Os
interesses geopolíticos regionais têm contribuído de forma crucial para
aumentar a intensidade da guerra civil síria, avalia o brasileiro Paulo
Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão Internacional Independente de
Inquérito sobre a Síria, instaurada pela ONU para investigar e registrar
violações de direitos humanos no conflito do país árabe, que está
prestes a completar dois anos.
De acordo com o diagnóstico feito pelo
diplomata, a maioria dos 60 mil mortos são civis que sequer estão
engajados em qualquer um dos dois lados do conflito.Nesta segunda-feira, a comissão divulgou relatório citando o agravamento, o sectarismo e a crescente militarização do conflito na Síria, com "novos níveis de violência" perpetrados pelos dois lados (rebeldes antigoverno e forças aliadas ao regime do presidente Bashar al-Assad).
Em entrevista coletiva telefônica realizada nesta segunda-feira, intermediada pela ONG de direitos humanos Conectas, Paulo Sérgio Pinheiro disse que a Síria "se tornou um campo de embate de forças geopolíticas" externas, ainda que a natureza do conflito seja de uma guerra civil.
A presença de combatentes estrangeiros cresceu dos dois lados da guerra, ainda que estes sejam uma minoria, e armas contrabandeadas se proliferam na Síria. Sem citar países, Pinheiro diz que é equivocado fornecer armas a rebeldes estrangeiros, porque isso cria "a ilusão de que se derrotaria mais rápido o governo sírio".
"A ideia de vitória (armada) dos rebeldes é simplesmente a prorrogação do conflito."
Interesses externos
Pinheiro (que também acaba de assumir a coordenação da Comissão da Verdade sobre crimes da ditadura brasileira) diz que há uma escalada no conflito sírio, com relatos de massacres, tortura, estupros e outros crimes de guerra sendo cometidos pelos dois lados, ainda que em maior escala pelas forças aliadas ao governo Assad.A maioria das vítimas são civis, e os enfrentamentos deixaram também 2 milhões de refugiados internos e quase 700 mil externos.

Paulo Sérgio Pinheiro preside comissão de inquérito da ONU para a Síria
"(O aumento no número de mortos na Síria) deveria ser um chamado a uma ação urgente do Conselho de Segurança, que tem responsabilidade fundamental", diz Pinheiro.
A Rússia, uma das principais aliadas de Damasco, é também fornecedora de armas ao país. Moscou justifica seus vetos alegando que sanções abririam espaço para uma intervenção militar externa na Síria.
O conflito envolve outras forças regionais. Nesta segunda-feira, oposicionistas sírios acusaram o grupo xiita libanês Hezbollah de bombardear aldeias sírias. O Hezbollah é um dos principais integrantes da coalizão que governa o Líbano e é fortemente apoiado pelo Irã, um aliado próximo de Assad.
No lado oposto, há relatos também de bombardeios turcos e israelenses a alvos militares sírios.
Solução 'política'
Para o diplomata brasileiro, "é uma ilusão achar que há uma solução militar para a Síria".Seu relatório defende a via política como única solução - apesar dos poucos avanços da ONU em estabelecer uma negociação -, prega um embargo de armas na Síria e ressalta que a oposição, fragmentada, permanece incapaz de designar uma liderança.
No que diz respeito à responsabilização dos perpetradores dos crimes contra a humanidade, o relatório diz que uma lista com nomes de indivíduos e grupos suspeitos será enviada em março à Comissão de Direitos Humanos da ONU.
Pinheiro ressalta que a lista é confidencial, já que sua comissão não tem poder judicial, mas diz que ela inclui representantes dos dois lados do conflito e membros da alta hierarquia do governo sírio.
"Um dia essa lista terá utilidade no processo judicial (contra os perpetradores), em âmbito nacional ou internacional."
na minha opinião a solução mandar força militar contra o governo de bashar al-assad.
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