Milhares de manifestantes defensores da democracia se concentraram na
noite deste sábado em frente à sede do governo de Hong Kong, na
tentativa de manter uma campanha de desobediência civil cada vez mais
tensa, que reivindica maiores liberdades políticas de Pequim.
Os manifestantes, equipados com as proteções necessárias diante
do risco de a polícia vir a usar spray de pimenta, se amontoaram diante
das portas do complexo, onde 74 pessoas foram detidas.
Várias fileiras de policiais tentaram repelir os presentes com
escudos anti-distúrbios, depois de ter retirado dezenas de pessoas que
entraram no complexo na noite de sexta-feira, em protesto contra a
recente decisão de Pequim de limitar o sufrágio universal para as
eleições de 2017, em Hong Kong.
O grupo de defesa da democracia Occupy Central anunciou, durante o
protesto, a antecipação do seu plano de reunir milhares de ativistas e
tomar partes chave do distrito financeiro da cidade.
Esta ação estava prevista para 1º de outubro, mas durante um
discurso em meio ao protesto, na primeira hora de domingo (hora local), o
cofundador do grupo Benny Tai disse: "o Occupy Central começa agora".
Os organizadores executaram canções e discursaram sob os aplausos
dos manifestantes, que montaram postos de primeiros socorros e pontos
de reciclagem e distribuição de água, comida e equipamentos de proteção.
Grupos estudantis lideram uma campanha de desobediência civil esta semana.
A polícia retirou, neste sábado, 50 manifestantes que ocupavam
desde a véspera a sede do governo de Hong Kong, para protestar contra a
decisão de Pequim de manter sob controle estrito a eleição dos líderes
do território.
Na sexta-feira, mais de duas mil pessoas protestaram, muitas
delas estudantes secundaristas e universitários, antes que 150 personas
invadiram o complexo governamental de Hong Kong.
A ação de sexta-feira encerrou uma semana de protestos, iniciados
na segunda-feira, quando 13.000 estudantes se reuniram em um campus no
norte da cidade, segundo os organizadores.
Em um comunicado, o governo "lamentou" a invasão do complexo
governamental e informou a ocorrência de pessoal de segurança, agentes e
manifestantes feridos, sem dar maiores detalhes.
As ações deviam ter sido encerradas na sexta-feira, mas o anúncio
do Occupy Central dá a entender que a campanha de desobediência civil
prosseguirá por algum tempo.
Em agosto, a China anunciou que o futuro chefe do executivo local
seria eleito por sufrágio universal a partir de 2017, mas entre dois ou
três candidatos selecionados por um comitê sob a autoridade de Pequim.
Desde que o Reino Unido devolveu Hong Kong à China, em 1997, o
território é regido pelo acordo "um país, dois sistemas", que dá maiores
liberdades civis, entre elas a liberdade de expressão e protesto.
Em julho, meio milhão de manifestantes foram às ruas de Hong Kong
para protestar contra a crescente influência de Pequim nos assuntos da
cidade.
Para o analista político Sonny Lo, esta última campanha marcou uma virada.
"A partir de agora, haverá mais confrontos, talvez violentos, entre a polícia e os cidadãos", afirmou à AFP.
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