O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou atrás pela
segunda vez e decidiu manter o desconto no salário dos servidores que
ganham acima do teto constitucional. Na semana passada, ele havia
determinado a suspensão do abatimento na folha de pagamento deste mês
até que o Tribunal de Contas da União (TCU) se manifestasse sobre um
recurso que pede a não devolução dos valores.
Segundo a
assessoria de imprensa do Tribunal, para que a decisão de devolução,
tomada pelo pleno, seja suspensa, é necessário que o ministro-relator do
recurso, José Múcio, se manifeste a respeito do cabimento do pedido.
Nesse caso, a determinação para que o Senado devolva os cerca de R$ 300
milhões pagos acima do teto não está suspensa.
O Ministério
Público junto ao TCU, autor do pedido de revisão da decisão, contudo,
alega que um artigo do Regimento Interno do Tribunal determina a
suspensão imediata a partir de apresentação de recurso. O TCU ainda não
se manifestou sobre as contradições.
A decisão de manter os
descontos será submetida aos demais servidores que compõem a Mesa
Diretora em reunião prevista para esta quarta-feira, 16. "Enquanto não
houver uma decisão contrária, nós vamos mandar a implementação da
decisão do Tribunal de Contas da União, do desconto, inclusive, de
acordo com aquelas regras da lei, segundo as quais só pode descontar até
10% do salário por mês", afirmou Renan no Senado.
A polêmica da
devolução dos valores acima do teto constitucional - o valor máximo pago
ao funcionalismo público hoje está em R$ 28.059,29, equivalente ao
salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - teve início há
quase um mês, quando o TCU determinou que o Senado pagasse os quase R$
300 milhões em valores acima do limite em benefício de 464 funcionários.
De imediato, Renan afirmou que caberia aos próprios servidores com
altos salários bancarem os valores que superarem o teto.
A reação
foi imediata. O Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal
(Sindilegis) anunciou que vai entrar na Justiça contra a decisão,
alegando boa-fé dos funcionários, que não têm controle sobre seus
salários. A devolução deveria caber, na visão deles, ao Senado.
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