sexta-feira, 26 de abril de 2013

Maracanã será reaberto neste sábado; entenda a polêmica sobre a reforma

Após praticamente dois anos e nove meses fechado para reformas, o Estádio Mário Filho, mais conhecido como Maracanã, no Rio de Janeiro, será reaberto neste sábado com um amistoso entre amigos dos ex-jogadores Bebeto e Ronaldo.
O evento, fechado para o público, será o primeiro teste do estádio para a Copa das Confederações, que começa em 15 de junho. Além de convidados de honra, funcionários e seus familiares acompanharão a partida.
Estima-se que cerca de 25 mil pessoas deverão estar presentes na reinauguração.
Após o jogo de reabertura deste sábado, estão previstas mais duas partidas antes da Copa das Confederações. A primeira, ainda indefinida, deve ocorrer no dia 15 de maio (com 50% da capacidade total) e ainda não foi decidido se haverá venda de ingressos.
O teste final acontecerá no dia 2 de junho, com o amistoso da seleção brasileira contra a Inglaterra, quando o Maracanã receberá, pela primeira vez, sua capacidade máxima, de 78.639 pessoas.
Para entender as polêmicas que envolveram a reforma do estádio, que durou cerca de dois anos e meio, a BBC Brasil preparou uma lista de perguntas e respostas.

Em que consistiram as obras?

O Maracanã passou por uma reforma completa. As cadeiras antigas foram retiradas e substituídas por novas, retráteis e numeradas. Os camarotes também mudaram de lugar e foram instalados no segundo e terceiro pavimentos do estádio. Ao todo, serão 110 camarotes com acessos exclusivos.
Já a arquibancada ganhou maior inclinação e teve os setores inferior e superior unificados. Nas laterais, os torcedores ficarão a 12 metros da linha lateral do campo, o que, segundo o consórcio responsável pelas obras, garantirá maior visibilidade.
Além disso, a cobertura antiga foi inteiramente removida e substituída por uma nova estrutura com membrana tensionada, com 60,4 metros de comprimento.

Quando a reforma começou?

A reforma do Maracanã começou em agosto de 2010. A previsão era de que o estádio seria entregue em dezembro do ano passado, a seis meses do início da Copa das Confederações, que ocorrerá em junho deste ano.
No entanto, a data de entrega acabou adiada para final de fevereiro, depois para 15 de abril e finalmente 24 de maio, quando será entregue oficialmente.
Segundo a assessoria de imprensa da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), "é natural que o prazo tenha sido modificado porque se trata de um estádio construído na década de 40, além de outras intempéries, como a greve que paralisou as obras".
"O importante é que o Maracanã será entregue para a Copa das Confederações, como acordado com a Fifa", ressaltou a assessoria.
O novo Maracanã também teve sua capacidade total reduzida de 82.238 para 78.639 lugares. Seguindo as recomendações da FIFA, todas as cadeiras são retráteis e numeradas.

Todas as obras do estádio foram terminadas?

Não. Cerca de 97% delas estão concluídas. Ainda faltam retoques na área externa do estádio, como catracas, bilheterias, iluminação e outros investimento no entorno.
No jogo deste sábado, por exemplo, apenas duas das quatro entradas serão usadas pelos convidados.
Em entrevista coletiva, o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, a reurbanização do entorno do estádio só estará concluída no dia 27 de maio, quando o estádio deverá ser entregue oficialmente à Fifa.
Já a passarela para a Quinta da Boa Vista, parque próximo ao Maracanã, só será construída para a Copa do Mundo. A obra está prevista no projeto original.

Quanto custou a obra?

A previsão oficial do custo da obra era de R$ 705,6 milhões. Em maio de 2011, o consórcio responsável pelas obras alegou que, por causa de problemas com a cobertura, o valor da reforma subiria para R$ 956,8 milhões.
No entanto, após o Tribunal de Contas da União (TCU) apontar um sobrepreço no projeto, a reforma foi reavaliada em R$ 859,5 milhões.

Por que foi tão cara?

O consórcio responsável pelas obras alega que problemas na cobertura elevaram o custo total das obras. Segundo o Governo Estadual e a Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), a antiga estrutura estava comprometida, por corrosão acentuada e progressiva das armaduras das vigas e lajes das marquises.

Raio-X do Maracanã

- Capacidade: 78.639 lugares
- Assentos numerados e retráteis
- 96% das cadeiras terão cobertura
- 97% das obras já concluídas
- Custo total: R$ 859,5 milhões
A decisão, baseada em análises e estudos de engenharia, foi assim removê-la, sob pena de colocar em risco a segurança dos torcedores. De acordo com a versão oficial, a reforma da antiga cobertura apenas iria adiar a necessidade de sua completa remoção.
Portanto, para evitar que, futuramente, a complementação prevista no projeto original também fosse perdida, a solução escolhida foi a substituição total da estrutura e de seu futuro complemento por uma membrana tensionada.
Cerca de 96% dos assentos do novo Maracanã são cobertos.

Quem pagou pela reforma?

Do custo total da obra, R$ 400 milhões seriam financiados pelo BNDES. O restante seria pago pelo governo estadual. Não houve investimentos privados na reforma do estádio.

Quantas empresas estiveram envolvidas na obra?

A reforma do Maracanã foi tocada inicialmente por um consórcio formado por três empreiteiras: Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta. Em abril do ano passado, a Delta, que possuía 30% de participação no grupo, abandonou as obras alegando dificuldades financeiras.

Quem operará o estádio?

Eike Batista / BBC
Empresa do bilionário Eike Batista participou da licitação para administrar o Maracanã
No início deste mês, foi feita uma licitação para definir quem administrará pelos próximos 35 anos não só Maracanã, mas também o Ginásio Gilberto Cardoso, conhecido como Maracanãzinho, e as áreas do entorno, que compõem o chamado Complexo Maracanã.
Apesar de os envelopes com os valores ofertados já terem sido abertos, o vencedor ainda não foi revelado. Dois consórcios disputaram o certame: o Maracanã S/A, formado pelas empresas brasileiras IMX, Odebrecht e Andrade Gutierrez, e o Complexo Esportivo e Cultural do Rio, composto pela brasileira OAS, a holandesa Stadion Amsterdam e a francesa Lagardère Unlimited.
Segundo o governo do Estado, as propostas estão sendo avaliadas e não há prazo para a divulgação do consórcio vencedor.
O responsável pela gestão, operação e manutenção do complexo também terá de realizar, por sua conta e risco, uma série de ações e intervenções no entorno do estádio, as chamadas “obras incidentais”, no valor de R$ 594 milhões. Caso o valor gasto seja inferior a esse montante, a diferença deverá retornar aos cofres do governo.
A empresa vencedora também terá de implantar um Museu do Futebol e um estacionamento no entorno do estádio, além de restaurar o antigo Museu do Índio, que até recentemente era ocupado por indígenas.

Quando essas obras deverão acabar?

Todas as obras deverão ser concluídas em dois anos e meio a partir da divulgação do vencedor da licitação, dentro dos preparativos para a Olimpíada de 2016.

De que forma o vencedor da licitação irá recuperar seu investimento?

A concessionária terá o direito de explorar economicamente o Maracanã e o Maracanãzinho, realizar atividades comerciais nas áreas do entorno do estádio, além de poder explorar e licenciar a marca Macaranã, inclusive para fins publicitários.
Nos termos da licitação, também está previsto que a empresa que ganhar o certame terá de pagar um mínimo de R$ 4,5 milhões anuais ao governo, uma espécie de “aluguel” pelo espaço, durante os próximos 35 anos (porém, não haverá pagamento nos dois primeiros anos).
Segundo o estudo de viabilidade do empreendimento, os lucros do vencedor da licitação podem chegar a R$ 1,4 bilhão durante o período da concessão.

Quem tiver cadeiras cativas terá direito a elas depois da reforma?

Cadeiras do Maracanã / Reuters
Novas cadeiras do Maracanã são numeradas e retráteis
Sim. Porém, os proprietários das cerca de 5 mil cadeiras cativas não poderão usá-las na Copa das Confederações, na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016. O assentos não poderão ter seus setores modificados e as novas áreas são equivalentes às antigas.

Por quantas reformas o Maracanã já passou?

Nos últimos 12 anos, o Maracanã passou por um intenso processo de remodelação. A primeira grande reforma ocorreu para o Mundial de Clubes da Fifa de 2000, quando foram gastos cerca de R$ 106 milhões, em valores da época.
Entre abril de 2005 e janeiro de 2006, o estádio voltou a ser fechado para obras com vistas aos Jogos Pan-Americanos de 2007. Entre as obras, foram instaladas novas cadeiras e a antiga “geral” – área próxima ao campo onde os torcedores assistiam a partidas em pé – deixou de existir.
Na ocasião, o custo total foi de R$ 304 milhões. Apesar de elevado, a justificativa para o valor foi de que o Maracanã atenderia às exigências da Fifa para receber uma Copa do Mundo.
Somando-se ao custo oficial da reforma atual, de 859,5 milhões, o montante gasto no Maracanã nos últimos anos totalizaria, em valores corrigidos, chegaria a R$ 1,5 bilhão, segundo estimativa do jornalista João Carlos Assumpção e do economista Francisco Pessoa.

Polícia de NY diz ter encontrado pedaço de avião do 11 de Setembro

A polícia de Nova York afirmou, nesta sexta-feira, ter encontrado um pedaço de um trem de pouso que acredita ser de um dos aviões que se chocaram com os edifícios do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001.
A peça, que contém um número de identificação da Boeing, ainda bem visível, foi encontrada por inspetores prediais na quarta-feira, prensada no vão entre dois edifícios nova-iorquinos, dizem as autoridades.
A área onde a peça foi encontrada, na região baixa da ilha de Manhattan, foi isolada pela polícia, para mais investigações.
O vice-comissário Paul Browne disse que ainda não foi tomada uma decisão quanto a se o solo do local será testado, em busca de eventuais restos humanos da tragédia.
Quase 3 mil pessoas morreram durante os atentados de 11 de Setembro em Nova York, Washington e Pensilvânia.

Obama adverte que uso de arma química na Síria seria um 'divisor de águas'

O presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu nesta sexta-feira uma "rigorosa investigação" das suspeitas de que o regime sírio estaria usando armas químicas contra rebeldes.
Em encontro com o rei Abdullah, da Jordânia, Obama repetiu que provas do uso de armas químicas por Damasco seria um "divisor de águas" - ou seja, poderia mudar a atual posição americana em relação à Síria, abrindo a possibilidade para uma intervenção.
Mas Obama ressaltou que ainda são preliminares os relatos de inteligência indicando que Damasco teria usado o gás tóxico sarin contra seus inimigos.
Mais cedo, o premiê britânico, David Cameron, disse que há crescentes evidências de uso de armas químicas, o que constituiria um crime de greve. A Síria, por sua vez, nega.

Brasil aumenta em 34% investimentos militares entre 2011 e 2012

O Brasil aumentou em 34% em temos absolutos (sem descontar a inflação) o seu investimento militar entre 2011 e 2012, de acordo com informações do Ministério da Defesa. Boa parte dinheiro foi destinado a programas considerados estratégicos, como o desenvolvimento de submarinos e a modernização de aviões de caça.
O pasta informou que esse tipo de gasto foi de R$ 6,5 bilhão, há dois anos, para R$ 8,7 bilhões, no ano passado.
Os investimentos fazem parte de um orçamento geral que chegou a R$ 66, 3 bilhões em 2012. Ele inclui também o pagamento de militares da ativa e da reserva, pensões, pagamento de dívidas, manutenção de estruturas, entre outros.
Grande parte da verba investida foi destinada para os programas de desenvolvimento de submarinos da Marinha, de construção de blindados Guarani, de transporte de pessoal para o Exército, e de desenvolvimento do do avião de transporte KC-390, que ainda não está pronto.
Os recursos também foram usados na modernização de aviões de caça, de sistemas de artilharia antiaérea e na recuperação de equipamentos deteriorados, entre outros projetos.

Queda em ranking

De acordo com um ranking da Sipri (Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo), o Brasil está entre os 15 países que mais gastam com defesa no mundo.
Entretanto, o país caiu no ranking da 10º posição em 2011 para a 11º em 2012. Nas três primeiras posições estão Estados Unidos, China e Rússia.
O instituto afirmou que os gastos brasileiros no setor de defesa subiram de R$ 61,7 bilhões em 2011 para R$ 64,7 bilhões no ano passado.
Com base nisso, estimou que, embora o crescimento brasileiro absoluto tenha sido de quase 5%, após o desconto da inflação, o crescimento real teria sido de - 0,5%, segundo Carina Solmirano, uma das autoras da pesquisa.
Porém, o Ministério da Defesa afirmou que o Sipri não levou em conta verbas adicionais recebidas pela pasta, que elevaram seu orçamento para R$ 66,3 bilhões em 2012.
Com a verba adicional, o crescimento se tornou positivo, mas continua indicando uma tendência de estabilidade.
Além disso, o governo destaca que as verbas para investimento militar estão em crescimento no país. Desde 2004, os investimentos cresceram 480% em termos absolutos – de R$ 1,5 bilhão em 2004 para R$ 8,7 bilhões em 2012.

Brasil terá aumento de 38% em novos casos de câncer até 2020, dizem especialistas

Os novos casos de câncer devem aumentar 38,1% no Brasil ao longo desta década, passando de 366 mil casos diagnosticados em 2009 para mais de 500 mil novos casos em 2020, segundo um artigo assinado por mais de 70 especialistas na revista especializada Lancet Oncology.
O artigo adverte que a América Latina corre o risco de enfrentar um aumento substancial no número de mortes por câncer se não houver uma melhoria no diagnóstico precoce da doença e no acesso a tratamentos pelas populações mais pobres.
Segundo o relatório, há 163 casos de câncer para cada 100 mil pessoas na América Latina, número inferior aos 264 casos por 100 mil habitantes registrados na União Europeia ou os 300 por 100 mil dos Estados Unidos.
Apesar disso, a mortalidade na América Latina é muito mais alta, com 13 mortes para cada 22 casos. Nos Estados Unidos, são 13 mortes para cada 37 casos, enquanto na União Europeia são 13 mortes para cada 30 casos.
Segundo os especialistas, o diagnóstico tardio e problemas no acesso a tratamento são as principais causas para a disparidade dos números.
Com o aumento da expectativa de vida na região, além do aumento do poder aquisitivo e da adoção de hábitos verificados em países desenvolvidos, o problema tende a se acentuar, advertem os autores do artigo.
Eles calculam um aumento de 35% na detecção de novos casos de câncer na América Latina e no Caribe entre 2009 e 2020. No Brasil, esse percentual seria de 38,1%.
Apesar de ser similar ao aumento esperado para outros países em desenvolvimento, como China (34,6%) e Índia (33,8%), a proporção é bastante superior à esperada nos Estados Unidos (26,2%), na Grã-Bretanha (15,5%) ou no Japão (15,4%).

Comportamentos de risco

O relatório dos especialistas adverte que os latino-americanos estão adotando cada vez mais comportamentos considerados de risco em relação ao câncer, incluindo vidas mais sedentárias, alimentação menos saudável e consumo maior de cigarros e de álcool.
A exposição das pessoas ao sol sem proteção e a poluição interna gerada pela queima de combustíveis sólidos também são apontados como fatores que devem contribuir para o aumento no número de casos de câncer na região na próxima década.
Os especialistas estimam que até 2030 haverá 1,7 milhões de casos de câncer diagnosticados por ano na América Latina e no Caribe, com mais de 1 milhão de mortes anuais.
"A adoção mais generalizada de estilos de vida semelhantes aos dos países desenvolvidos levará ao rápido crescimento no número de pacientes com câncer, com um peso para o orçamento para o qual os países latino-americanos não estão preparados", afirma o coordenador da pesquisa, Paul Goss, professor de medicina da Escola Médica de Harvard, em Boston.
"Esse problema crescente do câncer ameaça causar sofrimento generalizado e se tornar um peso econômico para os países da América Latina", diz.
Segundo ele, "a região está mal preparada para lidar com o aumento crescente na incidência de câncer e as taxas de mortalidade desproporcionalmente altas em comparação com outras regiões do mundo, enfatizando a magnitude do problema do controle do câncer".

Custos

O relatório estima que o custo total com câncer em todos os países da América Latina chegou a US$ 4,5 bilhões em 2009 (cerca de um terço disso somente no Brasil), comparado com US$ 142,8 bilhões nos Estado Unidos, US$ 11,3 bilhões na Grã-Bretanha, US$ 30,8 bilhões no Japão, US$ 5,8 bilhões na China e US$ 656 milhões na Índia.
Quando considerado o tamanho da população, o custo médio por paciente na América do Sul foi calculado em US$ 7,92 (no Brasil, US$ 8,04). Nos Estados Unidos, os gastos por paciente foram de US$ 460,17, na Grã-Bretanha, de US$ 182,73 e no Japão, de US$ 243,7.
A disparidade diminui quando esses gastos por paciente são analisados em relação ao PIB per capita de cada país, mas ainda assim os custos por paciente como porcentagem do PIB per capita, de 0,12% na América do Sul (0,11% no Brasil) ficam bem abaixo das proporções nos Estados Unidos (1,02%), no Japão (0,60%) e na Grã-Bretanha (0,51%).

Como interrogar um suspeito de terrorismo?

Todo o mundo quer saber se - e por que - os irmãos Tsarnaev detonaram duas bombas durante a Maratona de Boston, na semana passada. E uma altamente treinada equipe de interrogadores espera obter essas respostas.
Curiosamente, a melhor ferramenta de interrogatório pode ser uma lata de Coca-Cola na mesa.
"Spike" Bowman, ex-funcionário jurídico do FBI, conta que oferecer ao suspeito algo que ele quer - seja uma lata de Coca no começo da sessão ou uma redução em sua acusação, mais tarde - ajuda a que se estabeleça um relacionamento.
E, assim que o interrogador cria vínculo com o suspeito, as coisas ficam mais fáceis.
"Você tende a conversar com pessoas amigáveis", diz Bowman.
Independentemente de quais sejam os métodos usados pelos investigadores do atentado em Boston, eles parecem ter funcionado até agora. O único suspeito vivo, Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, aparentemente começou a se abrir.
Ainda hospitalizado com ferimentos a bala, ele informou, segundo a polícia, que ele e seu irmão Tamerlan (que morreu em confronto com policiais) agiram sozinhos.
Disse também, pelo que uma autoridade governamental informou à rede CNN, que seu irmão foi o idealizador dos ataques e que este queria "defender o Islã".

Grupo de elite

Consultado pela BBC, FBI não quis confirmar nem negar os supostos detalhes do interrogatório.
Mas sabe-se que os interrogadores do caso são parte de uma equipe de elite, chamada de Grupo de Interrogatório de Detentos de Alto Valor, criado em 2009 por ordem presidencial.
O grupo é formado por "equipes móveis de interrogadores experientes, analistas, especialistas no assunto em questão e linguistas, para interrogar terroristas de alto valor", dizem documentos do governo americano.
Hospital em Boston onde Tsarnaev está internado
Equipe de interrogadores de elite foi encarregada do caso
Membros dessa equipe interrogaram Faisal Shahzad, que cumpre pena perpétua após admitir culpa na tentativa de detonar uma bomba em Nova York em maio de 2010, como confirmou o diretor da CIA, John Brennan.
O grupo foi idealizado para ter gente treinada e pronta para o caso de os EUA capturaram vivo Osama Bin Laden, explica um especialista forense que tem acesso ao grupo e que pediu anonimato.
"Não acho que seja um exagero", disse ele, questionado quanto à convocação do grupo de elite para lidar com Tsarnaev. "O (governo) quer mostrar seu brinquedo novo."

Abordagem

Enquanto a equipe tenta obter mais informações sobre o caso de Boston, médicos e enfermeiras tentam fazer com que o suspeito sinta-se confortável.
A abordagem dos interrogadores parece humana, sobretudo se comparada à forma como autoridades americanas já trataram suspeitos de terrorismo.
Anos atrás, surgiram suspeitas de que a CIA teria usado técnicas controversas de interrogatório em um acusado de terrorismo, Abu Zubaydah, um agente sênior da Al-Qaeda. Suspeita-se que a CIA tenha tirado suas roupas, mantido-o em um quarto frio e submetido-o a simulações de afogamento.
Vídeos do interrogatório gravados pela CIA supostamente mostram o suspeito gritando e vomitando.
Aparentemente, ele deu poucas informações aos interrogadores. Mais tarde, agentes especiais do FBI o deixaram mais à vontade e, com o tempo, descobriram novos fatos sobre a organização extremista. Até hoje membros da CIA e do FBI ainda discutem as circunstâncias envolvendo o interrogatório de Zubaydah.
Ao mesmo tempo, a abordagem tradicional do FBI - aprender o máximo possível sobre o suspeito e criar um elo de confiança - reflete a filosofia da agência em obter dados de inteligência.
"As entrevistas mais bem-sucedidas são as em que o interrogador tem já 90% do que quer obter", diz Mike German, ex-agente do FBI que atuou em casos de contraterrorismo doméstico.

Humilhação e espancamento

German e outros especialistas creem que os métodos mais agressivos de interrogatório, como humilhação e espancamentos, são menos eficientes. Deixando de lado questões morais e éticas, dizem eles, infligir dor raramente é uma boa estratégia.
"As pessoas não reagem bem a métodos coercivos", diz Bowman.
José Padilla
Interrogatório de José Padilla até hoje causa polêmica
Como exemplo, ele descreve outro interrogatório de um suspeito que se recusava a cooperar. Interrogadores militares tentaram obter informações do nova-iorquino José Padilla depois que ele foi preso, em 2002, acusado de planejar ataques a bomba nos EUA.
"Eles o entrevistaram durante seis meses, sem conseguir nada", prossegue Bowman. "Mas aí o FBI teve uma chance (de interrogá-lo), e ele falou por quatro horas."
Padilla foi condenado em 2007, por conspiração para terrorismo.
Esse episódio, como outros de extremismo doméstico, entretanto, é complexo. Autoridades governamentais rebatem críticas de que o caso foi tratado de maneira ineficiente. E, passados anos desde sua prisão, o caso Padilla ainda desperta polêmicas e tem perguntas nunca respondidas.
Gentileza não é o único método. Interrogadores devem adequar sua abordagem ao suspeito, algo que pode demandar mais agressividade para obter informações, dizem especialistas.
"Se for um sujeito dócil, e você manda (um interrogador) de 1,80 metro parecido com um jogador de futebol americano, gritando, 'daqui a um ano você será executado', ele pode se desestabilizar e contar tudo", diz o especialista forense.
No caso de Tsarnaev, os investigadores estão em posição de força - e podem não sentir a necessidade de gritar.
"O interrogatório pode ajudar a descobrir detalhes", diz German. "Mas a maioria das informações já é conhecida."
O especialista forense concorda: "Para ser sincero, eles não precisam que (Tsarnaev) lhes diga tudo o que sabe. Mas seria bom."

quinta-feira, 25 de abril de 2013

EUA adotam cautela sobre armas químicas da Síria

Os EUA adotaram um tom cauteloso, nesta quinta-feira, ao comentar a possibilidade de o regime sírio ter armas químicas, em meio a dúvidas a respeito de que medidas serão adotadas caso o país árabe possua de fato esse tipo de armamento ilegal.
O secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, afirmou que os Estados Unidos recolheram indícios, com "algum grau de confiança variável", de que o gás tóxico sarin teria sido usado em pequena escala pelas tropas do governo sírio contra rebeldes, mas agregou que mais evidências ainda são necessárias.
A Casa Branca havia advertido que o uso de armas químicas poderia mudar a atual posição americana em relação à Síria, abrindo a possibilidade para uma intervenção, mas as descobertas, até agora, não seriam provas o suficiente para isso.
Em dezembro, o presidente dos EUA, Barack Obama, dissera que o governo Assad enfrentaria "consequências" caso usasse armas químicas. Mas o presidente americano obviamente quer evitar uma ação militar na Síria, explica o editor de América do Norte da BBC, Mark Mardell.
"Obama vê (a intervenção) como muito complexa e muito difícil, sem objetivos claros", explica Mardell.
Tampouco se sabe que tipo de ação poderia ser discutida - desde uma operação de pequena escala para proteger o armamento químico até uma guerra tradicional, diz Mardell.
Para o analista diplomático da BBC, Jonathan Marcus, a cautela americana se deve a dois pontos principais: 1) a necessidade de ter certeza absoluta da existência desses armamentos químicos (sobretudo considerando casos anteriores, como no Iraque, acusado erroneamente pelo governo Bush de ter armas de destruição em massa); 2) a incerteza quanto a que passo tomar caso essas armas de fato existam.
"Será que Washington está realmente pronto para se envolver diretamente na luta contra o governo Assad?", questiona.

'Informações limitadas, mas convincentes'

Chuck Hagel
Hagel afirmou que há indícios 'com algum grau de confiança' de que sírios usam armas ilegais
A Chancelaria britânica também citou indícios de uso de armas químicas na Síria, alegando ter "informações limitadas, porém convincentes e de várias fontes". Um porta-voz do ministério disse extraoficialmente que amostras obtidas na Síria foram testadas pelo Ministério da Defesa britânico, que teria identificado a presença do gás sarin.
Ainda assim, apesar das diversas acusações, até agora não houve confirmações oficiais do uso de armas químicas nos dois anos de conflito sírio.
Nos EUA, em uma carta a congressistas, o diretor de assuntos legislativos da Casa Branca, Miguel Rodríguez, disse que "diante do que está em jogo e do que aprendemos em experiências prévias, dados de inteligência por si só não bastam - (precisamos de) fatos críveis e confirmados que nos deem algum grau de certeza e guiem nossas decisões".
Em resposta, o senador republicano e ex-candidato presidencial John McCain disse que "é óbvio que a linha vermelha (estipulada pelos EUA para a Síria) foi cruzada". Ele recomendou armar a oposição, passo que a Casa Branca reluta em dar.
Já a senadora democrata Dianne Feinstein, que preside a Comissão de Inteligência do Senado, pediu ações internacionais para garantir a segurança do estoque de armamento químico sírio.
Autoridades da Casa Branca disseram que os EUA vão dialogar com seus aliados e buscar mais provas.
Na terça, um general israelense acusou as forças sírias de terem usado o sarin diversas vezes contra forças rebeldes, citando fotos de vítimas com sintomas de exposição ao gás.
Na Síria, por sua vez, rebeldes e tropas do governo trocaram acusações mútuas de uso de armamento químico. Uma equipe da ONU tenta entrar na Síria para investigar.

Fontes da OMC dizem que brasileiro e mexicano disputam direção

Diplomatas da OMC (Organização Mundial do Comércio) afirmaram que um brasileiro e um mexicano estão disputando a direção geral do órgão.
O embaixador brasileiro Roberto Azevedo, que representa o país no órgão, e o diplomata mexicano Herminio Blanco foram os dois nomes selecionados na segunda etapa do processo seletivo, segundo autoridades da OMC que pediram para não ser identificadas.
Um dos dois candidatos deve ser escolhido durante a etapa final na sexta-feira para ocupar o cargo do atual diretor Pascal Lamy.
Diferente do que ocorre em outros organismos internacionais, o diretor da OMC é escolhido por meio de um sistema de concenso.

Força Aérea norte-coreana aguarda ordem de "aniquilar totalmente o inimigo"

As unidades da Força Aérea e Defesa Antiaérea norte-coreanas aguardam a ordem de "aniquilar totalmente o inimigo".

“Logo que os aviões da nossa Força Aérea recebam a ordem, atacarão o inimigo, varrendo seus principais baluartes da face da Terra”, diz-se numa declaração do comando da Força Aérea e Defesa Antiaérea da Coreia do Norte, divulgada pela Agência Central de Notícias da Coreia.
“Se os imperialistas estadunidenses e seus fantoches se atreverem a desfechar um golpe preventivo, sentirão imediatamente o que é uma verdadeira guerra nuclear e os golpes de retaliação”, sublinha-se na declaração.

Suspeitos de atentado em Boston planejavam ataque a Nova York, diz prefeito

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, afirmou nesta quinta-feira que um dos suspeitos do atentado à Maratona de Boston, Dzhokhar Tsarnaev, planejava ataque similar na cidade.
O alvo seria a região da Times Square, um dos principais pontos turísticos locais.
Segundo Bloomberg, a declaração foi dada por Dzhokhar a agentes da inteligência americana. Ele e o irmão, Tamerlan, que morreu em confronto com a polícia na última sexta-feira, também planejavam detonar bombas na localidade.
Naturais da Chechênia, região separatista no sul da Rússia, os irmãos Tsarnaev moravam há pelo menos uma década nos Estados Unidos.
Nesta semana, Dzhokhar foi indiciado por uso de armas de destruição em massa. Se for formalmente acusado por tal crime, poderá ser condenado à pena de morte.

EUA investigam uso de armas químicas na Síria

O secretário de defesa americano Chuck Hagel afirmou que os Estados Unidos acreditam que armas químicas podem ter sido usadas por forças do governo da Síria.
Durante entrevista em Abu Dhabi, Hagel afirmou que autoridades da inteligência americana avaliam com "algum grau de confiança variável" que gás sarin teria sido utilizado em pequena escala.
Hagel afirmou que a comunidade de inteligência ainda está avaliando a informação, mas ainda precisa de mais evidências.
O presidente Barack Obama afirmou que o uso de armas químicas poderia mudar a atual posição americana em relação à Síria. Ele se referia a uma possível intervenção militar, porém condicionada ao encontro de provas concretas.

Estudante morre após tomar agrotóxico vendido como emagrecedor na internet

Uma investigação sobre a morte de uma estudante de medicina britânica de 23 anos concluiu que ela morreu após ingerir um agrotóxico que comprou pela internet como pílula para emagrecer.
Sarah Houston, da cidade de Chesham, na Inglaterra, foi encontrada morta em seu quarto em setembro do ano passado.
Apesar de proibido para consumo humano, o DNP (cujo composto ativo é o dinitrofenol) está disponível para compra online por seu uso legítimo como herbicida.
Os pais da jovem, Geoff e Gina Houston, disseram à BBC esperar que a morte de Sarah sirva de alerta para o perigo do consumo do DNP por outras pessoas.
"Esta é a terceira morte nos últimos seis meses. O consumo deve ser muito mais amplo do que imaginamos. Queremos que as pessoas saibam que estão correndo um grande perigo", disse o pai da jovem.
Ele fez ainda um apelo aos fornecedores da substância que estão oferecendo o produto em cápsulas de emagrecer para compra online.
"Por favor, por favor, parem, se vocês tiverem alguma noção de decência. Essas pílulas estão matando pessoas”, apelou Geoff.
A mãe, tentando justificar por que a filha recorreu à substância para emagrecer, contou que Sarah tinha um problema de autoestima, se achava acima do peso e se recuperava também de uma bulimia.
"Ela se achava gorda, apesar de nunca ter sido", disse ela.

Falência dos órgãos

Gina explicou que o DNP age acelerando o metabolismo do organismo e aumenta a temperatura corporal para queimar gordura.
"Basicamente, isso leva à falência dos órgãos. É um caminho sem volta, você cozinha por dentro. E foi isso que matou nossa filha", disse Gina que, junto ao marido, disse que não sabia que Sarah estava tomando a substância "extremamente perigosa".
"Só descobrimos depois dos resultados do exame toxicológico", afirmou a mãe da jovem.
Além do DNP, a estudante de medicina também estava tomando um remédio para tratar bulimia, que pode ter como efeito colateral o aumento da temperatura corporal. Na avaliação da mãe de Sarah, isto pode ter "mascarado" os sintomas letais provocados pelo DNP.
Em um comentário no parlamento sobre os resultados do inquérito sobre a morte da jovem, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que vai discutir com o governo formas eficientes de alertar as pessoas sobre o perigo deste tipo de substância.

ONU quer levar ao Congo experiência brasileira no Haiti

A experiência prévia à frente de operações militares no Haiti fez o general de divisão brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz ser convidado pela ONU para comandar sua maior missão de paz: a Monusco, na República Democrática do Congo.
Embora se torne responsável por uma tropa de mais de 20 mil capacetes azuis, sua tarefa mais delicada será conduzir uma unidade militar criada há menos de um mês, de uma forma sem precedentes na história das missões da paz da ONU.
A "Brigada de Intervenção" foi estabelecida com uma "autorização especial" da cúpula da ONU para adotar "qualquer medida necessária" para derrotar o M23 (Movimento 23 de Março), o FDLR (Forças Democráticas para Libertação de Ruanda) e o LRA (Exército de Resistência do Senhor), e ao menos outros quatro grupos rebeldes locais e internacionais que operam especialmente no leste do país.
Na prática, isso significa que o Departamento de Missões da Paz da ONU criou uma estrutura para possibilitar a realização de ofensivas militares mais robustas no âmbito de uma missão de paz convencional, sem ferir a legislação e os princípios das Nações Unidas.
A brigada, sediada na cidade de Goma, é composta por dois batalhões de infantaria, um de artilharia, um de forças especiais e uma companhia de reconhecimento. Santos Cruz e um grupo de oficiais brasileiros comandarão um contingente formado principalmente por soldados africanos.
"Há uma grande variedade de grupos rebeldes no leste do país. Eu me considero pronto para enfrentar até o pior cenário. O objetivo será aliviar o sofrimento da população", disse Santos Cruz à BBC Brasil.
A escolha dele foi motivada pelo papel que exerceu como chefe militar da missão de paz no Haiti entre os anos de 2007 e 2009, segundo fontes ouvidas pela BBC Brasil.
Na época, o general autorizou seus coronéis e subordinados a planejar e executar ações de força, que finalizaram o processo de desmantelamento de grupos rebeldes e gangues que dominavam a favela de Citè Soleil – o último grande bastião rebelde do país.
Segundo militares ouvidos pela BBC Brasil, assim como seus antecessores, Santos Cruz sofreu grande pressão de diplomatas da ONU para endurecer as ações no Haiti naquela ocasião.
Porém, de acordo com diplomatas do Itamaraty, ele teve versatilidade para balancear o uso da força – fazendo com que as operações em Porto Príncipe atingissem seus objetivos sem descumprir a legislação internacional ou ferir direitos humanos.
Além disso, o general ganhou a confiança do embaixador Edmond Mulet, que à época chefiou a parte civil da Minustah e hoje é o assistente do secretário-geral da ONU para operações de paz.
Ou seja, segundo fontes no Itamaraty, não houve um esforço diplomático brasileiro específico para assumir a missão na RDC, mas um reconhecimento da ONU sobre o papel que o Brasil exerceu na pacificação do Haiti que foi recompensado.
"Trata-se de uma homenagem pelo excelente trabalho que ele desempenhou à frente da Minustah e um novo sinal de reconhecimento internacional à atuação dos militares brasileiros", disse em entrevista o ministro da Defesa Celso Amorim, que ocupava a chancelaria durante a maior parte da permanência de tropas brasileiras no Haiti.
Santos Cruz já havia sido colocado na reserva quando começou a ser sondado para a missão na RDC. Vinculado atualmente a um órgão civil do governo federal, está sendo trazido de volta à ativa no Exército para assumir o cargo internacional.
Ele disse à BBC Brasil acreditar que a percepção e a experiência com situações dinâmicas adquiridas no Haiti serão de grande ajuda na RDC. Porém, afirmou que são missões muito diferentes, principalmente em relação ao tamanho do país de 71 milhões de habitantes (o Haiti tem 8 milhões) e da diversidades das forças que disputam o poder.

Crise

Exército no Congo
Situação na República Democrática no Congo começou a se agravar em 1994
A situação na região da RDC começou a se agravar após o genocídio de Ruanda, em 1994, quando mais de 1,2 milhão de hutus (muitos deles milicianos envolvidos no massacre de tutsis em Ruanda) cruzaram a fronteira leste da RDC, o antigo Zaire – em uma área tradicionalmente habitada por tutsis e outras etnias.
Ali, os hutus se aliaram a forças do governo do então Zaire em uma campanha militar contra os tutsis congoleses. Mas uma coalizão de tropas de Ruanda e Uganda com forças rebeldes congolesas, lideradas por Laurent Désiré Kabila, invadiu o país e derrotou o Exército do então presidente Mobuto Sese Seko, tomando a capital, Kinshasa, em 1997 e colocando Kabila no poder. Um ano depois, Kabila enfrentou uma rebelião que também teve a intromissão de nações vizinhas.
Em 1999 a ONU promoveu um cessar-fogo entre a RDC e Angola, Namíbia, Ruanda, Uganda e Zimbábue. Uma força de capacetes azuis foi então enviada ao país.
Eleições livres foram realizadas, mas conflitos continuaram irrompendo em diversas províncias da RDC. Em 2010, a ONU endureceu a missão do país, mas abusos de direitos humanos e violência sexual continuaram a ocorrer.
Um vácuo de poder no leste do país possibilitou aos grupos rebeldes ameaçar o governo central. A reação das Nações Unidas foi endurecer ainda mais o mandato da missão de paz e criar as condições para a organização da Brigada de Intervenção.
Essa unidade especial funcionará durante um ano. Santos Cruz ainda não tem uma data definida para assumir o comando. Seu envio depende de uma autorização formal da presidente Dilma Rousseff - que deve ocorrer em breve, segundo analistas.
O Brasil deve então enviar uma equipe de oficiais das Forças Armadas à RDC para integrar a equipe do general.
Segundo fontes do Itamaraty não há por enquanto intenção de enviar um contingente de militares combatentes à RDC. Isso porque a característica principal das tropas que integram a Monusco é uma forte participação africana.
O Brasil participa de uma série de missões de paz da ONU. As principais delas ocorrem no Haiti, onde o país tem, além do comando, uma batalhão com cerca de 1.200 homens e no Líbano, onde o país mantém um contra-almirante que chefia a Força Tarefa Naval da ONU e uma fragata com mais de 300 tripulantes.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

DNA de esqueletos pré-históricos pode traçar mapa genético da Europa

Um estudo de uma equipe internacional de pesquisadores sequenciou o DNA de quase 40 esqueletos antigos encontrados na região central da Europa e sugere que o patrimônio genético moderno do continente foi formado entre 4 mil e 2 mil anos a.C., no período neolítico.
Décadas de estudo dos padrões de DNA dos europeus modernos indicam que dois grandes eventos pré-históricos afetaram a paisagem genética do continente: o povoamento inicial da Europa pelos caçadores e coletores da era paleolítica (cerca de 35 mil anos atrás) e uma onda de imigração de fazendeiros vindos do leste, há cerca de 6 mil anos, no começo do período neolítico.
Agora, a análise de DNA de restos mais recentes no centro e norte da Europa parece mostrar que o legado genético dos caçadores e coletores foi apagado por imigrações posteriores, incluindo os fazendeiros pioneiros do neolítico, mas possivelmente também por outras ondas de imigrantes.
A mais recente pesquisa revela que os eventos ocorridos algum tempo depois da imigração inicial de fazendeiros para a Europa tiveram grande impacto no patrimônio genético atual.
Os pesquisadores se concentraram no DNA mitocondrial, o material genético passado quase sem mudanças da mãe para os filhos.
Ao estudar as mutações nas sequências de DNA mitocondrial, os pesquisadores conseguem investigar as histórias das mães de diferentes populações humanas e conseguem até fazer uma árvore genealógica das ancestrais maternas. Os cientistas também conseguiram formar grupos de linhagens de DNA mitocondrial baseados em mutações em comum.
A pesquisa foi divulgada na publicação científica Nature Communications.

Haplogrupo H

Para a nova pesquisa, os cientistas se concentraram em um destes grupos, conhecido como haplogrupo H.
O haplogrupo H domina a variação do DNA mitocondrial na Europa. Atualmente, mais de 40% dos europeus fazem parte deste "clã", e a frequência deste grupo é bem maior no oeste do que no leste do continente.
A equipe de pesquisadores selecionou 39 restos humanos da região de Mitelelbe Saale, na Alemanha, todos deles pertencentes ao "clã" H. Esta área tem uma coleção bem preservada de esqueletos humanos, que formam um registro contínuo da habitação por meio de de culturas arqueológicas diferentes desde a era paleolítica.
Os restos investigados cobrem 3,5 mil anos da pré-história europeia, desde o início do neolítico até a Idade do Bronze.
Ao sequenciar o DNA mitocondrial destes 39 esqueletos, os cientistas revelaram mudanças dinâmicas nos padrões de DNA com o passar do tempo. A equipe descobriu que as assinaturas genéticas das pessoas do começo do neolítico são raras ou ausentes nas populações modernas.
Esqueleto de um dos membros do 'povo Beaker' (Foto: British Geological Survey)
DNA do 'Povo Beaker' parecia com o de populações da Espanha e Portugal
E apenas cerca de 19% dos restos do começo do neolítico da Europa central pertenciam ao haplogrupo H.
Mas, a partir da metade do neolítico, os padrões de DNA se parecem mais com aqueles das pessoas que vivem na região atualmente, o que aponta para uma grande, e anteriormente desconhecida, agitação na população por volta de 4 mil a.C.
"O que intriga é que os marcadores genéticos desta primeira cultura pan-europeia, que claramente foi bem-sucedida, foram substituídos de repente há cerca de 4,5 mil anos, e não sabemos a razão", afirma Alan Cooper, um dos autores da pesquisa, professor da Universidade de Adelaide, na Austrália.
"Algo grande aconteceu, e agora a caçada é para descobrir o que foi", acrescenta.
O crescimento da população e a imigração da Europa Ocidental parecem tem aumentado a frequência de pessoas que carregam o DNA do haplogrupo H.

Onda imigratória

Uma contribuição importante parece ter sido feita no final do neolítico, por populações ligadas à chamada cultura arqueológica Bell Beaker. Subtipos do haplogrupo H comuns nos dias de hoje apareceram pela primeira vez nos povos da cultura Bell Beaker e a porcentagem geral de indivíduos que pertencem ao clã H aumentou muito neste período.
As origens do "povo Beaker" são debatidas. Apesar de terem sido encontrados em escavações na região de Mitelelbe Saale, os indivíduos deste grupo neste estudo mostraram semelhanças genéticas com os povos da Espanha e Portugal modernos.
Outros restos do final do neolítico, da cultura Unetice, têm ligações com populações mais ao leste.
"Estabelecemos que as fundações genéticas para a Europa moderna foram estabelecidas apenas no meio do neolítico, depois desta grande transição genética há cerca de 4 mil anos", afirma Wolfang Haak, pesquisador que também participou do estudo.
Para Spencer Wells, diretor do Projeto Genográfico, responsável pelo estudo, a pesquisa dos esqueletos pode ser um complemento para a pesquisa do DNA de populações modernas.
"Assim como o DNA das pessoas vivas hoje pode revelar o resultado final das movimentações dos ancestrais mais antigos, para realmente entender a dinâmica de como os padrões genéticos modernos foram criados, precisamos estudar o material antigo também", afirmou Wells.

Comissão do Congresso aprova MP dos Portos

Uma comissão mista do Congresso aprovou nesta quarta-feira a MP dos Portos (MP 595), que agora precisa ser votada até 16 de maio nos plenários da Câmara e do Senado, informa a Agência Brasil.
A MP estabelece um novo marco regulatório para o setor portuário e substitui a lei atual do setor, em vigor desde 1993.
Segundo o governo, as mudanças no setor vão permitir investimentos de mais de R$ 54 bilhões, com a oferta de 159 áreas em portos públicos ao setor privado.
O relator, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), apresentou um adendo com mudanças na MP para permitir a aprovação do texto, mas não houve consenso com o governo em todos os aspectos, que serão reapresentados em plenário.
Segundo a Agência Câmara, um dos destaques em debate pretende retirar da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a competência exclusiva para realizar os procedimentos licitatórios.

Após atentado, retórica anti-imigrante incomoda brasileiros nos EUA

Logo que os acusados pelo atentado a bomba em Boston – os irmãos Tsarnaev – foram identificados como sendo de origem chechena, a brasileira Renata Teodoro começou a observar o aparecimento de alguns comentários hostis a imigrantes nos perfis de alguns de seus amigos no Facebook.
Um deles veio de um ex-colega de escola americano. "Ele falou que por isso (por causa do atentado) é que precisavam parar a imigração para os Estados Unidos. Disse que o país não tinha de deixar entrar mais ninguém e que quem estivesse aqui sem documento devia ir embora", contou Renata à BBC Brasil.
Moradora de Boston, com 25 anos de idade e 19 de Estados Unidos, Renata disse que não conseguiu resistir à provocação e respondeu ao amigo.
"Eu disse que não tinha documento, e como é que eu faço?", relatou. "Ele não sabia o que responder. Dizia: ‘Ah, eu entendo, mas por que que isso (atentados) fica acontecendo?’ Eu não sei, mas não são apenas as pessoas de outros países fazendo isso."

Ameaça 'doméstica'?

Desde que alguns senadores republicanos usaram os ataques a Boston para sugerir uma suspensão da reforma migratória em andamento no Congresso, na semana passada, dois debates paralelos se entrelaçaram, gerando confusão e incômodo em defensores da legalização dos estrangeiros: o debate sobre as origens do ataque em si e a discussão sobre o futuro da reforma.
O ataque que deixou três mortos e cerca de 250 feridos em Boston tem sido tratado – apesar das diferenças de escala – como o pior incidente em solo americano desde os atentados de 11 de setembro de 2001, que deixaram mais de 3 mil mortos.
Mas se aqueles, planejados e realizados pela rede extremista Al Qaeda, levaram o então presidente George W. Bush a modificar seus planos no campo migratório, desta vez o panorama é mais carregado de sutilezas.
Os primeiros interrogatórios do irmão caçula, Dzhokhar Tsarnaev, que permanece no hospital, apenas reafirmaram que os dois jovens agiram por conta própria e sem o apoio de nenhuma rede estrangeira.
Estrangeiros em cerimônia de naturalização nos EUA
Radicalismo pode florescer tanto no exterior como nos EUA, diz analista
Além disso, os dois filhos de pais que entraram nos EUA mediante asilo político já eram considerados, à primeira vista, americanos e integrados no país. Um já era cidadão naturalizado e outro havia recebido o direito de residir nos EUA, o chamado green card.
Essas razões levaram alguns especialista a considerar o ataque a Boston como um problema "doméstico".
Em um artigo para o site da CNN, o especialista em segurança após os atentados de 11 de Setembro do Council on Foreign Relations, Edward Allen, explicou que as regras americanas de imigração e concessão de asilo político se baseiam em um rigoroso escrutínio do histórico dos candidatos.
Poderiam, portanto, indicar tendências perigosas em relação aos pais, mas "não fariam nada para nos proteger contra os filhos dos imigrantes que possam mais tarde se radicalizar".
"Como a Grã-Bretanha depois dos atentados a bomba no metrô, em 2005, que foram realizados primordialmente por imigrantes jovens, de segunda geração, os EUA não podem mais pensar que este é apenas um problema estrangeiro", escreveu Allen.
"O radicalismo pode encontrar terreno fértil (para crescer) tanto em casa como no exterior."

'Alarmismo'

Curiosamente, essa ideia – de que o radicalismo pode também crescer internamente – também tem servido de argumento para os republicanos que acreditam que a reforma migratória precisa ser acelerada a partir dos atentados de Boston.
Para os senadores John McCain (Arizona) e Lindsey Graham (Carolina do Sul), a lei permitirá às autoridades conhecer quem são os indocumentados que desejam permanecer nos EUA, além de identificar quem entra e sai do país, "uma função básica do governo que nosso sistema é incapaz de fazer hoje".
Felipe Souza-Rodriguez
Para Felipe, é 'alarmismo' achar que atentados impedirão a reforma migratória
Ativistas em favor da reforma migratória acreditam que os ataques de Boston têm pouco a ver com um projeto cujo objetivo principal é legalizar cerca de 11 milhões de estrangeiros indocumentados que vivem atualmente nos EUA – a maioria, possivelmente, já inserida e funcional na sociedade americana.
"É alarmismo a gente achar que (o atentado em Boston) vai provocar alguma mudança política no país ou na lei de imigração que está sendo discutida", opinou o brasileiro Felipe Sousa-Rodríguez, líder no campo da imigração e diretor da organização Get Equal, na Flórida.
"Se você olhar quem está falando isso, são senadores imigrantes que já tinham mesmo uma posição anti-imigração. É uma minoria."
O raciocínio dos senadores foi objeto de diversas críticas, inclusive do presidente da conferência dos bispos americana, o cardeal Timothy Dolan, de Nova York, que condenou o que chamou de "rotular todo um grupo de pessoas, uma vasta população de trabalhadores dedicados, sérios e virtuosos".
"Rotulá-los, diminui-los por causa da ação má intencionada e trágica de duas pessoas é simplesmente ridículo", afirmou o religioso. "É ilógico. Injusto."

Panos quentes

Os nervos continuaram acirrados durante a segunda discussão da reforma migratória na Comissão de Justiça do Senado americano, nesta semana.
Acusado por um colega democrata de ter usado o atentado a Boston como "uma desculpa" para tentar desacelerar a passagem da lei, o senador republicano Chuck Grassley, de Iowa, saiu aos gritos de "Eu nunca disse isso! Eu nunca disse isso!".
Enquanto a discussão continua entre os senadores, em caráter privado, a preocupação dos imigrantes é evitar que as divergências políticas transbordem para a vida normal e afetem o seu plano pessoal.
Desde o incidente no Facebook com seu colega de escola, Renata postou uma mensagem de "paz" no site social, pedindo aos amigos que, apesar de todos estarem "assustados, machucados e confusos", "tomem cuidado" com o que escreverem sobre o tema.
"Vamos evitar tirar conclusões apressadas ou espalhar a falta de informação", escreveu. "Eu posso não ter nascido aqui, mas esta ainda é minha casa."
"Amo a cidade de Boston e as pessoas que moram nela. Quero protegê-la. Não tenho todas as respostas sobre como evitar que isto volte a acontecer aqui ou no resto do mundo. Mas sei que a resposta não é o ódio, a suspeita ou mais violência."

Estudo sugere informar exercícios e não calorias para estimular dieta

Um estudo americano sugere que as pessoas tendem a optar por refeições menos calóricas quando frequentam restaurantes que trazem em seus cardápios a quantidade de exercício necessário para queimar as calorias dos alimentos.
Segundo os cientistas responsáveis pela pesquisa, para estimular pessoas a controlarem melhor seu peso, seria mais eficiente informar a elas como podem queimar as calorias de um cheeseburguer, por exemplo, do que simplesmente informá-las quantas calorias o sanduíche contém.
A pesquisa, conduzida por uma equipe da Universidade Cristã do Texas, dividiu 300 voluntários com idade entre 18 e 30 anos em três grupos aleatórios.
Um recebeu um menu sem as informações calóricas; o segundo recebeu cardápios que continham o número de calorias de cada alimento, e o terceiro foi informado tanto sobre as calorias do alimento quanto sobre a quantidade de exercício necessário (em tempo de caminhada rápida) para queimar suas calorias.
No final, as pessoas do grupo que recebeu os menus com as informações sobre exercícios físicos pediram refeições menores e comeram menos, consumindo em média cem calorias a menos do que as outras.

Benefícios

As pesquisadoras Meena Shah e Ashlei James explicam que todos os menus continham a mesma seleção de alimentos e bebidas, que incluía hambúrgueres, sanduíches, salada, batata frita, refrigerantes e água. Nenhum dos voluntários estava ciente dos objetivos da pesquisa.

Calorias

  • A caloria é a unidade de medida usada para analisar o valor energético dos alimentos
  • Um homem precisa de uma média de 2,5 mil kcal por dia
  • Uma mulher precisa de uma média de 2 mil kcal por dia
  • A quantidade de calorias que uma pessoa precisa por dia pode variar de acordo com a idade e a quantidade de exercícios físicos realizados
  • O estudo levou em conta uma caminhada de 5,5 km/h
"Este é o primeiro estudo que reflete sobre os efeitos de mostrar quantos minutos de caminhada rápida são necessários para queimar as calorias contidas nos alimentos consumidos. A pesquisa sugere que há benefícios", diz Meena Shah.
Os cientistas destacam o fato de que a caminhada rápida é um tipo de exercício que tem um grande apelo, já que é de fácil execução.
Shah, porém, ressalta que não é possível extrapolar as conclusões para a população com mais de 30 anos. Por isso, mais pesquisas, envolvendo pessoas mais velhas, ainda são necessárias.

Contagem de calorias

Victoria Taylor, nutricionista da Fundação Britânica do Coração, uma organização não-governamental que realiza campanhas de conscientização sobre os males cardíacos, diz que é muito claro que a inclusão das informações sobre opções mais saudáveis e conteúdo nutricional ajuda as pessoas a tomarem melhores decisões ao pedirem refeições em um restaurante.
Mas a especialista diz que as medidas são insuficientes.
"Enquanto mostrar a quantidade de exercício necessária para queimar calorias é uma ideia interessante, uma dieta saudável para o coração inclui mais do que apenas contar as calorias", diz Taylor.
Ela acrescenta que os "restaurantes também podem implementar outras medidas para tornar as refeições mais saudáveis ao servirem tamanhos de porções mais apropriados e reduzirem a quantia de sal, gordura saturada e açúcar em seus pratos".
"Tanto ao comer fora quanto em casa, uma dieta balanceada com muitas frutas e vegetais é a melhor maneira de proteger seu coração."

Neto de sírios, argentino premiado lembra emoção de retratar conflito

O repórter fotográfico argentino Rodrigo Abd, de 36 anos, entrou na Síria em fevereiro de 2012, em um trator, pela fronteira da Turquia. Neto de sírios, ele encontrou no país não apenas cenas de dor e violência resultantes da guerra civil, mas também gestos e rostos que eram familiares.
Suas fotos registram o dramático cotidiano na província de Idilib, no noroeste da Síria, próxima à fronteira da Turquia, e na cidade de Aleppo, um dos epicentros dos combates no país árabe. Com outros quatro colegas da agência Associated Press, Abd venceu o prêmio Pulitzer - o mais importante do jornalismo - de 2013, na categoria Fotografia.
"(A cobertura) me impactou muito", diz ele em entrevista à BBC Brasil. "Na Síria, eu lembrava, a cada instante, dos meus avós, dos meus tios, dos meus primos, da comida, dos encontros familiares. Os gestos das pessoas eram muito familiares para mim. Eu cresci com os mesmos costumes, só que em Buenos Aires."
"Meu avós eram cristãos e minoria na Síria. Eles estavam cansados de tantas guerras internas e economicamente estavam quebrados", conta o fotógrafo, ao descrever a mudança da família para a Argentina no início do século passado. "Eram muito pobres e por isso decidiram, meu avô e seus irmãos, partir da cidade de Homs para Buenos Aires em busca de um futuro melhor para a família."
"Meus avós já faleceram, mas meus pais continuam muito atentos à guerra civil na Síria e assistem a tudo com muita dor", acrescenta.
Abd, que trabalhou em jornais argentinos antes de se mudar para a Guatemala e depois para o Peru, esteve na Síria entre fevereiro e março de 2012, exatamente um ano após o início das revoltas que já deixaram, até agora, um saldo de ao menos 70 mil mortos.
Esta síria foi fotografada por Abd logo após um bombardeio em sua casa
Esta síria foi fotografada por Abd logo após um bombardeio em sua casa
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Uma das fotos premiadas de Abd - e uma das mais conhecidas da cobertura da mídia dos eventos na Síria - mostra o rosto de uma mulher desesperada, chamada Aída, em um hospital, onde morreram seu marido e dois de seus filhos, após um bombardeio que atingiu a casa onde moravam.
"Ela estava em um quarto da Cruz Vermelha com as três filhas ensanguentadas. Uma situação horrível, uma imagem muito dolorosa", relembra o fotógrafo.
"E o marido dela e dois filhos tinham morrido (no ataque). E ela ainda não sabia. Seu rosto é o de quem estava chocada com o bombardeio e com as filhas feridas. Acho que o rosto dela reflete a dor da população civil na Síria."

Sensibilidade

O fotógrafo argentino diz que se comoveu com os dramas humanos que registrou no país de seus antepassados. "Sei que, para continuar contando os fatos, devo assimilar, mas sem perder a sensibilidade", conta ele na entrevista via Skype, enquanto tomava um chimarrão.
"Para mim, foi muito importante ter ido à Síria porque foi como retornar às raízes, reencontrar meus antepassados, seu sangue e costumes", diz o fotógrafo. "Foi muito bonito, neste sentido, apesar da situação tão dramática que vivem ali e que ofusca qualquer sentimento de felicidade."
Abd fotografou um menino 'brincando' com um lança-granadas
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Outras fotos premiadas do argentino relatam a mudança no cotidiano das crianças na Síria. Um menino foi retratado "brincando" com um lança-granadas com um parente ou um vizinho em uma atmosfera marcada pelos combates, como observa o fotógrafo.
"Essa imagem não tem nada a ver com treinamento militar. Mas a cena mostra como a rotina (dos sírios) se transformou em cenário de guerra. Um menino normal que deveria estar na escola ou jogando futebol estava ali jogando com um lança-granadas", afirma.
O pranto de um menino sírio no enterro do seu pai foi outro registro comovente feito por Abd. O fotógrafo conta que o sepultamento, em Idlib, foi feito onde antes havia um parque, porque o cemitério principal estava cercado pelo Exército.
Este outro menino fotografado por Abd perdeu o pai em um bombardeio
Este outro menino fotografado por Abd perdeu o pai em um bombardeio
"Esse parque era onde, antes dos conflitos, as crianças brincavam e os adultos descansavam, passeavam. Um parque como qualquer outro no mundo. Mas que foi transformado em cemitério."
Nem todos os relatos dos personagens das fotos estão claros - "tudo na guerra é confuso", diz Abd. Mas as pessoas que acompanhavam o funeral lhe contaram que eles estavam em casa quando um "bombardeiro do Exército sírio" atingiu o local – e mudou para sempre a vida do menino da foto.
Agora, Abd comemora o prêmio. "É uma grande alegria porque confirma que todo o esforço e dedicação nestes 14 anos de carreira valeram a pena. Tomara que este prêmio me dê mais confiança e liberdade para continuar trabalhando duro nos temas que acho que são importantes contar ao mundo."

Instituto britânico alerta para riscos de extinção da raça humana

Uma equipe internacional de cientistas, matemáticos e filósofos do Instituto do Futuro da Humanidade, da Universidade de Oxford, está investigando quais são os maiores perigos contra a humanidade.
E eles argumentam em um texto acadêmico recém-divulgado, Riscos Existenciais como Prioridade Global, que autores de políticas públicas devem atentar para os riscos que podem contribuir para o fim da espécie humana.
No ano passado, houve mais textos acadêmicos lançados a respeito de snowboarding do que sobre a extinção humana.
O diretor do instituto, o sueco Nick Bostrom, afirma que existe uma possibilidade plausível de que este venha a ser o último século da humanidade.

Boas notícias primeiro

Mas primeiro as boas notícias. Pandemias e desastres naturais podem causar uma perda de vida colossal e catastrófica, mas Bostrom acredita que a humanidade estaria propensa a sabreviver.
Isso porque nossa espécie já sobrevieu a milhares de anos de doenças, fome, enchentes, predadores, perseguições, terremotos e mudanças ambientais. Por isso, as chances ainda estão a nosso favor.
E ao longo do espaço de um século, ele afirma que o risco de extinção em decorrência do impacto de asteróides e super erupções vulcânicas permanece sendo "extremamente pequeno".
Até mesmo as perdas sem precedentes autoimpostas no século 20, com duas guerras mundiais e epidemia de gripe espanhola, deixaram de prevenir a ascensão do crescimento da população humana global.
Uma guerra nuclear poderia causar destruição sem precedentes, mas um número suficiente de indivíduos poderia sobreviver e, assim, permitir, que a espécie continue.
Mas se existem todos esses atenuantes, com o que deveríamos estar preocupados?

Ameaças sem precedentes

Bostrom acredita que entramos em uma nova era tecnológica capaz de ameaçar nosso futuro de uma forma nunca vista antes. Estas são "ameaças que não temos qualquer registro de haver sobrevivido".
O diretor do instituto compara as ameaças existentes a uma arma perigosa nas mãos de uma criança. Ele diz que o avanço tecnológico superou nossa capacidade de controlar as possíveis consequências.
Experimentos em áreas como biologia sintética, nanotecnologia e inteligência artificial estão avançando para dentro do território do não intencional e o imprevisível.

Pelas próprias mãos

"Este é o primeiro século na história mundial em que as maiores ameaças provêm da humanidade"
Martin Rees, Universidade de Cambridge
A biologia sintética, onde a biologia se encontra com a engenharia, promete grandes benefícios médicos, mas Bostrom teme efeitos não previstos na manipulação da biologia humana.
A nanotecnologia, se realizada a nível atômico ou molecular, poderia também ser altamente destrutiva ao ser usada para fins bélicos. Ele tem escrito que governos futuros terão um grande desafio ao controlar e restringir usos inapropriados.
Há também temores em relação à forma como a inteligência artificial ou maquinal possa interagir com o mundo externo. Esse tipo de inteligência orientada por computadores pode ser uma poderosa ferramenta na indústria, na medicina, na agricultura ou para gerenciar a economia, mas enfrenta também o risco de ser completamente indiferente a qualquer dano incidental.
Sean O'Heigeartaigh, um geneticista do instituto, traça uma analogia com o uso de algoritmos usados no mercado de ações.
Nick Bostrom (BBC)
Diretor de instituto adverte que riscos são reais e não se trata só de ficção científica
Da mesma forma que essas manipulações matemáticas, argumenta, podem ter efeitos diretos e destrutitovs sobre economias reais e pessoas de verdade, tais sistemas computacionais podem "manipular o mundo verdadeiro".
Em termos de riscos biológicos, ele se preocupa com boas intenções mal aplicadas, como experimentos visando promover modificações genéticas e desmanter e reconstruir estruturas genéticas.
Um tema recorrente entre o eclético grupo de pesquisadores é sobre a habilidade de criar computadores cada vez mais poderosos.
O pesquisador Daniel Dewey, do instituto, fala de uma "explosão de inteligência", em que o poder de aceleração de computadores se torna menos previsível e menos controlável.
"A inteligência artificial é uma das tecnologias que deposita mais e mais poder em pacotes cada vez menores", afirma o perito americano, um especialista em super inteligência maquinal que trabalhou anteriormente na Google.

Efeito em cadeia

Juntamente com a biotecnologia e a nanotecnologia, ele afirma que essas novas tecnologias poderiam gerar um "efeito em cadeia, de modo que, mesmo começando com escasos recursos, você pode criar projetos com potencial de afetar todo o mundo".
O Instituto do Futuro da Humanidade em Oxford integra uma tendência centrada em pesquisar tais grantes temas. O Instituto foi uma iniciativa do Oxford Martin School, que abrange acadêmicos de diferentes áreas, com o intuito de estudar os "mais urgentes desafios globais".
Martin Rees, ex-presidente da Sociedade Real de Astronomia britânica é um dos defensores do Centro de Estudos de Risco Existencial e afirma que "este é o primeiro século na história mundial em que as maiores ameaças provêm da humanidade".
Nick Bostrom afrima que o risco existencial enfrentando pela humanidade "não está no radar de todo mundo". Mas ele argumenta que os riscos virão, caso estejamos ou não preparados.
"Existe um gargalo na história da humanidade. A condição humana irá mudar. Pode ser que terminemos em uma catástrofe ou que sejamos transformados ao assumir mais controle sobre a nosa biologia. Não é ficção científica, doutrina religiosa ou conversa de bar".

Brasil usará 25 mil militares em ação inédita em fronteiras

O Ministério da Defesa deve enviar até 25 mil militares para patrulhar toda a fronteira terrestre do país simultaneamente em uma operação inédita, relacionada à segurança da Copa das Confederações. A ação deve afetar diretamente cerca de seis milhões de brasileiros que vivem próximo às fronteiras.
A operação Ágata 7 será a maior ação militar voltada à segurança pública realizada no governo Dilma Rousseff em número de participantes, equipamentos e abrangência.
As dimensões da ação também superam todas as operações do gênero realizadas desde a criação, em 2009, do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas - o órgão tem a missão de integrar e coordenar as ações do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
Serão cobertos 16.886 quilômetros de fronteira com dez países, segundo o brigadeiro Ricardo Machado Vieira, chefe de operações conjuntas do Ministério da Defesa. "Vai ser a maior operação que já fizemos", afirmou. Operações do gênero realizadas no passado eram capazes de cobrir apenas pedaços da fronteira.
Sua realização foi anunciada na terça-feira pela presidente Dilma. Será primeira vez que os comandos militares da Amazônia, do Oeste e do Sul trabalharão integrados em uma mesma operação.
"Mas não vamos ter um homem a cada 100 metros. Já identificamos posições que sabemos que são mais críticas", disse Vieira.
Isso significa que as tropas serão espalhadas em pontos da fronteira que já vêm sendo investigados há cerca de um mês por cem militares dos setores de inteligência das Forças Armadas.
Os locais específicos não foram revelados, mas as maiores concentrações de tropas devem acontecer nas regiões de Tabatinga (AM), Assis Brasil (AC), Ponta Porã (MS) e Foz do Iguaçu (PR), entre outras.
Centenas de aeronaves e veículos devem ser usados. Os principais meios de transporte das tropas e agentes ligados a diversos ministérios para as regiões mais remotas devem ser helicópteros Black Hawk, Pantera, Cougar e Esquilo. Caças Super Tucano da Aeronáutica serão usados para interceptar aviões suspeitos e drones (aviões não tripulados) farão vigilância aérea.
Embarcações de patrulha da Marinha devem interditar os principais rios que cruzam a fronteira e blindados do Exército ocuparão as estradas que dão acesso ao país. Todos os militares envolvidos levarão armamento letal e terão poder de polícia.

Combate ao crime

Piloto se prepara para voar em operação na fronteira (foto: Ministério da Defesa)
Operação faz parte do esquema de segurança da Copa das Confederações da Fifa
O objetivo da ação será combater diversos tipos de atividades criminosas. Alguns exemplos são os garimpos irregulares na fronteira com as Guianas, pistas de pouso irregulares e tráfico de drogas na região amazônica, contrabando de armas e mercadorias ilícitas no oeste e sul da fronteira e a entrada de explosivos pelo sul, entre outras.
Segundo Vieira, não há foco específico em um determinado tipo de atividade criminosa. A ideia do governo é combater os diversos tipos de crime na fronteira para beneficiar o país como um todo – combatendo, por exemplo, a entrada de drogas, armas e mercadorias irregulares nas capitais.
A estratégia do governo em operações semelhantes realizadas no passado foi interromper e sufocar o as atividades de traficantes e contrabandistas na fronteira para prejudicar suas finanças. Quando os militares saíram da região, operações específicas da Polícia Federal e da Receita Federal tentaram capturar criminosos que voltaram à região para tentar se recuperar do "prejuízo" dos dias de bloqueio.
A data específica de início da ação é tratada como informação sigilosa. Foi anunciado apenas que a operação deve começar em maio e durar cerca de três semanas – terminando antes da Copa das Confederações da Fifa. O torneio ocorrerá entre os dias 15 e 30 de junho e reunirá equipes de oito países.
Essa será a sétima edição da operação Ágata, um esforço militar iniciado em 2011 para patrulhar a fronteira brasileira com ações militares massivas. As operações anteriores aconteceram em regiões específicas do país. A última levou mais de 12 mil militares para os Estados de Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Acre no fim do ano passado.
Nas seis edições anteriores foram apreendidos mais de 750 veículos e embarcações e 12 toneladas de drogas. Os militares aproveitam a presença na região para oferecer tratamento médico e odontológico em povoados e cidades isoladas. Cerca de 63 mil pessoas foram atendidas.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Venezuela declara 'emergência' elétrica de 90 dias

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou nesta terça-feira que os próximos 3 meses serão de emergência elétrica, para alavancar obras de infraestrutura e importação de equipamento necessário para impedir apagões.
Enquanto o governo atribui os atuais cortes de energia a supostos atos de sabotagem, críticos dizem que o setor é mal-gerenciado e ineficiente desde sua nacionalização por Hugo Chávez, informa a agência Reuters. Alguns estados venezuelanos estão enfrentando racionamento de energia.
Em decreto no Diário Oficial, o governo anunciou uma "missão elétrica" para estabilizar o setor e ordenou nesta terça que a estatal energética Corpolec adote "todas as medidas técnicas e econômicas" necessárias para manter os serviços de eletricidade, bem como autorizou o Exército a proteger "de vandalismo" as instalações mais importantes.
O governo também pediu que a população economize energia, alegando altas taxas de consumo no país.