Leandro para oferecer rosas a sua mãe antes de seguirem rumo à residência oficial do governador, localizada no mesmo bairro.

Governador do Rio mantém tarifas do metrô, barcas e trens

O governador do Rio, Sérgio Cabral, decidiu manter os preços das tarifas dos trens (R$2,90), das barcas (R$3,10 – tarifa social) e do metrô (R$3,20).Rio de Janeiro - O governador do Rio, Sérgio Cabral, decidiu manter os preços das tarifas dos trens (R$2,90), das barcas (R$3,10 – tarifa social) e do metrô (R$3,20).
Em nota, informou que a Lei Estadual  6.138/2011 instituiu a tarifa social para as barcas e definiu que as despesas serão subsidiadas pelo Fundo Estadual de Transporte. O caso dos trens e metrôs serão definidos pela área econômica do governo estadual.
Na quinta-feira (30), o Diário Oficial do município do Rio publicou decreto do prefeito Eduardo Paes, reajustando em 9,09% as passagens dos ônibus urbanos. A tarifa vai passar dos atuais R$ 2,75 para R$ 3. O aumento entra em vigor no dia 8 de fevereiro.
Eduardo Paes instituiu o passe livre universitário e ampliou os benefícios de gratuidade nos ônibus para estudantes do ensino fundamental e ensino médio da rede pública.