Na noite de ontem, Gushiken reuniu em seu quarto José Dirceu, Aloizio Mercadante e dirigentes sindicais para fazer balanço de sua vida e do PT
O ex-ministro Luiz Gushiken morreu no início da
noite de hoje, aos 63 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo,
onde estava internado em estado grave por causa de um câncer.
Gushiken nasceu no município de Osvaldo Cruz (SP) em
8 de maio de 1950. Em 1970, tornou-se escriturário do Banco do Estado
de São Paulo (Banespa). Começou a militar na tendência Liberdade e Luta
(Libelu), braço estudantil da OSI (Organização Socialista
Internacionalista), de orientação trotskista. Em 1978 tornou-se
representante dos bancários no Banespa e, a partir de 1979, passou a
ocupar cargos na diretoria do Sindicato dos Bancários de São Paulo. No
final do ano, formou-se em administração de empresas pela Fundação
Getulio Vargas.
Em 1982 tornou-se secretário-geral do sindicato e,
em 1985, presidente da categoria. Nesse mesmo ano, liderou uma greve
nacional de três dias que paralisou 700 mil bancários. Em 1980,
participou da fundação do PT (Partido dos Trabalhadores) e, em 1983, da
CUT (Central Única dos Trabalhadores). Em 1986 foi eleito membro do
Diretório Nacional do PT e, em novembro, foi eleito deputado federal
pelo PT de São Paulo.
No final de 1986, deixou a presidência do Sindicato
dos Bancários e, no ano seguinte, assumiu uma cadeira de deputado no
Congresso Constituinte, que promulgou a Constituição de 1988. Em 1989
tornou-se presidente nacional do PT e coordenou a campanha de Lula à
Presidência, que terminou em segundo lugar no pleito. Deixou a
presidência do partido em 1991. Em 1992, apoiou o impeachment do
presidente Fernando Collor (PRN).
Reeleito deputado federal em 1994, em 1998 desistiu
de disputar novo mandato para coordenar outra campanha de Lula à
Presidência. Depois, montou uma empresa de consultoria para a área de
previdência. Em 2002, após a eleição de Lula, tornou-se
coordenador-adjunto da equipe de transição e foi nomeado ministro da
Secretaria de Comunicação de Governo.
Em 2005, foi acusado pelo ex-dirigente do Banco do
Brasil Henrique Pizzolato de ter influído nas decisões de investimentos
de cinco fundos de pensão ligados a estatais, que contrataram a
Globalprev Consultores Associados, que pertencia a dois ex-sócios de
Gushiken. Gushiken negou as acusações. Deixou a Secretaria de
Comunicação e perdeu o status de ministro, assumindo a função de chefe
do Núcleo de Assuntos Estratégicos.
Em novembro de 2006, pediu demissão do Núcleo de
Assuntos Estratégicos da Presidência afirmando que as acusações se
transformaram em `prova de culpa`. `Os aspectos deletérios daquela
crise [do mensalão] também não podem ser esquecidos. Na voragem das
denúncias abalou-se um dos pilares do Estado de Direito, o da presunção
de inocência, uma vez que a mera acusação foi transformada no
equivalente à prova de culpa`, afirmou o petista na carta. Afastou-se
da política.
Em 2008, com uma crise de angina, colocou um stent
no coração no hospital Sírio-Libanês. Em 2012, foi inocentado pelo
Supremo Tribunal Federal. VisitasGushiken chamou amigos para visitá-lo
no hospital Sírio-Libanês. Internado em estado grave por causa de um
câncer, mas lúcido, ele próprio ministrava as doses de morfina para
controlar a dor e decidia quando ficava acordado para conversar com os
antigos companheiros. José Genoino o visitou na quarta.
Na noite de ontem, Gushiken reuniu em seu quarto
José Dirceu, Aloizio Mercadante e dirigentes sindicais como o
presidente da CUT, Vagner Freitas. Calmo, fez um balanço de sua vida e
do PT. Segundo um dos presentes, disse que o julgamento do mensalão é
uma `fase heroica` do partido, que em sua opinião estaria sofrendo um
ataque sem precedentes.
De acordo com a mesma testemunha, Gushiken deu uma
`lição de política e uma aula sobre a vida. Demonstrou não ter mágoa,
tristeza nem remorsos`. No fim da visita, emocionados, todos tiraram
fotos ao lado do ex-ministro. Um cinegrafista registrou toda a cena para
um documentário que está fazendo sobre Gushiken.
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