quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Idoso morre após tiroteio em favela pacificada no Rio; moradores acusam policiais

PM vai investigar se disparos foram feitos por policiais da UPP de Manguinhos.
Um idoso morreu após tiroteio na comunidade do Mandela, em Manguinhos, zona norte do Rio, na madrugada desta quinta-feira (19). Segundo moradores, o confronto começou após policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) Arará/Mandela tentarem apreender um menor de idade na entrada da favela. Os moradores teriam pedido para que os agentes esperassem a mãe do adolescente chegar antes de ele ser encaminhado para a delegacia.
De acordo com os moradores, houve confusão e os policiais atiraram para o alto para dispersar. Um dos disparos teria atingido José Joaquim Santana, de 81 anos. O corpo do homem foi levado para o IML (Instituto Médico Legal) por volta das 2h.
Segundo a PM, a ação começou quando os agentes abordaram três suspeitos em uma região localizada como Predinhos. Após revista, policiais encontraram uma quantidade não contabilizada de maconha com um dos suspeitos. Enquanto o homem era encaminhado para a viatura, moradores teriam jogado pedras contra os policiais da UPP para impedir a ação.
A corporação informou que, durante a confusão, os agentes utilizaram gás de pimenta para conter a ação dos moradores que continuavam atirando pedras e caminhando na direção da avenida Leopoldo Bulhões. Os policiais ouviram tiros e em seguida encontraram o idoso com um tiro na cabeça.
De acordo com a polícia, um procedimento foi aberto pelo comando da UPP Arará/Mandela para investigar se os disparos foram feitos por policiais da UPP. O comandante da unidade, capitão Paulo Ramos, colocou as armas dos policiais à disposição para uma perícia. Durante o confronto, quatro policiais tiveram ferimentos leves, foram socorridos e passam bem.
Após a morte, moradores fizeram um protesto na avenida Leopoldo Bulhões. O policiamento foi reforçado na comunidade com efetivo de diversas UPPs da região.
O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios (DH).
Cinco anos de UPP
Fincado na promessa de segurança, cidadania e inclusão social, o projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) completa cinco anos nesta quinta-feira (19). Segundo o governo do Rio de Janeiro, são 252 territórios tomados das mãos do tráfico de drogas, 1,5 milhão de pessoas beneficiadas — em uma área de quase 9.500.000 m² — e mais de 9.000 policiais militares escalados para manter a paz onde o crime ditou regras por décadas. O número de homicídios, de acordo com o ISP (Instituto de Segurança Pública), caiu 30% na capital e 65% nas regiões pacificadas. As 36 unidades já instaladas, porém, não se alimentam só de boas notícias. Na contramão das promessas de paz, episódios mancharam a era das UPPs.
Para marcar os cinco anos da política de pacificação, o R7 levantou cinco questões-chave para serem discutidas por especialistas em segurança pública e pelo secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame.

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