segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ensinar os filhos em casa ganha força no Brasil e gera polêmica

Fotos Mariana Della Barba/BBC Brasil
Uma nova batalha vem sendo travada dentro e especialmente fora das salas de aula do Brasil. A polêmica gira em torno da chamada educação domiciliar, em que famílias optam por ensinar seus filhos na própria casa e não na escola.
De um lado da trincheira estão pais que defendem o direito de eles próprios - e não o Estado - decidirem como e onde os filhos serão educados. Ao se dizerem insatisfeitos com o sistema educacional do país, eles mostram aprovações dos filhos em exames como o Enem para corroborar a eficácia da educação domiciliar.
No outro lado da disputa estão o governo e alguns juristas alegando que tirar uma criança da escola é ilegal, além de alguns educadores, que criticam a proposta, especialmente com argumento de que essa prática colocaria as crianças em uma bolha.
Mais sedimentado em países como os Estados Unidos, o homeschooling (como também é conhecido pela expressão em inglês) vem ganhando fôlego no Brasil. Segundo a Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), há mil famílias associadas no grupo. Mas Ricardo Iene, cofundador do órgão, calcula que, pela quantidade de e-mails que recebe, sejam mais de 2 mil famílias educando seus filhos em casa no Brasil.
Clique Leia mais: Educação domiciliar cresce nos EUA
O movimento também está conquistando espaço na esfera política. No próximo dia 12, haverá uma audiência pública em Brasília para discutir o tema, na Comissão de Educação e Cultura da Câmara. Na pauta, estará também o Projeto de Lei (PL) do deputado Lincoln Portela (PR-MG), que autoriza o ensino domiciliar.
Advogados da Aned veem na própria Constituição brechas que defendem o direito da família de educar seus filhos (veja box), mas a associação acredita que uma lei específica daria mais segurança aos pais que optam por esta modalidade de ensino.

Por que em casa?

"Quando meu filho tinha 7 anos, um garoto da escola, que tinha 10 anos, batia nele e o perseguia por causa do nosso sotaque baiano", conta Ricardo Iene, cofundador da Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), que é natural da Bahia, mas mora em Belo Horizonte (MG) há cinco anos. "Também havia um garoto que ficava assediando milha filha."
Ricardo tirou os filhos Guilherme e Lorena da escola por estarem sofrendo bullying
"Fui várias vezes na escola, reclamar, conversar, tentar resolver esses problemas. Mas nunca adiantou."
O bullying foi um dos motivos que, há três anos, influenciou Ricardo a tirar da escola, Guilherme, de 13 anos, e Lorena, de 15 anos. Mas certamente não foi a única motivação. Tanto para o publicitário que vive em BH como para outros pais ouvidos pela BBC, é sempre um conjunto de fatores que o impulsionam a tomar essa decisão.
Mas um deles parece estar sempre presente: o desejo de estar mais envolvidos e presentes na criação dos filhos.
Clique Leia mais: Mães relatam rotina de ensino domiciliar em apartamento de SP
"Vemos crianças hoje em dia que entram na escola às 7 da manhã e ficam até bem depois das 17h ou 18h, porque elas ficam fazem balé, natação e várias outras atividades. Além da agenda cheia como a de um adulto dessas crianças, mal sobra tempo para o convívio familiar", diz M.L.C, mãe de 4 filhos, todos em homeschool, que não quis se identificar por temor de ser denunciada.

Limbo jurídico

Se, no campo da educação, há uma disputa de argumentos pró e contra o homeschool, na campo jurídico ela é ainda mais acirrada.
O governo afirma que a prática é ilegal. Consultado pela BBC, o Ministério da Educação respondeu: "O MEC entende que a proposta de ensino domiciliar não apresenta amparo legal, ferindo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a LBD (Lei de Diretrizes Básicas) e a própria Constituição Federal."
De acordo com a LDB, "é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 anos." O ECA afirma que "pais e responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino". E o artigo 246 do Código Penal traz detalhes do que chama de abandono e intelectual, para os casos de quem deixa de prover instrução.
No entanto, advogados de famílias que praticam educação domiciliar citam interpretações na lei e lacunas jurídicas que, segundo eles, tiram a prática da ilegalidade.
"Segundo a Constituição, a educação é direito de todos e dever do Estado e da família", diz Alexandre Magno, diretor jurídico da Aned. "Então, o que está na Constituição se sobrepõe sobre o ECA e a LDB. Portanto, se os pais têm o dever de prover educação, têm soberania e liberdade para poderem escolher entre delegar a instrução para uma escola ou eles próprios se incumbirem disso."
Esse limbo jurídico também é reforçado por exames como o Encceja (Ensino Fundamental) e o Enem (Ensino Médio), que certifica alunos que completarem um determinada pontuação mesmo se não apresentarem diplomas das escolas. Algo que, para Alexandre, seria um aval para a educação domiciliar.
Ricardo também sentia falta do envolvimento de outros pais quando frequentava as reuniões na escola dos filhos, tanto das instituições públicas como das particulares. "Muitos pais nem participavam. E aí, ficava ainda mais difícil melhorar a situação da escola."
Outro ponto que impulsionou o publicitário e outras famílias a optarem pelo homeschool é o fato de não concordarem com alguns valores morais passados na escola. Ricardo diz que ele e outros associados da Aned costumam se incomodar especialmente com a abordagem de temas como sexo e homossexualidade.

Vivendo em uma bolha?

Mas se do lado dos pais praticantes da educação domiciliar só se ouve elogios do tipo "agora meu filho aprende e não apenas decora", do lado dos educadores, o que se vem são dúvidas e críticas. Muitas críticas.
"Se os pais estão insatisfeitos com a escola, há muitas outras alternativas antes de se colocar o filho em uma bolha", afirma a educadora Silvia Colello, professora de Psicologia da Educação e outras disciplinas da Faculdade de Educação da USP.
"Além do mais, qual a lição subliminar que se está passando ao filho ao tirá-lo da escola? Certamente algo como, diante de um problema, basta resolver apenas a minha parte, salvar a própria pele, e o resto que se dane."
Para a educadora, os pais também erram ao acreditarem que com educação domiciliar estão protegendo seus filhos, por estarem em um ambiente amigável, sem bullying, sem competição. "Infelizmente, a vida não é assim. Mais cedo ou mais tarde, essa criança vai se deparar com a realidade. Vai começar em um emprego, por exemplo, onde há competição, bullying, tudo isso."
Silvia também cita a importância da escola não apenas pelo conteúdo, mas também pela convivência que se tem com outras pessoas e o aprendizado que se tem com isso, seja na hora de se aprender a lidar com o outro, de aprender com os colegas, comparar seus trabalhos e até mesmo de lidar com brigas e desentendimentos. "Toda essa vivência é tão importante quanto português, matemática ou história", diz a educadora.
Os homeschoolers, no entanto, dizem que as crianças não vivem em uma bolha e têm essa convivência ao encontrarem amigos no clube, na praça, na igreja ou na casa deles e ao frequentarem atividades, como natação, fotografia e judô.
"Acho contraditório", afirma a educadora. "Se o problema é a perseguição na escola, não tem bullying na aula de natação?"

'Luta de todos'

A educadora Maria Celi Chaves Vasconcelos, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) aponta um outro problema na prática da educação domiciliar no Brasil de hoje: a falta de fiscalização do Estado. Algo que foi reforçado durante a pesquisa para seu pós-doutorado, sobre o homeschooling e suas implicações hoje tanto no Brasil como em Portugal.
"Diferentemente dos portugueses, que já conseguiram colocar todas as suas crianças na escola, nós ainda estamos caminhando para isso. Então, no momento, seria difícil conciliar sistemas diferentes de educação", diz.
"Como o governo conseguiria fiscalizar as crianças em educação domiciliar se ainda não faz isso de maneira satisfatória nem com as próprias escolas públicas?" Segundo ela, em Portugal, as crianças em homeschools são registradas nós órgãos regionais e as autoridades fazem um acompanhamento da educação delas.
Ela vê aspectos positivos no método, como ensinamentos passados não apenas em salas de aula, mas também em locais como museus e planetários. E acredita que escolha dos pais em relação à educação dos filhos seja algo inevitável no futuro, quando o Brasil atingir suas metas educacionais.
Enquanto isso, Silvia, a educadora da USP, também defende que essa opção é prejudicial ao projeto de educação do país como um todo.
"É claro que a ensino no Brasil ainda está bem aquém do esperado, mas é preciso se ter uma frente de luta e não de alienação. E essa luta não é só do Estado, mas também das escolas, dos pais, dos professores e de toda a sociedade."

domingo, 3 de novembro de 2013

Alemanha encontra acervo bilionário de arte furtada por nazistas

Cerca de 1.500 obras de arte confiscadas pelos nazistas nos anos 1930 e 1940 foram encontradas na cidade de Munique, na Alemanha.
A coleção inclui obras de artistas como Matisse, Picasso e Chagall, segundo reportagem da revista Focus
De acordo com a revista, algumas peças são parte do grupo de obras consideradas “arte degenerada” pelos nazistas. Outros trabalhos foram roubados de judeus ou então foram vendidos à força pelos proprietários, por um preço menor, a colecionadores ligados ao nazismo.
Se confirmada, pode se tratar de uma das maiores recuperações de arte confiscada. Os investigadores já trabalham com a possibilidade de o lote recuperado valer cerca de um bilhão de euros (equivalente a R$ 3 bilhões).
Segundo a revista, as obras foram encontradas por acaso em 2011, quando auditores fiscais investigavam o alemão Cornelius Gurlitt, filho de um importante marchand de Munique.
Foi então encontrado o lote com 1.500 peças que não haviam sido mais vistas desde a Segunda Guerra.
Gurlitt manteve a coleção em um depósito. Ele chegou a vender algumas peças à medida que precisou de dinheiro, segundo a Focus.

'Arte degenerada'

Boa parte do acervo encontrado é composto pela chamada “arte degenerada”. Tratavam-se de obras de estética moderna, produzidas em boa parte por artistas judeus. Durante o nazismo, a estética era considerada antialemã.
Muitos trabalhos foram confiscados e destruídos. Outros foram vendidos a colecionadores por um baixo preço.
Uma das peças encontradas em Munique seria o retrato de uma mulher, pintada por Henri Matisse.
A obra pertenceu a Paul Rosenberg, o marchard que representou Picasso e Matisse. Judeu, ele saiu da Alemanha nos anos 1930, deixando para trás uma grande coleção de arte.
O Holocaust Memorial Museum dos Estados Unidos estima que os nazistas tenham se apropriado de cerca de 16 mil obras de arte.

SP: corpo de universitária de 18 anos baleada na Dutra é enterrado

A estudante universitária Isabela Pavani Castilho, 18 anos, que foi baleada na cabeça na rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos (SP), na noite de terça-feira (29), foi enterrada neste domingo em Arujá, na região metropolitana de São Paulo. O sepultamento ocorreu por volta das 17h no Cemitério Pousada da Paz.
Isabela morreu na madrugada de sábado. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital Nipo-Brasileiro, onde a jovem estava internada, a família autorizou a doação dos órgãos de Isabela. 
Universitária é baleada na rodovia Presidente Dutra
Isabela foi baleada na cabeça, por volta das 20h de terça-feira, na altura do quilômetro 215 da rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo
Segundo o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Cristiano Razeck, os bandidos atingiram o carro da vítima, um Hyundai X35 blindado, na traseira. A garota então desceu do carro, pensando se tratar de um acidente, quando foi abordada.
A polícia ainda não sabe apontar a razão, mas dois disparos foram efetuados contra a garota. Um deles atingiu a universitária na cabeça.
Ao chegar ao local, os policiais não encontraram os assaltantes na região. A garota foi socorrida e encaminhada ao hospital Nipo-Brasileiro, na zona norte de São Paulo. Quatro dias depois, os médicos constataram a morte cerebral da universitária. Segundo o hospital, a família da garota autorizou a doação dos órgãos de Isabela. 
O caso está sendo investigado pela delegacia de Vila Galvão, em Guarulhos.

Mursi vai a julgamento no Egito em meio a temores de autoritarismo

Presidente deposto e 14 autoridades podem ser condenados à prisão perpétua ou à pena de morte.

O primeiro presidente do Egito escolhido em eleições livres, Mohamed Mursi, vai a julgamento na segunda-feira, após operações das forças de segurança terem devastado o seu grupo, a Irmandade Muçulmana, e levantado o temor de que o atual governo, apoiado pelos militares, estaria reeditando o Estado autoritário.
Amr Abdallah Dalsh/Reuters
Confrontos entre apoiadores e opositores do presidente deposto do Egito, Mohamed Mursi, deixam mortos e feridos
Com a revolta popular que derrubou Hosni Mubarak em 2011, a esperança era que o egípcios acabariam com a influência dos militares junto ao governo.
No entanto, os percalços da transição no país mais populoso do mundo árabe trouxeram os generais de volta ao poder, para a surpresa dos aliados ocidentais do Egito.
Leia também: Confrontos deixam 51 mortos no Egito
Mursi, derrubado pelo Exército em 3 de julho, após protestos de rua contra o seu governo, deve comparecer ao tribunal com 14 outras lideranças da Irmandade Muçulmana, sob a acusação de incitar a violência.
Eles podem ser condenados à prisão perpétua ou à pena de morte se considerados culpados, o que aumentaria ainda mais a tensão entre os integrantes da Irmandade e o governo, e aprofundaria a instabilidade política que tem prejudicado o turismo e o investimento num país onde um quarto das pessoas está abaixo da linha de pobreza.
Quando os militares derrubaram Mursi, foi prometido um plano para conduzir o país a novas eleições livres. Contudo, o que se viu foi um dos mais duros esquemas de repressão já montados contra a Irmandade, que agora luta para sobreviver.
Em agosto, a polícia de choque, com apoio de atiradores do Exército, acabou com os protestos de rua que exigiam o retorno de Mursi. Autoridades acusam a Irmandade de estimular a violência e o terrorismo.
Centenas de integrantes do movimento foram mortos, e muitos dos seus líderes, presos. A Irmandade nega ligações com atividades violentas.
O local em que Mursi está preso não foi revelado. O julgamento deve acontecer num instituto policial perto de uma prisão no Cairo.
As acusações de incitar a violência estão relacionadas com a morte de dezenas de pessoas em confrontos do lado de fora do palácio presidencial em dezembro, depois que Mursi irritou os adversários com um decreto que aumentava os seus poderes.

Espionagem traça destinos políticos desde a Antiguidade

A interceptação de informações pessoais dos cidadãos não é novidade nos EUA
As revelações de que a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) estaria bisbilhotando políticos e pessoas mundo afora atraiu a ira de muitos governos. Espionar e ser espionado, no entanto, não se configura uma novidade.
O general chinês Sun Tzu, famoso por seu livro "A Arte da Guerra", escreveu: "Os líderes brilhantes e os bons generais que consigam ter bons espiões vão ter muitos êxitos".
Roubar cartas, interceptar comunicações, fazer escutas: estes são alguns exemplos de espionagem ao longo da história.
Na Roma antiga, os líderes políticos tinham a sua própria rede de vigilância, que lhes fornecia informações sobre as intrigas nas diferentes escalas de poder do império.
O famoso orador Cícero frequentemente se queixava de que suas cartas eram interceptadas.
“Não consigo encontrar um mensageiro fiel" , escreveu a seu amigo Atticus . "São muito poucos os que conseguem levar uma carta e não ficam tentados a lê-la" .
Júlio César também construiu uma rede de espionagem para saber das conspirações contra ele. É possível, inclusive, que ele sabia de antemão da conspiração no Senado que pôs fim à sua vida .

Inquisição

Na Idade Média, a Igreja Católica tinha mais poder do que muitos governos. E, obviamente, tinha uma rede de vigilância poderosa.
Um dos comandantes do sistema foi o bispo francês Bernard Gui, considerado um excelente escritor e um dos arquitetos da Inquisição.
Julio César
É possível que Júlio César tenha sido informado da rebelião que resultou na sua morte
Por quinze anos, atuou como inquisidor-chefe em Toulouse, onde julgou pelo menos 900 pessoas por heresia .
No livro "A conduta da Inquisição na Depravação da Heresia", de 1324, Gui explicou como identificava, interrogava e punia os hereges.

Elizabeth 1ª

A corte de Elizabeth 1ª, na Inglaterra, foi um campo fértil de intrigas. A função do fidalgo Francis Walsingham era fazer com que a monarca estivesse sempre um passo à frente de seus adversários.
Em maio de 1582, Walsingham conseguiu interceptar a correspondência do embaixador espanhol Bernardino de Mendoza. A carta falava sobre uma conspiração para invadir as ilha britânicas e instalar no trono a soberana dos escoceses, a rainha Mary.
Enquanto Mary estava confinada em uma prisão, Walsingham conseguiu uma maneira de provar o que já se falava na corte.
Ele se fez passar por um aliado de Mary e começou a trocar correspondências com ela por meio de cartas que chegavam escondidas em um barril de cerveja.
Nas cartas, Mary falou sobre o plano e Walsingham conseguiu as provas de que ela planejava assassinar Elizabeth 1ª e causar uma rebelião. A rainha dos escoceses foi julgada e condenada à morte.

Robespierre

Durante a Revolução Francesa, Robespierre e seus colegas vigiavam atentamente os revolucionários e reprimiam violentamente qualquer dissidência.
Em 1793, o governo revolucionário estabeleceu doze "comitês de vigilância" em todo o país . Os comitês eram autorizados a identificar, monitorar e prender qualquer suspeito.
Historiadores estimam que pelo menos meio milhão de pessoas foram alvos dos comitês de vigilância, famosos pela crueldade em muitas cidades francesas.
Nos séculos 18 e 19, governos europeus começaram a criar as "câmaras escuras", onde se interceptava e lia as cartas de indivíduos suspeitos .
Conferência em Washington
Os EUA conseguiram a liderança naval após espionar os japoneses em uma cúpula em Washington
Os escritórios, localizados nos prédios do serviço postal, empregavam diversas técnicas para abrir, copiar e novamente fechar as cartas, sem deixar rastros.
A prática foi o pivô de um escândalo no governo britânico em 1844, quando foi revelado que a “câmara negra” havia interceptado a correspondência do escritor italiano Giuseppe Mazzini, que vivia exilado em Londres.
O governo foi acusado de passar informações às autoridades de Nápoles, que usaram os dados para caçar e excecutar revolucionários companheiros de Mazzini.

Negociação e espionagem

Em 1922, os Estados Unidos organizaram uma conferência de desarmamento naval em Washington, com a presença de representantes do Reino Unido, França, Itália e Japão .
Em meio às negociações, os americanos espionaram as comunicações entre Tóquio e os diplomatas japoneses, além de delegados de outros países.
Com as informações levantadas pelo Instituto de Criptografia do governo, fundado em 1919, os Estados Undios conseguiram fechar acordos que lhes proporcionaram a liderança na corrida armamentista naval.
Em 1929, o escritório foi fechado pelo Secretário de Estado, Henry Stimson, que disse: "Cavalheiros não leem a correspondência de outras pessoas".
Após a Segunda Guerra Mundial, os americanos decidiram que os cavalheiros precisavam, no entanto, de uma rede de monitoramento permanente.

Vizinho espião

Durante a Guerra Fria, a espioanagem fez parte do cotidiano de quem vivia nos países atrás da chamada “cortina de ferro”.
Os Estados Unidos espionaram cidadãos considerados suspeitos após o fim da Segunda Guerra
Em nenhum lugar foi mais sentida do que na Alemanha Oriental. Durante 40 anos, o serviço de inteligência do Ministério da Previdência (conhecida como a Stasi) monitorou e registrou as atividades dos cidadãos, usando as informações para acabar com tumultos e possíveis dissidências .
Até a queda do Muro de Berlim em 1989, a Stasi tinha 91 mil colaboradores, com uma rede de 200 mil informantes.
A Alemanha Oriental usou a tecnologia, com uma quantidade imensa de funcionários, expandindo a espionagem em uma escala nunca antes vista.
Os Estados Unidos também adotaram práticas parecidas após a Segunda Guerra Mundial, como parte do projeto Shamrock. Foi criada uma rede de vigilância de cidadãos americanos suspeitos de atividades subversivas.
O sistema de vigilância foi extinto pelo Congresso em 1975. Quase quatro décadas depois, a NSA acabou reconstruindo o projeto Shamrock, desta vez bisbilhotando os cidadãos em uma nova esfera - a rede mundial de computadores.

Como os terroristas se comunicam?

Nos últimos anos as formas de comunicação se multiplicaram
Durante as duas últimas décadas, o número de opções disponíveis para a comunicação entre terroristas, criminosos organizados e, claro, cidadãos comuns, tem se proliferado graças ao desenvolvimento da tecnologia digital.
Segundo especialistas, a lista é interminável, e o limite depende da imaginação de cada um.
Existem, essencialmente, duas categorias: mensagens secretas e públicas, e em ambos os casos existe o risco do remetente original ser detectado.
Terroristas sofisticados conhecem bem os riscos de deixar "marcas digitais" que podem ser rastreadas e identificadas, por isso a Inteligência americana demorou tanto tempo para descobrir onde Osama Bin Laden estava escondido, já que todas as mensagens e dados enviados e recebidos pelo líder da al-Qaeda eram entregues em mãos.
Oficiais responsáveis pelo combate ao terrorismo, como o diretor-geral do MI5, o serviço de inteligência britânico, Andrew Parker, afirmam não existir um "oásis" digital onde infratores ou terroristas podem esconder mensagens e comunicar-se livremente, sem medo de vigilância ou interceptação.
Críticos argumentam, no entanto, que a intromissão do governo nas comunicações privadas já foi longe demais.

Produtoras

Quando o objetivo é divulgar uma informação para o maior número de pessoas possível, a internet tem sido a escolha óbvia.
Em 2001, no rescaldo dos ataques de 11 de setembro, a liderança da al-Qaeda postou uma série de vídeos a partir de seus esconderijos no Paquistão para a estação de TV com sede no Qatar, Al-Jazeera.
Frustrados com a decisão do canal em transmitir apenas uma pequena versão editada dos vídeos, os membros da al-Qaeda passaram a divulgar suas mensagens na internet.
Desde então a al-Qaeda, o Talebã, e o grupo al-Shabab da Somália, desenvolveram produtoras onde são produzidas suas mensagens divulgadas on-line, algumas até com padrões de produção bastante elevados.
Do Iêmen, o AQAP, a franquia local da Al-Qaeda, produz a revista online Inspire, que publicou um artigo destinado a recrutas nos Estados Unidos intitulado "Como construir uma bomba na cozinha da sua mãe".
Um agente do MI6 foi flagrado em Moscou usando uma pedra falsa para passar informações
A Inspire tem sido citada como a inspiração por trás de uma série de ataques jihadistas nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, mas a polícia britânica alerta que qualquer um que for pego baixando seu conteúdo será preso e processado.
Quanto ao meio secreto de comunicação, sem dúvida há muitos métodos obscuros conhecidos apenas por profissionais, especialistas de TI e aqueles que trabalham com a colheita de informações ou inteligência através da interceptação de sinais de comunicações entre pessoas ou máquinas (Sigint).
Aqueles que trabalham sozinhos deixam um rastro mínimo, como por exemplo o norueguês Anders Breivik, que passou quatro anos com quase nenhum contato social enquanto ele planejava os ataques que mataram dezenas em 2011.

Formas de comunicação

Aqui estão algumas das opções mais conhecidas de comunicação entre terroristas:
Chip de celular descartável. Barato e disponível legalmente para todos, estes podem ser comprados de forma anonima, inseridos em um celular, usado apenas uma vez e então jogado fora. Executivos já usaram esse tipo de chip em visitas à Rússia e à China por medo que seus celulares fossem grampeados.
Dead drops. Um antigo método usado por espiões durante a Guerra Fria para deixar pacotes com informações, ou fotografias, em lugares como moitas ou atrás de latas de lixo. Estes eram, então, recuperados por alguém que estivesse passando por perto, provavelmente assobiando e vestindo um chapéu específico. Em um parque de Moscou, em 2006, a agência de inteligência MI6 da Grã-Bretanha foi pega em flagrante com uma "pedra de espionagem" - uma pedra falsa, contendo um transmissor sem fio onde informantes podiam deixar informações que poderiam ser recuperadas por outra pessoa, em uma versão moderna de dead drops. Hoje, com os avanços da informática, uma forma de dead drop digital é escrever uma mensagem por e-mail e não apertar enviar, e a mensagem será armazenada na pasta de rascunhos. O destinatário, que recebeu o login e a senha para aquela determinada conta de e-mail, pode ver a mensagem e se necessário responder.
E-mail e mensagem de texto. Terroristas cautelosos tendem a se comunicar em código ou usar metáforas quando se discute metas, sabendo que eles podem ser interceptados. Por exemplo, dois dos organizadores dos ataques de 11 de setembro, Mohammed Atta e Ramzi Binalshibh, referiram-se ao World Trade Center como "arquitetura", ao Pentágono como "artes" e a Casa Branca como "política".
Mídia social, sites de bate-papo e de jogos. Uma forma cada vez mais popular de disfarçar trocas de mensagens é através de fóruns online. Estes sites são criptografados e precisam de senhas para participar. Alguns podem ser infiltrados por agentes de inteligência do governo que se apresentam como militantes online.
Pen drive. Uma forma discreta, e pequena, para transportar grandes quantidades de dados, porém são também altamente vulneráveis à vírus.
Arquivos JPEGs e GIFs. Também conhecido como "esteganografia" ou a arte de esconder uma mensagem dentro de uma mensagem. As imagens digitais codificados como JPEGs ou GIFs podem, em teoria, ser usadas para transportar outros dados usando um título inócuo no assunto.
Telefones por satélite. Apesar da tecnologia de criptografia estes permanecem suscetíveis a interceptação, e líderes terroristas têm sido cautelosos em usá-los, mesmo - ou talvez especialmente – em áreas remotas e pouco povoadas.
Entregas em mãos. O método de Bin Laden, que funcionou durante anos. Ele evita deixar qualquer rastro digital, mas necessita de um mensageiro humano que pode ser rastreado, como foi o caso do líder da al-Qaeda, morto no Paquistão em 2011.

Em carta, Snowden pede ação global contra espionagem

A vigilância em massa é um problema que requer soluções globais, uma vez que ameaça corromper sociedades abertas e a liberdade de opinião, escreveu o ex-agente da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden em uma carta publicada neste domingo na revista alemã Der Spiegel.
"A existência da tecnologia da espionagem não deve ditar a política", afirmou ele, notando que há um "dever moral" em limitar a espionagem global e proteger os direitos humanos por meio de um quadro jurídico adequado.
Snowden escreveu o texto no dia 1º de novembro, informou a revista. O documento, intitulado "Um manifesto pela verdade", foi transmitido ao escritório editorial da Der Spiegel por meio de um canal criptografado. Fonte: Dow Jones Newswires.

Policial Militar de UPP é morto a tiros em favela do Rio de Janeiro

Um policial militar de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) foi morto a tiros na madrugada deste domingo (3) no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. Segundo a PM, ele foi atingido quando fazia patrulhamento na região.
A vítima chegou a ser socorrida por outros policiais, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. Não há informações sobre quem teria feito os disparos contra o PM.
No mês passado, outros dois policiais militares da UPP da favela Nova Brasília, também no Complexo do Alemão, foram baleados durante troca de tiros.
De acordo com a Polícia Militar, eles foram atingidos quando checavam denúncia de tráfico de drogas na localidade conhecida como Largo da Vivi, próximo à sede da UPP.

Gravidez de adolescentes caiu entre 2000 e 2012, diz Ministério da Saúde

De acordo com o Ministério da Saúde, os casos de gravidez em mulheres com menos de 20 anos diminuíram em todo o Brasil entre 2000 e 2012. No início da década, cerca de 750 mil adolescentes foram mães no país. Em 2012, o número caiu para 536 mil. A pasta destaca a Rede Cegonha, programa lançado em 2011, e o Programa Saúde na Escola, que funciona desde 2007 e é desenvolvido em conjunto com o Ministério da Educação, como as principais estratégias de prevenção e cuidado da gravidez na adolescência.
"A partir da estratégia da Rede Cegonha, o Ministério da Saúde estabeleceu uma estratégia de cuidado às mulheres e atenção às adolescentes e jovens. Cuidados para melhorar os serviços de atenção básica. Isso, junto com informações e orientações que os jovens recebem nas escolas, serve para que eles possam ter conhecimento para que quando estiverem com namorados e namoradas possam cuidar da saúde", diz a coordenadora da Saúde do Adolescente e do Jovem do Ministério da Saúde, Thereza de Lamare.
Segundo Thereza, o Programa Saúde na Escola está presente em 85% dos municípios. A Rede Cegonha atende à quase totalidade do país. Pretende-se trabalhar com a prevenção, a educação e também ter condições de fazer com que a jovem não deixe a escola em caso de gravidez.
A maior parte das gravidezes precoces, como aponta o relatório anual Situação da População Mundial do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), organismo da Organização das Nações Unidas (ONU), lançado esta semana, ocorrem entre populações vulneráveis. A estratégia do ministério é atuar também com populações isoladas, como quilombolas, indígenas e de ruas.
Outra ação da pasta é facilitar e ampliar o acesso a métodos contraceptivos na rede pública e nas drogarias conveniadas do Programa Aqui Tem Farmácia Popular. Atualmente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), as mulheres em idade fértil podem escolher métodos contraceptivos como: preservativos, anticoncepcional injetável mensal e trimestral, minipílula, pílula combinada, diafragma e dispositivo intrauterino (DIU). Nos últimos cinco anos o SUS distribuiu, em média, 500 milhões de unidades de preservativos masculinos.
Outra questão destacada pela coordenadora é que parte dessas jovens sofreu algum tipo de abuso. O governo deve lançar, nos próximos dias, uma cartilha de estratégias para combater a violência contra crianças e adolescentes.
Para difundir a informação, também fora das escolas, os jovens podem acessar pela internet as cadernetas de Saúde de Adolescentes (masculina e feminina) e outros materiais voltados para educação sexual. Eles podem também, no mesmo espaço, tirar dúvidas online.

Itens do Holocausto são encontrados à venda no eBay

Uma investigação feita por um jornal britânico fez com que o popular site de compra e venda eBay pedisse desculpas, e retirasse cerca de 30 itens à venda em sua página que teriam pertencido a vítimas do Holocausto da Segunda Guerra.
O Mail on Sunday disse que havia encontrado "dezenas" de itens relacionados ao Holocausto no site na semana passada.
Entre eles estava um uniforme que teria pertencido a um padeiro polonês que morreu em Auschwitz à venda por US$ 18 mil (R$ 41 mil), disse o jornal.
O site de leilões on-line se desculpou e disse que tinha feito uma doação de US$ 40 mil (R$ 90 mil) para caridade.
O Mail on Sunday disse que outros itens listados incluíam sapatos e uma escova de dentes que teriam pertencido as vítimas dos campos de concentração, além de fitas com o desenho da Estrela de Davi que eram usadas para identificar os judeus.

Não permitido

O jornal disse que alertou o site e que este havia removido 30 itens que estavam à venda.
Segundo o Mail on Sunday, o eBay disse não saber há quanto tempo esses artigos estavam anunciados em seu site.
"Lamentamos muito esses objetos terem sido colocados à venda no eBay e estamos removendo-os", se desculpou o site.
"Nós não permitimos anúncios deste natureza. Temos milhares de funcionários trabalhando no policiamento do nosso site, e utilizamos o que há de mais recente em tecnologia para detectar itens que não deveriam estar à venda."
Além de pedir desculpas, o eBay anunciu uma doação de US$ 40 mil (R$ 90 mil) para instituições de caridade.
Seis milhões de judeus foram mortos pelos nazistas e seus colaboradores durante o Holocausto da Segunda Guerra Mundial. Os nazistas também assassinaram e prenderam milhões de outros, incluindo ciganos, homossexuais e pessoas com deficiência.

sábado, 2 de novembro de 2013

Cinco pontos-chave para se proteger de ataques na internet

Criptografar mensagens, desativar o JavaScript ou usar programas que criam e guardam senhas. Essas são algumas das alternativas para manter a segurança de seus dados pessoais em tempos de bisbilhotagem e pirataria na rede.
Ficar 100% imune à ação de hackers ou espiões é praticamente impossível, segundo os especialistas. Mas várias medidas podem aumentar a segurança cibernética. Veja algumas delas.

1. Configurações

Joe McNamee, diretor da ONG Direitos Digitais Europeus, deu sugestões úteis a quem usa a internet.
Instalar "https". O mais comum é a informação chegar ao navegador plo "http" (protocolo de transferência de hipertexto). Mas o "https" (protocolo seguro de transferência de hipertexto) inclui elementos criptográficos que protegem a navegação e é mais recomendável. As instruções para instalação são facilmente encontradas na rede.
Adeus à nuvem. Evite o uso de serviços que armazenam a informação na internet (cloud computing). O risco será menor à medida que se diminua a quantidade de informação pessoal em arquivos virtuais.
Desativar o JavaScript no navegador. Muitos ataques cibernéticos aproveitam esta ferramenta de programação. Para não ser vítima, recomenda-se baixar programas que bloqueiem o JavaScript.
Desativar cookies. Os cookies permitem ao site visitado saber quais as atividades prévias e futuras do usuário. Há instruções na rede sobre como ativar o bloqueio de cookies. Leva apenas alguns minutos.

2.- Senhas e condições de uso

Boas senhas. Não é facil escolher a melhor: grandes, complicadas, com números e letras. Ainda que seja difícil memorizá-las, não é adequado usar a mesma senha para tudo.
“É melhor guardá-las na carteira. Uma opção é usar os programas que guardam o nome do usuário e um código cifrado, com uma senha única. Este código pode criar um sistema aleatório de palavras como no site Diceware.com”, explica Dany O’Brien, da ONG Fundação Fronteira Eletrônica (EFF, na sigla em inglês).
Condições de uso quilométricas. "Muitos serviços e sites conseguem ter acesso quase ilimitado às informações pessoais dos usuários e podem fazer o que quiser depois que o internauta concorda com as condições de uso. Uma solução é ler as regras ou então contratar uma empresa que detecta possíveis problemas, como o Tosdr.org”, diz McNamee.

3.- Criptografar

Sem exceção, os especialistas concordam que esta é uma ferramenta fundamental e efetiva para proteger mensagens enviadas a partir de qualquer plataforma.
A criptografia protege os dados enviados entre uma pessoa e outra, do momento em que sai do dispositivo emissor até chegar no receptor. O roubo e a espionagem de informação ocorre geralmente nesse caminho.
Bate papo e e-mail. Existem vários sistemas criptográficos na rede. Os mais confiáveis são: Gnu Privacy Guard (GPG), Pretty Good Privacy (PGP) y Thunderbird (os dois últimos são grátis). O grau de complexidade da instalação varia.
O´Brien recomenda o uso do "off the record messaging" (OTR), um programa para proteger bate papos. Ele criptografa as mensagens e pode ser usado no Google Hangout, no Facebook, entre outros.
HD. As últimas versões do Windows, Mac, iOS e Android têm formas de criptografar as informações. Só é preciso ativação. Sem isso, qualquer um pode, em questão de minutos, ter acesso ao conteúdo armazenado no laptop, PC, tablet ou smartphone.

4.-Esforço extra

Adeus internet. Quando se tratam de dados muito importantes e sensíveis, o melhor é armazená-los em computadores sem conexão com a internet.
"Se quiser passar um documento do ‘computador seguro’ para o computador com internet, pode-se criptografá-lo e usar um cabo USB para transferí-lo”, recomenda Bruce Schneier, especialista em segurança cibernética.
Há aplicatos úteis também, como o TrueCrypt.
Navegar na rede. É sempre bom estar atento às novidades de segurança disponíveis. Portanto, sempre procure novas ferramentas.
Celulares à prova de curiosos. “Existem aparatos minúsculos que criptografam os telefonemas e trocam o sinal análogo, ou seja, as palavras são ouvidas em um tom inaudível. Quem está espiando não consegue entender”, diz Julia Wing, diretora da Spy Master, empresa que vende dispositivos de vigilância e proteção pessoal.

5.- Mais anonimato

Outra recomendação é recerrer ao The Onion Router (TOR), uma rede de comunicações com código aberto (software de domínio público), que protege o anonimato já que a informação transmitida "viaja" através de diferentes servidores. Isso dificulta saber qual foi o ponto de partida - e o autor - da mensagem.
Para O’Brien, é também importante compartilhar as ferramentas de proteção com a família, amigos e colegas. Assim, aumenta-se a segurança das informações.
Em termos gerais, prefira produtos e serviços de empresas pequenas. Para os especialistas, grandes produtores estão mais vulneráveis ao ataque de hackers e organizações que querm se apropriar de dados transmitidos pela rede.

Em sete horas de reunião, Dilma cobra ministros para barrar avanço de Campos

Presidente reuniu 15 ministros neste sábado e manifestou preocupação com atraso de obras em todo o País. Novos encontros devem ser convocados

A presidente Dilma Rousseff (PT) cobrou maiores resultados em uma reunião com 15 ministros que durou cerca de sete horas neste sábado (2), no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. A presidenta quer implantar um plano para atenuar críticas, estancar eventuais quedas em índices de popularidade e anular o avanço de uma eventual candidatura de Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (PSB), considerados hoje como uma preocupação do Planalto, principalmente na região Nordeste.
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Participaram da reunião deste sábado quinze ministros. O encontro começou às 10h e se prolongou durante toda a tarde, terminando apenas por volta das 17h. Os ministros fizeram uma avaliação da área social e de infraestrutura do governo federal. Falaram sobre o cronograma de obras em rodovias, portos, creches e ações na área de agricultura
Agência Brasil
Gleisi Hoffman (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Comunicações) deixam o Alvorada após reunião com Dilma
Se discutiu no encontro a possibilidade de formalização de uma agenda positiva para a presidente com a possível inauguração ou visitas a obras importantes como a Transposição do Rio São Francisco e unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida. Os ministros também falaram na reunião sobre a entrega de equipamentos como retroescavadeiras e a divulgação de balanços sobre o programa Mais Médicos e Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), considerado a porta de saída do programa Bolsa Família.
A ideia do Planalto é fechar um cronograma de eventos com a participação da presidente e, assim, atenuar as críticas da oposição e estancar eventuais avanços da candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
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Segundo informações da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, a ideia da presidente é promover outros encontros como esse realizado no sábado para fazer avaliações periódicas. As próximas devem ser na área de agricultura e grandes eventos, como a Copa do Mundo. Gleisi confirmou que a presidente pediu para que toda a equipe “agilize resultados”. "Isso tem a ver com resultado de governo. Um governo é eleito, organiza seus programas, faz compromissos com a população e tem que prestar contas”, afirmou.
Estiveram no encontro, os ministros de Minas e Energia, Edison Lobão; de Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas; do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; de Relações Institucionais, Ideli Salvatti; de Cidades, Aguinaldo Ribeiro e a secretária das Mulheres, Eleonora Menicucci.
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Também estiveram o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo; Alexandre Padilha, ministro da Saúde; Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social; Gleisi Hoffman, ministra-chefe da Casa Civil; Aloizio Mercadante, ministro da Educação; Miriam Belchior, ministra do Planejamento; César Borges, ministro dos Transportes; Antônio Henrique Pinheiro, secretário de Portos e Francisco Teixeira, ministro da Integração Nacional.

Como os genes moldam o rosto das pessoas

Cientistas começaram a entender a razão pela qual os rostos das pessoas são tão diferentes. A partir de testes em ratos, pesquisadores dos Estados Unidos conseguiram identificar partes do DNA que determinam os traços faciais.
O estudo do Joint Genome Institute, do Lawrence Berkeley National Laboratory na Califórnia, mostra que mudanças no matErial genético podem alterar sutilmente o rosto de uma pessoa.
Os resultados da pesquisa foram publicados pela revista Science. Segundo os cientistas, os resultados registrados a partir de testes em animais têm grande chance de serem similares aos que seriam registrados com humanos.
Em entrevista à BBC, o professor Alex Visel disse que os cientistas buscam sabe “como as instruções para a formação da face humana são carregadas no DNA”.
“Em algum lugar deve haver um modelo que define nosso rosto”, disse.

‘Interruptor’

A equipe de pesquisadores encontrou mais de 4.000 acentuassomos (sequências de DNA) no genoma do rato que, ao que tudo indica, desempenham um papel no desenvolvimento facial.
Essas sequências curtas de DNA agem como interruptores de luz, ligando e desligando genes. Os cientistas identificaram 200 sequências do genoma do rato que teriam essa função.
"Nós conseguimos ver exatamente, nos embriões de ratos, como à medida que o rosto se desenvolvem essas sequências ‘acendem’ e ‘desligam’ os genes que elas controlam”, diz o professor Visel.
Durante os testes, os pesquisadores extrairam três dessas sequências.
“Os ratos ficaram com com a aparência muito normal”, relatou o professor Visel, acrescentando que “é muito difícil para os humanos ver a diferença na face dos ratos”.
“Então resolvemos usar tomografia computadorizada para estudar o fomato do rosto dos ratos”, disse.
Ao comparar os ratos com genes modificados com os demais, os pesquisadores encontraram mudanças muito sutis. Alguns camundongos, no entanto, desenvolveram crânios mais longos ou mais curtos, enquanto outros tiveram rostos mais largos ou mais estreitos.
“O que isso nos mostra é que esse interruptor especial também desempenha um papel no desenvolvimento do crânio e pode afetar o formato do crânio", explicou.

Bebês ‘desenhados’?

Entender como esse mecanismo funciona pode mostrar também como os embriões podem desenvolver deformações faciais.
“Há muitas formas de deformação craniofacial de nascença. A fissurra palatal e do lábio são as mais comuns”, disse o professor Visel.
“Isso traz graves implicações para as crianças afetadas. Há impacto na alimentação, na fala, na respiração, há a necessidade de cirurgia extensa, além das implicações psicológicas", disse.
Ainda que muitas dessas deformações sejam causadas por mutações genéticas, os cientistas querem saber como o mecanismo do ‘interruptor genético’ funciona.
Segundo o professor Visel, ainda há muito para se desvendar acerca do processo de desenvolvimento facial. Ele diz, no entanto, que a descoberta sugere que esse é um processo muito complexo.
Para o cientista, ainda está longe o dia que o DNA possa ser alterado para determinar a aparência de um bebê.

Sobrevivente de tortura em campo no deserto do Chile recebe indenização inédita

Leopoldo Garcia ainda carrega as cicatrizes 40 anos depois de ser torturado
Um homem de 80 anos que foi torturado e exilado durante o governo militar de Augusto Pinochet no Chile ganhou uma inédita batalha legal por indenização do Estado chileno.
Leopoldo Garcia, que vive na Grã-Bretanha, entrou com uma ação na Corte Interamericana de Direitos Humanos por danos morais, alegando que o Estado chileno foi responsável por forçá-lo a exilar-se em 1975.
Segundo o correspondente da BBC em Santiago, Gideon Longo, essa é a primeira vez que o tribunal se pronunciou sobre o caso de um sobrevivente ainda vivo de abusos dos direitos humanos durante a era Pinochet.
Advogados dizem que a decisão pode abrir precendentes para cerca de 200 mil outras pessoas que fugiram do Chile durante a ditadura, que durou de 1973 a 1990.

Campo no Atacama

Leopoldo Garcia era um socialista que foi preso por suas crenças políticas em setembro de 1973, cinco dias após o golpe que levou Pinochet ao poder.
Ele foi torturado e preso por mais de um ano e meio, o que o deixou permanentemente incapacitado por conta de danos na coluna.
"Eu estou vivo", ele disse à BBC. "Mas é uma vida muito sofrida".
Garcia, que ficou preso no notório campo de concentração Chacabuco, no deserto do Atacama, depois de ser torturado, diz que o pior momento foi quando soldados ameaçaram atirar nas costas de sua filha de seis anos, e depois matá-lo.
Ele não tem os dentes da frente, e usa aparelho auditivo, seu rosto carrega a cicatriz da coronhada que levou na testa, e ele sente dores constantes das surras que sofreu.

Tribunal

Em 1975, ele foi expulso do Chile por decreto ministerial, e vive na Grã-Bretanha desde então.
Garcia afirmou que o Estado chileno foi responsável por forçá-lo ao exílio e, portanto, ele deve ser indenizado.
Ele disse que a pensão que recebe do Chile - decorrente do fato de que ele perdeu o emprego durante a ditadura - não foi suficiente para cobrir suas despesas no exílio, e que ele e sua família não têm acesso aos benefícios de saúde e educação que estão disponíveis para vítimas de tortura que vivem no no país.
Em um comunicado à imprensa sobre a decisão, a Corte Interamericana de Direitos Humanos disse que decidiu em favor de Garcia por causa da "demora excessiva por parte do Estado em iniciar uma investigação depois que ficou ciente dos fatos de tortura".
Segundo o tribunal, o Estado chileno tomou conhecimento do caso em 1994, mas a investigação só começou em 2011.
O Tribunal ordenou que o Chile termine sua investigação em tempo razoável e pague indenização por danos morais à Garcia.

Investigadores buscam motivação de ataque no aeroporto de Los Angeles


Agentes do FBI investigam neste sábado o cenário e a possível motivação de um homem que abriu fogo em um terminal lotado dentro do Aeroporto Internacional de Los Angeles, matando um agente federal desarmado.
Autoridades identificaram o homem do ataque de sexta-feira como Paul Anthony Ciancia, 23, e disseram que ele foi atingido e ferido pela polícia no tiroteio ocorrido no terminal 3 do aeroporto.
No final da sexta-feira, agentes do FBI portando um mandado de busca e apreensão entraram na casa de Ciancia, na região de Los Angeles, afirmou a porta-voz do FBI, Laura Eimiller.
O homem estava armado com um rifle e causou pânico e caos em um dos aeroportos mais movimentados do mundo. Centenas de passageiros correram freneticamente para locais seguros ou se esconderam atrás de suas bagagens, enquanto os alarmes soavam.
O homem, um cidadão norte-americano que aparentemente agiu sozinho, passou pela área de fiscalização do aeroporto e entrou no local onde os passageiros embarcam, antes de agentes se depararem com ele em uma praça de alimentação, afirmou Patrick Gannon, chefe da polícia dos aeroporto, em coletiva de imprensa.
Os agentes o atingiram pelo menos uma vez e depois o prenderam, afirmou.
Ciancia acertou tiros em pelo menos dois funcionários da agência de segurança dos transportes (TSA), um de maneira fatal, afirmou o agente especial David Bowdich, do FBI.
O funcionário da TSA morto, identificado como Gerardo Hernandez, tinha 39 anos e foi o primeiro empregado da agência a morrer no exercício do trabalho.

Morte de líder do Talebã no Paquistão pode comprometer negociações de paz

A morte de Hakimullah Mehsud, o líder do TTP, o grupo talebã no Paquistão, parece ter comprometido as negociações de paz que o governo paquistanês esperava realizar em breve com os militantes.
O ministro do Interior do Paquistão, Chaudhry Nisar Ali Khan, descreveu o ataque americano com drones como "uma tentativa de sabotar as negociações".
Ele disse que o ataque aconteceu um dia antes de uma delegação de três membros do governo seguirem para o noroeste do país para iniciar as negociações de paz com o grupo de Mehsud.
As autoridades paquistanesas esperavam que os ataques aéreos parassem próximo ao início das negociações.
Porém, isso foi antes de dois ataques acontecerem na quinta e na sexta-feira na região do Waziristão do Norte, principal reduto do Talebã e da Al-Qaeda na região.
Mehsud foi morto junto com outras quatro pessoas, incluindo dois de seus guarda-costas, quando quatro mísseis atingiram seu veículo, um oficial do Talebã disse à BBC.

Pavimentando o caminho?

Há muito tempo que o paquistaneses reclamam que os americanos usam ataques aéreos na região para sabotar as perspectivas de paz com os militantes.
A morte de Waliur Rehman, o número 2 do TTP, em maio, levou Khan a observar que "sempre que há uma tentativa de quebrar barreiras com o Talebã, algo dá errado."
No entanto, muitos no Paquistão sentem que o golpe que matou Hakimullah Mehsud pode realmente estimular os militantes a concordarem com uma negociação de paz com o governo paquistanês.
Há algumas semanas Mehsud deu uma rara entrevista à BBC, na qual ele descreveu suas condições para um acordo de paz - incluindo a introdução de uma versão dura e controversa da lei islâmica no Paquistão.

Nova liderança

Com Mehsud agora fora de cena, os grupos mais influentes que permanecem no TTP são os que têm favorecido as negociações de paz.
Um deles inclui os partidários do grupo de Waliur Rehman, agora liderado pelo comandante Khan Said Sajna.
Waliur Rehman se candidatou à liderança do TTP quando o líder fundador do grupo, Baitullah Mehsud, foi morto em um ataque com drones em 2009, mas perdeu para Hakimullah Mehsud.
Sajna, que favorece o diálogo com o governo paquistanês, é agora apontado para suceder Hakimullah Mehsud.
Os homens de Sajna têm lutado, e quase ganharam, uma guerra por territórios com os homens de Hakimullah Mehsud em Karachi, a maior cidade do Paquistão, que também é um importante centro de negócios para operações criminosas.
O outro grupo é liderado pelo influente Asmatulah Muawiya, que saudou publicamente a oferta de negociações de paz proposta em agosto pelo primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif, e foi repreendido pela liderança do TTP por fazê-lo.
Embora o grupo de Muawiya não tenha esperanças em liderar o TTP, que é essencialmente controlado por homens da tribo de Mehsud, eles constituem uma força substancial fornecendo combatentes altamente treinados e ideologicamente motivados.

Talebã

O movimento radical islâmico provou ser uma grande força de combate no Afeganistão e uma forte ameaça para o seu governo.
O Talebã também ameaça desestabilizar o Paquistão, onde controla áreas no noroeste e tem sido responsabilizado por uma onda de atentados suicidas e outros ataques.
O movimento surgiu no início dos anos 1990 no norte do Paquistão após a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão.
O Paquistão negou repetidamente ser responsável pela formação do grupo. Mas há pouca dúvida que, inicialmente, muitos afegãos que aderiram ao movimento foram educados em madrassas (escolas religiosas) no país.
Junto com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos (EAU), o Paquistão foi também um dos únicos três países que reconheceram o Talebã quando este estava no poder no Afeganistão a partir de meados da década de 1990 até 2001. E foi o último país a romper relações diplomáticas com o grupo.
Embora o Paquistão tenha adotado uma linha mais dura contra os militantes talebãs nos últimos anos em seu território, o primeiro-ministro Nawaz Sharif, eleito em maio, disse que negociar com os militantes era uma de suas prioridades.
Nos últimos meses, pelo menos três principais líderes do talebã paquistanês foram mortos em ataques aéreos norte-americanos.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Após funcionários confirmarem pagamento de propina a fiscais, Brookfield se diz "vítima da situação"

Outras três empresas citadas pelos promotores alegam não terem sido notificadas.
A Brookfield Incorporadora informou, na tarde desta sexta-feira (1º), que se considera “vítima da situação”, no caso do esquema milionário de pagamento de propina na Secretaria Municipal de Finanças. A declaração da empresa foi feita após executivos confirmarem aos promotores o pagamento de R$ 4,1 milhões ao grupo de servidores preso no começo desta semana.
Nesta sexta-feira, funcionários foram ouvidos na condição de testemunhas. Segundo o Ministério Público de São Paulo e a Controladoria Geral do Município, a fraude pode ter desviado mais de R$ 200 milhões dos cofres públicos em três anos. Quatro funcionários públicos estão presos.
Os representantes da construtora ainda acrescentaram que os pagamentos foram feitos entre 2009 e 2012 para a liberação de 20 empreendimentos na cidade de São Paulo. A empresa afirma que está “colaborando com o Ministério Público, prestando todas as informações necessárias à apuração dos fatos”. As autoridades investigam a possibilidade de a empresa ser vítima ou de ter colaborado com o esquema.
Servidor da gestão Kassab preso por fraude milionária na prefeitura confessa corrupção
Outras quatro empresas também foram citadas no inquérito do Ministério Público. A BKO Desenvolvimento Imobiliário disse que não foi informada sobre a investigação até o momento e que só se pronunciará após se isso ocorrer. A construtora Tarjab também reforça que não recebeu qualquer comunicação oficial sobre o inquérito ou denúncia formal.
A Trisul S.A. alega que desconhece o teor da investigação e que não foi chamada para prestar esclarecimentos. A construtora ainda diz que cumpre “todas as suas obrigações perante as autoridades públicas”. A Alimonti Comercial & Construtora foi procurada pelo R7, mas não se posicionou até a publicação desta matéria.

Atirador com fuzil deixa ao menos 1 morto no aeroporto de Los Angeles

A polícia de Los Angeles disse ter prendido um atirador que abriu fogo dentro do terminal 3 do aeroporto internacional da cidade nesta sexta-feira.
Testemunhas relataram ter ouvido diversos disparos dentro do terminal; e ao menos três pessoas teriam ficado feridas durante o incidente.
A Administração de Segurança de Transportes confirmou que um de seus funcionários foi morto.
O aeroporto foi parcialmente fechado, mas as autoridades aeroportuárias disseram em coletiva que voos estão decolando de outros terminais que não o terceiro.
"Um indivíduo tirou um fuzil de sua mochila e abriu fogo. Ele foi preso", dissse o chefe da polícia Patrick Gannon. "Ele causou um grande caos (...) e fez múltiplas vítimas. Fizemos uma varredura no aeroporto e achamos que o incidente é limitado a um atirador que agiu sozinho."

Disparos

"Ouvi o alarme de segurança disparar. Achei estranho, até que vi as pessoas correndo em todas as direções (...) e funcionários de empresas aéreas se esconderem atrás de seus balcões", disse a testemunha Terry Malloy à emissora americana ABC.
Outra testemunha, Jack Cave, disse à emissora que estava no balcão de atendimento de uma companhia aérea quando escutou cerca de dez disparos.
"Todos nós nos agachamos, e eu me joguei atrás da área de bagagens. Daí (autoridades) chegaram e nos tiraram do terminal", contou.
A Casa Branca afirmou que o presidente Barack Obama já foi notificado sobre o episódio.

Voos

O prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, afirmou que os demais terminais do aeroporto estão retomando suas operações.
"Se você (público) não consegue falar com um parente que estava no embarque, é porque ele provavelmente está (num dos voos que decolaram)", afirmou.
Mas passageiros que têm voos previstos para esta tarde indo ou voltando de Los Angeles foram orientados a consultar suas companhias aéreas antes de dirigir-se ao aeroporto.
Autoridades aeroportuárias disseram que o aeroporto de Los Angeles está recebendo aterrissagens, mas em capacidade reduzida. E os voos partindo de Los Angeles provavelmente sofrerão longos atrasos.

Máfia do Asfalto: planilha indica pagamento mensal a políticos

Documento sugere cachê mensal pago a prefeitos e deputados estaduais e federais. Cândido Vaccarezza (PT) e Itamar Borges (PMDB) são os mais citados

Operação Fratelli
Planilha apreendida pelo MP revela existência de mensalão pago por grupo Scamatti a políticos (Fabio Carvalho/Dhoje Interior)
Uma nova planilha, apreendida em posse do empreiteiro Olívio Scamatti, sugere pagamentos mensais da "Máfia do Asfalto", entre 2011 e 2013, para deputados estaduais e federais, prefeitos e servidores públicos. Na quarta-feira, foi revelada a existência de uma primeira planilha, apreendida com um contador ligado à organização, que apontava pagamento de mais de 3 milhões de reais a políticos. Para o Ministério Público, os documentos são "indícios de propina".
Os nomes dos parlamentares Cândido Vaccarezza (PT), Geraldo Vinholi (PSDB), Jéfferson Campos (PSD), Otoniel Lima (PRB) e Itamar Borges (PMDB) aparecem com assiduidade no documento encartado aos autos da Operação Fratelli - missão integrada da Polícia Federal e do Ministério Público que investiga organização infiltrada em pelo menos 78 municípios da região noroeste de São Paulo para fraudar licitações com recursos de emendas de deputados federais e estaduais.
Scamatti - preso há sete meses - é o controlador do Grupo Demop, que reúne empresas de construção, entre elas a Scamatti & Seller e a Scan Vias. Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Núcleo São José do Rio Preto (SP), atribuem ao empreiteiro o papel de "chefe da quadrilha, grande articulador e mentor da absoluta maioria das fraudes".
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Maquiavel: O PT e a 'máfia do asfalto'

Para os promotores, Scamatti "convencia prefeitos dos mais variados municípios a direcionar as licitações no ramo de pavimentação e recapeamento asfáltico" - parte do dinheiro dessas obras saía de emendas parlamentares.
A investigação começou em 2008. Para os quatro promotores envolvidos no caso - Evandro Ornelas Leal, João Santa Terra Junior, Paulo César Neuger Deligi e João Paulo Gabriel de Souza -, as planilhas com nomes de políticos e valores "são indicativos da possibilidade de pagamento de propinas".
Foro - Mesmo incluindo nos autos da Fratelli a planilha do empreiteiro, os promotores não fizeram acusação formal a nenhum parlamentar. Eles não puderam apurar a veracidade da lista, porque não detêm competência para procedimento dessa natureza. Por isso, encaminharam cópia da contabilidade de Scamatti para duas esferas, a Procuradoria-Geral de Justiça e a Procuradoria-Geral da República, a quem cabe investigar autoridades com prerrogativa de foro privilegiado, caso dos deputados e prefeitos.
A sucessão de repasses coincidiu com uma etapa de prosperidade das empresas coligadas do empreiteiro - em 2011, a Scamatti & Seller teve faturamento bruto de 16,44 milhões de reais; em 2012, deu um salto para 99,36 milhões de reais.
A agenda que pode dar a pista para a corrupção estava guardada em um pen drive que a PF recolheu na residência de Scamatti, quando a operação foi desencadeada, em abril. O Setor Técnico Científico do Ministério Público abriu o arquivo que pode reforçar suspeitas de laços entre o empreiteiro e políticos.
Mais citado - Uma das citações mais frequentes na contabilidade do principal alvo da Operação Fratelli aponta para o nome do deputado federal Cândido Vaccarezza e de uma ex-assessora dele, Denise Cavalcanti. Em 2011, por exemplo, os lançamentos se repetem onze vezes, apenas entre janeiro e maio. Em 2012, há outras quatro menções ao petista. A soma global de valores foi de 355 000 reais.
Itamar Borges, deputado estadual pelo PMDB, teve seu nome anotado nove vezes na agenda do empreiteiro em 2011, de fevereiro a dezembro - a maioria das parcelas de 25 000 reais. Borges também foi citado outras duas vezes em setembro de 2012: o montante que teria sido repassado ao peemedebista chegou a 247 000 reais.
Um único registro menciona Roquinho, como é conhecido o deputado estadual Roque Barbieri (PTB) - 19 de agosto de 2011, ao lado da quantia de 20 000 reais. Foi Barbieri que denunciou, em agosto de 2011, a venda de emendas parlamentares na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Segundo ele, entre 25% e 30% de seus pares no Palácio Nove de Julho vendem emendas.
Os promotores selecionaram e anexaram à denúncia criminal entregue à Justiça um bloco de onze interceptações telefônicas "reveladoras" que flagraram Scamatti "em contatos com agentes políticos ou assessores destes visando influenciar a destinação de recursos para municípios específicos, em obras do ramo de atuação do grupo para posteriormente fraudar as licitações".
O fluxo de caixa de Scamatti mostra que depósitos podem ter sido feitos diretamente em conta bancária, mas a maior parte dos repasses é vinculada a um personagem enigmático do esquema, Osvaldo Ferreira Filho, o Osvaldin, apontado como lobista e elo da organização com o poder público. Osvaldin foi assessor na Alesp e na Câmara dos Deputados, em Brasília, do parlamentar Edson Aparecido (PSDB), licenciado para comandar a Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo.
Outro lado - A maioria dos parlamentares negou qualquer relação com os integrantes do grupo acusado de fraudar em licitações em prefeituras do interior de São Paulo. A reportagem conseguiu contato com oito dos catorze parlamentares citados no documento apreendido pelo Ministério Público. Os deputados Devanir Ribeiro (PT), Cândido Vaccarezza (PT), Otoniel Lima (PRB), Roque Barbiere (PTB) e Gilmaci Santos (PRB) não foram localizados. Carlos Cezar (PSB) não respondeu aos questionamentos.
O deputado estadual Itamar Borges (PMDB) afirmou que nunca negociou com o Grupo Demop. "O parlamentar nunca recebeu qualquer tipo de doação ou benefício em troca de emendas parlamentares de quem quer que seja e jamais fez qualquer tipo de negociação com os empresários envolvidos na investigação", disse a assessoria de imprensa de Itamar Borges.
Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo na Câmara dos Deputados, também é citado na contabilidade da Máfia do Asfalto. Ele disse que a informação, que consta na planilha apreendida, é uma "vigorosa mentira". "O MP tem o dever de apurar corretamente todos os fatos", disse o deputado.
O atual prefeito de Catanduva (SP), Geraldo Vinholi (PSDB), que teria recebido 105 000 reais de acordo com a planilha, "nega com veemência" a inclusão de seu nome na lista. "Geraldo Vinholi não tem qualquer envolvimento ou contato com os empreiteiros em questão e repudia com veemência a inclusão de seu nome", disse, em nota, a assessoria de imprensa do tucano.
O petista João Antonio, atual secretário de Relações Governamentais do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse que nem sequer assinou emendas durante o período citado nos documentos do Ministério Público. Na planilha de Scamatti, o nome de João Antonio aparece ao lado da quantia de 100 000 reais. "O deputado estadual licenciado João Antonio não assinou emendas ao orçamento de 2011. Ele não destinou quaisquer recursos para prefeituras que eventualmente assinaram contratos com o grupo investigado", afirmou sua assessoria de imprensa.
José Mentor, deputado federal do PT, também disse que não fez emendas com o grupo Demop. De acordo com a planilha do Ministério Público, Mentor teria recebido da organização 25 000 reais entre 2011 e 2012, como propina.
O deputado Enio Tatto (PT) afirmou que não conhece Scamatti e repudiou envolvimento no caso. "Eu não conheço essa turma. Não tenho relação nenhuma. Eu jamais teria, muito pelo contrário. É só ver a minha atuação na Assembleia Legislativa. Eu até pedi para abrir CPI", disse o parlamentar. O nome de Tatto aparece no documento apreendido ao lado da quantia 85 000 reais.
O deputado federal Jefferson Campos (PSD) afirmou por intermédio de sua assessoria que não iria comentar sobre as novas informações contidas dos documentos do Ministério Público Estadual.

Convocados por artistas, manifestantes saem às ruas no Rio

Enquanto autoridades anunciavam em Brasília um esforço para unificar a resposta à violência nos protestos no país, cerca de mil pessoas fizeram uma manifestação pacífica e "performática" no Rio de Janeiro.
O protesto entitulado "Grito da Liberdade" foi convocado por artistas da TV brasileira como Mariana Ximenes, Wagner Moura, Camila Pitanga e Marcos Palmeira por meio de um vídeo divulgado pela internet. Esses artistas, porém, não foram ao protesto.
O grupo se concentrou em frente ao Fórum da cidade por volta das 15. A passeata começou pouco antes das 17h. Não houve tumulto nem prisões.
Entre as reivindicações divulgadas em um manifesto estavam o fim das "prisões políticas", anistia aos processados e "presos políticos", garantia do direito à livre manifestação. Também estavam na agenda o fim da violência policial, a desmilitarização da PM e a investigação dos crimes cometidos pela polícia.
A atriz Teresa Seiblitz, que já participou de diversas telenovelas e longas metragens, disse que as dezenas de prisões ocorridas durante os protestos dos professores, há duas semanas, foram o estopim da iniciativa dos atores e atrizes para apoiar o protesto.
"Somos cidadãos, temos o direito de nos manifestar. Não é um grupo, não é um vídeo de um grupo. Eu não sou bancada pela TV Globo, e acho muito delicado isso, em vista das circunstâncias", disse à BBC Brasil em referência às queixas dos manifestantes contra a emissora.
"Nasci em 1964, cresci com medo da polícia, e é chocante sentir isso de novo".
"As questões são muito complexas. É claro que ali no meio tem todo tipo de pessoa, mas acho que [a tática] black bloc é um jeito de se defender da polícia", disse.
Além dela, participaram o poeta Chacal, o escritor João Paulo Cuenca e o ator Luiz Henrique Nogueira.
Um dos organizadores do protesto, integrante dos grupos Ocupa Lapa e Reage Artista, disse à BBC Brasil que a ideia do vídeo partiu dos próprios artistas, que procuraram os movimentos sociais.
"Nós aceitamos a ideia, e o pessoal do Mídia Ninja foi gravar com eles. A manifestação foi organizada por mais de 50 coletivos e acho que a participação deles deve ajudar", disse sob condição de anonimato.
Para ele, a participação dos artistas – mesmo que não tenham comparecido às ruas – deve tocar as pessoas. "Eles têm uma visibilidade com o grande público, e podem falar direto com as pessoas, mesmo aquelas que não se ligam em política".
Porém, parte dos organizadores do protesto desaprovou a participação de artistas globais no movimento.
Além do vídeo, a manifestação foi diferente pelo clima performático. Na entrada na avenida Rio Branco, após uma breve confusão na Candelária (quando um jovem foi revistado pela polícia) os manifestantes usaram mordaças e seguiram parte do percurso em silêncio.
Guiados apenas por batidas de tambor em uma melodia fúnebre, os manifestantes só retiraram as mordaças na Cinelândia, aos gritos de Fora Cabral (em alusão ao governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral).
Para o ativista Rafael Puetter, também conhecido como Rafucko e criador dos Pink Blocs (ativistas gays que fazem protestos pacíficos), um dos objetivos da manifestação no Rio foi mostrar que os protestos não vão parar.
"Tenho certeza de que as pessoas vão ficar nas ruas, embora a tendência é que o governo feche o cerco", disse à BBC Brasil.

Resposta unificada

Em Brasília, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se reuniu com o diretor da Polícia Federal, Leandro Daiello, e os secretários da Segurança Pública do Rio e de São Paulo, José Mariano Beltrame e Fernando Grella, entre outras autoridades, para discutir a violência nos protestos.
Cardozo anunciou um esforço envolvendo autoridades federais, estaduais e do Judiciário para unificar os procedimentos policiais e definir por quais tipos de crimes as pessoas flagradas realizando depredação serão indiciadas e processadas.
Até então, cada polícia vem usando suas próprias táticas para combater a violência nas manifestações.
Além disso, cada Estado vinha adotando diferentes tipificações criminais para indiciar suspeitos – nem todas elas aceitas pelo Judiciário. Segundo Cardoso, representantes do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público devem se reunir para definir por quais crimes os manifestantes radicais devem ser indiciados.
O ministro também afirmou que os diversos órgãos compartilharão informações de inteligência. Ele deixou claro que o objetivo não é investigar as manifestações ou movimentos sociais, mas somente os grupos que vêm cometendo atos violentos nos protestos.
"Não se trata de recrudescer contra manifestante, de coibir movimento social, medidas que seriam ilegais se fossem tomadas. Levamos muito tempo para conseguir isso. O que estamos falando é de situações ilícitas, abusos, violência contra pessoas. E de agir contra pessoas que praticam ilícitos penais", disse Cardozo.
O secretário Fernando Grella, de São Paulo, defendeu um aumento da pena a agressões a policiais, seis dias após o comandante da PM Reynaldo Rossi Simões ter sido agredido por black blocs no centro de São Paulo. Afirmou também que a polícia paulista trabalha para identificar os líderes do movimento conhecido como black bloc.
Seu colega fluminense, José Mariano Beltrame, disse que o movimento black bloc é totalmente novo no Brasil e a questão deve ser tratada com o envolvimento de outros atores e instituições.
Ele também defendeu a alteração de leis que possam facilitar a punição aos manifestantes, dizendo que "o policial precisa ter garantia de que, quando apresenta alguém [na delegacia], aquilo efetivamente terminará em ação penal".

São Paulo

Em São Paulo, cerca de 200 pessoas fizeram uma passeata pacífica na Avenida Paulista em protesto contra o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
Os manifestantes caminharam até a casa do prefeito Fernando Haddad (PT), onde gritaram palavras de ordem. O prefeito conseguiu aprovar recentemente um aumento de 20% do imposto para imóveis residenciais e 35% para os prédios comerciais da cidade.
Um suspeito foi preso por portar uma barra de ferro.