As Nações Unidas apelaram à libertação de todos os prisioneiros políticos detidos em Dezembro no início da rebelião contra o Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, como uma primeira etapa para a negociação de um acordo de cessar-fogo entre as facções étnicas envolvidas em combates naquele país.
“Falei com o Presidente
Salva Kiir mais uma vez e exortei-o a demonstrar a sua liderança e
flexibilidade através da libertação imediata dos prisioneiros
políticos”, informou o secretário-geral da Organização das Nações
Unidas, Ban Ki-moon.
“Na encruzilhada em que o país se encontra
actualmente, a única forma de resolver a crise é na mesa de negociações,
e peço encarecidamente aos dois campos que participem nesse processo de
boa fé”, acrescentou Ban, citado pela AFP.As equipas negociais que representam o Governo de Salva Kiir, e o grupo de combatentes afecto ao ex-vice-presidente Riek Machar que se rebelou contra o regime continuam reunidas em conversações na capital da Etiópia, Addis Abeba. Os dois intervenientes têm uma longa rivalidade política e também étnica – o Presidente pertence à maioria dinka, enquanto Machar é nuer.
As negociações foram suspensas neste sábado de manhã, para que as duas delegações pudessem apreciar uma proposta de tréguas apresentada pelos países da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), um bloco económico que agrega os oito países da costa leste africana.
O projecto de acordo prevê a “cessação de toda a acção militar contra o outro campo” e estabelece os termos para o fim das operações em curso e o congelamento da actividade das duas facções. Os mediadores propõem a constituição de um organismo civil que terá a responsabilidade de vigiar o respeito pelo cessar-fogo, e define os corredores para o transporte da “ajuda urgente” para as populações deslocadas por causa dos combates.
Indiferentes às discussões políticas na Etiópia, as forças governamentais e os rebeldes do chamado Exército Branco (nuer) prosseguem as suas campanhas no terreno, com o regime a concentrar tropas nos arredores de Bor para recuperar aquela cidade estratégica que foi tomada pela oposição. A cerca de 200 quilómetros da capital, Bor é a maior cidade do estado de Jonglei, uma das áreas mais ricas em recursos petrolíferos do país, que só se tornou independente em 2011.
De acordo com as agências internacionais, o Exército recuperou a iniciativa nos últimos dias, tendo assegurado o controlo de Bentiu, um outro importante ponto petrolífero no estado de Unité, na sexta-feira, antes de marchar para Bor.
Num contacto telefónico com a AFP, o ex-vice-presidente Riek Machar confirmou a retirada dos combatentes rebeldes de Bentiu, que segundo explicou só aconteceu para “evitar confrontos de rua e salvar vidas humanas”. “Mas continuaremos o nosso combate, a batalha não acabou”, acrescentou.
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