Relatório indica que mais de 73 mil pessoas morreram no país em razão da guerra no ano passado.
O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) informou nesta
quarta-feira (1º) que 73.455 pessoas, dentre elas 34.012 civis, morreram
no país em 2013, como consequência do conflito armado deflagrado em
março de 2011.
O OSDH, que tem sede em Londres, é o principal grupo de oposição
política ao presidente sírio Bashar al Assad —que comanda o país há 13
anos, mas enfrenta forças rebeldes há quase três anos.
Em comunicado, a entidade aponta que entre as vítimas estão 3.673 menores de idade, além de 2.805 mulheres maiores de 18 anos.
Do total, 11.576 vítimas eram combatentes rebeldes e 20.519 eram membros das forças de segurança sírias.
Entre os mortos também estão 6.542 combatentes de grupos radicais islâmicos que apoiam a oposição ao regime do país árabe.
Decapitações, estupros e tortura: a humanidade foi esquecida na Síria
Alguns desses grupos radicais, inclusive ligados à rede terrorista Al Quaeda, eram de nacionalidade estrangeira.
O restante das vítimas, sírios e provenientes de outros países, são
milicianos pró-regime, membros de grupos como a Força de Defesa Nacional
e o xiita libanês Hezbollah.
No comunicado divulgado hoje, o Observatório Sírio de Direitos Humanos
voltou a pedir que se transfiram os julgamentos das violações de
direitos humanos no país para o Tribunal Penal Internacional.
Cumplicidade internacional
O OSDH acusou "a comunidade internacional de ser cúmplice do
derramamento de sangue na Síria" em razão de uma "séria falta de ação"
para deter o conflito.
"2013 foi o ano mais sangrento desde o início da revolução" em 15 de
março de 2011, com "73.455 mortos" dos quais mais de 22 mil civis,
afirmou Rami Abdel Rahmane, diretor da OSDH.
— A comunidade internacional não se mobilizou de forma séria para deter
o massacre que continua acontecendo na Síria, e se contentou com
condenações. Ela se concentrou, nos últimos meses, na questão do
desarmamento químico após o massacre com gases tóxicos de 21 de agosto
nas proximidades de Damasco (...) e ignorou dezenas de massacres nos
quais milhares de sírios morreram, entre eles crianças e mulheres.
Um acordo russo-americano prevendo a destruição deste arsenal evitou
ataques militares americanos à Síria, em represália ao ataque químico
assassino que Washington atribui às tropas de Assad. O presidente acusa a
oposição de ter forjado o massacre.
A guerra continua a causar estragos na Síria a exatos 22 dias da
conferência de paz para tentar solucionar o conflito, em Genebra.
Nesta quarta-feira, o regime fez um ataque aéreo nos setores rebeldes
de Aleppo, matando pelo menos cinco pessoas nesta metrópole, atingida
por "barris de explosivos" lançados de aviões desde o último 15 de
dezembro, segundo a OSDH.
Na terça-feira, um míssil lançado pelo Exército em um ônibus de Aleppo matou pelo menos 17 pessoas, de acordo com a ONG.
Pacífica no início, a revolta se transformou numa guerra civil após ter
sido brutalmente reprimida. Desertores e civis que pegaram em armas
formaram uma coalizão rebelde antes de serem rapidamente cooptados por
grupos jihadistas.
Desde o início do conflito, mais de 130 mil pessoas morreram, sendo 66 mil civis, garante a mesma ONG.
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