terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Agência revela 'retoque' em fotos de Fidel para esconder aparelho auditivo

Fotos de Fidel durante Celac | AP
Associated Press revelou que fotos foram alteradas para esconder aparelho auditivo de Fidel
A agência de notícias Associated Press informou que vai apagar de seus arquivos sete fotos do ex-líder cubano Fidel Castro que teriam sido "alteradas digitalmente" pela agência cubana que forneceu o material original.
As fotos captadas pelo filho de Castro, Alex, e posteriormente comercializadas pela agência estatal Estudios Revolución, teriam sido manipuladas para apagar um aparelho auditivo que Fidel estaria usando.
As imagens foram feitas no mês passado durante a reunião Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos), em Cuba.
Em comunicado, a AP disse que as imagens teriam de ser eliminadas de seus arquivos porque violam seus padrões de qualidade.
"Nós concluímos que algumas imagens de Fidel Castro foram manipuladas. A remoção de elementos de uma fotografia é totalmente inaceitável e uma clara violação dos padrões da AP", afirmou o vice-presidente e diretor de fotografia da agência, Santiago Lyon.
As regras da AP estipulam que fotos devem retratar a realidade e não podem ser alteradas para acrescentar ou subtrair elementos.
O governo cubano não reagiu à decisão da AP.

Raras aparições

Durante uma análise das últimas fotos de Fidel, editores notaram uma diferença em relação às que haviam sido veiculadas antes de janeiro.
Nas imagens mais antigas, era possível ver um pequeno fio transparente dentro da orelha do ex-líder cubano, que depois desaparece de imagens em que ele aparece ao lado do presidente equatoriano Rafael Correa, em encontro na Celac.
A agência solicitou os originais de Alex Castro, o que permitiu comprovar a manipulação. O filho de Fidel, que faz a maioria das fotos do pai desde que este deixou a Presidência do país, em 2006, disse que não sabia que seu material tinha sido alterado.
As imagens não chegaram a ser distribuídas pela AP, mas uma revisão de outras fotos feitas durante a Celac, incluindo uma do encontro entre Fidel e a presidente argentina Cristina Kirchner, apresentaram as mesmas anomalias.
As fotos foram amplamente distribuídas pela AP e outras organizações de mídia.
A agência ainda anunciou que vai rever cerca de 150 fotos recentes do líder comunista.
Desde que passou a Presidência cubana ao irmão Raúl, Fidel Castro fez poucas aparições públicas.
Em janeiro ele apareceu em público pela primeira vez em nove meses.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Polícia identifica homem que lançou rojão que atingiu cinegrafista

A Polícia Civil do Rio de Janeiro já tem o nome, endereço, idade e perfil do suspeito de acender o artefato explosivo que vitimou o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade, que morreu nesta segunda-feira, três dias depois de ser atingido por um rojão na manifestação contra o aumento da tarifa dos ônibus, no Rio de Janeiro. De acordo com o delegado titular da 17 Delegacia de Polícia (São Cristóvão), Maurício Luciano, todas as informações a seu respeito serão divulgadas tão logo o poder judiciário conceda nas próximas horas o pedido de prisão preventiva, de 30 dias.
O rosto do suspeito foi reconhecido por Fábio Raposo, 22 anos, detido no último final de semana por ter supostamente passado para este indivíduo o artefato que vitimou fatalmente o repórter-cinematográfico. Ao contrário da primeira versão, Raposo, preso no complexo penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro, afirmou, de acordo com o relato do delegado, que “eles se encontravam em manifestações e que esse rapaz tem perfil violento”.
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“Aquele cara que tem função de briga, agressão, de instigar”, afirmou ainda Maurício Luciano. “Não foi um atentado à liberdade, o que se procurou foi atingir as forças policiais que vinham daquele lado. O Santiago ficou na linha de tiro”, completou.
Com a morte de Santiago, o indiciamento tanto deste suspeito, quanto o de Fábio Raposo, passará para homicídio doloso qualificado com uso de artefato explosivo, mais crime de explosão. Se ficar comprovado que eles agiam em bando organizado, ambos podem ser acusados ainda de formação de quadrilha, o que pode elevar a pena máximo para até 40 anos de reclusão.

CNJ vai monitorar processos contra prefeito de Coari, preso por pedofilia

O corregedor Nacional de Justiça, ministro Francisco Falcão, determinou, nesta segunda-feira (10/2), a inclusão de três processos criminais contra o prefeito de Coari (AM), Adail Pinheiro, no programa Justiça Plena, da Corregedoria Nacional. Assim, a tramitação desses processos nos quais o prefeito – que está preso - é acusado de exploração sexual de menores, passa a ser monitorada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Por outro lado, a Corregedoria solicitou à Procuradoria-Geral da República que os três procedimentos, em curso no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), sejam julgados pela Justiça Federal, e não mais pela Justiça estadual. “Alguns dos procedimentos já tramitam por quase cinco anos, sendo digna de nota a circunstância de diversos desembargadores reconhecerem a suspeição para atuar”, afirmou o ministro Francisco Falcão, no ofício em que determina a inclusão dos casos no programa Justiça Plena.
A decisão foi tomada após reunião entre o ministro Francisco Falcão, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, a vice-procuradora-geral da Repblica, Ela Wiecko Volkmer de Castilho, o conselheiro Gilberto Valente Martins, do CNJ, e membros do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.
Celeridade
“Vamos exigir celeridade no julgamento destes fatos, que são graves, e merecem uma apuração rigorosa”, afirmou o ministro Francisco Falcão, após a reunião. Além dos procedimentos incluídos no Justiça Plena, há dezenas de outros processos envolvendo o prefeito em trâmite na Justiça amazonense.
“É uma vergonha que há tantos anos esses casos não foram investigados a fundo. Da parte da PGR todo esforço vai ser feito para colaborar com o CNJ, a fim de que esses crimes sejam apurados e as pessoas responsabilizadas do ponto de vista criminal, administrativo, e até político”, comentou a vice-procuradora Ela Wiecko Volkmer de Castilho.
A partir da inclusão no programa, a tramitação desses processos passa a ser informada à Corregedoria Nacional de Justiça, e estará disponível aos órgãos que participam do programa no Sistema de Acompanhamento de Processos de Relevância Social (Saprs).
Justiça Plena
Lançado em novembro de 2010, o Programa Justiça Plena monitora e dá transparência ao andamento de processos de grande repercussão social. O objetivo é garantir a efetividade e a celeridade da prestação jurisdicional. “Sem o julgamento e responsabilização dos exploradores sexuais, estas vítimas vão ficar cada vez mais em uma situação de vulnerabilidade e ameaça”, declarou a ministra Maria do Rosário.
Participam do programa o Ministério da Justiça (MJ), a Advocacia- Geral da União (AGU), a Secretaria de Direitos Humanos (SDH), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Defensoria Pública da União e dos Estados e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.

Cubana que largou Mais Médicos teme ser 'sequestrada' no Brasil

Ramona Rodríguez (Ag Brasil)
Ramona Rodríguez diz que seu caso 'virou algo político'
A médica cubana Ramona Rodríguez diz temer represália após ter desertado o programa Mais Médicos na segunda-feira passada.
"Tenho medo que me aconteça algo - que alguém de Cuba me faça algo, que me sequestrem, não sei", afirma em entrevista à BBC Mundo por telefone, em Brasília.
Rodríguez, de 51 anos, diz também que sabia que sua decisão de abandonar o Mais Médicos, vitrine do governo de Dilma Rousseff - cairia "como uma bomba".
"Virou mais do que isso (saúde pública), é algo político", opina.
A médica, que é especialista em medicina integral geral, deixou seu posto de trabalho no Pará alegando que se sentia enganada por receber apenas uma fração do que receberiam profissionais do Mais Médicos vindos de outros países.
Ela alega que ganha apenas US$ 400 por mês, além de US$ 600 que são depositados em sua conta em Cuba, e que o governo cubano ficaria com outros cerca de US$ 3 mil do salário pago pelo governo brasileiro a Rodríguez.
A Agência Brasil explica que os médicos cubanos atuam no Brasil em regime diferente dos que se inscreveram individualmente no Mais Médicos - via convênio do Ministério da Saúde brasileiro com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que recebe os repasses estatais e os encaminha ao governo cubano.
"Fiquei indignada", diz Rodríguez. "Muitos médicos pensam como eu, que isso é um roubo do nosso dinheiro."
Ela pediu asilo na Embaixada dos EUA em Brasília e pediu refúgio no Brasil, para regularizar sua estada no país enquanto seu pedido é processado por Washington.
Rodríguez afirma que seu desejo é emigrar aos EUA, mas caso não consiga está disposta a ficar no Brasil - onde a Associação Médica Brasileira, crítica ao Mais Médicos, ofereceu-lhe um emprego transitório.

'Ativo político'

Para analistas, o episódio virou um caso delicado de política externa e doméstica para a presidente Dilma Rousseff, que tem o Mais Médicos como bandeira nas eleições de outubro.
"O que parecia ser um ativo político para ela na campanha pode se transformar em um problema político importante", afirma à BBC Mundo Paulo Velasco, especialista em relações internacionais da Universidade Cândido Mendes.
Velasco acredita que se Washington aceitar o pedido de asilo de Rodríguez, o episódio pode "complicar mais" a relação com o Brasil e estimular outros médicos cubanos a fazer o mesmo.
Mais de 7 mil médicos cubanos vieram ao Brasil para o programa, reforçando uma relação bilateral que prevê também o aumento do comércio entre Brasília e Havana.
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, acusou na semana passada a oposição de explorar politicamente o caso de Rodríguez e "boicotar" o Mais Médicos. "Se dependesse da oposição, 22 milhões de brasileiros continuariam sem atendimento à saúde", afirmou.

NY apreende 3 mil aves em megaoperação contra briga de galo

Galos apreendidos em rinha em NY | Crédito: AP
Policiais apreenderam 3 mil passáros; no Queens, aves recebiam injeções de esteroides
A polícia de Nova York apreendeu 3 mil aves durante a maior operação já feita na cidade contra rinhas de galo.
Em uma das incursões, foi desmantelada uma tradicional briga de galo noturna em um porão de uma loja no bairro do Queens.
No local, a polícia descobriu galos dentros de sacos plásticos e com esporas de metal presas às suas patas.
Pelo menos 70 pessoas foram encaminhadas à delegacia para averiguação e nove foram presas.
O promotor-geral de Nova York, Eric Schneiderman, afirmou que a investigação mapeou os locais onde se realizavam brigas de galo e suas conexões com outras atividades criminosas.
"A briga de galo é uma prática cruel, abusiva e bárbara que tortura animais, coloca em perigo a saúde e a segurança das pessoas e também facilita outros crimes", afirmou Schneiderman.

Esteroides

A Operação, batizada de Angry Birds (“pássaros enraivecidos”, em tradução livre), em alusão ao popular jogo de celular homônimo, foi realizada no Queens, no Brooklyn e no Condado de Ulster, afirmou Schneiderman.
Foi também a maior do gênero na história de Nova York, acrescentou ele.
No Queens, a polícia flagrou e desmantelou uma tradicional briga de galos noturna que vinha sendo realizada no porão de uma loja. Os policiais afirmaram que os donos dos galos se reuniam ali duas vezes por mês e costumavam injetar esteroides nos animais para aumentar seu desempenho.
Os apostadores também foram detidos e acusados formalmente.
No local, a polícia também constatou a venda ilegal de bebidas alcóolicas.
Segundo as autoridades, as apostas chegavam a US$ 10 mil (R$ 24 mil).

Fazenda

Enquanto isso, 50 galos de briga foram apreendidos no subsolo de uma clínica veterinária no Brooklyn. A polícia afirmou que encontrou esporas e seringas.
O dono do estabelecimento foi acusado pelo crime de incitar a briga entre animais, afirmaram os promotores.
As autoridades, que tiveram o apoio da Sociedade Americana pela Prevenção da Crueldade dos Animais (ASPCA) também estenderam a operação a uma fazenda próxima à cidade de Plattekill, no Condado de Ulster, onde os pássaros eram alimentados e treinados para brigar.
No local, a polícia apreendeu 3 mil aves e prendeu dois homens que cuidavam da propriedade.
A ASPCA montou um abrigo temporário para receber e cuidar dos animais apreendidos.
"Nenhum animal deve ser forçado a lutar contra a morte, e nós estamos orgulhosos de cumprir um papel principal em remover e cuidar desses pássaros vitimizados, assim como oferecer assistência legal nesse caso", afirmou Matthew Bershadker, presidente da ASPCA, por meio de um comunicado.
Em Nova York, a rinha de galos e a posse de um galo de briga são crimes passíveis de quatro anos de prisão e multa de até US$ 25 mil (R$ 60 mil).

Copa 2014: O dilema de ser sede

Felipão instrui jogadores durante amistoso (Arquivo/AP)
Felipão chamou psicóloga para traçar perfil de jogadores
Além do desafio de cumprir com a promessa de realizar a "Copa das Copas", o Brasil terá que enfrentar neste ano a pressão de corresponder às expectativas de milhões de torcedores que acompanharão o Mundial em casa pela primeira vez após 64 anos.
Considerada favorito ao título em 2014, a seleção brasileira de Neymar, Oscar e companhia começará a caminhada rumo ao hexa no dia 12 de junho, diante da Croácia, na Arena Corinthians, em São Paulo e, daí em diante, terá sempre casa cheia e toda a torcida a favor durante a Copa – os ingressos para jogos do Brasil foram os primeiros a se esgotar na primeira fase de vendas da Fifa.
Mas a história já provou que ter a torcida a favor não é suficiente para conquistar o troféu do torneio esportivo mais importante do planeta. França, Espanha, Itália, Alemanha – hoje todas campeãs mundiais – já viveram a frustração de serem eliminadas de um Copa dentro de casa.
Dos 15 países que já sediaram o torneio, apenas seis comemoraram o título em seus domínios: Uruguai (1930), Itália (1934), Inglaterra (1966), Alemanha (1974), Argentina (1978) e França (1998).
No caso do Brasil, as memórias do troféu perdido em 1950 ainda assombram o imaginário de quem viveu na época aquela decepção. O gol de Ghiggia na vitória por 2 a 1 que deu o título ao Uruguai silenciou as quase 200 mil pessoas que estavam no Maracanã e criou o fantasma do "Maracanazo". E o medo de que aquela cena se repita em 2014 assusta até mesmo o maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé.
"Tem uma coisa que eu já falei algumas vezes, mas não sai da memória. Na Copa de 1950, vi meu pai chorando com os amigos dele, porque o Brasil tinha perdido. Então eu não quero que os meus filhos me vejam chorando", disse o tricampeão mundial ainda no sorteio dos grupos da Copa do Mundo, em dezembro passado.
E justamente para evitar qualquer possibilidade de fracasso, o técnico Luiz Felipe Scolari já montou uma estratégia para aliviar a pressão sobre os seus jogadores e afastar de vez o fantasma do "Maracanazo".
Assim como em 2002, quando comandou a seleção que conquistou o pentacampeonato na Copa do Japão e da Coreia, Felipão acionou a psicóloga Regina Brandão para ajudá-lo a administrar o emocional dos atletas. O trabalho dela é mapear o perfil de cada jogador e traçar a melhor estratégia para que eles possam lidar com a pressão.
Em entrevista ao New York Times, Regina Brandão explicou que criou um questionário amplo para os atletas pedindo para que eles classificassem em uma escala numérica, como são afetados por determinados eventos (positiva ou negativamente). A partir do resultado dele, ela irá avaliar o perfil de cada jogador e poderá começar um trabalho em conjunto com Felipão para auxiliá-los na parte emocional.

'Brasileiros não sabem lidar com favoritismo'

Experiente no trabalho motivacional com atletas, a psicóloga da seleção brasileira feminina de handebol, Alessandra Dutra, explica que o brasileiro tem mais dificuldade para lidar com a pressão do que atletas de outras nacionalidades.
'Para o brasileiro, pesa muito, ao invés de trazer força', diz psicóloga
Alessandra trabalha com a equipe feminina de handebol desde 2009 e passou por duas grandes frustrações nela: as eliminações nas quartas de final tanto no Mundial de 2011, disputado no Brasil, quanto na Olimpíada de 2012. Para vencer as decepções e fazer as meninas saírem do "quase", ela iniciou um trabalho de "blindagem" nas atletas, que culminou no inédito título mundial do ano passado.
Em entrevista à BBC Brasil, ela conta que é preciso desenvolver nos esportistas brasileiros uma certa frieza, para que eles possam "se blindar" em situações de forte pressão por resultados, como a que a seleção brasileira de futebol enfrentará neste ano.
"Atleta brasileiro não sabe lidar com favoritismo. Para o brasileiro, pesa muito, ao invés de trazer força, traz responsabilidade e pressão maior", disse Alessandra.
"Isso ativa mais a ansiedade de corresponder a expectativa do país. A responsabilidade de responder a essa torcida é uma coisa que o brasileiro precisa modificar para trazer esse favoritismo a favor dele", prosseguiu.
Seguindo o exemplo do que fez com a seleção feminina de handebol, Alessandra Dutra acredita que o segredo para a seleção de Felipão é construir essa blindagem por meio de muita concentração e foco.
"Tem que fazer com que esse grupo se dirija para aproveitar o que a torcida vai trazer de melhor, e não transformar numa pressão negativa. O favoritismo tira muito a concentração."

A lição do rival

Bicampeã em 1978 e 1986, a Argentina ainda não alcançou o Brasil em número de títulos mundiais, mas já tem na história das Copas um feito ainda não atingido pela seleção canarinho: a conquista da taça em casa.
Foi há 36 anos, quando sediavam o torneio, que os "hermanos" venceram o mundial pela primeira vez. Um dos heróis do título foi justamente um jovem de 23 anos, Mario Kempes, que marcou dois gols na vitória por 3 a 1 sobre a Holanda na prorrogação do jogo que garantiu a conquista da Copa de 1978 para os argentinos.
Em entrevista à BBC, Kempes conta que o segredo para superar tamanha pressão é simples: ignorar tudo o que está fora das quatro linhas. "Você entra em campo, vê a torcida, o estádio lotado, mas uma vez que o árbitro apita, aí você você não vê mais nada do que está fora, começa a ver somente o que acontece dentro do retângulo", diz.
"É muita concentração, pode pode ser 90 minutos ou 120 com a prorrogação, mas, você tem que dar 100%."
Ainda mais jovem do que Kempes em 1978, Neymar terá a responsabilidade de liderar o Brasil rumo ao hexa em 2014 com 22 anos. Mas o craque do Barcelona parece já ter aprendido a dica do rival argentino.
"Acho que tratando de Copa do Mundo, qualquer pressão fica de lado porque é um sonho que você tem desde criança. Por ser um sonho, a pressão foca de fora", disse Neymar, durante a entrega do prêmio Bola de Ouro da Fifa no mês passado.
Na mesma ocasião, o atacante brasileiro chegou a dizer que gostaria de jogar uma possível final 13 de julho, no Maracanã, contra a Argentina. Do outro lado, Mario Kempes também não escondeu sua vontade de ver uma das maiores rivalidades do futebol mundial disputando o título neste ano.
"Existe uma grande rivalidade entre Brasil e Argentina e seria uma grande final. Não digo que seria linda, mas com certeza traria bastante emoção. Creio que o amor próprio da Argentina e o bom jogo do Brasil fariam uma grande final."

PT 'lança' Dilma e contempla obstáculos políticos à reeleição

Dilma Rousseff
PT aproveita aniversário de 34 anos para lançar formalmente candidatura à reeleição de Dilma
O Partido dos Trabalhadores (PT) deve aproveitar sua festa de 34 anos nesta segunda-feira em São Paulo para lançar informalmente a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição. A oposição também se articula para a disputa de 5 de outubro – em um momento em que os resultados das urnas parecem mais incertos do que no ano passado.
Dilma, que deve ser oficializada como candidata após a convenção do partido, em junho, ainda é a favorita para vencer a eleição. Segundo a última pesquisa Datafolha, de 30 de novembro, a presidente tem 47% das intenções de voto e venceria na maioria dos cenários já no primeiro turno.
Mas, se a alta popularidade da presidente até os protestos de junho do ano passado fazia os petistas sonharem com uma vitória fácil, a crise de relacionamento com o PMDB, a saída do PSB da base governista e os riscos de mais manifestações durante a Copa complicaram os planos do partido para as eleições.
Por sua vez, a oposição ganhou munição com as dificuldades econômicas – com o governo sendo criticado pela baixa taxa de crescimento do PIB e pelos gastos elevados -, o recente apagão que afetou 6 milhões de pessoas em 11 Estados e a prisão de líderes históricos envolvidos no escândalo do Mensalão.
"O PT é hoje um partido com 12 anos no governo, desgastado pelo exercício do poder. Estar no governo tem custos. O PT cometeu muitos erros e, como qualquer partido no governo, tomou muitas medidas impopulares", comenta o cientista política Octavio Amorim Neto, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.
"Estar tanto tempo no governo tem seus custos, mas também tem benefícios", diz Amorim Neto. "A presidente tem exposição frequente nos meios de comunicação, tem a máquina. É uma enorme vantagem", diz.
Um dos homens fortes do governo Dilma, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, admitiu em dezembro, no entanto, que eleição deve ser "dificílima". "Eu não tenho expectativa, não (de vitória no primeiro turno). Eu acho que vai ser uma eleição muito dura", disse.

PMDB

Desde o retorno à democracia, em 1985, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) teve assento em todos os governos, de José Sarney a Dilma Rousseff. Sigla com a presença no maior número de municípios no país, o partido joga com seu peso para manter espaço na Esplanada dos Ministérios, com impacto direto nas coligações do PT nos Estados.

Maranhão expõe contradições partidárias

Flávio Dino, do PCdoB (Partido Comunista do Brasil), pode conseguir um feito no Maranhão - trazer para seu palanque Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) e ainda militantes do PT, partido de quem os comunistas são aliados históricos.
Tudo para derrotar Roseana Sarney (PMDB), representante do clã que governa o Estado há cinco décadas.
Embora conte com o apoio de parte da militância petista, Dino não deve ter suporte oficial do PT, que fecha com os Sarney.
A costura política do Maranhão expõe as contradições entre as coligações partidárias no plano federal e nos Estados, onde os interesses locais falam mais altos que as conveniências discutidas em Brasília.
"A relação PT-PMDB nunca esteve tão abalada", diz a cientista política Maria Teresa Kerbauy, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Araraquara.
"Pode ser que seja jogo de cena, já que o PMDB é um partido voraz e quer aumentar espaço no governo na atual reforma ministerial. Mas isso afeta a eleição", diz. Lideranças peemedebistas já deixaram claro que querem mais um ministério.
O Palácio do Jaburu, às margens do Lago Paranoá em Brasília, tornou-se o centro das queixas do partido. A residência do vice-presidente Michel Temer (PMDB) tem sido endereço constante das reuniões da sigla, que ainda tem o comando da Câmara, com Henrique Alves, e do Senado, com Renan Calheiros.
Mas se o partido deve manter a aliança com o PT nas eleições em nível federal, o mesmo não se pode dizer das eleições para governador.
O Rio de Janeiro é o caso mais emblemático. Por lá, o casamento PT-PMDB chegou ao fim após os petistas lançarem Lindberg Farias ao Palácio Guanabara, contra a vontade do governador Sérgio Cabral (PMDB), que prefere ser sucedido por seu vice, Luiz Fernando Pezão.
Eduardo Campos e Marina Silva | AFP
Campos, do PSB, e Marina, da Rede Sustentabilidade, se tornaram aliados em outubro
Analistas já não esperam Cabral trabalhando com entusiasmo para reeleger Dilma no terceiro maior colégio eleitoral do país. Ainda há problemas em outros Estados como na Bahia, onde Geddel Vieira Lima (PMDB) deve se lançar candidato à revelia do atual governador Jaques Wagner (PT).
Em São Paulo, o PMDB pode lançar um candidato próprio, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, enquanto o PT já aposta no ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
"A relação entre PMDB e PT pode piorar no (eventual) segundo mandato de Dilma. Se o PT eleger menos governadores e se o PMDB eleger uma maior bancada, o PT vai ficar devedor do PMDB", diz Kerbauy.

PSB

Força evangélica

"Um partido para observar é o PSC (Partido Social Cristão)". A frase é de David Fleischer, da UnB. O plano do partido é lançar um candidato evangélico para angariar os votos desse setor do eleitorado, cada vez mais influente.
No Congresso, o nome mais proeminente do partido e da bancada evangélica é o do deputado Pastor Marcos Feliciano, conhecido pelas posições polêmicas em relação aos gays, negros e mulheres.
A bancada evangélica, no entanto, é suprapartidária e diversa. Se não há consenso sobre assuntos como economia, o crescimento dos evangélicos na política deve ter impacto na discussão de temas sociais, como o aborto, a descriminalização das drogas e o casamento entre pessoas de mesmo sexo.
O tema do aborto já deu o tom na reta final da disputa entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) em 2010.
Para garantir o apoio evangélico, Alexandre Padilha (PT-SP) já se disse contrário à mudanças na Lei do Aborto. No Rio, Lindberg Farias (PT), que ficou conhecido por posições mais à esquerda durante sua passagem pelo Congresso, agora se aproxima de setores evangélicos, de olho no governo fluminense.
O anúncio-surpresa, em outubro, de uma aliança entre a ex-senadora Marina Silva (movimento Rede Sustentabilidade) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB (Partido Socialista Brasileiro), trouxe um elemento novo às eleições de 2014.
A aliança ameaça a já tradicional dicotomia entre PT e PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), que desde 2002 se rivalizam no plano nacional.
Campos ainda tem menos intenções de voto do que Aécio Neves (PSDB) - 11% e 19%, respectivamente, na última pesquisa Datafolha. Mas o apoio de Marina Silva, que obteve quase 20 milhões de votos e terminou em terceiro lugar na eleição presidencial de 2010, pode embolar a corrida ao Planalto.
"Eu acho que o PSB preocupa principalmente o PT. É com o PT que o PSB vai dividir votos em São Paulo e também no nordeste, base de Eduardo Campos", diz Kerbauy. Ela ressalta o potencial do partido, mas lembra que o PSB ainda não é uma sigla com abrangência nacional.

PSDB

Aécio Neves | Reuters
Líder da oposição, Aécio 'não falou nada de peso' em três anos como senador
Já no campo tucano, além do PSB e do favoritismo de Dilma, há outras preocupações.
"Ouvi que o (ex-presidente) Fernando Henrique está bastante preocupado com a candidatura do Aécio. Em três anos no Senado, ele não falou nada de peso. Não deu nenhuma grande diretriz", diz o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília.
Amorim Neto, da FGB-Rio afirma que a oposição, tanto PSB quanto PSDB, tem "problemas de credibilidade".
"Aécio é sem dúvidas um líder da oposição. Mas desde que assumiu cadeira no Senado ele exerce oposição moderada. É dele a frase 'não se bate em governo popular'. Somado a todos os erros do PSDB, isso enfraquece muito a credibilidade do Aécio como real alternativa de poder", diz.
Para os três analistas ouvidos pela BBC Brasil, a batalha mais importante do tucanato será travada em São Paulo, onde o PT joga todas as fichas na campanha de Padilha contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tenta a reeleição.
Se o PSDB perder a eleição presidencial, mas conseguir manter o governo de São Paulo, Estado que governa há 20 anos, essa será uma "grande" perda. Mas se os tucanos perderem o comando do maior colégio eleitoral do país, o consenso é que será uma perda "trágica", dizem os analistas.
David Fleischer aposta, no entanto, em outro elemento que pode desempenhar um papel crucial na campanha e invalidar as previsões dos analistas.
"A grande explosão pode ocorrer na Copa. Certamente vamos ter grandes manifestações e esse será o grande assunto das eleições", diz.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Comboio da ONU é atacado ao tentar levar ajuda a Homs

veículo da ONU | Reuters
Veículos da ONU ficaram sob ataque ao tentar entregar suprimentos a civis
Veículos das Nações Unidas foram atacados novamente neste domingo ao tentar levar ajuda humanitária a milhares de civis sitiados na cidade de Homs, na Síria.
No sábado, caminhões com suprimentos como água, comida e medicamentos foram alvejados quando saíam da cidade, deixando vários feridos. Governo sírio e rebeldes se acusaram mutuamente pela violência.
Relatos vindos dos dois lados confirmaram que tiros e morteiros foram lançados neste domingo após a entrada dos veículos da ONU em uma área de Homs controlada pelos rebeldes.
Segundo a mídia estatal da Síria, 65 civis foram evacuados dois dias após a primeira operação que retirou 80 pessoas da cidade, entre idosos, mulheres e crianças.
Mas fontes da oposição afirmam que um local onde várias pessoas estavam reunidas em preparação para a retirada neste domingo foi atacado e teria deixado vários mortos. Esta informação ainda não foi confirmada.

Decepção

A operação para ajudar cerca de três mil civis em Homs foi o único passo concreto alcançado durante as negociações de paz para a Síria em Genebra, há duas semanas. Uma nova rodada de conversas começa nesta segunda-feira.
A chefe de operações humanitárias da ONU, Valerie Amos, insistiu que a ONU e as agências de ajuda "não serão detidas" pelos recentes ataques.
Amos disse estar "profundamente decepcionada" com a quebra do cessar-fogo que havia sido acordado na semana passada para permitir a saída de civis e a entrada de mantimentos.
Os episódios de violência, segundo ela, são uma "dura constatação dos perigos que civis e agências humanitárias enfrentam todos os dias na Síria".
A organização Vermelho Crescente, que trabalha em parceria coma ONU, afirmou em comunicado que, apesar das dificuldades, conseguiu entregar 250 pacotes com comida, 190 kits de higiene e medicamentos para doenças crônicas".
Um vídeo promovido pelos rebeldes na internet e que não pôde ser verificado mostra os veículos da ONU sendo bombardeados e um homem ferido sendo carregado.
Ambos os lados se acusam mutamente pela violência, mas de acordo com o correspondente da BBC em Beirute, Jim Muir, a menos que as imagens tenham sido fabricadas, os carros da ONU parecem estar dentro de uma área controlada pelos rebeldes e os tiros que recebem vêm de fora.
Homs tem sido uma zona de batalha chave no levante contra o presidente Bashar Al-Assad.
No início de 2012, o Exército lançou uma série de ataques para tentar recuperar o controle de áreas importantes, causando a morte de milhares de pessoas e reduzindo bairros inteiros a escombros.
Muitos civis que deixaram a cidade na sexta-feira aparentavam fraqueza e contaram ter passado fome. Eles disseram que não há pão e que muitos estão comendo folhas e ervas daninhas para sobreviver.

Homem armado mata 2 em igreja na costa leste da Rússia


Um homem armado abriu fogo no domingo contra uma catedral ortodoxa russa na ilha de Sakhalin, na costa leste da Rússia, matando uma freira e um fiel e ferindo outras seis pessoas, disseram autoridades.
O tiroteio aconteceu no momento em que as forças de segurança russas estão em forte alerta devido às preocupações com possíveis ataques aos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, milhares de quilômetros a oeste. Aparentemente não havia ligação com os Jogos.
O atirador foi detido no local após o tiroteio na principal catedral da cidade de Yuzhno-Sakhalinsk, disse o Comitê Investigativo, um órgão federal.
Não foi dado imediatamente nenhum motivo para o ataque, que aconteceu seis dias depois de um adolescente de Moscou ter matado um professor e um policial no primeiro grande tiroteio em escolas na Rússia.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Princesa espanhola é interrogada em conexão a escândalo de corrupção

A princesa espanhola Cristina está sendo interrogada neste sábado por acusações de participação em um escândalo de corrupção envolvendo negócios de seu marido.
Esta é a primeira vez que um membro da família real espanhola é questionado na Justiça por acusações de corrupção, em um caso que vem causando sérios danos à imagem da monarquia do país.
Aparentando tranquilidade, a princesa de 48 anos, filha mais nova do rei Juan Carlos, entrou no tribunal na ilha de Maiorca sem conversar com a imprensa.
As acusações são relacionadas a atividades do marido de Cristina, o ex-jogador profissional de handebol Inaki Urdangarin, com quem ela se casou em 1997 e que, desde o final de 2011, passou a ser investigado pela polícia por suspeitas de fraude fiscal e lavagem de dinheiro.
As suspeitas, segundo jornais espanhóis, são de que Urdangarin e seu então sócio, Diego Torres, haviam usado sua ONG, o Instituto Noos, para organizar eventos para os governos regionais de Valência e das Ilhas Baleares a preços altamente inflacionados.
Urdangarin e Torres ainda teriam recebido um total de 5,6 milhões de euros (R$18 milhões) de cofres públicos.

Gastos pessoais

A princesa é suspeita de gastar parte do dinheiro em gastos pessoais.
Ainda há suspeitas de que a Cristina sabia dos atos ilícitos do marido. Seu advogado alega que ela é inocente.
Segundo o correspondente da BBC, Tom Burridge, que está em frente ao tribunal, um grupo de pessoas fez um pequeno protesto quando Cristina chegou.
Há semanas as televisões espanholas vêm dando ampla cobertura ao caso, especulando sobre todos os detalhes da investigação.
Para Burridge, inocente ou não, muitos acreditam que este caso de corrupção já causou um dano significativo à credibilidade e reputação da família real espanhola.

João Paulo Cunha renuncia ao mandato de deputado federal

João Paulo Cunha (PT-SP) renunciou ao mandato de deputado federal nesta sexta-feira (7). A carta de renúncia foi entregue às 20h21 na Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados por um dos seus advogados. No texto, João Paulo afirma que renuncia “com a consciência do dever cumprido”.
A carta deverá ser lida no Plenário da Casa e publicada no Diário Oficial. Com isso, encerra-se qualquer possibilidade de abertura de processo de cassação do mandato.
Com a renúncia, a deputada Iara Bernardi (PT-SP), que atualmente está na Câmara como suplente, passa a ser a titular da vaga. Para o lugar da deputada será chamado, como suplente, Gustavo Petta (PCdoB-SP).
Após a renúncia de João Paulo, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, deverá cancelar a reunião da Mesa Diretora que havia marcado para quarta-feira, dia 12, quando seria discutida a abertura de processo de perda de mandato do deputado.
No final do ano passado outros três deputados renunciaram aos cargos após condenação no processo do mensalão:  José Genoino (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT).
Pena
João Paulo está desde terça-feira (4) preso no Complexo Penitenciário da Papuda (DF), depois de ter sido condenado na ação penal 470 (processo do mensalão) pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, totalizando 9 anos e 4 meses de prisão.
A pena que ele cumpre em regime semiaberto refere-se apenas aos dois primeiros crimes – que somam 6 anos e 4 meses –, já que o parlamentar aguarda o julgamento de um recurso contra a pena de lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Nesta semana, o advogado de João Paulo, Alberto Toron, chegou a protocolar na Justiça um pedido para que seu cliente pudesse exercer o mandato na Câmara no período diurno, retornando depois ao presídio.
Histórico
João Paulo Cunha estava no seu quinto mandato de deputado federal, todos pelo PT paulista. Entre 2003 e 2005 foi presidente da Câmara. Também foi líder do seu partido e ocupou a presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
No final do ano passado o parlamentar ocupou a tribuna por 40 minutos para defender a sua inocência. Na ocasião, ele disse que o STF baseou a sua condenação em acusações seletivas.

Grupo de cientistas nos EUA quer proibição de 'robôs assassinos'

Foto: Arquivo Pessoal/Mark Gubrud
Gubrud trabalha há 25 anos com organização que luta contra armas robóticas
Há mais de duas décadas, Mark Gubrud, pesquisador do Programa sobre Ciência e Segurança Global da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, luta pela criação de regras para o controle de armas robóticas autônomas.
Ele é membro do Comitê Internacional para o Controle de Armas Robóticas (CICAR), um grupo de ativistas, acadêmicos e intelectuais do mundo todo que tenta conseguir a proibição do uso de robôs que podem matar sem a interferência humana.
A última preocupação deste grupo é um lançamento de uma companhia de armamentos britânica, a BAE Systems: o avião de combate autônomo Taranis.
Nesta semana, a BAE Systems divulgou imagens dos primeiros voos do protótipo do Taranis, realizados em 2013. A aeronave não-tripulada é capaz de realizar missões intercontinentais, é difícil de detectar e pode atacar alvos no ar e em terra.
O drone também pode ser controlado a partir de qualquer lugar do planeta por um piloto em terra. No entanto, o Taranis também pode funcionar sozinho, sem intervenção humana.
O Ministério da Defesa britânico, que financiou parte do projeto, disse que não vai usar o Taranis no modo autônomo.
No entanto, esta questão continua preocupando Gubrud, que vê o Taranis como um novo avanço no desenvolvimento de robôs e máquinas autônomas capazes de matar sem a intervenção de humanos.
"Não está clara a razão de o Reino Unido precisar de um avião autônomo de combate furtivo no século 21. Para qual guerra ele é necessário? Que armas terá o inimigo?", questiona.
Gubrud conta que faz campanha contra o uso de armamento autônomos há 25 anos e que vê uma oposição generalizada à produção do que chama de "robôs assassinos".
"Uma pesquisa de março do ano passado (da consultoria YouGov) mostra que o público americano é majoritariamente contra as armas autônomas e apoia os esforços para proibi-las. E o interessante é que esta é a opinião predominante entre membros, ex-membros e familiares de membros das Forças Armadas (dos Estados Unidos)", disse Gubrud em entrevista à BBC Mundo.

Exterminador

Gubrud cita como exemplo de armamentos autônomos em uso as minas antipessoais, que seriam um tipo de "robô extremamente simples, que pode estar ativado, o que o faz explodir, ou esperando para ser ativado".
Como exemplos mais avançados, ele cita robôs sentinelas sul-coreanos, capazes de identificar intrusos humanos de forma autônoma dentro de uma área determinada, de "disparar também de forma autônoma, ou de ser instruídos de forma remota para abrir fogo".
Gubrud também cita mísseis, já existentes, que procuram um alvo específico fora do campo visual, mísseis terra-ar ou ar-mar que, segundo ele, têm uma tecnologia que permite distinguir o alvo real de outros falsos, um tipo de navio de outro tipo de navio.
Imagem: Ministério da Defesa da Grã-Bretanha
Protótipo da aeronave Taranis (Foto: Ministério da Defesa da Grã-Bretanha)
Para Gubrud, não estamos muito distantes de um cenário em que um robô, como o da série de filmes Exterminador do Futuro, é acionado para realizar missões específicas em situações de conflito.
"O 'Exterminador' era um robô assassino. E veja o que está acontecendo hoje em dia: uma das mais importantes missões das aeronaves controladas de forma remota (drones) é matar".
O pesquisador acreditar que quanto maior for a automatização, maior será o risco de perda de controle.
"Se você pensar em um sistema de confronto automático, no qual exércitos de robôs se enfrentam, pode imaginar como seria difícil para uma equipe de engenheiros desenvolver (a tecnologia necessária) e conseguir garantir sua estabilidade no longo prazo?"

Controle humano

O pesquisador afirma que é preciso deter o desenvolvimento destes robôs autônomos o mais rapidamente possível - antes que o desenvolvimento deste tipo de armamento avance.
Foto: Arquivo Pessoal/Mark Gubrud
Para especialista, se tudo for automatizado, sem intervenção humana, não haverá controle
O primeiro passo neste sentido seria divulgar sua existência. O próximo seria lutar pela criação de regras e protocolos que regulamentem o desenvolvimento da tecnologia.
"Acho que os princípios mais fortes para basear uma proibição de armas autônomas são os da humanidade: os humanos sempre devem ter o controle e a responsabilidade do uso de uma força letal", disse.
"É uma ofensa à dignidade humana que existam pessoas submetidas à violência por decisão de uma máquina, ou que estejam sujeitos à ameaça do uso da força por parte de uma máquina, ou que um conflito entre humanos seja iniciado por uma máquina de forma involuntária."
"É um direito humano não ser morto por uma decisão de uma máquina. Este é um princípio moral muito forte, com uma atração universal. E esta deve ser a base para proibir as armas autônomas."
Para ele, é preciso definir um regime de controle de armas "que implica que os estados aceitem estes princípios e que os ensinem nas academias militares e que não tenham armas autônomas".
Mas, Gubrud também é realista e acredita que as principais potências mundiais resistirão a qualquer tentativa de proibir as armas autônomas.
"Certamente os Estados Unidos são os mais importantes; têm uma política declarada a favor de seu desenvolvimento. A China vê uma oportunidade também e já têm sistemas que seriam preocupantes. O mesmo com a Rússia e o Reino Unido."

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Especialista alerta para importância de equipamentos de segurança em protesto

"Vocês, jornalistas, precisam entender que para ser repórter de guerra, hoje, não é preciso mais pegar um avião e ir para outro país. A área de conflito é o que todos nós vivemos aqui hoje, no Brasil e no Rio de Janeiro." A afirmação de Théo Toscano, especialista em artigos explosivos do Centro Conjunto de Operações de Paz (CCopab), do Exército, é um alerta que ficou mais do que evidente, após o rojão que feriu gravemente o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, na manifestação de quinta-feira, no centro do Rio de Janeiro. 
Andrade registrava imagens em frente à Central do Brasil, posicionado entre polícia e manifestantes, e não usava capacete, máscara de gás, ou qualquer outro aparato de segurança que o pudesse proteger de pedras, bombas de gás ou, no caso, do rojão que, ao ser aceso por um suposto manifestante ou policial à paisana, se dirigiu justamente para a região da sua orelha esquerda.
Após ser operado nesta madrugada, ele segue internado no hospital municipal Souza Aguiar, também no centro do Rio, em estado muito grave.  Por mais que o manifesto contra o aumento da passagem de ônibus não tenha contado com o uso de armas letais, como é de praxe em operações em comunidades do Rio, por exemplo, ainda assim, alega o especialista, o uso destes equipamentos é de fundamental importância para todos os envolvidos: policiais, manifestantes e jornalistas.
"O ideal para todos é usar o mesmo capacete que os soldados da ONU utilizam, capaz de segurar até um tiro. Mas se ele estivesse usando um capacete, sei lá, de motoqueiro, por exemplo, com certeza amenizaria os impactos que ele sofreu", explicou. Ele salientou ainda que cada uma dessas proteções para a cabeça tem um nível de segurança de acordo com cada tipo de situação de conflito.  
"Mas esses capacetes de obra, por exemplo, de nada adiantam", alertou ainda. "Vocês têm que entrar equipados. Virou algo muito parecido com guerra civil. Isso vai fazer total diferença para a cobertura", completou.
Toscano explicou ainda a dinâmica do que ocorreu com o cinegrafista da TV Bandeirantes. Após analisar todas as imagens divulgadas por diversos veículos de imprensa, inclusive no portal Terra, ele chegou a conclusão de que, sim, tratou-se de um artefato explosivo artesanal e que o forte deslocamento de ar, com a proximidade do estouro, foi determinante para a gravidade do caso.  "Quando você tem algo que explode, a parte física é empurrar o ar. É a mesma coisa que você fechar o saco de pipoca e estourá-lo. Se esse deslocamento de ar for muito forte, ele machuca. Você tem partes que são mais sensíveis, como o tímpano e orelha. Pode causar danos sérios", enfatizou.
"Esse artefato me lembrou a Guerra das Espadas da cidade de Cruz das Almas, onde já morreu gente e a imprensa já cansou de cobrir. É o mesmo tipo de artefato", complementou.  A Guerra das Espadas é um festejo junino tradicional da cidade baiana, e também da capital Salvador, mas que desde 2011 é proibida pelo Tribunal de Justiça da Bahia. Ainda assim, ano passado, uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas. "Todos vocês têm que aprender a andar no lugar, não mexer nas coisas e prestar atenção em tudo. Se acharem algo no chão, não mexam, pois aquela artefato pode estar esperando você tocar para explodir. E se equipem sempre", finalizou Toscano.
Ao Terra, a assessoria de imprensa da TV Bandeirantes enviou um posicionamento oficial sobre a falta de equipamento de segurança do profissional no momento da explosão: "Nossos cinegrafistas usam, normalmente, colete à prova de balas, durante coberturas em áreas de conflito, como, por exemplo, quando acompanham ações policiais em regiões consideradas inseguras. Eles recebem também treinamento adequado para esse tipo de cobertura. No final do ano passado, nossa equipe, inclusive o cinegrafista Santiago Andrade, frequentou um curso orientado por especialistas do Exército. Um dos focos do curso foi exatamente sobre segurança na cobertura de manifestações. Assim, no episódio da Central do Brasil, Santiago estava postado a uma certa distância dos pontos de confronto, quando jogaram o artefato que o atingiu pelas costas. E trabalhava nas mesmas condições em que os cinegrafistas normalmente cobrem eventos como aquele. Mas estamos ainda apurando todos os detalhes que envolvem o procedimento."
Santiago participou do último curso do Exército para jornalistas em área de conflito ao lado do fotógrafo do Terra Mauro Pimentel. Em novembro de 2011, um cinegrafista da Bandeirantes morreu durante uma operação policial na favela de Antares, em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro. Gelson Domingos foi atingido por uma bala perdida durante a ação que envolvia homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq). A presidente Dilma Rousseff prestou solidariedade ao profissional.

Manaus tem mais um operário ferido na obra do estádio da Copa

Mais um operário se feriu nas obras da Arena Amazônia, estádio sendo construído em Manaus para a Copa do Mundo de 2014.
O operário de 55 anos estava desmontando as peças de um guindaste, na manhã desta sexta-feira, quando uma delas caiu em sua cabeça.
A secretaria amazonense que gerencia os projetos da Copa diz que o operário, que é terceirizado, foi resgatado com vida e está no hospital Doutor João Lucio, em Manaus. Aguarda-se um boletim médico sobre seu estado de saúde.
Trata-se do quarto incidente envolvendo operários nas obras da Arena Amazônia, onde três trabalhadores já morreram. Marcleudo de Melo Ferreira, 22, caiu de uma altura de 35 metros nas obras do estádio e morreu no dia 14 de dezembro. Em março de 2013, Raimundo Nonato Lima da Costa, de 49 anos, também faleceu após despencar de uma altura de cinco metros.
A terceira morte foi o operário José Antônio da Silva Nascimento, de 49 anos, foi vítima de um infarto.
Segundo a secretaria amazonense, foi cancelada a visita do governador Omar Aziz às obras, nesta sexta-feira, mas está mantido o plano de finalizar as obras do estádio para entregá-lo na semana que vem.
Questionada se o operário portava equipamentos de segurança, a Andrade Gutierrez, responsável pelas obras, diz que vai se pronunciar em nota.

'Pressão'

A BBC Brasil visitou as obras no final de dezembro e ouviu de alguns operários que eles estariam na época sob pressão para finalizar as obras o mais rápido possível. Dois operários já morreram em acidentes no ano passado.
Alguns trabalhadores terceirizados também disseram estar com os salários atrasados. Andrade Gutierrez afirmou que paga em dia a empresa terceirizada para qual os homens trabalham e disse que irá cobrar uma solução para o caso.
Autoridades responsáveis pelo estádio afirmam que após as tragédias recentes os procedimentos de segurança foram fortalecidos e que os operários não estão sob pressão.
A quatro meses da Copa, o Brasil ainda precisa entregar cinco estádios dos 12 que irão sediar jogos da Copa do Mundo. O Beira-Rio, em Porto Alegre, e a Arena Amazônia deverão ser inaugurados na semana que vem. Ficarão faltando a Arena Pantanal, em Cuiabá, a Arena Corinthians, em São Paulo, e a Arena da Baixada, em Curitiba – esta que está em situação mais crítica.

Presidenciáveis 'acordam' para poder das redes sociais

twitter | AFP
Mais de 45 milhões de brasileiros estão conectados às redes sociais no Brasil
A oito meses das eleições para presidente, partidos e pré-candidatos correm contra o tempo para ampliar sua atuação nas redes sociais, de olho em uma legião de eleitores cada vez mais influenciada pelo que vê e lê na internet.
Oficialmente, a campanha eleitoral na rede só começa no dia 6 de julho, mas legendas e candidatos já buscam criar laços com o eleitor que possam render frutos nas urnas, cientes do potencial das mídias como plataforma de discussão - que veio à tona, de forma mais evidente, durante os protestos de junho do ano passado.
Segundo dados do Nielsen IBOPE de dezembro de 2013, há hoje 58,2 milhões de brasileiros com acesso à internet em casa ou no local de trabalho. Deste total, 45 milhões estão conectados às redes sociais.
Este número pode ser maior se for levado em conta que o número total de pessoas com acesso à internet - incluindo pessoas que usam dispositivos móveis ou acessam a rede por outras vias - é de 108 milhões. O Nielsen Ibope, no entanto, não divulga que proporção deste total acessa as mídias interativas.

Protestos

Os protestos que levaram milhões de pessoas às ruas no ano passado trouxeram à tona o poder crescente que estas ferramentas vêm exercendo na sociedade brasileira.
protestos
Protestos que reuniram milhões no Brasil foram organizados nas mídias sociais
Articuladas em redes como o Facebook e o Twitter – o Brasil tem o segundo maior número de usuários no mundo em ambas as plataformas, só perdendo para os Estados Unidos -, as mobilizações pegaram o governo da presidente Dilma Rousseff de surpresa.
Pouco depois das eleições de 2010, Dilma abandonou o diálogo virtual com os cidadãos, revelando, na avaliação da consultora política Gil Castillo, a falta de sintonia entre a classe política e a sociedade.
"O ano de 2013 expôs de maneira contundente essa insatisfação. Cansado de se comunicar com os políticos só durante as campanhas, esse cidadão saiu às ruas para mostrar que sabia fazer mais do que só falar alto nas redes sociais", afirma Castillo, diretora da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP).

Ofensiva de Dilma

Depois de ver seu índice de popularidade despencar 27 pontos como resultado dos protestos, Dilma correu atrás do tempo perdido e vem incrementando sistematicamente a sua atuação nas mídias socias desde setembro do ano passado.
Reativou seus perfis no Twitter – onde angaria mais de 2 milhões de seguidores - e no Facebook, que passou a contar com postagens diárias. Abriu contas no Instagram e no Vine e lançou o Participatório e o Gabinete Digital. As duas últimas iniciativas servem de termômetro das discussões nas redes sociais e tentam aproximar a presidente dos internautas.
Na semana passada, a presidente nomeou Thomas Traumann para o comando da Secretaria de Comunicação Social, substituindo a ministra Helena Chagas. Ex-porta-voz da Presidência, Traumann vinha acompanhando de perto as ações de comunicação do Planalto nas mídias digitais e auxilia a presidente a formular seus tuítes.
A urgência do governo em querer entender e dialogar com a sociedade no universo virtual também se explica pela proximidade das eleições, em 5 de outubro.
Possíveis candidatos da oposição, como Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), coligado ao movimento Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, também investem nesse campo de ação.
A página de Eduardo Campos no Facebook, com mais de 288 mil seguidores, é citada como exemplo de interação entre político e eleitor. São raros os comentários postados por seguidores que ficam sem resposta da assessoria do socialista.
Já o mesmo não se observa nas páginas de Dilma Rousseff (a página administrada pelo PT tem 221 mil seguidores) e Aécio Neves (414 mil seguidores).
Mesmo com mais seguidores do que os adversários, o perfil de Aécio tem menos engajamento, que pode ser medido, entre outros indicadores, pelo número de usuários que estão "falando sobre ele". Aécio também tem um perfil no Twitter, mas nunca tuitou.
Raquel Recuero
Projeto Monitorando a Eleição analisa referências aos presidenciáveis nas mídias sociais

Disseminação

Para Raquel Recuero, pesquisadora de mídias sociais da Universidade de Pelotas, as discussões que serão geradas nas redes sociais durante a campanha eleitoral podem sair do universo digital e influenciar o eleitorado que não tem acesso à internet.
"Os protestos mostraram que as discussões do Facebook vão parar dentro do ônibus, atingindo até quem não faz parte da rede", afirma Recuero, que juntamente com outros dois pesquisadores está envolvida no projeto do CNPq Monitorando a Eleição, que pretende analisar como as postagens nas redes sociais poderão influenciar o resultado nas urnas.
Ela acredita que, apesar de a campanha continuar a ter como principal frente os programas eleitorais gratuitos no rádio e na televisão, em 2014 as redes sociais farão ressonância imediata do que se passa na tela - e vão pautar os programas a seguir.
"Vai ser uma campanha diferente, de retroalimentação entre TV e redes", palpita.

Ataques

Mas para Alberto Valle, consultor em marketing político digital e fundador do site Eleitor Digital, a campanha política virtual "começou mal".
"As redes não são palanque eleitoral. Ganha a eleição quem consegue se comunicar com o eleitor por meio de engajamento e interação continuada."
Alberto Valle, consultor em marketing político digital
Ele diz que a publicação de um texto anônimo na página do PT no Facebook chamando Eduardo Campos de "tolo" e "playboy" revelou o tom da disputa pelas redes.
"Se o objetivo era desgastar a imagem do adversário, o tiro saiu pela culatra. Jogaram baixo e deram a ele um belo espaço na mídia".
Para o consultor, redes sociais sozinhas não elegem ninguém e seria um erro tentar captar corações e mentes na internet reduzindo o espaço virtual a uma espécie de palanque eleitoral.
"Só falar não adianta. Ganha a eleição quem consegue transformar as redes sociais em uma plataforma de comunicação com o eleitorado, por meio de engajamento e interação continuada".
O PT reconhece que os comentários sobre Eduardo Campos foram um erro.
"Queremos evitar que episódios como o post com ofensas a Campos ocorram novamente", disse Alberto Cantalice, vice-presidente e coordenador de redes sociais do PT, acrescentando que o PT subestimou o poder das redes sociais nas eleições de 2010.
"Não entendemos o peso que essa ferramenta tem para o Brasil", disse ele à BBC Brasil.
Na semana passada, a legenda anunciou que vai transformar suas páginas virtuais em uma rede de notícias e, a partir de março, oferecerá oficinas para orientar militantes sobre o emprego de boas práticas nas redes sociais.
O partido contratou a agência Pepper para monitorar o que está sendo dito sobre a legenda na rede e interpretar a tendência dos debates nas mídias sociais para moldar o discurso dos candidatos.
A atenção especial que o PT pretende dar à campanha pela internet ficou evidente em um vídeo divulgado na semana passada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No vídeo, o petista disse que a rede deve ser usada para falar "coisas positivas" e, se for para fazer críticas, "criticar com fundamento", sem fazer "jogo rasteiro da calúnia e do baixo nível".
Raquel Recuero
Análise de cinco posts na página de Aécio no Facebook mostra o tom dos comentários

Campanha antecipada

Os tucanos vão entregar a equipe de internet a Xico Graziano, diretor-executivo do site Observador Político. Graziano encomendou um levantamento da "reputação digital" de Aécio, com dados sobre procedência e qualidade das menções feitas sobre o tucano.
O PSB ainda não escolheu quem ficará à frente das ações da legenda nas redes sociais, que por enquanto estão sob comando de Vera Canfran, coordenadora da comunicação nacional do partido.
"Um político hoje não pode se dar o luxo de não estar dialogando nas redes sociais"
Gil Castillo, consultora política
Em entrevista à BBC Brasil, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ministro Marco Aurélio Mello, alerta que os pré-candidatos devem ser cautelosos para que seu engajamento virtual não ganhe contornos de campanha antecipada, que pode ser punida com multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil.
Em dezembro, a presidente Dilma Rousseff sancionou uma minirreforma eleitoral, que altera pontos da legislação eleitoral e regulamenta a campanha nas redes sociais.
A nova lei estipula que não será considerada campanha antecipada a atuação de pré-candidatos nas redes sociais para expor plataformas e projetos políticos, mas considera crime eleitoral a contratação direta ou indireta de pessoas para publicar mensagens com ofensas a candidato, partido ou coligação.
As mudanças, no entanto, só passam a valer nas eleições municipais de 2016 por terem sido aprovadas menos de um ano antes do pleito presidencial.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Cientistas tentam classificar água-viva gigante encontrada na Austrália

A água viva encontrada na Austrália
Josie Lim e os filhos encontraram a água-viva em uma praia australiana
Cientistas na Austrália estão tentando classificar uma nova espécie de água-viva gigante encontrada em uma praia da Tasmânia, ilha ao sul do país.
Uma família encontrou a criatura de 1,5 metro de diâmetro em uma praia em janeiro.
Segundo a bióloga Lisa-ann Gershwin, da agência ambiental do governo australiano Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), os cientistas conheciam esta espécie já há algum tempo, mas ela ainda "não foi batizada ou classificada. Estamos muito ansiosos para saber mais a respeito", disse a cientista.
Ela descreveu a água-viva gigante, que foi achada encalhada com a barriga para cima, como um "animal realmente magnífico".
Josie Lim e sua família alertaram os especialistas da CSIRO sobre a água-viva gigante. "Ela e os filhos encontraram a água-viva e fizeram esta foto surpreendente", disse Gershwin, que é especialista em águas-vivas.

Três metros

O que os cientistas já sabem é que a criatura encontrada na Tasmânia faz parte do grupo das águas-vivas-juba-de-leão e é uma das três novas espécies de grupo na Tasmânia que os especialistas ainda estão tentando classificar.
Estas águas-vivas "parecem com um prato com um esfregão pendurado embaixo", disse Gershwin.
Nos últimos anos as águas na região da Tasmânia presenciaram um grande aumento no número de águas-vivas, mas os cientistas ainda não descobriram a razão exata disto.
"Estamos ansiosos para descobrir porque as águas-vivas estão aumentando tanto e nestas águas do sul", afirmou Gershwin.
A maior água-viva do mundo já classificada faz parte do mesmo gênero das águas-vivas-juba-de-leão, o Cyanea. Ela foi encontrada no Atlântico Norte e no Ártico.
Segundo Gershwin, a Cyanea arctica pode chegar até a três metros de diâmetro.

Saída gradual de Schumacher de coma traz desafios à família

Michael Schumacher. Foto: AFP
Médicos tentam acordar Michael Schumacher lentamente de seu coma
Enquanto os médicos continuam seus esforços para retirar o ex-piloto de F1 Michael Schumacher do estado de coma e observar sua recuperação, a família tem enfrentado um período exaustivo de grande preocupação.
A mulher do ex-piloto, Corinna, passou as últimas cinco semanas ao seu lado.
Inicialmente, ela se hospedou em um hotel perto do hospital, em Grenoble (França); agora, acredita-se que ela esteja percorrendo diariamente os 175 km entre o hospital e a casa da família perto de Gland, na Suíça.
Com ela estão outros parentes, como o irmão de Michael, Ralf Schumacher, e os filhos do casal, Gina Marie, 16, e Mick, 14, que esquiava ao lado do pai quando este sofreu o acidente, em 29 de dezembro.
Ainda que alguns fãs estejam comemorando os relatos - não confirmados - de que o campeão da F1 estaria piscando e respondendo a estímulos, sua família está sob intensa pressão enquanto veem os médicos tentando se comunicar com ele.
"Acordar de um coma não é como aparece no cinema", diz Luke Griggs, porta-voz da Headway, ONG britânica de apoio a pessoas com lesões cerebrais.
"Costuma ser um processo gradual, que pode durar diversos dias ou semanas. Para a família, o temor inicial, de se a pessoa sobreviverá ou não, é substituído pelo temor sobre o que o futuro reserva e que nível de recuperação terá seu ente querido."

Abrir os olhos

Pacientes costumam começar abrindo os olhos, depois respondendo à dor e, por fim, reagindo às pessoas ao seu redor.
Essa sequência de eventos está marcada na memória de Mark Smith, paramédico britânico cujo filho de 16 anos, Ryan, esteve em um coma induzido após um acidente ciclístico, em julho de 2013. Ryan continua hospitalizado, tratando sequelas físicas e mentais.
Corinna Schumacher. Foto: Reuters
Corinna teria deixado hotel e estaria viajando 175km diariamente para visitar marido
"Infelizmente, a percepção é de que a pessoa simplesmente acorda e retoma suas atividades rotineiras após alguns dias. Não é o caso. É muito lento, não há respostas absolutas. Você tem que manter a esperança de que a interação voltará a ocorrer algum dia."
Ryan pronunciou suas primeiras palavras pouco antes do Natal e, na semana passada, ele conseguiu pela primeira vez atualizar seu perfil no Facebook, usando um tablet. Escreveu um palavrão, dizendo que se sentia mal.
"Só o fato de ele poder ter sentimentos já é imenso, então deixemos para lá o que ele escreveu!", disse o pai.

Recuperação

Segundo pesquisa publicada no periódico médico Lancet, cerca de um quinto dos adultos vítimas de traumas cerebrais severos se recupera bem. Muitos morrem ou sofrem sequelas persistentes.
Uma fonte próxima a Schumacher disse a jornalistas em Grenoble que a família tem ciência de que as coisas podem rapidamente mudar "para pior".
Peter Kirkpatrick, neurocirurgião do hospital Addenbrooke, em Cambridge (Grã-Bretanha), diz que é "extremamente improvável" que Schumacher recupere seu nível prévio de saúde, mas ele insiste em que isso é "medicamente possível".
A família do ex-piloto já está sendo assessorada por Gerard Saillant, cirurgião especializado em traumas que operou Schumacher quando ele quebrou a perna em uma corrida, em 1999.
A ONG Headway explica que traumas como o sofrido pela família Schumacher tendem a fortalecer casamentos e relacionamentos que já eram fortes, mas também dificultam casamentos e relacionamentos frágeis.
Corinna e Michael Schumacher são casados há quase 20 anos, e a mídia alemã relata que seu casamento tem bases sólidas. O ex-piloto teria dito em entrevista a uma emissora alemã que eles nunca tiveram uma briga séria.

'Frustração'

Mas os desdobramentos do acidente podem trazer pressões familiares.
O remador olímpico britânico James Cracknell sofreu uma lesão cerebral após um acidente em 2010 e precisou reaprender a maioria de suas habilidades físicas, inclusive andar.
Ele escreveu a respeito do impacto disso sobre seu casamento com a apresentadora Beverley Turner.
"Para as pessoas ao meu redor, eu estava com o pavio curto, frustrado e com raiva", disse ele em sua autobiografia, em 2012.
"Se você me perguntar se temos o mesmo relacionamento que antes, (a resposta) é não. Ainda teremos? Espero que sim, mas realmente não sei. Temo que Bev sempre vai me ver de uma maneira levemente diferente. Ela foi chamada a um hospital dos EUA para se despedir, porque (os médicos) não achavam que eu ia sobreviver. Daí disseram a ela que eu sobreviveria, mas não saberia quem eu sou e não seria o mesmo homem com quem ela se casou."
Ele hoje diz ser "quase" o mesmo homem que era. "Por ela e por minha família, espero estar aprendendo a me adaptar a isso."
Luke Griggs, da Headway, diz que o caminho da recuperação é diferente para cada paciente.
"De maneira simplista, os efeitos de uma lesão cerebral podem ser devastadores e durar a vida inteira. Pode mudar todos os aspectos da sua vida: andar, falar, pensar, sentir. Pode mudar personalidades e habilidades. Mas sabemos que, com a ajuda certa no momento certo, há vida após uma lesão cerebral."

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Passaporte falso pode ajudar a manter Pizzolato na Itália

A dupla nacionalidade brasileira e italiana e o porte de um documento falso devem tornar muito difícil a extradição do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil. Um dos condenados no processo do mensalão, ele foi preso nesta quarta-feira na cidade de Maranello, na Itália.
O fato de Pizzolato possuir a cidadania italiana é o principal fator que dificulta uma eventual extradição, segundo Carlos Eduardo Siqueira Abrão, da Comissão de Direito do Refugiado, do Asilado e da Proteção Internacional da OAB-SP.
"O Brasil, por exemplo, tem uma legislação que proíbe a extradição de brasileiro nato. A Itália tem um dispositivo legal semelhante. Acho impossível que o Brasil consiga algum êxito (se pedir a extradição do condenado). A menos que seja comprovado que a nacionalidade dele é fraudulenta", afirmou Abrão.
O tratado de extradição firmado por Brasil e Itália diz que a extradição de pessoas de nacionalidade italiana é uma decisão facultativa a Roma.
Já para Luiz Fernando Kuyven, professor de direito internacional da Universidade Mackenzie, apesar da forte possibilidade de Roma recusar um eventual pedido de extradição – que o Brasil já afirmou que pretende fazer – a questão está em aberto.
Segundo Kuyven, se a Itália decidir não extraditar Pizzolato pode usar também como argumento para julgá-lo no país o fato de ter cometido um crime na Itália: ele portava um documento falso quando foi detido.
"Eles (a Itália) podem usar esse delito para exercer sua jurisdição sobre o caso", afirmou.

Futuro

Por outro lado, o adido policial italiano em Brasília Roberto Donati afirmou nesta quarta-feira em entrevista à imprensa que, caso seu país decida por enviar o suspeito ao Brasil, um crime de menor potencial, como o de porte de documento falso, "pode ser deixado de lado para facilitar a extradição".
Contudo, Donati afirmou que não cabe à polícia italiana decidir o futuro de Pizzolato: "o que vai acontecer depois não é mais nossa competência".
Portanto, segundo os especialistas ouvidos pela BBC Brasil, em tese as autoridades italianas podem extraditar Pizzolato ou negar o pedido brasileiro e mantê-lo na Itália. Nesse caso, o Brasil poderia solicitar que ele seja julgado em cortes italianas pelos crimes relacionados ao mensalão.
Outro fator que também pode dificultar a extradição é o princípio da reciprocidade na diplomacia. Ou seja, ao decidir não extraditar em 2011 para a Itália o então prisioneiro Cesare Battisti, acusado pela Itália por quatro homicídios – em uma decisão política do Executivo –, o Brasil teria agora tratamento semelhante.
Kuyven afirmou porém não acreditar que isso aconteça. "A Justiça da Itália vem mostrando uma posição imparcial", disse.
Ele afirmou, porém, que se for julgado e eventualmente condenado por crimes relacionados ao mensalão – como lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato – pode ser submetido a penas mais duras na Itália do que teria no Brasil. "As penas de prisão por causa de corrupção podem ser até 50% maiores."

Prisão

Segundo o delegado da Polícia Federal do Brasil Rogério Galloro, a prisão de Pizzolato na Itália aconteceu a pedido da polícia brasileira – por meio de um mandado internacional de prisão da Interpol conhecido como difusão vermelha.
Ele negou que Pizzolato tenha sido detido pelo fato de estar usando um documento falso.
A PF disse ter indícios de que o ex-diretor do Banco do Brasil começou a preparar sua fuga, como um plano B, muito antes de ser condenado a 12 anos e sete meses de prisão no processo do mensalão. Ele é um dos 12 réus condenados e era o único foragido.
Ele teria tirado um passaporte brasileiro falso (usando um RG também falso) em 2008. O documento estava em nome do irmão dele, Celso, morto em 1978, mas tinha sua foto. Em 2010 ele teria obtido um passaporte italiano falso. Isso porque seus documentos originais haviam sido apreendidos pela Justiça brasileira.
Pizzolato estava foragido desde novembro do ano passado. A PF afirmou que dois meses antes de ter a prisão decretada, ele fugiu para a cidade de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, de onde cruzou a fronteira da Argentina. De lá seguiu de carro para Buenos Aires, de onde embarcou em um voo para a Espanha – movendo-se depois para a Itália.
Segundo Galloro, a PF teve notícia na terça-feira sobre o paradeiro de Pizzolaro em Maranello e avisou autoridades italianas – que fizeram tocaia em frente ao imóvel de um parente do suspeito, onde ele estaria escondido. Pizzolato foi preso quando deixou o imóvel pela manhã. Ao menos um dos passaportes falsos estava com ele.