A "dracma" é a moeda antiga da Grécia cujo nome pode ser traduzido como "punhado" - o que é muito menos do que o país vai precisar para pagar suas dívidas.
Por dois anos, todos vêm se perguntando sobre o que pode acontecer se a Grécia deixar o euro e retornar à dracma.Mesmo tendo reduzido seus débitos pela metade, a Grécia ainda é vítima de um forte movimento de protestos contra a austeridade. Além disso, terá que lidar com cinco anos de recessão e uma política de austeridade severa imposta pelo plano de resgate internacional.
No começo do mês, a maioria dos gregos votou em partidos que querem rasgar o acordo de resgate firmado pelo país com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Esses partidos incluem até agremiações de tendências neonazistas.
Mas a maior vencedora foi a coalizão de esquerda contrária ao resgate internacional, Syriza, cuja votação mais que triplicou. Para o grupo, a austeridade imposta pela comunidade internacional é "bárbara". Se o partido for dominante no próximo governo grego, o país não aceitará o plano de resgate internacional, abrindo o caminho para que a Grécia abandone o euro.
Logística
Então, como a Grécia pode deixar o euro?Não existe um mecanismo para se abandonar apenas o euro. Os acordos que criaram a moeda em 1999 nunca contemplaram esta possibilidade.
Para deixar a zona do euro, o país precisa abandonar a União Europeia como um todo, uma opção que só foi acrescentada no arcabouço legal do bloco em 2007, com a assinatura do Tratado de Lisboa.
Abandonar o bloco é um processo razoavelmente simples: basta notificar o Conselho Europeu - formado pelos Chefes de Estado do bloco - que o país quer sair. Os termos da saída são votados por maioria pelo Conselho.
Sair da União Europeia não seria o fim do mundo para os gregos. Islândia, Liechtenstein e Noruega não fazem parte do bloco e conseguem bons termos de comércio por pertencerem à Área Econômica da Europa. A Suíça sequer faz parte deste grupo, e mesmo assim tem boas relações comerciais com o bloco.
Mas caso o país venha a abandonar a União Europeia, ele precisa montar a logística para voltar a imprimir uma moeda nacional.
Segundo a empresa britânica De La Rue, que imprime desde a libra esterlina ao novo dinar, usado no Iraque, esse tipo de operação não é nada simples.
"O padrão de vida seria muito atingido. Pode parecer uma opção atraente, mas os custos de curto-prazo seriam enormes."
Peter Dixon, economista
"A nova moeda cairia para um valor mínimo, com inflação explodindo", diz o economista Peter Dixon, do banco alemão Commerzbank.
Além disso, a volta da dracma causaria uma série de disputas legais, já que contratos como hipotecas teriam que ser renegociados. Para o economista, a volta da moeda nacional grega teria consequências ainda piores.
"O padrão de vida seria muito atingido. Pode parecer uma opção atraente, mas os custos de curto-prazo seriam enormes."
A desvalorização da moeda também desagradaria credores internacionais com papéis gregos atualmente denominados em euro, já que eles sofreriam mais perdas. Para impedir uma fuga de dinheiro, a Grécia teria que impor controle de capitais nos seus mercados, como a Malásia fez em 1998 durante a crise asiática.
Ainda no melhor dos cenários, os gregos teriam praticamente nenhum poder de compra.
Lições do passado
Mas a ideia por trás disso é que uma moeda fraca possibilitaria a Grécia de voltar a crescer.O exemplo mais lembrado é o da Argentina, que em 2001 decretou a moratória de US$ 102 bilhões em uma época em que a moeda nacional era vinculada ao dólar.
Em 2005, a Argentina convenceu 76% dos seus credores a aceitar receber menos pelas dívidas do país.
Mas a Argentina passou por anos de condições econômicas difíceis. E ainda hoje o país não consegue recorrer aos mercados internacionais para tomar empréstimos.
Outro cenário lembrado é o da Islândia, que em 2008 viu uma corrida aos bancos, depois de um colapso do sistema financeiro nacional.
A moeda islandesa - o krona - perdeu mais da metade do seu valor em apenas um verão. O país tinha taxa de juros de 15% e inflação de 14%.
Para o economista do Commerzbank, a melhor comparação que se pode fazer com o caso grego é a divisão da Tchecoslováquia, em 1993. A moeda do país foi dividida em duas moedas distintas, inicialmente com a mesma paridade. Posteriormente, cada moeda flutuou de formas diferentes.
Neste cenário, as pessoas tiveram tempo para se reajustar ao novo conceito.
Há finalmente o risco de tudo dar muito certo. Neste caso, o que acontecerá com as moedas europeias, em tempos de eleições? Veremos o retorno do escudo português ou do peso espanhol?
isso e uma suposição
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