O prefeito de Moscou, Serguei Sobianin, um partidário do presidente
russo Vladimir Putin, conta com grandes possibilidades de ser reeleito,
mas o resultado do candidato opositor Alexei Navalny nas eleições
municipais moscovitas neste domingo foi superior ao esperado.
Sobianin foi reeleito com 53,1 % dos votos, segundo pesquisas de boca
de urna, mas Navalny, que havia garantido iria para um segundo turno na
eleição municipal da capital russa, ficou com 21,6%, apuradas 21,5% das
urnas.
Uma pesquisa de boca de urna da Fundação de Opinião Pública deu a
Sobianin 52,5% dos votos e 29,1% para Navalny. Uma outra pesquisa, do
Instituto Vtsiom, apontou 53% e 32%, respectivamente.
O candidato comunista Ivan Melnikov ficaria em terceiro lugar.
No entanto, a equipe de campanha de Navalny afirmou que dispõe de outras pesquisas que indicam que haverá um segundo turno.
"Agora mesmo, Sobianin e seu principal partidário Vladimir Putin
estão decidindo se haverá uma eleição relativamente limpa e um segundo
turno ou não", afirmou Navalny a seus simpatizantes.
Esta eleição era considerada um termomêtro para medir o
descontentamento dos habitantes de Moscou, em uma cidade que foi cenário
de manifestações em massa contra Putin no inverno europeu de 2011-2012.
A participação nas municipais de Navalny, 37 anos e blogueiro
anticorrupção que liderou os protestos contra o regime russo, muda o
panorama em um país onde a oposição está marginalizada há dez anos.
Condenado em julho passado a cinco anos de prisão sob a acusação de
peculato, Alexei Navalny foi preso e libertado contra todas as
probabilidades de apelação pelo tribunal, o que lhe permitiu se
candidatar à prefeitura de Moscou.
O opositor, que liderou uma campanha muito ativa nas ruas e na
internet, subiu significativamente nas pesquisas de opinião com 18% das
intenções de voto, mas permanecia muito atrás do atual prefeito,
creditado com 58% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa
Centro Levada.
O opositor mobilizou milhares de voluntários e mais de 100 milhões de
rublos (3 milhões de dólares) em doações, pois vários chefes de
pequenas em presas manifestaram publicamente seu apoio a ele.
O famoso economista Serguei Guriev, recentemente refugiado na França, é o autor de seu programa econômico.
Navalni, que tem como lema "não roubar, não mentir", prometeu no
passado prender Putin e seus assessores, que foram alvo de várias de
suas investigações anticorrupção.
Sobyanin, por sua vez, um gestor eficaz, mas sem carisma, fez
campanha em um estilo diferente, recusando-se a participar de debates.
Ele intensificou seus esforços para atrair os eleitores, criando um
sistema de serviço de bicicletas e grandes projetos de renovação no
centro histórico.
Nomeado pelo Kremlin em 2010 por decreto após o afastamento de seu
antecessor, Yuri Luzhkov, ele convocou uma eleição antecipada.
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