terça-feira, 27 de agosto de 2013

Autoridades brasileiras solicitam informações pessoais de usuários ao Facebook

O governo brasileiro pediu ao Facebook 715 informações de dados sobre 857 contas de usuários da rede social. Das solicitações, 33% foram atendidas pela empresa. O Facebook divulgou, nesta terça-feira, 27, o Relatório Global de Requisições de Autoridades. As informações pessoais dos usuários são solicitadas pelos governos de vários países geralmente para fins de investigação oficial, como casos criminais, roubos ou desaparecimentos. As requisições que constam no relatório são do primeiro semestre de 2013.
Os Estados Unidos, que recentemente foi acusado pelo ex-agente da CIA, Edward Snowden, de espionar e-mails e telefonemas de cidadãos de vários países do mundo, inclusive o Brasil, lidera a lista de solicitações de informações ao Facebook. Durante os seis primeiros meses deste ano foram realizados entre 11 mil e 12 mil pedidos, totalizando entre 20 mil e 21 mil usuários. Os números não são exatos, pois a legislação norte-americana permite apenas a divulgação de números aproximados. No entanto, de acordo com o relatório, o governo dos Estados Unidos será pressionado para dar maior transparência em relação às solicitações.
O relatório informa também que a empresa tem a intenção de fazer divulgações de informações solicitadas por autoridades regularmente. O Brasil está em sexto lugar no ranking de países que mais solicitaram informações.

Bombeiros confirmam a 7ª morte em desabamento de prédio em SP

Equipes de resgate ainda procuram pelo menos quatro desaparecidos.
Outras 26 pessoas foram resgatadas com vida e levadas a hospitais.

O capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros, confirmou por volta das 19h desta terça-feira (27) a sétima morte no desabamento de um prédio em obras ocorrido na Avenida Mateo Bei, em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo. Cinco corpos já foram retirados dos escombros. Ainda segundo os bombeiros, 26 pessoas acabaram resgatadas com vida e levadas a hospitais da região.
O desabamento total do prédio de dois pavimentos ocorreu por volta das 8h30.  A estimativa é que cerca de 35 pessoas estivessem na obra no momento do acidente. Palumbo diz que as equipes trabalham, agora, em três pontos com indícios de vítimas. Segundo ele, uma betoneira que tinha cimento fresco pode indicar que trabalhadores estavam naquele ponto. Além disso, os outros dois pontos foram definidos com indicações dos cães farejadores.
O coronel do Corpo de Bombeiros Reginaldo Campos Retulho diz que os trabalhos devem continuar à noite em busca de quatro pessoas desaparecidas. "É uma corrida contra o tempo. Após as primeiras 24h diminuem as chances de as pessoas estarem vivas", afirmou. Retulho estima que os trabalhos podem durar até três dias. "Torcemos para que aquele número inicial de 35 vítimas não aumente", disse o coronel.
A obra estava irregular e já tinha sido multada em mais de R$ 100 mil, segundo a Prefeitura. Antes de começar a construção da loja, o terreno abrigava um posto de gasolina.
O ponto iria receber uma unidade da rede Torra Torra, famosa por comercializar roupas populares e produtos da linha de cama, mesa e banho. A dona do imóvel, a Jamf Empreendimentos Agrícolas Ltda, não se pronunciou sobre o acidente.
O secretário das Subprefeituras, Chico Macena, esteve no local e disse que houve fiscalização. “Para nós era uma obra embargada pela Prefeitura. Portanto, irregular do ponto de vista da execução”, disse Chico Macena.
O secretário rebateu as críticas de uma suposta falta de acompanhamento da administração municipal. “Mesmo que a obra fosse liberada, toda responsabilidade técnica de execução é do proprietário e do engenheiro civil responsável”, disse Macena.
Em nota, a Prefeitura explicou que o responsável não apresentou pedido de Alvará de Execução. "De acordo com o Código de Obras, a obra só poderia ter sido iniciada, mesmo sem resposta da subprefeitura, caso tivessem decorridos os prazos dos dois pedidos, ou do pedido conjunto (alvará de aprovação e alvará de execução). Ainda assim, a obra ficaria sob inteira responsabilidade do proprietário e profissionais envolvidos e estaria sujeita a adequações ou até demolição", informou a Prefeitura.
Segundo a administração municipal, a Subprefeitura de São Mateus emitiu um auto de intimação e um auto de multa por falta de documentação no local da obra no dia 13 de março deste ano. Os proprietários foram multados em R$ 1.159. No dia 25 do mesmo mês, a subprefeitura emitiu uma outra multa pelo não cumprimento da primeira intimação, no valor de R$ 103.500, além de um auto de embargo.
No dia 10 de abril, os proprietários apresentaram recurso às multas e entregaram o pedido de Alvará de Aprovação de Edificação Nova (processo 2013.0.102.750-9) na subprefeitura. O pedido ainda está em análise, segundo a Prefeitura informou na tarde desta terça-feira.
Desabamento em São Mateus (Foto: Arte/G1)
Reforma
Em nota, o Magazine Torra Torra informou que o imóvel não era de propriedade da rede. Segundo a empresa, havia um contrato de locação do prédio e a rede só assumiria o imóvel após serem finalizadas as obras estruturais pelo proprietário, a Jamf Empreendimentos Agrícolas Ltda, que não comentou o caso.
"O Magazine Torra Torra não tem nenhuma responsabilidade sobre a parte de engenharia civil. No momento, uma empresa de engenharia contratada pelo Magazine Torra Torra realizava uma avaliação sobre as condições de uso do prédio. Caso esse laudo técnico fosse positivo, atestando a segurança estrutural, a rede então faria o acabamento para abrigar mais uma unidade.  Ressalte-se que o Torra Torra somente entraria com a loja no local, com esse aval técnico. Este é um cuidado que o Magazine Torra Torra toma em todas as lojas da rede, devidamente avaliadas quanto à segurança estrutural, de acordo com engenheiros, para receber nossos empreendimentos", informa o texto.
Casas e pelo menos três carros que estavam nas ruas em volta do prédio foram atingidos pelo concreto que cedeu. De acordo com o capitão Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros, a obra começou há três meses - a laje tem cerca de 400 metros quadrados.
A obra deverá passar por perícia da Polícia Técnico-Científica para apurar as causas do desabamento. Segundo o major Anderson Lima, dos bombeiros, nenhuma das vítimas resgatadas relatou ter ouvido uma explosão ou cheiro de gás natural. Elas afirmam que houve um colapso estrutural.
Equipes da Comgás, da Eletropaulo e da Sabesp davam suporte a toda a operação no local do acidente. O caso foi registrado no 49º Distrito Policial, em São Mateus.

EUA apostam em ‘senso comum’ para justificar ação na Síria

Em meio a debates sobre uma ação americana contra a Síria, alguns congressistas dos EUA querem ter o mesmo direito concedido a parlamentares britânicos - o de votar se o país deve ou não promover uma ofensiva militar em resposta ao suposto uso de armas químicas contra civis sírios.

O que diz a lei internacional

Clive Coleman, analista legal da BBC
A expressão 'lei internacional' evoca uma ideia de regras globais de comum acordo entre nações, facilmente entendidas e aplicadas por elas. Infelizmente, a realidade está longe disso. Na prática, é difícil - ou impossível - usar jurisprudência internacional em intervenções militares.
Não há cortes internacionais para dar o aval a intervenções. Entretanto, está em desenvolvimento uma estrutura legal para validar intervenções militares por razões humanitárias - a 'Responsabilidade em Proteger', ou R2P, idealizada após as tragédias em Kosovo e Ruanda nos anos 1990. É ampla - ainda que não universalmente - aceita.
Ela prevê que Estados têm de proteger seus povos do genocídio, de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade. Ante evidências fortes desses crimes e da incapacidade do Estado em evitá-los, a comunidade internacional deve tentar todos os meios pacíficos para pôr fim às atrocidades.
Se essa estratégia fracassar, a comunidade internacional poderia, então, usar a força.
Para ter legitimidade, a intervenção militar deveria ser autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU. Mas, como no caso da Síria, esse órgão tem dificuldades em obter consenso. Em casos assim, a R2P ofereceria embasamento legal para uma ação externa - seja por uma coalizão regional ou uma 'coalizão dos (países) dispostos' a agir.
Há diversas salvaguardas à R2P: é necessário haver provas contudentes de uma atrocidade em curso; ações diplomáticas têm de ter sido exauridas; e o uso da força deve visar apenas o fim das atrocidades e a proteção de civis. Ou seja, o poder de ação é limitado. Mas, cumpridas essas precondições, essa ação seria legal perante a lei internacional.
No fim das contas, intervenções nessas circunstâncias dependem mais da decisão de governos do que de juristas. Cabe a políticos argumentar que a intervenção é válida. No caso da Síria, pode-se dizer que há atrocidades em curso, que as tentativas pacíficas de impedi-las foram exauridas e que uma ação militar poderia interromper a tragédia e proteger a população civil.
A possibilidade de um ataque ganhou força nesta terça-feira, quando o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, afirmou à BBC que as Forças Armadas americanas estão prontas para um ataque à Síria caso a ordem para o início da operação militar seja dada pelo presidente Barack Obama.
O congressista republicano Justin Amash tuitou que o gabinete presidencial só pode passar por cima do Congresso e ir à guerra no caso de uma emergência nacional - ainda que isso já tenha sido feito antes.
É possível que Obama não tivesse dificuldades em conseguir autorização para uma ação militar, mas talvez a imprensa seja o único fórum em que uma eventual decisão seja debatida.
O secretário de Estado, John Kerry, e o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, lançaram ambos o mesmo argumento: de que o "senso comum" indica ao mundo que houve um ataque com armas químicas na Síria, perpetrado pelo presidente sírio, Bashar al-Assad.

'Circunstancial'

"O aparente número de vítimas, os supostos sintomas dos que foram mortos ou feridos, os relatos em primeira mão de organizações humanitárias em campo, como os Médicos Sem Fronteiras e a Comissão de Direitos Humanos da Síria - todos indicam fortemente que tudo o que essas imagens já nos dizem é verdadeiro: que armas químicas foram usadas na Síria", declarou Kerry.
"Além disso, sabemos que o regime sírio guarda essas armas químicas. Sabemos que eles têm a capacidade (de lançá-las) com foguetes", prosseguiu o secretário de Estado. "Sabemos que o regime está determinado a varrer a oposição dos locais onde os ataques ocorreram."
Tudo isso é circunstancial e joga um grande peso sobre o "senso comum". Ainda há questionamentos quanto à força das provas necessária para que uma resposta militar seja adotada.
Kerry está correto em pensar que muitos americanos compartilharão da mesma opinião que ele ao assistir às imagens televisivas das supostas vítimas dos ataques químicos.
Alguns, entretanto, exigirão provas mais contundentes do episódio, sobretudo levando em consideração que dados falhos de inteligência foram usados como justificativa para a Guerra do Iraque.
Obama liberou um relatório de inteligência para divulgação nos próximos dias, com uma análise mais detalhada do caso.
Congressistas americanos e parlamentares britânicos aguardam respostas mais contundentes - e o público aguarda um alto nível de escrutínio.

Prédio em construção desaba e deixa ao menos sete mortos em São Paulo

Estrutura cedeu no início da manhã em São Mateus, zona leste. Bombeiros confirmam mortes e que há soterrados

Um prédio comercial em construção desabou nesta manhã de terça-feira (27), na zona leste de São Paulo, e deixou ao menos sete mortos. Ao todo, os bombeiros confirmam que dez pessoas ainda estão soterradas. O acidente ocorreu por volta das 8h30 em uma estrutura localizada na avenida Mateo Bei, número 2.300. O edifício que desabou tinha dois pavimentos e estava em construção há três meses.
Jovem de 24 anos soterrado em SP é encontrado após pedir ajuda pelo celular
Entre as vítimas fatais, segundo o capitão Marcos Palumbo, três corpos foram resgatados e outros três ou quatro ainda estão entre os escombros. "A visibilidade é complicada e infelizmente o número de vítimas vai aumentar", disse o bombeiro que é responsável pelos trabalhos. O número de atingidos encontrados com vida chega a 24. Todos foram encaminhados aos hospitais Santa Marcelina, São Miguel, Sapopemba e Tatuapé com ferimentos leves a moderados.
Uma das vítimas  manteve contato com os bombeiros via celular e foi socorrida . O jovem de 24 anos chegou a indicar o local onde estava soterrado. 
Veja imagens do desabamento na zona leste de São Paulo
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Todas as pessoas envolvidas seriam operários que trabalhavam durante o colapso. Os bombeiros estão no local com 23 viaturas com 73 homens, dois helicópteros Águia da Polícia Militar e cães farejadores para o trabalho de resgate. Pessoas que estavam no entorno também receberam os primeiros socorros.
Ainda não há confirmações sobre o que teria causado o desabamento. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) interditou a avenida nos dois sentidos e isolou a região. Equipes da Eletropaulo, Sabesp e Congás estão no local e apoiam atendimento. Ao menos quatro casas tiveram a estrutura comprometida e foram interditadas pela Defesa Civil. 
Aluguel do prédio
A imóvel seria alugado para ser uma loja da rede Magazine Torra Torra. Segundo nota enviada para a imprensa, a empresa informa que o imóvel não era de propriedade da rede, que só assumiria a fase final de acabamento da construção após um laudo comprovar a segurança da obra.
"Havia um contrato de locação do prédio pelo Torra Torra, no entanto a rede somente assumiria finalizadas as obras estruturais, pelo proprietário. Dessa forma, o Magazine Torra Torra não tem nenhuma responsabilidade sobre a parte de engenharia civil. No momento, uma empresa de engenharia contratada pelo Magazine Torra Torra realizava uma avaliação sobre as condições de uso do prédio. Caso esse laudo técnico fosse positivo, atestando a segurança estrutural, a rede então faria o acabamento para abrigar mais uma unidade", diz a nota.

Secretário de Defesa dos EUA diz que tropas estão prontas

Em entrevista à BBC, o secretário americano de Defesa, Chuck Hagel disse que as forças armadas dos Estados Unidos estão prontas para um ataque à Síria caso a ordem para o início da operação militar seja dada pelo presidente Barack Obama.
Hagel disse que o equipamento militar necessário a um ataque já está posicionado.
O secretário de Defesa reforçou as declarações do secretário de Estado, John Kerry, de que está cada vez mais claro que o governo sírio está por trás do ataque com armas químicas realizado na semana passada, mas acrescentou que os Estados Unidos vão aguardar até que os fatos sejam confirmados, com a conclusão dos trabalhos de inteligência.
"Esta claro que armas químicas foram usadas e acho que a inteligência vai concluir que foi o governo que as lançou", disse.
Os EUA disseram que há provas "irrefutáveis" de que houve um ataque químico no país.
Inspetores na ONU estão em Damasco, mas foram obrigados a suspender até esta quarta-feira as investigações iniciadas na segunda-feira, por questões de segurança - o comboio do grupo foi atingido por franco-atiradores.

'Prudência'

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, interrompeu suas férias e convocou extraordinariamente o parlamento, que se encontra em recesso, para uma reunião de emergência na quinta-feira para discutir uma possível resposta aos "ataques químicos" ocorridos na Síria.
Um porta-voz do premiê britânico disse que a Grã-Bretanha está fazendo planos de contingência para uma ação militar na Síria.
Na segunda-feira, o chanceler britânico, William Hague, disse ser possível um ataque militar à Síria mesmo sem aprovação unânime do Conselho de Segurança da ONU.
O porta-voz da chancelaria russa, Alexander Lukashevich, pediu à comunidade internacional "prudência" quanto à crise e respeito à lei internacional.
"Tentativas de desconsiderar o Conselho de Segurança mais uma vez criando desculpas artificiais sem embasamento para uma intervenção militar na região vão produzir mais sofrimento na Síria e consequências catastróficas para outros países do Oriente Médio e Norte da África", ele disse num comunicado.
A Rússia e a China reforçaram nesta terça-feira seus alertas contra uma intervenção militar na Síria, e Moscou disse que a ação teria consequências catastróficas para a região.
A declaração do governo russo foi feita horas antes do ministro do chanceler da Síria, Walid Muallem, ter negado com veemência que o governo sírio tenha usado armas químicas, causando a morte de centenas de civis, de acordo com denúncias feitas na semana passada.

Encontro

Na segunda, segundo assessores de Cameron, o premiê britânico conversou com o president russo, Vladimir Putin, que teria dito que não há provas de que a Síria usou armas químicas contra os rebeldes.
O governo sírio e os rebeldes acusaram-se mutuamente sobre os ataques da última quarta-feira.
A organização Médicos Sem Fronteiras disse que três hospitais em que opera em Damasco trataram cerca de 3,6 mil pacientes com sintomas neurotóxicos, dos quais 335 morreram.
Os EUA dizem que há "pouca dúvida" de que o governo do presidente Bashar al-Assad conduziu o ataque.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Antonio Patriota não é mais ministro das Relações Exteriores

Ministro foi demitido por Dilma após episódio envolvendo senador boliviano

A presidente Dilma Rousseff demitiu o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, após o episódio envolvendo a 'fuga' do senador boliviano Roger Pinto Molina, que estava asilado há 15 meses na embaixada brasileira em La Paz. Molina chegou ao Brasil na madrugada deste domingo com ajuda de diplomatas, embora não tivesse permissão para deixar o país. Dilma teria ficado irritada por não ter sido comunicada da fuga de Molina.
O Palácio do Planalto já anunciou que o novo ministro será Luiz Alberto Figueiredo, atual embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU).
Antonio Patriota esteve reunido com  Dilma cerca de 50 minutos na noite desta segunda-feira, quando a saída do ministro foi acertada.
Em nota à imprensa, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a indicação de Patriota para a Missão do Brasil na ONU e agradeceu a atuação do ex-ministro "nos mais de dois anos que permaneceu no cargo".
Antonio Patriota deixa o Itamaraty após desgaste no episódio envolvendo a fuga do senador boliviano Roger Molina para o Brasil
Antonio Patriota deixa o Itamaraty após desgaste no episódio envolvendo a fuga do senador boliviano Roger Molina para o Brasil
Ministério Público da Bolívia pode pedir extradição de Roger Molina
O procurador-geral interino da Bolívia, Roberto Ramirez, afirmou nesta segunda-feira que o Ministério Público pode pedir a extradição do senador Roger Pinto Molina, que desembarcou no Brasil na madrugada de domingo.
Ramirez disse que o MP boliviano analisa os tratados nacionais e internacionais para depois tomar uma decisão.
Roger Molina ficou abrigado por 15 meses na embaixada brasileira na Bolívia desde que pediu asilo político. No sábado (24), o senador deixou a embaixada com o auxílio da representação diplomática brasileira.
>> Embaixador da Bolívia pede explicações ao Itamaraty sobre 'fuga' de Molina
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>> Senador boliviano asilado em embaixada chega a Brasília
>> Caso Molina: Bolívia revista avião da FAB à procura de asilado
>> Ministério confirma revista da Bolívia ao avião da FAB
Nesta segunda, o embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justiniano Talavera, pediu explicações ao Itamaraty sobre a retirada do senador boliviano da representação diplomática brasileira em La Paz e a viagem dele a Brasília.
Em nota, o Itamaraty, informou que abrirá um inquérito para apurar as circunstâncias da entrada no Brasil do senador boliviano. O diplomata Eduardo Saboia, apontado como principal responsável pela retirada do senador foi chamado  para prestar informações a respeito do ocorrido.

O misterioso desaparecimento do inventor da metralhadora

Fotografia supostamente de William Cantelo (cortesia: Barry Cantelo)
William Cantelo desapareceu depois de inventar uma metralhadora
No início da década de 1880, os moradores da Rua Bargate, na cidade de Southampton, sul da Inglaterra, tinham razões de sobra para reclamar de um de seus vizinhos.
Do porão embaixo do bar de William Cantelo, disparos eram ouvidos incessantemente.
Engenheiro naval, Cantelo fazia experimentos com um novo tipo de arma. O objeto, entretanto, intrigava os ouvintes, pois disparava em rápida frequência.
Um dia, Cantelo anunciou a seus filhos – que também eram engenheiros – que havia aperfeiçoado o seu novo invento: a metralhadora automática, uma arma que usava a energia do recuo para recarregar a bala seguinte. O objeto disparava continuamente até que as munições terminassem. A descoberta era revolucionária.
Cantelo, então, empacotou a arma e partiu com ela, supostamente para vendê-la. Ele fazia viagens frenquentes para vender coisas usadas na indústria naval.
Foi a última vez em que ele foi visto.

O outro inventor

Anos depois, em 1916, milhares de jovens europeus matavam uns aos outros com metralhadoras na Primeira Guerra Mundial.
O invento havia revolucionado os confrontos em campo: as técnicas usadas pela infantaria nos séculos anteriores se tornaram inúteis.
Como resultado, os exércitos recuaram para suas trincheiras enquanto os generais tentavam, em vão, entender como poderiam superar essa nova arma de guerra.
Entretanto, o homem por trás da criação da máquina mortal, em 1884, foi enterrado discretamente em um cemitério ao sul de Londres. Morreu com muito dinheiro e recebeu honras de Cavaleiro do Reino Unido.
Ainda que o monumento em seu local de repouso seja grande e impactante, não há nenhuma indicação do que ele inventou. Mas seu nome está grafado ali em letrais garrafais: Sir Hiram Maxim - não William Cantelo.
Hiram Maxim (Getty Images)
Hiram Maxim tinha grande semelhança física com Cantelo
Sir Hiram Maxim virou até o nome da invenção que dispara rápido e se alimenta de uma cinta de balas. A metralhadora Maxim era a arma preferida no final do século 19 e no início do 20, responsável por trazer ao negócio de matar pessoas uma eficiência industrial.
Mas o que aconteceu com William Cantelo?
O que sabemos dele remonta a uma coluna em um jornal local da década de 1930, quando várias testemunhas ainda estavam vivas.
O artigo está ilustrado com uma fotografia de Cantelo.
Quando os filhos de Cantelo viram a foto de Maxim em um jornal, ficaram assustados: a imagem era idêntica à de seu pai.
Eles o buscaram, então, até encontrá-lo em uma estação de trem de Waterloo, em Londres, e gritaram "pai". Segundo contaram, tentaram aproximar-se dele, mas a composição partiu antes de qualquer contato mais íntimo.
Um dos problemas foi que tanto Cantelo quanto Maxim tinham barba no estilo vitoriano, que tornava difícil o reconhecimento de rostos: muitos homens daquela época pareciam uma mistura de Charles Darwin e Papai Noel. Provavelmente, a fotografia que apareceu no jornal foi a de Cantelo, não de Maxim.

Encontros

Cantelo, de qualquer forma, sumiu do mapa.
Sua família contratou um detetive particular para buscá-lo. As pistas o teriam levado aos Estados Unidos, mas logo ele perdeu o rastro.
Sabe-se que houve uma retirada de muito dinheiro de sua conta bancária, mas esse banco deixou de existir faz tempo.
Um morreu rico e com título de nobre; o outro caiu no esquecimento após um sumiço repentino.
Mas Cantelo e Maxim teriam se conhecido? Há indícios que sim.
A filha de outro engenheiro naval de Southampton, chamado Philip Branon, escreveu uma carta contando que Maxim tinha ido à cidade ver um propulsor que seu pai havia inventado.
O pai dela, entretanto, havia dito a seus empregados que não lhe mostrassem o objeto uma vez que Maxim, disse a filha de Branon, "tinha reputação de ser um ladrão de ideias".
Teria Cantelo sido vítima de plágio? Maxim foi o verdadeiro inventor da metralhadora ou roubou o projeto de outro engenheiro? Por que Cantelo decidiu sumir?
A verdadeira história permanece até hoje um mistério digno de Sherlock Holmes.

Será que um ataque americano contra a Síria é inevitável?

O tom da Casa Branca mudou no último final de semana, adotando uma retórica mais dura com o governo da Síria - partindo do pressusposto de que as mortes observadas em vídeos divulgados na semana passada foram causadas por ataques químicos perpetrados pelo governo de Bashar al-Assad.
Nesta segunda-feira, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que as cenas vistas na Síria na semana passada - que não puderam ser verificadas de forma independente - "desafiam qualquer código de moralidade".
"A matança indiscriminada de civis (...) com armas químicas é uma obscenidade moral e, apesar de desculpas fabricadas por alguns, é inegável", disse Kerry.
Antes disso, um comunicado da Casa Branca menosprezou o gesto do governo sírio de permitir o acesso de inspetores da ONU ao local do ataque. A nota argumenta que as provas do que ocorreu já teriam sido destruídas por bombardeios.
Ao presidente americano, Barack Obama, foram dadas diversas opções militares como resposta. Ele também falou com os líderes de França e Grã-Bretanha, seus aliados-chave.
Três navios de guerra americanos estão na região, e um quarto está a caminho. Muitos congressistas americanos defendem que essas embarcações realizem um ataque com mísseis.
Todos esses elementos parecem apontar na mesma direção.

Possível ofensiva?

Em entrevista à BBC, o chanceler britânico, William Hague, disse que Reino Unido e seus aliados podem intervir militarmente na Síria mesmo sem ter o aval de todos os membros do Conselho de Segurança da ONU.
Jornais britânicos sugerem que ainda nesta semana possa haver uma ofensiva de retaliação à Síria, mas pode haver um exagero da imprensa quanto à possibilidade de conflito.
Obama, por sua vez, tem sido cauteloso e relutante em agir. Agora, porém, terá dificuldades em recuar sem perder sua credibilidade. A não ser que algo mude.
Uma pergunta ainda permanece sem resposta. Enquanto o fato de um governo usar armas químicas contra seu próprio povo ser uma afronta e demande reação internacional, parece óbvio que, do ponto de vista dos EUA, um horror maior seria o fato de essas armas serem usadas contra seu próprio povo ou contra aliados.
O grande temor, desde o 11 de Setembro, é o de armas como essas caírem nas mãos de grupos que o Ocidente tacha de terroristas. Considerando que um dos principais grupos de oposição na Síria se declarou aliado formal da al-Qaeda, essa é uma possibilidade real.
Seria de interesse dos EUA obter o controle dessas armas e inutilizá-las. Mas temos visto poucas discussões relacionadas a essa opção.

Rússia

É importante lembrar também que diplomatas americanos e russos devem se encontrar nesta semana na Holanda para discutir a pacificação da Síria - e um ataque perpetrado pelos EUA reduziria suas chances de sucesso no diálogo. Ameaças, por sua vez, podem aumentá-las.
Ainda que Obama possa ignorar as advertências russas, o argumento central de Moscou reverbera: os russos dizem que, se os EUA entrarem na guerra civil síria, estarão repetindo os erros do ex-presidente George W. Bush no Iraque.
Esse perigo certamente passa pela cabeça de Obama.
As Forças Armadas americanas já fizeram diversas advertências de que a Síria é um nó difícil de ser desatado - mais do que a Líbia -, e derrotar seus sistemas de defesa aérea exigiria muito esforço.
Seria surpreendente se Obama agisse sem tentar obter o máximo de apoio internacional - e isso provavelmente significa dar mais tempo para a ONU tomar uma decisão.
É possível que as conversas sobre a eventual guerra ganhem força e volume, mas, por enquanto, as armas ainda não foram sacadas.

Filha diz que senador boliviano enfrentava depressão grave e 'restrições'

O senador boliviano Roger Pinto Molina sofria de "um quadro grave de depressão" e enfrentava "restrições" durante seu refúgio na embaixada brasileira em La Paz, disse nesta segunda-feira sua filha Denise Pinto.
O senador escapou para o Brasil na última sexta-feira, em operação que contou com a participação do encarregado de negócios do Brasil em La Paz, Eduardo Saboia, e do senador brasileiro Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
No domingo, o Itamaraty - que diz não ter tido conhecimento da operação - afirmou que vai abrir inquérito sobre a entrada de Pinto em território nacional e que tomará "medidas administrativas e disciplinares cabíveis" quanto à atuação de Saboia.
À BBC Mundo, a filha de Roger Pinto disse que soube da operação na quarta-feira passada, por intermédio de seu pai, mas que "sabia muito pouco sobre o assunto".
Segundo Denise Pinto, o senador pediu que ela deixasse La Paz e voltasse para Brasileia (AC), onde vive sua família.
Pinto, por sua vez, foi levado em um carro com placa diplomática, protegido por fuzileiros navais, até território brasileiro, segundo informou Eduardo Saboia à TV Globo. Ao chegar a Corumbá (MS), Saboia pediu a ajuda de Ricardo Ferraço para levar Pinto a Brasília.
Em entrevista à rádio BandNews FM, Ferraço disse que pediu emprestado o avião de um empresário capixaba, após tentar, sem sucesso, contato com "autoridades em Brasília".
O senador disse que decidiu ajudar Saboia a transportar o senador boliviano porque "ele estava convivendo no dia a dia com um problema sem solução".

'Restrições'

Denise diz que o pai tinha "problemas nos rins", mas que o diagnóstico não pôde ser confirmado porque ele não podia ser levado a um hospital para exames. Além disso, "ele sofria de um quadro de depressão muito grande", segundo ela.
De acordo com Denise, a última visita do chanceler brasileiro Antonio Patriota a La Paz não resultou em avanços, apenas em "restrições": o senador passou a não poder mais receber visitas de amigos, apenas da filha e de seu advogado.
"Era Saboia quem o via todos os dias", disse. E, diante da piora do estado de saúde de Pinto, é possível que a decisão tenha sido tomada sem o conhecimento do Itamaraty, avalia a filha do senador.
A Bolívia qualificou o episódio como "grave" e pediu explicações do caso ao Brasil, mas disse que isso não afetará as relações bilaterais.

Asilo

Roger Pinto esteve asilado na embaixada brasileira em La Paz por mais de um ano, alegando perseguição política por parte de autoridades bolivianas, por acusar funcionários do governo de Evo Morales de corrupção e conivência com o narcotráfico.
O parlamentar de 53 anos da província de Pando, na região amazônica da Bolívia, chegara à embaixada em La Paz em 28 de maio de 2012 e, dez dias depois, recebera asilo político do governo de Dilma Rousseff. Ele pedia um salvo-conduto para conseguir deixar a Bolívia, pedido negado pelas autoridades bolivianas.
O governo boliviano alega que Pinto está envolvido em pelo menos 14 crimes e se refugiou na embaixada para escapar da Justiça boliviana - que o condenou, em um dos casos, a um ano de prisão por supostos danos de US$ 1,7 milhão aos cofres públicos do país - e tem manipulado as informações para dificultar as relações entre La Paz e Brasília.
Mas Eduardo Saboia disse à TV Globo que decidiu levar Roger Pinto para o Brasil porque "havia risco iminente à vida e à dignidade do senador".
"Havia uma violação constante, crônica de direitos humanos, porque não havia perspectiva de saída e havia um problema de depressão que estava se agravando", disse Saboia, acrescentando que o senador já falava em suicídio após "passar 452 dias (confinado) em um cubículo" na embaixada.

ONU apresentará "queixa contundente" por ataque à missão na Síria

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta segunda-feira que apresentará uma queixa "contundente" ao regime sírio e à oposição pelo ataque contra um dos veículos da missão do organismo que investiga o possível uso de armas químicas no conflito.
"Pedi a minha alta representante para Assuntos de Desarmamento que apresente uma queixa contundente ao governo sírio e às forças de oposição para que isto não volte a ocorrer", disse Ban após conversar por telefone com a representante, Angela Kane, que está em Damasco.
O secretário-geral aguarda um relatório mais completo do líder da missão, Ake Sellström, sobre o ataque. E disse acreditar que, a partir de amanhã, a segurança da equipe de especialistas da ONU estará garantida.
O veículo da missão foi atacado por um "franco-atirador não identificado". Foi necessário retornar a Damasco, mudar de carro e voltar aos subúrbios da capital para continuar a investigação.
"Eles visitaram dois hospitais, entrevistaram testemunhas, sobreviventes e médicos, coletaram algumas amostras e agora estão voltando a Damasco", acrescentou o secretário-geral no comunicado.
O governo sírio culpou hoje "grupos terroristas armados", como costuma nomear os rebeldes, de disparar contra o comboio dos membros da missão da ONU que tenta investigar um suposto ataque químico na periferia de Damasco.
Já a Coalizão Nacional Síria (CNFROS), o maior grupo de oposição, acusou hoje as milícias do regime de disparar contra a missão das Nações Unidas para atrapalhar a investigação.
A missão da ONU, liderada por Sellström, tenta investigar os arredores de Damasco, onde a oposição síria denunciou na quarta-feira a morte de mais de mil pessoas no que seria um ataque químico realizado pelo regime. O regime de Bashar al Assad e os insurgentes se acusam há meses do uso desse tipo de armamento durante o conflito.
A Síria é um dos sete países que não assinou a Convenção sobre Armas Químicas de 1997. Desde que começou a guerra civil, em março de 2011, mais de 100 mil pessoas morreram e quase sete milhões precisam de ajuda humanitária de emergência, segundo os números mais recentes das Nações Unidas.

Chanceler britânico vê possível ação militar na Síria sem aval da ONU

O Reino Unido e seus aliados podem intervir militarmente na Síria mesmo sem ter o aval de todos os membros do Conselho de Segurança da ONU, disse nesta segunda-feira o chanceler britânico, William Hague.
Em entrevista à BBC, Hague afirmou que o Conselho de Segurança, que está dividido sobre como reagir a um suposto ataque com armas químicas ocorrido no país, não "arcou com as suas responsabilidades".
Ele acrescentou, por outro lado, que qualquer ação na Síria "seria tomada de acordo com as leis internacionais".
Para Hague, o fim do conflito na Síria poderia ter acontecido "há muito tempo" se houvesse unanimidade do Conselho de Segurança sobre a questão.
Ele indicou que a intervenção poderia ser justificada "pela necessidade humanitária", mesmo sem o apoio dos membros permanentes do Conselho.
O suposto ataque químico de quarta-feira na Síria teria matado mais de 300 pessoas, muitas delas crianças, na periferia da capital do país, Damasco. Rebeldes acusam o governo do presidente Bashar al-Assad de estar por trás da operação.
Hague voltou a culpar o governo sírio pelo suposto ataque, dizendo que, para ele, não há "outra explicação plausível".
Já o presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse que as acusações têm "fundo político" e carecem de lógica, uma vez que o regime possui forças operando próximas à área.

Tiros

Nesta segunda-feira, as Nações Unidas confirmaram que um dos carros que levava inspetores de armas químicas da organização para o local onde teria ocorrido o ataque foi alvo de diversos disparos. Ninguém ficou ferido.
William Hague / PA
Para William Hague, eventual intervenção militar respeitaria 'leis internacionais'
Segundo ativistas de oposição, ao chegar ao local, os fiscais da ONU se encontraram com supostas vítimas do ataque químico e médicos que as trataram. Eles também iriam coletar amostras do solo, do sangue e de tecidos das vítimas.
Na sua entrevista ao programa Today, da BBC Radio 4, Hague disse que, enquanto não conhecer todas as opções ou possuir um cronograma para uma possível intervenção militar na Síria, não "executará ou descartará nada".
"Nós, os Estados Unidos, muitos outros países, incluindo a França, estamos certos de que não podemos permitir a ideia de que no século 21 armas químicas sejam usadas com impunidade", afirmou o chanceler britânico.
Hague ressaltou que as vias diplomáticas para resolver a guerra civil na Síria "fracassaram até agora".
"Nós discutimos no ano passado os ataques químicos de pequena escala que o regime realizou", disse. "Em cada ocasião, nós enviamos mensagens diretas, algumas vezes por meio das Nações Unidas, para que os sírios não fizessem isso."
"Nós já abordamos o caso com os russos e às vezes os sírios ouviram da Rússia e do Irã (aliados históricos do país) que eles não deveriam realizar ataques com armas químicas."

Rússia

O Conselho de Segurança da ONU é formado por 15 membros, sendo cinco permanentes (Estados Unidos, Reino Unido, China, Rússia e França), e dez temporários.
O órgão, cujo objetivo é zelar pela manutenção da paz mundial, é o único que pode adotar resoluções contra os países-membros das Nações Unidas.
"Se alguém pensa que bombardear e destruir a infraestrutura militar síria, deixando o campo de batalha livre para a vitória dos oponentes do regime, vai resolver alguma coisa, está vivendo uma ilusão."
Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia
Entretanto, um veto de um membro permanente impede que uma resolução seja aprovada.
A Rússia, juntamente com a China, têm resistido a autorizar uma intervenção militar na Síria.
Em declarações também nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que lançar uma intervenção militar na Síria sem o apoio da ONU representaria uma grave violação das leis internacionais.
Lavrov disse que o suposto ataque químico foi provavelmente obra dos próprios rebeldes que querem desestabilizar uam negociação de paz no país.
“Se alguém pensa que bombardear e destruir a infraestrutura militar síria, deixando o campo de batalha livre para a vitória dos oponentes do regime, vai resolver alguma coisa, está vivendo uma ilusão”, disse Lavrov.
O chanceler francês, Laurent Fabius, avalia que lançar uma ação militar na Síria sem o respaldo da ONU seria “muito difícil”, mas disse que Rússia e China estão impedindo que o Conselho de Segurança tome qualquer decisão.
No último fim de semana, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, telefonou a outros líderes, incluindo o presidente dos EUA, Barack Obama, para conversar sobre o tema.
Ao fim das conversas, eles concordaram sobre a necessidade de tomar uma "ação forte" na Síria.

domingo, 25 de agosto de 2013

Atentados no Iraque deixam 33 mortos e dezenas de feridos

Pelo menos 33 pessoas, entre elas cinco militares, e dezenas ficaram feridas neste domingo em vários ataques no Iraque, a maioria perpetrados com carros-bomba, informou à Agência Efe uma fonte do Ministério do Interior.
O atentado mais violento ocorreu em Baquba, quando um veículo explodiu e deixou treze mortos e 36 feridos.
Além disso, cinco soldados do exército iraquiano perderam a vida vítimas de disparos de homens armados que atacaram um posto de controle em Shura, na província de Ninawa.
Após o ataque, os agressores fugiram e têm paradeiro desconhecido. Outras quatro pessoas morreram e 21 ficaram feridas devido à explosão de um carro-bomba em um atentado contra o juiz Hazem al Azaui, que ficou ferido e foi levado para um hospital, na cidade de Balad, a 80 quilômetros ao norte de Bagdá.
Na capital, vários atentados com explosivos causaram a morte de nove pessoas. O mais grave foi cometido em uma cafeteria de Bagdá, onde morreram duas pessoas e oito ficaram feridas.
Um carro bomba explodiu próximo um colégio no bairro de Al Amin, deixando dois mortos e sete feridos, enquanto em um incidente similar em Zayuna duas pessoas perderam a vida e sete ficaram feridas.
Outras duas pessoas morreram e três ficaram feridas pela explosão de uma bomba colocada na estrada em Al Nahruan, em Bagdá.
Além disso, um civil morreu e outros cinco sofreram ferimentos pela explosão de uma bomba na zona de Al Shurta al Raba, no capital, enquanto duas pessoas ficaram feridas em um incidente similar ocorrido em Al Gazalia.
Na província de Diyala, um policial morreu por disparos de desconhecidos em Al Abara, a 14 quilômetros da capital Baquba.
Também em Baquba, um civil morreu e outros dez ficaram feridos quando uma bomba explodiu no bairro de Bab al Darb.

Itamaraty anuncia inquérito sobre entrada de senador boliviano no Brasil

O Ministério das Relações Exteriores anunciou neste domingo que vai abrir inquérito sobre a entrada do senador boliviano Roger Pinto Molina em território brasileiro.
"O Ministério está reunindo elementos acerca das circunstâncias em que se verificou a saída do senador boliviano da embaixada brasileira e de sua entrada em território nacional. O encarregado de negócios do Brasil em La Paz, ministro Eduardo Saboia, está sendo chamado a Brasília para esclarecimentos", informou o órgão em um comunicado em seu site.
O ministério acrescentou ainda que, além do inquérito, "tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis".
O senador boliviano, que aguardava um salvo-conduto para sair do país, deixou a embaixada brasileira em La Paz no sábado e desembarcou em Brasília na madrugada de domingo.
Molina, que faz oposição ao governo do presidente Evo Morales, ficou quase 15 meses na embaixada, desde que pediu asilo ao Brasil. O salvo-conduto para sair da embaixada e viajar para o Brasil estava sendo negado pelas autoridades bolivianas, que alegavam que o senador responde a processos judiciais no país.

Sem mudança nas relações

O governo da Bolívia já se pronunciou sobre a chegada de Molina ao Brasil, afirmando que as relações bilaterais entre os dois países não serão afetadas.
A ministra da Comunicação boliviana, Amanda Davila, afirmou que o relacionamento entre Bolívia e Brasil continuará "em absoluto calor e respeito", segundo a Agência Boliviana de Informações (ABI).
"Este caso não afetará as relações com o Brasil. As relações entre Bolívia e Brasil serão mantidas em situação de absoluta cordialidade e respeito. O governo boliviano e o presidente Evo Morales sempre manifestaram todo o seu carinho e respeito à presidenta Dilma Rousseff e ao governo brasileiro", afirmou a ministra.
No entando, Davila afirmou que Molina está envolvido em pelo menos 14 crimes e tem manipulado as informações para dificultar as relações entre os dois países.
Além disso, o governo boliviano quer explicações sobre como Molina escapou da embaixada.
O parlamentar da província de Pando, região amazônica da Bolívia, se refugiou na embaixada brasileira em La Paz em 28 de maio de 2012, dez dias antes de receber asilo político pelo governo de Dilma Rousseff.
Roger Pinto Molina pediu refúgio na embaixada alegando "perseguição política" por acusar funcionários do governo de corrupção e conivência com o narcotráfico. Ele temia ser detido por algum dos processos que o governo boliviano move contra ele.
O advogado de Molina, Fernando Tibúrcio, afirmou à Agência Brasil que vai dar uma entrevista coletiva na segunda-feira para prestar esclarecimentos sobre a situação do parlamentar.

Morre De Sordi, campeão mundial com a seleção brasileira em 1958

Ex-jogador estava com 82 anos e sofria do Mal de Parkinson Morreu no sábado (24) o ex-lateral-direito Nilton de Sordi, que foi campeão da Copa do Mundo de 1958 com a seleção brasileira. Ele estava com 82 anos e seu corpo foi enterrado por volta das 14h deste domingo (25) no cemitério municipal de Bandeirantes (PR).
O ex-jogador sofria do Mal de Parkinson, ficou internado por 15 dias e chegou a ser transferido para Londrina, cidade vizinha a Bandeirantes.
Carreira
De Sordi começou a carreira no XV de Piracicaba e ganhou projeção defendendo o São Paulo, clube onde jogou de 1952 e 1966. Posteriormente, ele ainda defendeu o União Bandeirante, da cidade do interior paranaense, onde encerrou a carreira.
Na Copa do Mundo de 1958, De Sordi foi o titular da lateral direita nas cinco primeiras partidas, mas acabou ficando fora da final por causa de uma contusão.  Djalma Santos, morto em julho, entrou no time e foi eleito o melhor da posição no torneio.

'Dezenas morrem' em combates entre forças da ONU rebeldes no Congo

Dezenas de pessoas teriam morrido desde a manhã deste domingo entre soldados do Exército congolês e rebeldes do M23 na República Democrática do Congo.
Segundo agências de notícias, os combates entre as forças da ONU junto com os soldados do Exército do país contra os rebeldes estão ocorrendo em Kibati, a 15 quilômetros da cidade de Goma, a principal do leste da RDC.
Dois soldados da ONU teriam ficado feridos.
Na sexta-feira, as forças da ONU no país usaram pela primeira vez o novo mandato para lançar um ataque pesado contra os rebeldes do M23.
Os capacetes azuis são liderados pelo general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz
O brasileiro assumiu o comando dos cerca de 20 mil soldados no início de julho. Sua missão é inédita na história das missões de paz porque o Conselho de Segurança autorizou de forma sem precedentes que suas tropas recebam armamento pesado e lancem grandes ofensivas contra os cerca de 50 grupos rebeldes que operam na região.

Análise

General Carlos Alberto dos Santos Cruz
Luis Kawaguti, da BBC Brasil em São Paulo

O ataque desta sexta-feira é a primeira grande demonstração de força da ONU no Congo, sob seu atual mandato. A ofensiva é, antes de tudo, um recado do general Carlos Alberto dos Santos Cruz aos rebeldes do M23.
As conversas de paz entre o governo e os rebeldes estavam em um impasse desde que as duas forças se engajaram em uma campanha militar de grandes proporções no meio de julho próximo à cidade de Goma.
Nem a ONU tampouco os rebeldes queriam ser culpados por acabar com as negociações, por isso não se atacavam.
Porém, a pressão vinha se tornando cada vez maior. No início da semana, Santos Cruz descreveu o clima em Goma: “vivemos cada dia com o nível de tensão máximo”.
O ataque do M23 a Goma na quinta-feira parece ter acabado com essa posição de equilíbrio, pelo menos momentaneamente.
O brasileiro pode fazer novas demonstrações de força. Mas isso não significa que a ONU inicia, com o ataque desta quinta-feira, uma campanha para acabar o M23 definitivamente.
A ação de Santos Cruz mais parece uma tentativa de mostrar os rebeldes que apenas uma solução política e negociada pode resolver o problema no Congo.
Para fazer isso, o brasileiro tem à sua disposição uma "Brigada de Intervenção", formada por 3.000 militares com unidades de infantaria, forças especiais, artilharia e helicópteros de ataque.
Desde que chegou ao país, Santos Cruz optou por não usar as prerrogativas de seu novo mandato. Ele decidiu não interferir em uma grande ofensiva lançada pelo Exército congolês contra o M23 no dia 14 de julho – que vinha variando de intensidade até esta semana, porém sem atingir tropas da ONU ou membros da população.
A principal missão do general vinha sendo fortificar a cidade de Goma, que os rebeldes vinham ameaçando invadir. Santos Cruz afirmava que não interviria enquanto tropas da ONU ou a população não fossem ameaçadas.
Contudo, na quinta-feira, projéteis de artilharia supostamente lançados pelo M23 caíram dentro da cidade e mataram ao menos cinco pessoas – entre elas uma mulher e uma criança.
Um porta-voz do M23 culpou o Exército congolês pelo ataque.

Nova fase

A ONU respondeu à ação com sua primeira ofensiva de larga escala na sexta-feira. Ao menos dois helicópteros de ataque bombardearam posições rebeldes próximo à Goma. Forças do Exército congolês participaram da ofensiva atacando posições rebeldes.
"A luta entrou em uma nova fase com a Monusco (sigla da missão de paz da ONU no Congo) atacando os rebeldes em conjunto com as forças do governo", afirmou o coronel Felix Basse, porta-voz militar da missão, ao programa Focus on Africa da BBC.
O ministro da informação da RDC, Lambert Mende, disse à BBC Grandes Lagos que alguns dos projéteis de artilharia que atingiram Goma partiram da região de Ruanda.
O país vizinho negou repetidas vezes estar ajudando os rebeldes do M23, apesar de tanto o governo de Ruanda como os rebeldes serem da etnia tutsi.
O grupo rebelde é formado por ex-militares do exército congolês que se voltaram contra o governo.

EUA: há 'muito poucas dúvidas' sobre uso de armas químicas na Síria

Há "muito poucas dúvidas" de que as forças sírias usaram armas químicas contra civis em um ataque na quarta-feira nos subúrbios de Damasco, informou este domingo um funcionário americano.
A fonte disse à AFP que, levando em conta a quantidade de vítimas, seus sintomas e a análise da inteligência americana, "há muito poucas dúvidas, a esta altura, de que uma arma química foi usada pelo regime contra civis neste incidente".
Os comentários marcam um posicionamento cada vez mais forte dos Estados Unidos, que parecem dispostos a iniciar uma ação militar após o suposto ataque químico que matou 1.300 pessoas nos arredores de Damasco na última quarta-feira, segundo a oposição síria.
As autoridades americanas informaram ainda que o presidente Barack Obama, que se reuniu com conselheiros neste sábado para falar sobre crise na Síria, tomaria uma decisão sobre como responder a um ataque com o uso "indiscriminado" de armas químicas.
A fonte, que falou à AFP sob anonimato, disse que Washington levou em consideração o fato de que o regime sírio autorizou que os especialistas da ONU em armas químicas investigassem os fatos a partir desta segunda-feira, mas considerou a decisão tardia e pouco crível.
"Se o governo sírio não tivesse o que esconder e quisesse mostrar ao mundo que não usou armas químicas neste incidente, teria parado seus ataques ao local e garantido o acesso imediato da ONU há cinco dias", disse o funcionário.
"Nessa altura, a decisão do regime (sírio) de garantir o acesso da equipe da ONU chegou muito tarde para ser crível, até porque as evidências no local já podem ter sido significativamente alteradas pela persistência dos bombardeios e outras ações intencionais do regime nos últimos cinco dias", continuou.
O regime de Bashar al-Assad garantiu que o trabalho dos inspetores da ONU permitiria desmentir as acusações da oposição de que as forças do governo teriam usado armas químicas contra civis, incluindo crianças.
Enquanto a oposição fala em 1.300 vítimas, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) divulgou no sábado a morte de 355 pacientes que "apresentaram sintomas neurotóxicos" desde a última quarta-feira na região de Damasco.
Os Estados Unidos colocaram um quarto destróier equipado com mísseis de cruzeiro nas proximidades da Síria e podem levar adiante ações militares limitadas, mesmo que pesquisas de opinião mostrem que os americanos não apoiam o envolvimento do país em um novo conflito no Oriente Médio.
Está em jogo a credibilidade de Obama, cuja inação até agora vem sendo questionada pela opinião republicana, sobretudo porque advertiu, em 2012, que a Síria ultrapassaria uma "linha vermelha" se fizesse uso massivo de armas químicas.
Especialistas avaliam que a intervenção mais provável dos Estados Unidos consistiria em lançamentos de mísseis a partir do mar, tendo como alvo instalações militares sírias.
O país também poderia, segundo analistas, recorrer ao disparo de mísseis de aviões fora do espaço aéreo sírio, visando minimizar os riscos para os pilotos americanos ou aliados.
Os Estados Unidos buscariam atuar com uma ampla coalizão de países europeus e do Golfo, enquanto a Rússia se posiciona contra qualquer intervenção armada na Síria, sua aliada.
Logo após a reunião com conselheiros da diplomacia e da inteligência, Obama ligou para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e conversou sobre as alternativas.
O secrerário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, falou durante viagem à Ásia que as Forças Armadas estão prontas para atuar caso esta seja a decisão de Obama.
Hagel contou já ter pedido ao departamento de Defesa que prepare o aparato militar a fim de oferecer a Obama "opções" para intervir na Síria.

Justiça egípcia adia julgamentos de Irmandade Muçulmana e Mubarak

Foram adiados os julgamentos dos três principais líderes da Irmandade Muçulmana, incluindo o guia supremo da confraria, Mohamed Badie, por "incitação ao assassinato" de manifestantes, e o do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, por "cumplicidade de assassinato" de manifestantes em 2011, previstos para este domingo.
O processo contra Badie e seus dois assessores, Khairat al-Chater e Rachad Bayoumi, que não estavam presentes por "motivos de segurança", segundo a polícia, foi adiado para 29 de outubro, com a intenção de que os acusados possam estar presentes.
Fontes ligadas à segurança egípcia explicaram à AFP que os acusados não foram levados ao tribunal neste domingo por medo de que o comboio em que seriam transportados fosse atacado por simpatizantes ou opositores da confraria.
Os três líderes da Irmandade, grupo político do qual faz parte o presidente deposto Mohamed Mursi, e outros três membros podem ser condenados à pena de morte por "incitação ao assassinato" e "homicídio" de oito manifestantes que estavam em frente à sede da confraria, no Cairo, no último 30 de junho.
Neste dia, milhões de pessoas foram às ruas pedir a renúncia do presidente islamita Mursi. Em 3 de julho, uma manifestação convocada pelo exército culminou com a queda do primeiro chefe de estado eleito de forma democratica no Egito.
"As acusações são infundadas, é um julgamento político", disse à AFP o advogado de um dos líderes islamitas antes da audiência.
Pouco depois, um tribunal do Cairo adiou para 14 de setembro o julgamento do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak por "cumplicidade de assassinato" de manifestantes durante a rebelião popular de 2011 que o depôs.
O "rais" caído em desgraça, atualmente detido em um hospital militar do Cairo, é passível de pena de morte. Mubarak compareceu na sexta audiência de apelação sentado em uma maca, atrás das grades da cela reservada aos acusados, junto a outros nove réus, incluindo seus dois filhos.
No mesmo dia também foi adiado, a 29 de outubro, o julgamento dos chefes da Irmandade Muçulmana, entre eles o guia supremo, Mohamed Badie, por "incitar o assassinato" de manifestantes.
Os julgamentos acontecem em pleno caos político no Egito, onde as novas autoridades, dirigidas de fato pelo exército, reprimem com banho de sangue, há 10 dias, as manifestações organizadas pela Irmandade Muçulmana.
Cerca de mil pessoas foram assassinadas, sobretudo, islamitas, e os principais dirigentes da confraria foram presos, além de 2.000 partidários de Mursi. Uma centena de policiais e soldados morreram nos piores episódios de violência conhecidos no Egito em sua história recente.
Hosni Mubarak, de 85 anos, foi condenado em junho de 2012 em primeira instância à prisão perpétua por "cumplicidade" no assassinato de manifestantes durante a revolta de 2011. O ex-presidente apelou e a Corte de Cassação ordenou um novo julgamento.
Estes julgamentos contra a Irmandade Muçulmana ocorrem no momento em que a confraria islamita parece não estar em condições de mobilizar seus simpatizantes. Nos últimos dias, vários de seus principais ativistas foram mortos e seus dirigentes foram presos.
Na sexta-feira, milhões de pessoas foram convocadas contra o golpe de estado militar, mas o movimento reuniu apenas cerca de mil partidários de Mursi.
Antes da violenta repressão às manifestações, os simpatizantes de Mursi congregaram centenas de milhares de pessoas no Cairo e em outras grandes cidades.
Mas a maioria dos seguidores de Mursi têm medo de sair às ruas, onde soldados e policiais estão autorizados pelas autoridades a disparar contra manifestantes "hostis".
O país está em estado de sítio e as grandes cidades estão cheias de tanques e controles. O toque de recolher imposto no Cairo e mais 13 províncias foi diminuído em duas horas neste sábado, e está vigente das 21H00 às 06H00, exceto na sexta-feira, quando vale a partir das 19H00.

Agência de espionagem dos EUA grampeou sede da ONU--revista alemã


BERLIM, 25 Ago (Reuters) - A Agência de Segurança Nacional dos EUA grampeou a sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, informou a revista semanal alemã, Der Spiegel, neste domingo, na mais recente de uma série de reportagens sobre a espionagem dos EUA, que causou tensão no relacionamento entre Washington e seus aliados.
Citando arquivos secretos divulgados pelo ex-contratado da inteligência dos EUA Edward Snowden, aos quais a revista teve acesso, a Der Spiegel disse que as revelações provam como os EUA sistematicamente espionam outros países e instituições.
A publicação disse que os documentos mostram que agentes da inteligência norte-americana grampearam tanto outros países quanto instituições, incluindo a União Europeia e a Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), com sede em Viena.
No verão de 2012, especialistas da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) conseguiram entrar no sistema de videoconferência da ONU quebrando o sistema de codificação, de acordo com um dos documentos citados pela Der Spiegel.
"O tráfego de dados nos dá acesso a teleconferências de vídeo internas da ONU (oba!)", a Der Spiegel citou um documento com essa declaração, acrescentando que em três semanas o número de comunicações decodificadas subiu de 12 para 458.
Arquivos internos também mostram que a NSA espionava a missão diplomática da UE em Nova York. Entre os documentos copiados por Snowden, de computadores da NSA, estão planos da missão da UE, sua infraestrutura de TI e servidores.
De acordo com os documentos, a NSA roda um programa de grampo em mais de 80 embaixadas e consulados em todo o mundo, chamado de "Serviço Especial de Coleta". "A vigilância é intensa, bem organizada e tem pouco ou nada a ver com afastar os terroristas", escreveu a Der Spiegel.

Síria libera entrada da ONU em área de 'ataque químico'

O governo da Síria anunciou neste domingo que vai conceder acesso aos inspetores da ONU a áreas de Damasco que sofreram um suposto ataque com armas químicas na quarta-feira.
A equipe poderá iniciar as investigações nesta segunda-feira.
Em nota, um porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, informou que os inspetores estão "se preparando para conduzir atividades de busca no local".
"O secretário-geral observa que a República Árabe da Síria afirmou que fornecerá a cooperação necessária, incluindo a supervisão da suspensão das hostilidades nos locais relacionados aos incidentes", acrescentou o porta-voz.
A decisão, transmitida em cadeia nacional pelo canal de TV estatal do país, foi anunciada pouco depois de uma autoridade do governo americano ter dito que "havia muito poucas dúvidas" sobre o uso de armas químicas pelo governo contra civis.
A autoridade, cujo nome não foi revelado, disse que baseava sua avaliação "no número de vítimas, nos sintomas dos que morreram ou receberam atendimento, relatos de testemunhas e dados reunidos por outras fontes".
No sábado, a chefe de Desarmamento das Nações Unidas, Angela Kane, chegou a Damasco para tentar convencer as autoridades sírias a liberarem o acesso dos inspetores às áreas do ataque.

'Passeio no parque'

Ativistas da oposição acusam o governo de ser o responsável pela incursão que matou mais de 300 pessoas em diversos subúrbios no leste e oeste da capital.
Autoridades sírias negam as acusações e culpam "grupos terroristas" pelo ataque.
Reportagens veiculadas na televisão estatal afirmam que armas químicas foram encontradas em túneis usados pelos militantes e que alguns soldados sofreram asfixia depois que os rebeldes usaram gases venenosos como último recurso para tentar reverter os ganhos de terreno obtidos pelo governo no subúrbio de Jobar.
Na noite de sábado, o presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, discutiram a situação na Síria durante uma conversa telefônica de 40 minutos.
Os dois líderes concordaram que "o uso significativo de armas químicas na Síria mereceria uma resposta séria da comunidade internacional", conforme comunicado emitido por Downing Street.
Horas depois, o ministro da Informação sírio, Omran Zoabi, advertiu que uma eventual intervenção militar na Síria não seria um "passeio no parque".
"Uma intervenção militar na Síria tem se provado uma opção fraca, já que o país é ainda um Estado forte, que tem instituições e um Exército", afirmou, enfatizando que "a Síria tem aliados na região".
"Se os Estados Unidos liderarem uma ação militar, isso terá sérias consequências, trazendo o caos, e essa região vai pegar fogo", alertou Zoabi.

Linha vermelha

Há um ano, o presidente Obama disse que qualquer tentativa do governo sírio de usar armas químicas seria "cruzar uma linha vermelha" e mudaria sua posição em relação ao conflito, que segundo a ONU, já matou mais de 100 mil pessoas desde 2011.
Em sua primeira entrevista desde que deixou a Síria, o ex-porta-voz do ministério das Relações Exteriores Jihad Makdissi disse à BBC no domingo que o governo terá cometido um ato suicida se ficar comprovado que foi o regime de Bashar Al-Assad foi autor do ataque com armas químicas.
"Se os agentes tóxicos foram lançados pelo governo, é suicídio. Se foram usados pelos rebeldes, é um ato criminoso. Então temos que pôr fim nesta insanidade e dar esperança ao povo sírio de que podemos alcançar algo por meio do diálogo”, acrescentou.
No entanto, Makdissi criticou a possiblidade intervenção militar estrangeira se o governo for identificado como autor do ataque. Ele argumentou que lançar mísseis não vai resolver nada e só vai servir para escalar o conflito.

Tensão na Síria pode abrir caminho a acordo político para crise

O uso aparente de armas químicas nos subúrbios de Damasco, que causaram a morte de centenas de civis, elevou o conflito na Síria a um nível de crise ainda maior.
Com os Estados Unidos endurecendo sua posição militar no leste do Mar Mediterrâneo e o russos continuando a defender seu único aliado leal no mundo árabe, as previsões calamitosas feitas por analistas regionais há alguns meses de que a situação poderia desencadear rapidamente a Terceira Guerra Mundial, agora começam a parecer menos atraentes.
Contrariamente, há quem acredite que o nível de tensão a que chegou o conflito poderá forçar o desbloqueio do processo para que um acordo político seja alcançado.
Fora do caos e da tensão dos últimos dias, vários fatores emergem claramente.
Até o regime sírio e seus aliados próximos, Rússia e Irã, não contestam o fato de que armas químicas foram usadas nos subúrbios de Damasco nas primeiras horas de quarta-feira.

Evidências

As evidências apresentadas por imagens chocantes de um grande número de vídeos amadores são muito claras para serem rejeitadas.
No sábado, a organização Médicos Sem Fronteiras afirmou que 3,6 mil pacientes foram atendidos em três hospitais de Damasco com sintomas neurotóxicos. Deste total, 355 morreram.
E isto pode não ser tudo.
O Centro de Documentação de Violações, a mais equilibrada e talvez menos sensacionalista entre as organizações que registram as mortes no conflito, listaram nomes e detalhes de 457 pessoas que morreram de envenenamento por agentes químicos em oito áreas de Damasco na quarta-feira. E os números podem ser uma fração mínima do total.
Ao reconhecerem o ataque, autoridades russas e iranianas vêm adotando ou a retórica do governo sírio - a de que as armas químicas foram lançadas por rebeldes armados -, ou deixam em aberto a atribuição de responsabilidade.
Soma-se a isso a pressão para que os inspetores da ONU, que estão em Damasco desde a semana passada para investigar outros locais que teriam sofrido ataques semelhantes, tenham acesso ao local do último bombardeio.
Tanto Moscou quanto Teerã afirmam que estão pedindo as autoridades sírias que cooperem com os inspetores e o ministro iraniano das Relações Exteriores citou o colega sírio, Walid Muallem, que teria dito que o governo estaria em discussão com a equipe da ONU e preparando as condições para uma visita ao local.
A situação ainda proporcionou um raro contato direto entre Muallem e o secretário de Estado americano, John Kerry.

Obama relutante

Por enquanto, o que está claro é a grande relutância, por parte do presidente americano, Barack Obama, de mergulhar em um imbróglio do qual pode ser difícil de sair e que corre o risco de agravar a situação ainda mais.
No Ocidente, um sentimento quase irresistível de que algo deve ser feito para defender a população síria colide com a realidade de que não há opções de intervenção que sejam aceitáveis ou atraentes quando avaliados os riscos.
Obama também sabe que seu público não quer outra aventura cara e sem data para terminar no Oriente Médio.
Até a resposta mais minimalista, que seria treinar e armar as forças da oposição, não aparece como a opção mais viável.
O Ocidente nunca desejou a vitória dos rebeldes na Síria.
Sua estratégia tem sido esperar que, diante da forte pressão, o regime desmorone parcialmente, livrando-se da liderança de Assad e negocie uma transição que exclua o alto escalão do governo, mas mantenha a estabilidade e estrutura do Estado.
Mas nunca houve evidência de que este tipo de abordagem funcionaria.
Além disso, o Ocidente enfrenta a realidade de que a oposição moderada que vem tentando apoiar não se mostrou coerente, crível ou eficiente no terreno.
Em vez disso, à frente dos rebeldes estão facções islâmicas, muitas delas ligadas à Al-Qaeda.
Como aconteceu no Iraque, a intervenção do Ocidente corre o risco de fragmentar a Síria ainda mais, criando uma situação incontrolável que poderia ver o poder cair nas mãos de seus inimigos. E, neste sentido, Washington e Moscou tem mais pontos de vista em comum do que os olhos podem ver.
Os russos, traumatizados com a Chechênia, também ficam petrificados diante da possibilidade de uma dominação islâmica na Síria.
E é por isso que alguns observadores acreditam que ainda há chances de entendimento entre russos e americanos, cujos ministros das Relações Exteriores concordaram em maio em trabalhar juntos na busca por um consenso político sobre a Síria.
Mas até então isto estava se provando difícil de acontecer.
Então agora não parece fora de questão que as recentes pressões causadas pelo uso de armas químicas contra civis seja o suficiente para estourar a rolha e forçar as negociações.

sábado, 24 de agosto de 2013

Arquipélago de Alcatrazes, em São Paulo, é liberado para virar parque

Área continuará sendo da Marinha, mas será administrada por Instituto e aberta a visitação

Depois de anunciar em junho o fim dos exercícios de tiro na ilha principal do Arquipélago dos Alcatrazes e a disposição de apoiar integralmente a criação de um parque nacional, a Marinha selou nesta sexta-feira, 23, um acordo de paz com os ambientalistas em uma visita conjunta ao local, que fica a 45 km de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. À espera da aprovação do governo federal, o projeto pode sair do papel já no ano que vem, segundo os envolvidos.
O entendimento entre militares, grupos de defesa do meio ambiente e pesquisadores põe fim a mais de três décadas de polêmicas em torno dos testes de tiro, que eram feitos nos paredões rochosos da Ilha de Alcatrazes desde 1982. O auge das disputas ocorreu em dezembro de 2004, quando um incêndio destruiu quase 20 hectares da ilha principal. A suspeita, admitida pela própria Marinha, é que o fogo tenha sido iniciado por um dos testes de tiro no local.
Há mais de um ano nenhum tiro é disparado na ilha principal. A Marinha exigiu, porém, que alguns testes sejam mantidos esporadicamente na Sapata, um ilhota rochosa a cerca de 4 km da ilha principal. "Procuramos outros pontos no País, mas aquela região é a que tem vantagens logísticas e geográficas para a atividade", explica o vice-almirante Liseo Zampronio, comandante do 8.º Distrito Naval.
A Marinha concordou com a criação do parque, que será administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), mas manteve a posse do arquipélago. "O local, como propriedade, continua sob administração da Marinha e ela será consultada sobre qualquer decisão que envolva as ilhas", diz o capitão de fragata André Luiz Pereira, que representa a Marinha nos grupos de discussão ambiental.
A proposta do parque deve abrir ao turismo um dos pontos mais preservados de ecossistemas marinhos no Brasil. "Pesquisas mostram que essa riqueza de biodiversidade é comparável à do Atol das Rocas", explica a pesquisadora Kelen Leite, do ICMBio. Além do mergulho esportivo, principal atrativo do futuro parque, a observação de aves, golfinhos e baleias fará parte do pacote.
Manejo
Chefe da Estação Ecológica de Tupinambás, unidade de conservação mais rígida mantida no arquipélago, Kelen diz que a demanda de aproveitamento turístico do local é antiga. Ela garante, porém, que o uso sustentável no novo parque não põe em risco a preservação - no total, entre fauna e flora, há 45 espécies ameaçadas de extinção no arquipélago. "Após a aprovação do projeto, haverá a discussão para se definir um plano de manejo que respeite o trabalho que já foi feito.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o projeto do parque está em fase final de aprovação, mas não há previsão para ser colocado em prática.

Hospitais na Síria atenderam 3,6 mil com sintomas neurotóxicos

Oposição síria pediu intervenção internacional diante de "máquina de guerra"
O organização Médicos Sem Fronteiras informou que três hospitais que apoia na Síria atenderam cerca de 3,6 mil pacientes com "sintomas neurotóxicos" na quarta-feira (21), dia do suposto ataque químico em um subúrbio do leste da capital, Damasco.
Deste total, 355 pessoas morreram, acrescentou a MSF.
As declarações reforçam as suspeitas do uso de armas químicas no ataque.
De acordo com a ONG, funcionários de três hospitais em Damasco descreveram um grande número de pacientes com sintomas como convulsões, salivação extrema, pupilas contraídas e problemas de visão.
Muitos pacientes foram tratados com atropina, um medicamento administrado em pacientes com "sintomas neurotóxicos", acrescentou a ONG.
A MSF afirma que não pode confirmar "cientificamente" a causa dos sintomas, mas sugere fortemente o uso de um "agente neurotóxico".
As informações dos Médicos Sem Fronteiras são divulgadas horas depois da chegada a Damasco da chefe de Desarmamento da ONU, Angela Kane, para pressionar o governo a ceder acesso imediato aos inspetores da ONU, no país desde domingo (18), à área do ataque.
Pressão
Neste sábado (24), a França se uniu à Grã-Bretanha ao acusar o governo do presidente Bashar Al Assad pelo ataque com armas químicas na quarta-feira.
Na sexta-feira (23), o presidente americano, Barack Obama, disse, em entrevista à CNN, que está avaliando suas opções e descreveu as alegações do ataque químico na Síria como motivo de "grande preocupação".
Pouco depois das declarações de Obama, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, disse que seu departamento tem a responsabilidade de fornecer ao presidente "opções para todos os tipos de contingência".
— Isto requer posicionar nossas forças e recursos para ser capaz de agir em diferentes situações, qualquer que o presidente escolha.
Autoridades de defesa dos Estados Unidos ainda disseram na sexta-feira que comandantes navais haviam decidido manter temporariamente o navio de guerra USS Mahan no leste do Mar Mediterrâneo, apesar de sua missão na região ter chegado ao fim e a embarcação ter recebido ordens para voltar para casa.
As autoridades ressaltaram que não receberam ordens para se preparar para uma ação militar.

Obama avalia possível resposta militar após suposto ataque químico na Síria

WASHINGTON - As Forças Armadas dos EUA e assessores de segurança nacional apresentaram ao presidente Barack Obama um relatório com uma série de opções para responder à alegada utilização de armas químicas pelo governo sírio, dentre elas a militar. Em nota, a Casa Branca afirmou neste sábado que Obama conversou ao telefone com o primeiro-ministro britânico David Cameron e os dois expressaram "grave preocupação" com os relatos de uso de armas químicas. O presidente se reuniu com seus principais assessores, incluindo o vice-presidente Joe Biden, a conselheira de segurança nacional, Susan Rice, e o diretor da CIA, John Brennan.
"Em coordenação com os parceiros internacionais e consciente das dezenas de relatos de testemunhas e registros dos sintomas dos mortos, o serviço de inteligência dos EUA continua a reunir fatos para verificar o que ocorreu. O presidente também recebeu um leque de potenciais opções para responder ao uso de armas químicas", disse o comunicado.
Obama reluta em intervir na guerra civil que já dura dois anos e meio na Síria, que ele descreveu como um "complexo problema sectário". Há um ano, no entanto, o presidente americano afirmou que a utilização de armas químicas seria uma "linha vermelha" para os Estados Unidos. Agora, ele está sob pressão para tomar medidas.
- Temos diversas opções disponíveis, e nós vamos agir de forma muito deliberada para tomar decisões consistentes com o nosso interesse nacional e com a nossa avaliação do que pode avançar em nossos objetivos na Síria - disse uma autoridade da Casa Branca.
Neste sábado, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que três hospitais próximos a Damasco relataram 355 mortes depois de um suposto ataque químico na última quarta-feira, que levou a 3.600 admissões nos hospitais com sintomas neurotóxicos causados por gás. A oposição acuda as forças do governo de lançaram os gases mortais em subúrbios controlados pelos rebeldes em Damasco, matando homens, mulheres e crianças que dormiam.
Estimativas da oposição para o número de mortos variam de 500 a bem mais que o dobro desse número, mas como observadores da ONU não conseguem visitar o local, não houve uma verificação de órgão independente. O MSF não tem pessoal próprio na região de Damasco, mas tem apoiado os hospitais e redes de médicos no local desde 2012.
Marinha americana reposiciona navio no Mediterrâneo
A Marinha dos EUA reposicionou um navio armado com mísseis de cruzeiro no Mediterrâneo, na sexta-feira. O secretário de Defesa Chuck Hagel disse que Obama pediu ao Pentágono opções sobre a Síria. Fontes do serviço de segurança dos EUA e da Europa disseram na sexta-feira que as agências de inteligência fizeram uma avaliação preliminar de que armas químicas foram usadas pelas forças sírias no ataque perto de Damasco nesta semana.
- Como já foi referido anteriormente, o presidente solicitou à comunidade de inteligência para reunir fatos e provas, para que possamos determinar o que ocorreu na Síria. Uma vez que apurar os fatos, o presidente vai tomar uma decisão sobre como responder - disse um funcionário da Casa Branca.