Três soldados morreram e 27 ficaram feridos nas últimas 24 horas.
A cidade de Donetsk, principal reduto dos separatistas
pró-russos no leste da Ucrânia, se encontra cercada pelo exército
ucraniano e foi alvo de um ataque com artilharia pesada na madrugada
deste domingo.
Segundo o porta-voz militar ucraniano, três soldados morreram e 27 ficaram feridos nas últimas 24 horas.
Uma jornalista da AFP ouviu mais de vinte explosões no
centro desta cidade, a maior da bacia mineira de Donbass, cenário há
alguns dias de combates entre insurgentes pró-russos e as forças
ucranianas.
Uma explosão arrebentou as janelas da maternidade de um
hospital do centro da cidade, onde as mães e seus recém-nascidos estavam
escondidos em um porão.
O exército ucraniano confirmou neste domingo que apertou
ao máximo o cerco em torno de Donetsk e que disparou contra bases
rebeldes, causando duras perdas aos pró-russos.
No sábado, o "primeiro-ministro" separatista Alexandre
Zakhatchenko admitiu que Donetsk estava cercada e que se encontrava à
beira de uma "catástrofe humanitária", mostrando-se disposto a um
cessar-fogo se as forças ucranianas interromperem sua ofensiva.
Ante a situação dos civis, dos quais 300 mil já fugiram
para a Rússia e outras regiões da Ucrânia, Moscou propôs uma missão
humanitária no leste do país para proteger a população russófona, uma
ideia rejeitada pelas potências ocidentais, que temem uma intervenção
militar sob falsos pretextos.
A Rússia negou planejar qualquer tipo de ação unilateral na Ucrânia, nem mesmo por motivos humanitários.
"A nós custa entender a que se refere a Ucrânia. As
forças russas não tentaram em qualquer momento penetrar em território
ucraniano", declarou às agências de notícias russas o porta-voz do
Kremlin, Dimitri Peskov.
A Ucrânia insiste que pode haver uma intervenção russa
sob o pretexto de uma operação humanitária no leste de seu território,
onde os combates com os rebeldes pró-russos deixaram mais 13 soldados
ucranianos mortos.
O presidente americano Barack Obama e o
primeiro-ministro britânico David Cameron, em uma conversa por telefone
no sábado, concordaram que que qualquer pretensa missão humanitária na
Ucrânia poderá ser considerada ilegal.
"Os dois dirigentes exprimiram sua grande preocupação a
respeito de informações indicando que veículos militares russos passaram
pela fronteira e entraram na Ucrânia e que as forças armadas russas
realizam exercícios para uma 'intervenção humanitária", segundo afirma
um comunicado do gabinete de Cameron.
O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, por sua vez,
disse estar disposto a aceitar uma missão humanitária na cidade de
Lugansk depois de uma conversa com dirigentes do Comitê Internacional da
Cruz Vermelha (CICV), na condição de que seja internacional, não armada
e que passe pelos postos de fronteira controlados por Kiev.
Em Lugansk, reduto separatista onde a imprensa não pode
entrar, as autoridades denunciam uma situação crítica ante a falta de
luz, água e rede telefônica há uma semana.
Depois de quatro meses de conflito, que deixou mais de
1.300 mortos a ofensiva ucraniana se concentra nos redutos rebeldes, com
o objetivo de bloquear a fronteira com a Rússia por onde, segundo Kiev,
transitam armas e soldados.
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