As integrantes da banda punk Pussy Riot Maria Alyokhina e
Nadezhda Tolokonnikova afirmaram nesta sexta-feira que não mudaram de
opinião sobre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, após ele ter
concedido uma anistia que permitiu a elas deixar a prisão.
Na primeira entrevista após deixarem a cadeia, integrantes da banda
punk criticam o presidente da Rússia e a Igreja Ortodoxa. Elas pretendem
fundar uma organização para lutar por melhores condições nas prisões.
Numa entrevista à imprensa em Moscou, elas disseram que esperam ver
Putin fora do poder. As ativistas voltaram a afirmar que a anistia
concedida pelo governo é apenas uma ação de marketing.
- No que diz respeito a Vladimir Putin, a nossa posição não mudou.
Nós queremos continuar fazendo aquilo pelo que fomos presas. Continuamos
querendo afastá-lo do poder – disse Tolokonnikova durante a primeira
entrevista coletiva à imprensa após a libertação, ocorrida na
segunda-feira.
Tolokonnikova descreveu Putin como fechado, intransparente e chekist,
termo usado na antiga União Soviética para membros do serviço secreto.
Alyokhina criticou o sistema político construído pelo ex-agente da KGB
na última década. “Há conspirações e suspeitas constantes”, disse.
As ativistas declaram também que gostariam que o ex-magnata do
petróleo e oposicionista Mikhail Khodorkovsky, libertado na semana
passada, fosse candidato à presidência. Khodorkovsky passou mais de dez
anos na prisão, acusado de sonegação de impostos e fraude. No Ocidente e
entre a oposição russa, a prisão dele era vista como politicamente
motivada.
Propaganda política
Além de reafirmar sua posição oposicionista, Tolokonnikova declarou
que a anistia concedida a presos na última semana não passa de uma ação
de marketing para melhorar a imagem da Rússia, que sediará em fevereiro
os Jogos Olímpicos de Inverno.
- O degelo nada tem a ver com humanismo. As autoridades só fizeram
isso por causa da pressão da sociedade russa e ocidental – afirmou
Tolokonnikova, acrescentando que teme que, depois dos Jogos Olímpicos, a
repressão aumente no país.
A cantora defendeu um boicote aos Jogos. “Gostando ou não, participar
dos Jogos na Rússia é uma aprovação da situação interna na Rússia, é um
consentimento com o curso tomado por uma pessoa que está interessada
sobretudo nos Jogos: Vladimir Putin.”
Durante a coletiva, as ativistas também comentaram a sua prisão.
Alyokhina acusou a Igreja Ortodoxa Russa de ter um papel fundamental na
prisão das músicas. As duas colegas, além da outra integrante do grupo,
Yekaterina Samutsevich, libertada em outubro do ano passado por
determinação da justiça, cumpriam pena por terem cantado uma oração
contra Putin numa catedral ortodoxa.
A banda foi acusada de vandalismo motivado por ódio religioso. A
soltura de Tolokonnikova e Alyokhina era prevista para março de 2014,
mas ambas foram beneficiadas pela anistia concedida pelo governo a
diversos presos nesse mês.
Futuro na oposição
As ativistas disseram que pretendem permanecer na Rússia e afirmaram
que agora focarão suas energias na luta por melhores condições nas
prisões do país. “Nas prisões russas há pessoas que estão à beira da
morte”, disse Alyokhina.
As duas pretendem fundar, com doações, uma organização que será a voz
dos prisioneiros. Tolokonnikova também declarou que trabalhará com o
blogueiro e líder da oposição Alexei Navalny.
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