quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sapo recém-descoberto em Israel é ‘fóssil vivo’

Uma rara espécie de sapo recentemente redescoberta após ser declarada extinta acaba de ser reclassificada como um "fóssil vivo".
O sapo pintado de Hula, encontrado em Israel, ficou desaparecido durante quase 60 anos, mas um exemplar da espécie foi encontrado em 2011 em uma região pantanosa.
Exames indicaram que o sapo pertence a um grupo de anfíbios que se extinguiu há 15 mil anos.
"Foi uma grande descoberta - (o sapo) é como um ídolo em Israel", diz à BBC o professor Sarig Gafny, do israelense Ruppin Academic Center. "Daí descobrimos que o animal era um fóssil vivo. Foi incrível."
Chama-se de "fóssil vivo" um exemplar vivo de uma espécie que se acreditava estar extinta, e que geralmente - mas não necessariamente - era conhecida apenas através de fósseis.
A pesquisa sobre o sapo foi publicada no periódico Nature Communications.
Mesmo antes de ter sido declarado extinto, em 1996, o sapo pintado de Hula era uma criatura esquiva. Apesar de suas características bem peculiares - uma barriga com pintas pretas e brancas -, apenas três exemplares adultos da espécie haviam sido vistos.

Testes genéticos

Quando o vale Hula, em Israel, foi drenado, nos anos 1950, a casa pantanosa dos sapos foi destruída. Cientistas pensaram que a espécie estava acabada.
Mas, dois anos atrás, um sapo pintado foi encontrado por um guarda florestal. Desde então, outros 13 exemplares foram descobertos.
Com isso, os cientistas puderam estudar a espécie detalhadamente.
O sapo havia sido classificado como um membro do grupo anfíbio Discoglossus, mas testes genéticos e tomografias indicaram que, na verdade, ele pertence ao grupo Latonia - comuns na Europa durante milhões de anos, mas em geral morreram há 15 mil anos.
"Ninguém teve a chance de ver um (sapo) Latonia porque ele foi extinto na Europa. A única forma de vê-los era por meio de fósseis", explicou Gafny.
"Mas todas as características observadas no sapo pintado de Hula (combinam com) as do fóssil da Latonia, e não do Discoglossus. Portanto, trata-se de um fóssil vivo."
Os pesquisadores dizem que o sapo foi "surpreendentemente resiliente", mas acrescentam que é muito importante agora assegurar sua sobrevivência.
Eles afirmam que esforços para levar a água de volta ao vale Hula ajudariam a assegurar um habitat adequado para a espécie.

Índio baleado em fazenda de MS está consciente, mas pode ter sequelas

CAMPO GRANDE, MS, 5 de junho (Folhapress) - O índio da etnia terena atingido com um tiro nas costas na tarde de ontem durante a invasão de uma fazenda em Sidrolândia (MS) está consciente, mas pode ter sequelas neurológicas.
Josiel Gabriel Alves, 34, continua com a bala alojada na sétima vértebra da coluna, mas não corre risco de morrer, segundo o diretor-técnico da Santa Casa de Campo Grande, Luiz Kanamura.
Alves será transferido ainda hoje para a enfermaria da Santa Casa, onde foi internado ontem à noite. O médico disse que os exames apontaram que não há necessidade de retirar a bala e que uma cirurgia no momento não traria benefícios.
No entanto, Kanamura afirmou que "existe possibilidade de sequela". O índio não autorizou o hospital a passar detalhes de seu estado de saúde.
Alves é parente de terceiro grau de Oziel Gabril, índio terena que morreu no dia 30 de maio, durante confronto entre policiais e indígenas na fazenda Buriti, também localizada em Sidrolândia.
A área das fazendas invadidas está em processo intermediário de demarcação como terra indígena. Os índios protestam para reivindicar agilidade do governo federal.
Segundo Otoniel Terena, uma das lideranças da aldeia Córrego do Meio, Alves levou o tiro no momento em que ele e um grupo de índios invadiam a fazenda São Sebastião. "O pessoal estava fazendo a retomada quando foi recebido à bala", disse.
O advogado Newley Amarilha, que representa o dono da fazenda, disse que o orientou a deixar a área sem oferecer resistência caso houvesse invasão. Por meio de Amarilha, o produtor disse que não estava na propriedade quando o tiro foi disparado e nega que tenha ocorrido conflito.
O proprietário disse que pediu para que os funcionários retirassem o gado da área, pois havia informação de que os índios haviam queimado parte do pasto.
Os índios terenas, segundo o advogado Amarilha e Otoniel Terena, invadiram outras duas fazendas na região nesta terça e consolidaram a invasão à fazenda Cambará, iniciada no domingo.

Carregador falso é usado para infectar iPhone com vírus nos EUA

Um trio de pesquisadores de um instituto americano anunciou ter usado um carregador falso para infectar um iPhone com um vírus, demonstrando uma falha de segurança no sistema operacional iOS, também utilizado por iPads e iPods.
Billy Lau, Yeongjin Jang e Chengyu Song, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, disseram ter introduzido o código malicioso (malware) no telefone da Apple em menos de um minuto.
A equipe conseguiu violar a segurança do iPhone usando um carregador USB falso e um computador pequeno e simples, chamado BeagleBoard, que custa cerca de US$ 45 (cerca de R$ 90).
Uma vez dentro do iPhone, o código malicioso foi "escondido" do usuário utilizando a mesma tecnologia empregada pela Apple para que seus aplicativos operacionais não sejam visíveis ao usuário.
Os pesquisadores disseram que, após ultrapassar as defesas do iOS, podiam instalar qualquer vírus ou aplicativos no aparelho.

'Facilidade'

Segundo eles, o BeagleBoard se comunica com o computador-alvo e conduz o ataque com os códigos maliciosos.
"Este hardware (o BeagleBoard) foi selecionado para demonstrar a facilidade com que carregadores USB maliciosos aparentemente inocentes podem ser construídos", disseram os pesquisadores no resumo de sua inscrição para a conferência.
Os três pesquisadores disseram ter estudado os sistemas de segurança da Apple para encontrar uma maneira de burlar as tentativas da empresa de proteger seus aparelhos de ataques de hackers.
Eles acrescentaram que qualquer aparelho que use o sistema operacional iOS estaria vulnerável a esse tipo de ataque.
Os pesquisadores não forneceram mais informações sobre o experimento e disseram que devem revelar os detalhes e recomendar soluções à Apple na Black Hat USA, uma conferência de hackers a ser realizada em Las Vegas de 27 de julho a 1º de agosto.

Empresas americanas querem reavivar o ‘made in USA’

Após anos transferindo suas operações para países emergentes, como a China, um número pequeno mas crescente de empresas americanas de ponta está fazendo o caminho inverso, investindo em fábricas em casa.
Atraídas pela oferta de mão de obra qualificada dos EUA e sentindo a necessidade de estar próximas de seus centros de design, pesquisa e desenvolvimento – e não menos importante, de seu público consumidor –, companhias como Apple, Motorola, Caterpillar e Ford têm reavaliado os benefícios trazidos pelos custos mais baixos de produzir na China, por exemplo.
A Motorola foi a mais recente a engrossar o fenômeno do chamado reshoring, anunciando que abrirá em Fort Worth, no Texas, a primeira fábrica de smartphones em território americano.
A empresa alegou que precisa estar próxima de seus centros de design e pesquisa, em Chicago e no Vale do Silício, e de reparos, no México, para responder com mais rapidez às mudanças de uma indústria cada vez mais competitiva.
Em uma economia que ainda luta para recuperar os postos de trabalho perdidos com a crise, o anúncio de que a fábrica gerará 2 mil empregos locais alimentou o debate sobre um possível "renascimento" da manufatura americana.
Porém, mesmo os economistas mais otimistas com a nova "viabilidade" produtiva dos EUA ressalvam que o made in USA terá um significado bem diferente do de antes.

Perdas e ganhos

Para o especialista do Instituto Brookings sobre o tema Scott Andes, as empresas estão se dando conta de que os custos mais baixos de produção em países como a China não compensam a perda de agilidade que a descentralização implica em indústrias de alto desempenho.
"Isto é cada vez mais importante em áreas avançadas e altamente tecnológicas, onde há bastante inovação entre os profissionais de design e engenharia, e onde existe um relacionamento estreito com a mão de obra qualificada trabalhando no chão da fábrica", disse o especialista à BBC Brasil.
A vantagem fica menor à medida que o crescimento econômico eleva os salários nas economias emergentes e o preço do petróleo encarece o preço do frete.
A repatriação das companhias foi responsável pela criação de 50 mil vagas de trabalho desde janeiro de 2010 – quase um em cada dez empregos criados no setor de manufatura no mesmo período (520 mil).
Entretanto, essa recuperação está longe de compensar os 2,3 milhões de vagas eliminadas após o início da crise, nas estimativas da associação da manufatura (NAM, na sigla em inglês). Entre 2000 e 2009, a perda afetou 5,7 milhões de vagas, segundo o Brookings.
Dentro do próprio setor, a expectativa é de que a maior parte destes empregos jamais volte para os EUA. "Gostaríamos muito que voltassem, mas temos de reconhecer que a manufatura se tornou um setor muito mais enxuto", disse à BBC Brasil o economista-chefe da NAM, Chad Moutray.
"A lógica hoje é de produzir mais, com menos. No futuro, os ganhos de emprego que vamos ver serão resultado do aumento do comércio e de avanços em inovação."

Novo 'made in USA'

É uma transformação importante, em um setor crucial para a economia americana.
Segundo a NAM, a manufatura contribuiu no ano passado com US$ 1,87 trilhão para o Produto Interno Bruto (PIB) americano, o equivalente a quase 12% de toda a atividade econômica do país.
Sozinha, a atividade constituiria a décima maior economia do planeta, à frente da russa e próxima da indiana.
"A lógica hoje é de produzir mais, com menos. No futuro, os ganhos de emprego que vamos ver serão resultado do aumento do comércio e de avanços em inovação"
Chad Moutary, economista-chefe da Associação Nacional de Manufatura
Mas, para muitos especialistas, o mais importante é que as companhias de manufatura investem dois em cada três dólares gastos pelo setor privado americano em pesquisa e desenvolvimento, uma área crucial para a inovação.
E as exportações de bens manufaturados, de alto valor agregado, constituem 60% da pauta de mercadorias vendidas pelos EUA ao exterior.
Por isso, Scott Andes acredita que o debate em torno do renascimento do made in USA deixará de incorporar o setor como um todo para se focar, cada vez mais, na manufatura avançada.
"Essa é nossa vantagem competitiva", diz. "Francamente, deixar de produzir móveis aqui para produzir na China é abrir mão de empregos mal remunerados aqui. Deixar de produzir baterias de lítio significa perder empregos bem pagos, capacidade de inovação e exportações, o que é bem diferente."
Segundo a NAM, o salário médio, incluindo benefícios, dos empregados da manufatura nos EUA chegava a US$ 77 mil por ano em 2011, em comparação com US$ 60 mil dos empregados em todas as indústrias.
E apesar da retração, a atividade ainda empregava diretamente 12 milhões de pessoas naquele ano, cerca de 9% da força de trabalho americana.
"A ideia típica do emprego em manufatura que as pessoas têm é incorreta", disse Chad Moutray, da NAM. "Os trabalhadores que estamos contratando agora são muito mais qualificados e possuem muito mais know-how do que se imagina."

Prioridade

As transformações não passaram desapercebidas ao governo do presidente Barack Obama, que tem procurado tirar benefícios dela. Desde o ano passado, o governo vem criando institutos voltados para a inovação em tecnologias e processos usados na manufatura.
Um projeto piloto bem sucedido em Ohio levou ao anuncio da criação de três outros institutos, em outras partes do país, cada qual dirigido a um processo ou linha de produto específica.
Os institutos funcionam como agrupamentos em que laboratórios federais, universidades, empresas privadas e pequenos empreendedores trabalham no mesmo espaço e aproveitam os seus recursos, solucionando problemas e criando capacidades para competir na economia global.
Em seu discurso sobre o Estado da União, Obama pediu ao Congresso que libere US$ 1 bilhão para criar uma rede formada por 15 destas iniciativas "e garantir que a próxima revolução na manufatura nasça aqui mesmo".

terça-feira, 4 de junho de 2013

Má nutrição no mundo custa US$ 3,5 trilhões por ano, diz FAO

A má nutrição custa ao mundo cerca de US$ 500 (aproximadamente R$ 1 mil) por indivíduo ou US$ 3,5 trilhões (R$ 7 trilhões) por ano, valor equivalente ao PIB da Alemanha, a maior economia da Europa, de acordo com cálculo publicado em um novo relatório das Nações Unidas.
O montante também equivale a 5% do PIB mundial e foi calculado com base nos custos relativos à perda de produtividade e gastos com a saúde gerados por uma dieta deficiente.
Os dados constam de relatório publicado nesta terça-feira pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). No documento, o diretor do órgão, o brasileiro José Graziano, pediu esforços mais consistentes para erradicar a má nutrição.
O estudo assinala que a alimentação precária das mães e das crianças continua a reduzir a qualidade e a expectativa de vida de milhares de pessoas, assim como problemas relacionados à obesidade, como doenças cardíacas e diabetes.
"Atores e instituições devem trabalhar conjuntamente em todos os setores para reduzir mais efetivamente a desnutrição, a deficiência nutricional, o sobrepeso e a obesidade", diz o relatório.
O órgão alerta ainda que, embora cerca de 870 milhões de habitantes do planeta ainda passem fome, segundo dados do biênio 2010-2012, outros bilhões sofrem com a má ingestão de alimentos.
A FAO estima que 2 bilhões de pessoas têm deficiências de um ou mais micronutriente, enquanto outras 1,4 bilhão estão com sobrepeso, das quais 500 milhões já são obesas.
Além disso, 25% de todas as crianças abaixo de cinco anos sofrem com baixa estatura e outras 31% possuem deficiência de vitamina A.

Recomendações

Para combater a má nutrição, a FAO sustenta que dietas saudáveis e uma boa alimentação devem começar pelo tratamento da comida e dos produtos agrícolas.
Segundo o relatório, a maneira como os alimentos são cultivados, processados, transportados e distribuídos tem forte influência nos hábitos alimentares da população.
Entre as medidas destacadas pelo estudo está o uso apropriado de políticas agrícolas, investimento e pesquisa para aumentar a produtividade, não apenas dos grãos como milho, arroz e trigo, mas também de legumes, carne, leite, vegetais e frutas, todos ricos em nutrientes.
Outra recomendação do órgão é evitar o desperdício, que atualmente responde por um terço de toda a comida produzida todos os anos para consumo humano no mundo. De acordo com a FAO, isso poderia aumentar a disponibilidade de alimentos bem como reduzir seu preço, além de diminuir a pressão sobre a terra e outros recursos naturais.
O estudo também chama atenção para outro ponto importante relacionado ao papel das mulheres no combate à má nutrição. Segundo a FAO, quanto maior controle as mulheres tiverem sobre os recursos e a renda das famílias, maior é o benefício para a saúde delas e de seus filhos.
O órgão também destaca iniciativas de combate à má nutrição pelo mundo, incluindo o programa Fome Zero, no Brasil. No relatório, a FAO elogia o Brasil pelas medidas tomadas na erradicação da alimentação precária da população.
O país apresenta um dos menores índices de crianças com deficiência de crescimento na América Latina (7,1%), atrás apenas do Chile (2%) e da Costa Rica (5,6%). No entanto, o Brasil ainda tem a maior proporção de menores de cinco anos anêmicos na região (54,9% do total).

Índios usam mídias sociais para fortalecer voz própria

Quando, na última quinta-feira, o índio terena Gabriel Oziel morreu baleado em confronto numa ação de reintegração de posse em Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul, poucos minutos bastaram para que uma batalha se organizasse em outro front.
Índios que presenciaram a morte logo publicaram vídeos e fotos de Oziel no Facebook, acusando a Polícia Federal (PF) pelo ocorrido.
O conteúdo da página Resistência do Povo Terena se espalhou rapidamente por uma extensa rede virtual composta por índios de outras etnias e apoiadores. Horas depois, quando o assunto já era divulgado até no exterior, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, veio a público dizer que a corregedoria da PF investigaria o caso.
A repercussão à morte de Oziel, ocorrida em meio a uma escalada de conflitos que envolvem indígenas brasileiros, expõe como muitos desses povos têm cada vez mais se valido de redes sociais para se articular e divulgar suas bandeiras.
A postura, dizem os grupos, também visa contestar visões preconceituosas ou imparciais sobre os índios propagadas por veículos jornalísticos.

Quem representa os índios?

O advogado terena Luiz Henrique Eloy, de 24 anos, diz que jornais e TVs que cobrem conflitos agrários em Mato Grosso do Sul costumam se posicionar contra os índios.
"Quando nos ouvem, colocam apenas a parte que (lhes) interessa", ele afirma à BBC Brasil.
Eloy diz ainda que muitos jornalistas, em vez de divulgar as opiniões dos índios sobre temas que lhes dizem respeito, costumam tratar a Funai (Fundação Nacional do Índio, órgão subordinado ao Ministério da Justiça), ONGs e o Cimi (Conselho Indigenista Missionário, ligado à Igreja Católica) como representantes legítimos dos indígenas.
Em alguns casos, afirma ele, os veículos vão além e endossam posição frequentemente emitida por fazendeiros, políticos ruralistas e alguns setores do governo: a de que essas organizações manipulam os índios, incitando-os a invadir terras e a acirrar os conflitos.
"É o contrário: muitas vezes a Funai e o Cimi são expulsos de nossas reuniões porque tentam impedir ações, desencorajar retomadas de terras", diz à BBC Brasil o antropólogo guarani-kaiowá Tonico Benites, de 41 anos.
"A iniciativa é sempre do povo, das lideranças. Afinal, quem vai para a guerra, quem vai receber bala são eles".

Redes e ensino

Benites, doutorando em antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Eloy, recém-formado em direito por uma faculdade privada de Campo Grande, integram um grupo cada vez maior de índios sul-mato-grossenses que têm chegado ao ensino superior e, com isso, ampliado a ressonância das demandas de seus povos.
Segundo Eloy, há hoje cerca de 800 indígenas em cursos de graduação, mestrado e doutorado em universidades de Mato Grosso do Sul. "Temos terena que são doutores em história e agronomia nas nossas retomadas", exemplifica.
Ao entrar na universidade, afirma ele, boa parte desses índios passa a ter acesso frequente à internet e a estender a militância às redes sociais. De volta às aldeias ou a áreas em conflito, usam celulares para postar na internet informações em tempo real. Foi o que ocorreu quando Gabriel Oziel foi alvejado na fazenda Buriti, enquanto a polícia cumpria uma ação de reintegração de posse.
A área, reivindicada pelo ex-deputado estadual Ricardo Bacha (PSDB), foi declarada terra indígena terena em 2010. Em 2012, porém, o Tribunal Regional Federal (TRF) aceitou recurso de Bacha para garantir seu domínio da área, possibilitando a ação policial. Na segunda-feira, uma decisão judicial que dava 48 horas para os índios deixarem a área foi suspensa.
Tonico Benites, que administra no Facebook a página Aty Guasu – nome da tradicional assembleia guarani de Mato Grosso do Sul –, diz que a militância virtual fez com que muitos brasileiros que não sabiam dos conflitos agrários no Estado se posicionassem em favor dos indígenas.
A causa ganhou grande projeção no fim de 2012, quando índios guarani-kaiowá da tekoha (termo em guarani para terra de ocupação tradicional) Pyelito Kue divulgaram um manifesto em que se diziam dispostos a morrer caso tivessem de deixar o local. Milhares de usuários do Facebook então se solidarizaram aos indígenas, adicionando guarani kaiowá a seus nomes.
O manifesto revelou as precárias condições enfrentadas por indígenas em Estados do centro e do Sul do país. Segundo a Funai, embora metade dos índios brasileiros habite essas regiões, apenas 2% das terras indígenas nacionais encontram-se nessas áreas – as 98% restantes estão na Amazônia Legal.
Como a Terra Indígena Buriti, outros milhares de hectares de terras no centro-sul do país estão, há décadas, em processo de demarcação. Parte dos territórios estão à espera de homologação (última etapa do rito burocrático); outros, paralisados por processos judiciais movidos por fazendeiros.

Demarcações

Índios de diversas etnias se manifestam em Belo Monte | Foto: Reuters
Bancada ruralista quer suspensão de demarcações de territórios indígenas
Com forte influência sobre a bancada ruralista no Congresso, a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) pressiona pela suspensão de todas as demarcações no país. A suspensão, diz a organização, deve durar até que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue os embargos declaratórios (pedidos de esclarecimento) sobre a decisão da corte referente à demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
Na decisão, de 2009, o STF definiu uma série de condições à demarcação, como a proibição de que reservas já homologadas sejam ampliadas. Os ruralistas querem que as condições se estendam a todas as outras demarcações, mas não há consenso entre os membros do STF quanto ao tema. A matéria não tem prazo para ser analisada.
Presidente da CNA, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) tem dito que as terras indígenas, que abrigam cerca de 600 mil índios (menos de 1% da população brasileira), somam 12,6% do território nacional. "Terra, portanto, não lhes falta", ela afirmou, em artigo recente.
Nas últimas semanas, o grupo obteve uma vitória quando a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, anunciou que o governo mudaria os procedimentos de demarcação, reduzindo os poderes da Funai. Segundo Gleisi, a fundação, que hoje lidera o processo demarcatório, conduzindo-o com base em estudos antropológicos, passará a dividir a atribuição com os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário.
Num sinal da falta do prestígio da Funai no governo Dilma, a presidente do órgão, Marta Azevedo, não foi convidada para uma reunião que Dilma convocou na última semana para discutir problemas envolvendo indígenas. O encontro contou até com o presidente da Embrapa, estatal de pesquisa agropecuária.
Em outros Estados, indígenas também têm intensificado protestos. Há duas semanas, índios gavião bloqueiam duas rodovias no sudeste do Pará em manifestação contra os serviços de saúde na região. Nesta segunda, índios kaingang ocuparam um escritório do PT em Curitiba e fecharam estradas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
As ações respondem a um pedido da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para que o Ministério da Justiça paralise as demarcações de terra em seu Estado natal, o Paraná, a cujo governo ela deverá concorrer em 2014.

Belo Monte

Desde a semana passada, índios munduruku ocupam o canteiro de Belo Monte e exigem dialogar com o Palácio do Planalto. Habitantes de aldeias à margem do Tapajós, a cerca de 800 km da usina, eles dizem que não foram consultados pelo governo federal sobre planos de construir hidrelétricas naquele rio.
O movimento também tem forte atuação no Facebook, por meio da página Campanha Munduruku.
Após tensa negociação, os índios tiveram seu pleito atendido e viajarão a Brasília para uma reunião na quarta-feira. Não será dessa vez, porém, que Dilma deverá recebê-los. O encontro foi agendado pela Secretaria Geral da Presidência, que deverá ter como principal representante o ministro-chefe da pasta, Gilberto Carvalho.
Desde que tomou posse, em 2011, a presidente não se reuniu nenhuma vez com indígenas.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Índios são notificados para sair de fazenda em MS

Os indígenas que ocupam a Fazenda Buriti, em Sidrolândia (MS), foram notificados nesta segunda-feira da decisão da juíza federal Raquel Domingues do Amaral, que dá prazo de 48 horas para que saiam da propriedade. A decisão foi tomada neste domingo, 2, mas, de acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), passa a valer a partir do momento em que os ocupantes recebem o ofício com o teor da liminar."Em princípio, as 48 horas vencem depois de amanhã, na quarta-feira (5)", disse o coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Flávio Machado. O clima é tenso no Estado e a comunidade indígena está revoltada com a morte de Oziel Gabriel, de 35 anos. O corpo do terena foi enterrado nesta segunda-feira. Neste sábado, 1, o corpo passou por exame necroscópico.
Segundo a determinação judicial, caso a retirada não seja cumprida no prazo estipulado, o governo federal estará sujeito a multa diária de R$ 1 milhão e a Fundação Nacional do Índio (Funai) pode ser punida em R$ 250 mil por dia. O mesmo valor de multa está previsto para os líderes dos índios que mantiverem a ocupação. Sobre o envio de tropas da Polícia Federal (PF) para qualquer ação de reintegração, Machado sustentou que "não há nenhuma movimentação nesse sentido e a decisão foi clara e não ordenou PF lá". "Definiram multa diária para a Funai e União", afirmou.
Lesão corporal
Índios da etnia terena feridos durante confronto com a polícia na quinta-feira, 30, na ação de reintegração de posse da Fazenda Buriti passariam ainda nesta segunda por exame de lesão corporal. Peritos da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul estão em Sidrolândia e o objetivo é verificar o tipo de instrumento usado nos ferimentos, como arma de fogo, faca ou outros. O mesmo exame mostra também a gravidade da lesão. A polícia não revelou quantos terenas passarão pelo corpo de delito, mas levantamento realizado pelo Cimi indica que 26 indígenas devem ser submetidos ao exame. Ao todo, 32 ficaram feridos no dia da reintegração de posse, mas seis foram detidos pela PF no confronto e passaram pela verificação

Turquia: Premiê diz que protestos 'não são Primavera turca'

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta segunda-feira que os quatro dias de protestos contra o governo não são uma "Primavera turca".
Em uma coletiva de imprensa antes de viajar para o Marrocos, ele afirmou que os protestos foram organizados por extremistas e acusou a oposição de provocar "os seus cidadãos".

Análise: A esperança em Istambul

Paul Mason | Foto: BBC
Paul Mason
Enviado da BBC a Istambul
Para qualquer estudante de história social, a visão de uma classe média urbana usando as mãos para retirar pedras da calçada, formar uma cadeia humana e empilhá-las para fazer uma barricada de um metro remete às palavras "Comuna de Paris".
Foi o que eu vi nas ruas ao redor do Estádio de Besiktas na noite passada, e as comparações são nefastas.
Eu cobri o Syntagma, em Atenas, os protestos Occupy e as manifestações na praça Tahrir, no Cairo, mas isso é diferente de todos eles. Primeiro, é sólido: os números apequenam qualquer episódio isolado de agitação na Grécia.
Em segundo lugar, a abrangência do apoio social - dentro do território urbano de Istambul - é maior do que na Grécia e próxima do Egito.
Na Grécia, a classe média urbana estava dividida; aqui na Turquia, a classe média secular está nas ruas com força, unida sobre divisões políticas e disputas de futebol.
É a "Praça Tahrir" da Turquia? Não se os trabalhadores não se juntarem: o país tem um grande movimento trabalhista e segunda-feira é um dia de trabalho, então veremos. Mas é certamente algo maior do que a uma versão turca do Occupy.
A oposição sabe que é fraca, que não tem liderança e não quer uma, e a estratégia oficial se relaciona ao parque Gezi e à brutalidade policial ─ enquanto a esperança que acende os olhos das pessoas com máscaras é se livrar de Erdogan e fazer da Turquia uma democracia secular.
A Comuna de Paris, em 1871, foi estudada pelos revolucionários como um exemplo do que não fazer. O movimento era isolado do resto da França, que votava nos conservadores; não sabia o que queria; aproveitou sua aparente liberdade e foi esmagado.
Ao ler o pedido do Departamento de Estado americano para que o premiê Recep Tayyip Erdogan "se contenha", acho que é possível que a comparação também tenha sido feita por outras pessoas.
Os protestos começaram como uma iniciativa para impedir a derrubada do parque Gezi, em Istambul, para a construção de um centro comercial.
No entanto, as manifestações se transformaram em protestos contra o governo em todo o país. Ativistas se enfrentaram novamente com a polícia na segunda-feira após novos episódios de violência durante a noite.
A polícia usou gás lacrimogêneo contra um grupo de manifestantes que ia para o gabinete do primeiro-ministro em Istambul, segundo a agência de notícias Dogan.
"Há aqueles que comparecem aos eventos organizados por extremistas. Isso não é mais relacionado ao parque Gezi. Estes são eventos organizados com afiliações na Turquia e fora", disse o primeiro-ministro, durante uma entrevista pela televisão.
"O principal partido de oposição, CHP, provocou meus cidadãos inocentes. Os que produzem notícias (e) chamam esses eventos de Primavera turca não conhecem a Turquia."
Os manifestantes dizem que o governo turco tem se tornado cada vez mais autoritário.
Correspondentes da BBC dizem que os manifestantes turcos temem que o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, esteja tentando impor valores conservadores islâmicos no país, que é oficialmente secular, e infringindo suas liberdades individuais.
De acordo com as autoridades, mais de 1,7 mil pessoas foram presas em protestos em 67 cidades, mas muitas já foram liberadas.
Na noite de domingo, a Casa Branca disse em um comunicado que ambos os lados deveriam "acalmar a situação" e reafirmou que manifestações pacíficas são "parte da expressão democrática".
Os EUA já haviam criticado as forças de segurança turcas por sua resposta inicial aos protestos.

Hospitais improvisados

Durante a noite, manifestantes no bairro de Besiktas, em Istambul, tiraram pedras do pavimento para construir barricadas e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo e canhões de água.
Mesquitas, shoppings e uma universidade em Besiktas foram transformados em hospitais improvisados para os feridos durante os protestos de domingo à noite.
Milhares de pessoas participaram dos protestos do lado de fora do estádio de futebol de Besiktas, que foi recentemente desativado.
Também houve tumultos na capital, Ancara, e na cidade costeira de Izmir, no oeste, assim como em Adana, no sul, e Gaziantep, no sudeste.
Na semana passada, o governo aprovou uma lei proibindo a venda e a propaganda de bebidas alcoólicas.
Erdogan disse que os manifestantes são antidemocráticos e foram provocados pelo Partido Popular Republicano (CHP), de oposição.

Brasileiros relatam conflitos e 'apagão midiático' em Istambul

Ao chegar em Istambul de ônibus na sexta-feira, o fotógrafo armênio-brasileiro Stepan Norair deparou-se com um cenário desolador. "Havia muitos destroços nas ruas e pessoas intoxicadas por gás lacrimogêneo: alguns vomitavam, outros tinham dificuldade para enxergar ou usavam máscaras de gás lacrimogêneo artesanais para tentar se proteger. Eu mesmo tive sangramentos na boca e no nariz e meus olhos ficaram vermelhos", contou à BBC Brasil.
Stepan vinha do interior do país, onde está trabalhando em uma série de documentários sobre a história da comunidade armênia na Turquia. O ponto final de seu ônibus era justamente na Praça Taksim, epicentro das manifestações contra o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que nos últimos quatro dias se espalharam para diversas cidades turcas.
Na sexta-feira, policiais reprimiram duramente um protesto contra um projeto de urbanização do Parque Gezi, nas proximidades da Praça Taksim - e o confronto foi o estopim para a onda de manifestações contra o governo.
Segundo informações oficiais, 1,8 mil pessoas teriam sido presas desde então. A organização Anistia Internacional divulgou que os protestos teriam deixado dois mortos e centenas de feridos, mas seus relatos não foram confirmados.
"Quando saí de casa no sábado havia vidros quebrados, sinais de destruição e sujeira por todos os lados", conta o estudante brasileiro Jairo do Amaral, que há dois anos estuda arquitetura na Universidade de Bahçeşehir.
Jairo tem vários colegas que estão participando dos protestos e diz que um deles teria tido o rosto desfigurado por golpes da policia.
Ele passou o fim da tarde de sábado em Taksim e conta que, na ocasião, o clima entre os manifestantes que haviam ocupado o local era de "festa". "A polícia não agiu contra os que estavam na praça nesse dia, mas ficamos sabendo que à noite invadiu minha universidade porque ela estava ajudando a abrigar e tratar manifestantes feridos", conta o brasileiro.
Jairo do Amaral (Foto Arquivo Pessoal)
O brasileiro Jairo do Amaral (de vermelho) com amigos na praça Taksim
"Moro a 1,5 quilômetro do campus e ao chegar em casa tive de fechar a janela: respirava-se gás lacrimogêneo em todo o bairro de Beşiktaş e havia muitos policiais nas proximidades."

Cobertura

O que mais parece ter impressionado Jairo, porém, é algo que também chamou a atenção de outros brasileiros na Turquia.
"Há uma espécie de apagão midiático no país", denuncia uma operadora de turismo brasileira, que vive na Turquia há dez anos e não quis se identificar por medo de represálias.
"Com exceção da Halk TV (vinculada à oposição), todas as outras emissoras estão dedicando muito pouco tempo e espaço para a cobertura dos protestos e quem quer se informar sobre eles precisa buscar emissoras internacionais ou mídias sociais."
A brasileira conta que trabalha perto de Taksim - o que lhe permite acompanhar o que acontece na região.
"No momento em que os conflitos na praça estavam mais intensos, até a CNN turca preferiu levar ao ar um documentário sobre pinguins", completa a brasileira, repetindo uma informação que vem sendo divulgada por mídias sociais, mas não foi confirmada pela emissora americana.
"Os jornais e TVs noticiam que há centenas de pessoas se manifestando, quando na verdade há centenas de milhares", acrescenta Stepan.
Os manifestantes acusam Erdogan, do Partido Justiça e Desenvolvimento (Adalet ve Kalkınma Partisi, ou AKP) de ser muito autoritário e adotar, pouco a pouco, medidas para acumular poder e "islamizar" a Turquia, minando a separação entre religião e Estado que é um dos legados do líder nacionalista Mustafá Kemal Ataturk.
Erdogan nega as acusações e diz que as manifestações estão sendo instigadas pelo opositor Partido Republicano do Povo (Cumhuriyet Halk Partisi, ou CHP) para desestabilizar seu governo. "O principal partido de oposição, CHP, está instigando cidadãos inocentes (a protestarem). Mas quem está chamando esses eventos de Primavera Turca (em alusão à Primavera Árabe) não conhecem a Turquia", disse o premiê nesta segunda-feira.
Segundo os brasileiros ouvidos pela BBC Brasil, as manifestações antigoverno são generalizadas. "Há panelaços e buzinaços por toda a cidade e, durante os protestos, quem está em casa acende e apaga as luzes para sinalizar apoio", diz Jairo.
"Parece que uma parte importante da população realmente chegou ao seu limite e quer dar um basta a medidas e práticas que consideram perigosas desse governo."

China: incêndio em fábrica mata 119 pessoas na China

XANGAI - As autoridades chinesas informaram que 119 pessoas morreram no incêndio em uma fábrica na cidade de Dehui, localizada na região de Jilin, no nordeste do país. O balanço das vítimas foi publicado na rede social Weibo, o Twitter chinês, pelas próprias autoridades.
Segundo as primeiras informações, o incêndio começou em volta das 6h locais (19h do domingo no horário de Brasília) após uma explosão ocorrida na planta da Jilin Baoyuan Poultry Company, uma empresa de criação e abate de frangos.
As causas do fogo ainda não foram esclarecidas e as equipes de resgate conseguiram apagar o incêndio somente após seis horas.
No local, estavam presentes mais de 300 funcionários, trabalhando em duas linhas de produção. Cerca de 100 pessoas conseguiram fugir no momento em que o incêndio começou, mas as equipes de resgate ainda não sabem exatamente quantos trabalhadores ficaram presas dentro da empresa.
Testemunhas relataram que, logo após o incêndio, faltou energia elétrica na planta e muitos funcionários que tentaram fugir da estrutura ficaram presos por causa da escuridão e dos portões de ingresso, que permaneceram trancados.
Muitos trabalhadores foram hospitalizados por intoxicação, provocada pela densa fumaça preta. Além das causas do incêndio, as autoridades estão monitorando a possibilidade de um desastre ambiental.
No total, mais de 1,2 mil pessoas trabalham na empresa, criada em 2009 e que produz cerca de 67 mil toneladas de produtos de frango por ano.

domingo, 2 de junho de 2013

Criminosos armados fazem arrastão em restaurante do Rio de Janeiro

Criminosos armados fizeram arrastão em restaurante em Botafogo, na zona sul da cidade Rio de Janeiro, na noite da última sexta-feira , 31.
Em oito dias, é o segundo crime desse tipo no bairro. No último dia 23, três homens roubaram 35 pessoas em um restaurante na rua Mena Barreto. O assalto foi bastante rápido. A ação durou apenas cerca de três minutos e foi registrado em vídeo pela câmara de segurança do estabelecimento. As imagens foram divulgadas pela Polícia Civil para ajudar na identificação dos criminosos envolvidos.
Já o arrastão na noite de sexta-feira ocorreu por volta das 21h30min, depois que quatro bandidos desceram de Toyota Corolla e roubaram os clientes do Restaurante Famiglia Pelluzzo’s, que fica no cruzamento entre as ruas Fernando Guimarães com Arnaldo Quintella. Um quinto homem também estaria envolvido na ação. Ele teria ficado no carro esperando os comparsas, para agilizar a fuga.
Testemunhas contam que a ofensiva dos bandidos foi rápida, surpreendendo os clientes do restaurante. Além do dinheiro que havia no caixa do estabelecimento, os assaltantes levaram ainda celulares, relógios, dinheiro e outros objetos pessoais.
Segundo testemunhas da ocorrência, o local estava lotado na hora do crime - durante feriadão de Corpus Christi, quando a cidade está repleta de turistas.
Um dos clientes tentou reagir ao assalto e foi agredido pelos bandidos com coronhada na cabeça. Ferido, ele foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro. As vítimas do assalto foram encaminhadas à 10ª delegacia de Polícia do Rio, onde prestaram depoimento. (da Agência Estado)

Cruz Vermelha dá alerta sobre cidade sitiada na Síria

A Cruz Vermelha afirmou estar alarmada em relação à cidade sitiada de Qusair, na Síria. A instituição fez um apelo para ter acesso imediato ao local com o objetivo de levar ajuda às vítimas do conflito.
Milhares de civis estariam presos na cidade, que fica próxima à fronteira com o Líbano.
A batalha entre forças governistas e rebeldes praticamente acabou com as reservas de suprimentos médicos, comida e água na região, segundo a Cruz Vermelha.
A Rússia teria bloqueado uma "declaração de alarme" da ONU sobre Qusair.
O rascunho da declaração do Conselho de Segurança alertava sobre uma "grande preocupação sobre a situação de Qusair, especialmente em relação ao impacto sobre os civis durante o conflito".
Declarações do Conselho de Segurança como essa devem ser aprovadas por unanimidade por seus membros.
Uma fonte diplomática afirmou que a Rússia se opôs ao texto porque a ONU não teria afirmado quando a cidade foi capturada pelos rebeldes.

Civis cercados

Um ativista opositor ao regime de Bashar al-Assad afirmou à BBC na sexta-feira que os cerca de 30 mil moradores permaneciam na cidade. A ONU afirmou que 10 mil pessoas conseguiram sair da região.
Localidades controladas pelos rebeldes estariam efeivamente isoladas por forças do governo e combatentes do Hezbollah.
Uma declaração do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) afirma que a entidade está “alarmada” por relatos de civis sitiados e pronta para entrar na cidade imediatamente para ajudar as vítimas.

Cidade de Qusair

  • População Estimada: 30.000
  • 10.000 pessoas teriam deixado o local
  • 1.500 foram feridos, segundo a ONU
  • Próxima à rota entre Damasco e a região alauíta de Tartous
"Civis e feridos correm o risco de pagar um preço pesado se a luta continuar", disse o responsável pelas operações do CICV na região, Robert Mardini.
O escritório do secretário geral da ONU fez um apelo para que as partes em conflito deixem os civis abandonarem o local.
O correspondente da BBC em Genebra, Imogen Foulkes, afirmou que o fato de tanto a ONU como o CICV terem voltado suas atenções para a questão é um indicativo de que a situação na cidade se torna desesperadora.
Os confrontos em Qusair se intensificaram no mês passado quando militantes do Hezbollah – o grupo libanês apoiado pelo Irã – se juntaram às forças de Bashar al-Assad.
Reforços do grupo rebelde Exército Livre da Síria teriam conseguido chegar à região pelo nordeste da cidade, para dar apoio a seus defensores.

Sunitas

Alguns sunitas do Líbano também cruzaram a fronteira para lutar ao lado dos rebeldes – cujas fileiras são compostas majoritariamente pela maioria sunita da Síria.
No sábado o influente clérico muçulmano Yusuf al-Qaradawi pediu aos sunitas do oriente médio que se juntem à batalha contra o presidente Assad.
Ele disse em um evento em Doha que o Irã e o Hezbollah, os principais aliados de Assad, querem exterminar os sunitas.
Ativistas do grupo Observatório Sírio de Direitos Humanos, contrários a Assad e baseados na Grã-Bretanha, afirmaram que os rebeldes se preparam para tentar repelir um novo ataque.
Ao menos 15 blindados do Exército sírio se reuniram no norte da cidade, segundo Rami Rahman, o diretor da organização.
"As forças do regime estão reforçando suas posições no norte da cidade, incluindo o aeroporto de Dabaa e Jawadiya", disse.
Qusair, que fica a dez quilômetros da fronteira libanesa, é considerada uma central logística e rota para o contrabando de armas para a Síria.
A cidade também está localizada perto da principal rodovia que conecta a cidade de Homs com a capital Damasco.

sábado, 1 de junho de 2013

Polícia prendeu 939 manifestantes em protestos na Turquia, diz governo

Milhares de turcos invadiram a Praça Taksim, em Istambul, neste sábado.
Projeto urbanístico que prevê supressão de parque revoltou a população.

A polícia da Turquia prendeu quase mil pessoas neste sábado (1º) durante os protestos na Turquia contra um projeto urbanístico em uma das principais praças de Istambul, a Taksim. De acordo com o balanço divulgado pelo ministro do Interior do governo, Muammer Guler, foram efetuadas 939 prisões em 90 protestos realizados em 48 cidades de todo o país. Além disso, ele afirmou que 79 pessoas ficaram feridas, entre elas 53 civis e 26 agentes.
O distúrbio foi desencadeado pelos planos governamentais de erguer apartamentos ou tendas de estilo otomano para receber lojas na Praça Taksim, há tempos usada para protestos políticos, mas se ampliou e virou uma demonstração de desafio contra Erdogan e seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), de raiz islâmica.
A polícia disparou gás lacrimogêneo e jatos d´água em uma grande rua comercial à medida que uma multidão de manifestantes entoando "ombro a ombro contra o fascismo" e "governo, demita-se" marchava rumo a Taksim, onde centenas foram feridos em choques na sexta-feira. Um helicóptero da polícia pairava no céu, e grupos majoritariamente jovens de homens e mulheres, com lenços e máscaras cirúrgicas nos rostos, usavam Facebook e Twitter em seus celulares para tentar se organizar e reagrupar em ruas laterais.

"Se o assunto é realizar reuniões, se é um movimento social, onde eles juntam 20 eu me levantarei e juntarei 200 mil pessoas. Onde juntarem 100 mil, levarei um milhão do meu partido", disse o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, em um discurso televisionado.
O sábado marcou o segundo dia dos violentos protestos em Istambul. Mais cedo, a polícia havia se retirado da praça Taksim, núcleo da revolta, depois de ter agido com extrema violência contra os manifestantes. Os protestos começaram devido a um projeto de renovação da praça, que prevê a supressão do parque Gazi para a construção de um centro cultural e a reforma de um quartel da época otomana.
 Manifestantes chegam à praça Taksim depois de confrontos com a polícia neste sábado (1º) (Foto: Bulent Kilic/AP )Manifestantes chegam à praça Taksim depois de confrontos com a polícia neste sábado (1º)
(Foto: Bulent Kilic/AP )
Enfrentando uma das mais importantes ondas de protesto desde sua chegada ao poder, em 2002, Erdogan ordenou que as forças policiais se retirassem da praça Taksim e do parque Gazi, onde estava previsto um projeto urbanístico que provocou a ira da população.
Imediatamente após a saída da polícia, milhares de pessoas com bandeiras turcas invadiram a praça e o parque ao lado cantando slogans de vitória, com o apoio de fogos de artifício.
Poucas horas antes do recuo das forças de ordem, Erdogan havia afirmado energicamente que a polícia permaneceria na praça Taksim "hoje" (sábado) e "amanhã também", porque este lugar "não pode ser uma área onde os extremistas fazem o que querem".
E no meio da tarde Erdogan pediu para que os manifestantes parassem imediatamente com os protestos. "Convoco os que protestam a interromperem as manifestações imediatamente", expressou o primeiro-ministro durante um discurso.
Já o presidente da Turquia, Abdullah Gul, fez um chamado ao "sentido comum" e à "calma" e considerou que os protestos alcançaram um nível inquietante.
"Em uma democracia, as reações devem ser expressadas (...) com sentido comum, com calma, e os líderes devem mobilizar seus esforços para ouvir as diferentes opiniões e inquietações", disse o presidente.
Na praça, Ataman Bet, de 33 anos, limpava os cacos de vidro da vitrine de seu café, quebrada durante os confrontos, mas disse se sentir orgulhoso da manifestação.
"Nós nos tornamos um só (no protesto). Estão todos juntos: esquerdistas, direitistas, inclusive partidários de Erdogan. As pessoas estão furiosas e estou orgulhosos delas", disse Bet, para quem os vidros quebrados de seu café eram apenas um "sacrifício necessário".
Incidentes
Os incidentes começaram na manhã de sexta-feira (31), quando a polícia desalojou com canhões de água e bombas de gás lacrimogêneo uma centena de pessoas que acampavam em um parque da praça Taksim, no centro da cidade, para impedir que os serviços municipais arrancassem 600 árvores no âmbito do projeto imobiliário.
A oposição ao projeto da prefeitura, controlada pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, chegou ao plano político e agora são feitas críticas a outros projetos de construção em Istambul, em particular a uma terceira ponte no estreito do Bósforo, cuja primeira pesar foi colocada na última quarta-feira, e a um aeroporto gigante.
A violenta intervenção policial de sexta-feira deixou muitos feridos e provocou uma forte mobilização de grande parte da população, que foi se unindo aos protestos ao longo do dia.
A Anistia Internacional criticou o "uso excessivo da força diante de manifestantes pacíficos" e a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou os ataques deliberados contra jornalistas, um dos quais foi ferido na cabeça. Até o momento, não se sabe o número oficial de feridos devido à ação policial.
Erdogan também se tornou alvo nas redes sociais, onde na sexta-feira era chamado de "Tayyip, o químico" ou "o homem que gasifica", em alusão à grande utilização de bombas de gás lacrimogêneo.

Torcedores ingleses elogiam o Rio, mas se mostram apreensivos com organização

Os ingleses Duncan Saunders e Richard Harris estão planejando chegar mais cedo ao Maracanã para garantir seu lugar entre os espectadores do amistoso entre Brasil e Inglaterra, marcado para este domingo, às 16h, no primeiro grande teste após a reforma daquele que é o estádio de futebol mais importante do Brasil.
Embora já tenham os ingressos, eles resolveram tomar a precaução após fazerem uma visita ao entorno do estádio no início da tarde da última sexta-feira.
"Nós vamos chegar aqui bem cedo no domingo, para ter certeza. Se fosse na Inglaterra, nós chegaríamos cinco minutos antes de o jogo começar, mas aqui será bem diferente", disse Saunders, que vestia uma camisa da seleção inglesa.
O inglês parecia bastante espantado com o fato de, a poucos dias da grande estreia do Maracanã, o entorno do estádio ainda estar em obras, com operários andando para lá e para cá e pedaços de madeira e vergalhões de ferro espalhados por todos os lados.
"Nós viemos aqui hoje para ver se podíamos dar uma olhada, mas parece que eles não estão prontos. Fiquei um pouco preocupado", disse Saunders, que pouco depois desenrolou com orgulho a enorme bandeira da Inglaterra que trazia em sua mochila.

Sol

Andrew Hdgkiss (Foto: Caio Quero)
Andrew Hdgkiss caminhou até Ipanema (Foto: Caio Quero)
Na manhã deste sábado, boa parte dos materiais que estavam espalhados no entorno do Maracanã havia sido retirada, embora ainda fosse possível encontrar montes isolados de peças de metal e madeira em alguns locais e partes do piso ainda inacabadas.
Mesmo assim, poucos turistas tiravam fotos em frente à entrada monumental ou junto à estátua de Bellini, capitão da seleção brasileira na Copa de 1962. O culpado provavelmente era o sol, que após alguns dias de chuva finalmente apareceu no Rio. O tempo bom, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, deve continuar neste domingo.
A pouco mais de 15 quilômetros dali, torcedores vestidos com a camisa inglesa circulavam pelas imediações do hotel onde está hospedada a seleção do país, no bairro do Leme, em frente à praia.
"Estou achando tudo muito bom, as pessoas são muito amigáveis", dizia Andrew Hodgkiss, que chegou ao Rio na quinta-feira para assistir ao amistoso.
Ele conta ter caminhado bastante pelos bairros da zona sul e diz não ter enfrentado maiores dificuldades para se localizar.
"Andei bastante, até Ipanema. Eu achei que é fácil se localizar, não tive problemas. Tudo está sendo ótimo", disse Hodgkiss, que está visitando o Brasil pela primeira vez.

Inglês

Paul Leveridge (Foto: Caio Quero)
Paul Leveridge se surpreendeu com brasileiros falando inglês (Foto: Caio Quero)
Caminhando pela orla de Copacabana no início da manhã de sábado, Paul Leveridge também parecia satisfeito e elogiou inclusive a capacidade de comunicação dos brasileiros.
"A maioria das pessoas fala algum inglês, mesmo que um pouco 'quebrado', e eu não falo nada de português", disse.
Leveridge só apontou dois pontos negativos desde que chegou ao Rio, na última quinta-feira. "O aeroporto, parece que eles ainda estão construindo", disse, referindo-se às obras de ampliação do Galeão.
Ele também conta ter tomado um táxi que "parecia não saber para onde estava indo", o que acabou aumentando a tarifa.

Ingressos

No hotel onde está hospedada a seleção inglesa, Mark Fox contava, na manhã deste sábado, ter ficado surpreso com a tranquilidade de seu desembarque no aeroporto internacional do Galeão.
Mark Fox (Foto: Caio Quero)
Mark Fox temia pela hora da retirada dos ingressos (Foto: Caio Quero)
"Foi uma surpresa para nós o quanto o aeroporto foi tranquilo. Nós passamos pela imigração de maneira muito rápida", disse Fox, que afirmou que tudo correu bem, apesar da presença de alguns torcedores ingleses mais empolgados.
Fox, no entanto, estava apreensivo quando à situação de seus ingressos. Ele e um amigo compraram as entradas em um site brasileiro e tentavam decifrar as palavras em português do comprovante da transação para tentar descobrir onde deveriam retirar os tíquetes.
"Estou só um pouco nervoso com os ingressos. Vamos pegá-los na sede do Botafogo (que fica no bairro de mesmo nome, na zona sul do Rio). Só espero que não tenha nenhum problema", disse Fox, que contou que um amigo holandês ficou uma hora e meia na fila para pegar os ingressos na sexta-feira.
A reportagem da BBC Brasil percorreu dois locais de retirada de ingressos na manhã deste sábado, nas sedes do Botafogo e do Fluminense, no bairro de Laranjeiras. O clima era de tranquilidade e a maior parte dos torcedores aguardava menos de meia hora na fila para conseguir as entradas.
Para seu alívio, Fox também não encontrou problemas para conseguir as entradas.
"Peguei os tíquetes, deu tudo certo. Demorou só uns cinco, dez minutos. Acho que só demorou mais porque eles tiverem que achar alguém que falava inglês para nos atender", contou Fox por e-mail após garantir sua presença no amistoso.

Foguetes disparados da Síria atingem leste do Líbano

Dezenas de foguetes disparados da Síria atingiram o leste do Líbano neste sábado, disseram autoridades de segurança do país. As tensões aumentam entre os dois países fronteiriços à medida que os militantes do Hezbollah começam a ter um papel importante na guerra civil na Síria.
As autoridades de segurança libanesas disseram que a região de Baalbek foi atingida 16 vezes, provocando incêndio, mas sem deixar vítimas. Eles falaram sob condição de anonimato.
Os rebeldes sírios dispararam dezenas de foguetes na região de Hermel, nordeste do Líbano, nas últimas semanas, mas o ataque deste sábado, 1, foi o primeiro em Baalbek, uma reduto do Hezbollah. As autoridades disseram que as aldeias de Yanta, Brital e Saraeen estavam entre as regiões atingidas.
O grupo libanês está lutando ao lado da forças do presidente Bashar Assad contra os rebeldes que pretendem derrubá-lo. O envolvimento do Hezbollah na guerra da Síria aumentou acentuadamente em abril, quando os combatentes do grupo e as forças do governo sírio deram início a uma grande ofensiva para recapturar Qusair, que havia sido tomada por rebeldes pouco depois da revolta contra Assad, que começou em março de 2011.
A guerra civil da Síria está cada vez mais transbordando para vizinho Líbano, onde confrontos entre as forças que se opõem a Assad deixaram dezenas mortos e feridos nos últimos meses.
O Líbano e a Síria compartilham uma complexa rede de laços e rivalidades políticas e sectárias que são facilmente inflamadas. A população do Líbano está profundamente dividida sobre o conflito, que começou com protestos pacíficos, mas depois degenerou em uma guerra civil.
Alguns sunitas libaneses apoiam os rebeldes sírios, que também são na sua maioria sunitas, enquanto alguns xiitas apoiam o regime de Assad, dominado por sua seita alauíta, uma ramificação do islamismo xiita.

Mudanças na Síria colocam pressão sobre Washington

Por dois anos, o presidente americano Barack Obama têm relutado em se envolver no conflito na Síria. Mas com o confronto está se transformado em uma guerra influenciada por fatores internacionais, as atitudes em Washington estão começando a mudar.
A situação da Síria nunca pareceu tão complexa ou intratável em dois anos de revolta e combates. Enquanto isso, os planos para uma negociação de paz em Genebra permanecem duvidosos.
O presidente sírio Bashar al-Assad também continua a receber armamentos da Rússia e os rebeldes sírios acusam o grupo militante xiita Hezbollah de invadir o país para apoiar Assad.

Evitando a intervenção

O Hezbollah, ajudado pelo Irã, já afirmou publicamente que apoia o presidente da Síria.
Enquanto isso, a União Europeia levantou seu embargo de armas para os rebeldes – embora a decisão de mandar armamentos aos opositores de Assad ainda não tenha sido tomada por países europeus.
A oposição síria, por sua vez, luta para conseguir se reunir sob uma liderança única.
É fácil esquecer hoje que a revolta síria começou em março de 2011, quando multidões de manifestantes tomaram as ruas – de Homs a Hama e Damasco – exigindo reformas, liberdade e a saída de Assad do poder.
Mas o presidente continuou recebendo o apoio da elite mercante do país, de sua comunidade alauíta e de uma parcela de cristãos do país.
Em Washington, esperanças de que Assad cairia se alternaram com esforços diplomáticos para chegar a uma solução política – qualquer coisa que evitasse o envolvimento direto dos EUA.
A administração americana ainda insiste que uma solução política ainda é a melhor opção, mas a evolução do conflito no terreno a está forçando a reconsiderar a estratégia.
Porém, Obama e seus assessores temem que dar um passo adiante agora poderia desencadear uma sucessão de fatos que levariam o país à guerra na Síria, segundo Fred Hoff, do think tank Atlantic Council. Ele participou dos debates sobre a crise síria dentro da administração americana como assessor.
"Em outras palavras, avance um passo e no futuro você será obrigado a ocupar o país. Eu acho que isso é um engano e não ficaria surpreso se soubesse que o próprio presidente chegou a essa conclusão".

Recalcular

Presidente Bashar Assad
Estados Unidos dizem que não haverá internvenção unilateral na Síria
Apenas neste ano, Washington mandou ajuda não letal aos rebeldes – remédios e comida.
Brian Sayers, um ex-conselheiro da Otan (aliança militar ocidental) se reúne atualmente em Washington com o SSG (sigla em inglês do Grupo de Suporte Sírio) – entidade que ajuda o governo americano a enviar ajuda aos rebeldes no campo de batalha.
Três carregamentos foram enviados neste ano. No escritório de Sayer, um mapa da Síria está coberto com pequenas folhas adesivas. Elas listam os nomes dos generais e comandantes do Exército Livre da Síria com quem o SSG está em contato.
"Este é o começo de um processo, e algumas pessoas podem estar vendo isso como um projeto piloto do que vai acontecer no futuro", disse.
Em maio, o comitê de relações internacionais do Senado americano aprovou uma proposta autorizando o armamento de determinadas unidades militares dos rebeldes.
O presidente do comitê, o senador democrata Robert Menendez, costumava se opor ao armamento dos rebeldes, mas agora diz que o custo de não fazer nada pode ser muito alto no futuro.
"A menos que queiramos ficar sentados assistindo outras 80 mil pessoas serem assassinadas, um Estado entrar em colapso e armas químicas caírem nas mãos de terroristas, temos que mudar a dinâmica na Síria".
"E temos que encontrar uma maneira de fazer com que Assad ou os russos mudem de pensamento".

Armamento

Pode demorar meses para que o Legislativo americano transforme essa proposta em lei. Mesmo que isso aconteça, o Executivo pode decidir não seguir o plano.
O presidente já rejeitou no ano passado um plano para armar os rebeldes apresentado a ele pela então secretária de Estado Hillary Clinton e pelo então diretor da CIA (agência de inteligência americana) David Petraeus.
A proposta foi feita antes que elementos radicais da rebelião – como a frente al-Nusra – se tornassem mais conhecidos.
Até agora, os EUA parecem querer contar com países como Qatar, Turquia e, potencialmente, aliados europeus para fornecer armas aos rebeldes.
Mas armar os rebeldes é uma opção tão problemática como as outras que estão sendo discutidas: desde ataques, implementação de áreas restritas ao voo ou operações secretas.
Recentemente, Obama afirmou ter pedido a seus generais que preparem planos adicionais para a Síria.

Cansado de guerra

Uma internvenção militar americana, mesmo que limitada, teria que ser realizada fora do ambiente de um mandato da ONU – uma vez que a Rússia votaria qualquer resolução do Conselho de Segurança.
Mas até agora, nenhum esforço está sendo feito para reunir uma coalisão de aliados europeus e árabes. E o presidente Obama já avisou que não haverá ação unilateral americana.
As experiências no Iraque e no Afeganistão têm grande peso na hora de ponderar ações. O presidente também sabe que não há grande entusiasmo em seu país por uma intervenção direta na Síria.

Liderança americana

Hoje estão mudando não só a visão americana sobre seu papel no mundo como a percepção internacional sobre o que os EUA podem e devem fazer, e em que medida.
Mohammed Ghanem, um jovem professor sírio da Universidade de Damasco, está agora nos EUA fazendo lobby para ajudar a oposição síria.
"Não estamos pedindo por botas no terreno. Não queremos uma intervenção como a do Iraque ou uma invasão em larga escala".
"Os sírios estão lutando e sacrificando suas vidas para obter liberdade. O que eles precisam é apenas de uma assitência, porque a luta não está sendo justa", disse.
"Precisamos da liderança dos Estados Unidos. O necessário na Síria é uma assistência mínima, mas duradoura".

Família produtora de bolos opta por uma vida sem açúcar

É possível viver uma vida sem açúcar? Uma família no sudeste da Inglaterra diz que sim. Depois que a filha foi diagnosticada com diabetes, a familia inteira abriu mão do açúcar por uma vida mais saudável.
Lucy Burt tem 16 anos e em 2011 descobriu que tinha diabetes tipo 1, também conhecida como diabetes mellitus. Nesse caso, o pâncreas não produz insulina para regular os níveis de glicose no sangue, e se a quantidade ficar muito alta, os órgãos do corpo podem ser danificados.
Na época, o médico de Lucy disse que ela deveria verificar seus níveis de sangue regularmente, aplicar insulina, mas continuar com uma dieta normal e equilibrada.
No entanto, os pais de Lucy, Jason e Clare, foram contra o conselho do médico e decidiram que todos da família, incluindo os outros dois filhos, deveriam cortar o açúcar, e seguir uma dieta rica em proteína, gordura, e muitos legumes.
"Por cerca de um mês a sensação foi de ressaca, não conseguia me concentrar, " disse Jason. "Mas depois a sensação foi de leveza."
"Foi um ato de solidariedade ... abrir mão do açúcar significava que estávamos apoiando uma dieta que era melhor para Lucy e sua diabetes," disse Jason ao programa de culinária da Rádio 4 da BBC.
Para a família, o início foi bastante difícil e desconfortável, mas agora todos se sentem mais saudáveis, têm níveis mais elevados de concentração, comem menos, e a conta de supermercado também diminuiu.
"Comecei a me sentir mais desperto, e consciente, e desde então, não olhei pra trás. Tenho muito mais energia", disse Jason.

Negócio de família

A família produz cerca de 3 mil bolos por semana.
Foi particularmente difícil para a família Burt cortar o açúcar. Eles fornecem bolos para lojas no sudeste da Inglaterra, produzindo cerca de 3 mil bolos por semana.
Para Clare foi difícil encontrar um equilíbrio entre o diagnóstico da filha e o trabalho. "Mas um amigo me lembrou que as pessoas não deixariam de comer bolos só porque a Lucy foi diagnosticada com diabetes", afirmou Clare
"Parecia que estávamos fazendo algo errado, mas precisávamos pagar as contas", disse Jason.
Mas como todo bom cozinheiro sabe, as receitas têm que ser provadas enquanto são feitas. Como eles resolveram esse problema?
"Temos muitos voluntários. E se for absolutamente necessário, vamos provar pequenas quantidades", diz Clare. "O bom é que as receitas são as mesmas há 30 anos."

Após violência, polícia turca sai de praça ocupada por manifestantes

No sábado, a polícia reprimiu pelo segundo dia consecutivo uma manifestação no centro de Istambul contra o governo islamita de Erdogan

A polícia turca se retirou neste sábado da praça Taksim, no centro de Istambul, ocupada imediatamente por milhares de pessoas no segundo dia de violentas manifestações contra o governo, constataram jornalistas da AFP.
Desde sexta-feira, esta praça da principal cidade turca esteve ocupada pelas forças policiais que impediam o acesso aos manifestantes, e que sistematicamente dispersaram os grupos que se formavam no local.

Manifestante joga uma lata de gás lacrimogênio de volta para a polícia durante manifestação na Turquia Foto: Reuters
Manifestante joga uma lata de gás lacrimogênio de volta para a polícia durante manifestação na Turquia
Foto: Reuters

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, admitiu neste sábado que em alguns casos a polícia agiu de forma extrema na repressão dos manifestantes que protestavam durante o dia contra um projeto urbanístico em um parque de Istambul.
"É verdade que ocorreram erros e extremismo na resposta da polícia", disse Erdogan após um segundo dia de violentos protestos que deixaram dezenas de feridos. O ministro do Interior afirmou em uma nota que serão tomadas medidas legais contra os agentes que agiram de forma desproporcional.
Neste sábado, a polícia reprimiu pelo segundo dia consecutivo uma manifestação no centro de Istambul. Os violentos incidentes, registrados na sexta-feira, quando a polícia dispersou com bombas de gás lacrimogêneo uma manifestação, deixaram dezenas de feridos. Trata-se de um dos maiores protestos já registrados até agora contra o governo islamita de Erdogan, que muitos de seus opositores consideram conservador e autoritário.


A versão online do jornal Hürriyet, que cita fontes policiais, informou hoje que 81 pessoas já foram detidas nos violentos confrontos entre os manifestantes e as forças de ordem, além de um considerável aumento no número de feridos. O que começou há quatro dias como um camping para salvar o parque Gezi, adjacente à Praça Taksim, se transformou em um conflito social após uma ação de despejo na madrugada de ontem e, atualmente, aparece como um desafio político ao governo turco.

Turquia vive segundo dia de protestos contra o governo

A Turquia teve seu segundo dia de protestos violentos neste sábado. Choques entre policiais e manifestantes foram registrados em Istambul e na capital Ankara.
As manifestações começaram na sexta-feira devido a um plano das autoridades para fazer mudanças no parque Gezi, na praça Taksim, em Istambul.
Neste sábado houve uma escalada da violência depois que a polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes em Istambul e em Ankara.
Usando um tom desafiador, o premiê Recep Tayyip Erdogan afirmou que a reforma do parque continuará. Também disse que a polícia permanecerá na praça Taksim para manter a ordem.
Segundo correspondentes, o protesto começou como um tumulto local, mas rapidamente se espalhou pelas principais cidades do país e se transformou em um movimento contra o governo e contra o partido AK, do premiê.

Caos no trânsito

Centenas de manifestantes marcharam sobre a ponte que liga os continentes europeu e asiático em Istambul, na manhã deste sábado. O objetivo deles era chegar até a praça.
A polícia disparou granadas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes – que responderam atirando pedras.
Um grupo de manifestantes conseguiu se reunir na praça Taksim. Eles gritavam "unidos contra o facismo" e "governo renuncie". O grupo foi atacado por policiais com canhões de água.
Mais confrontos foram registrados no distrito de Besiktas.
"Há mais de 40 mil pessoas cruzando a ponte entre a Ásia e a Europa hoje. Todo o transporte público está paralisado", disse à BBC uma moradora de Istambul que se identificou como Lily.
Ela disse ainda que a polícia teria jogado granadas de gás lacrimogêneo a partir de helicópteros, durante a noite.
"Por volta de uma e meia da manhã a cidade toda começou a se manifestar. As pessoas estavam batendo em panelas, potes e soprando apitos", afirmou.
A correspondente da BBC em Istambul, Louise Greenwood, afirmou que policiais de regiões distantes, como Antalya, estão sendo levados às principais cidades para ajudar a conter os choques.
Ela disse ainda que todo o distrito de Taksim e as áreas vizinhas estão isoladas e as pontes da cidade foram interditadas.
Autoridades de Istambul afirmaram que dezenas feridos foram levados para hospitais e ao menos 60 suspeitos foram presos, desde o início dos confrontos na sexta-feira.
Manifestantes em Ankara afirmaram que seu protesto foi uma ação de solidariedade aos colegas de Istambul. Eles gritavam frases como: "Em todo lugar há resistência, Taksim está em todo lugar".
No sábado, centenas de manifestantes se reuniram em um parque de Ankara. Muitos consumiram álcool em protesto contra restrições recentes do governo – de inspiração islâmica – sobre a venda e propaganda do produto.
Alguns deles tentaram marchar em direção ao Parlamento, gritando mensagens contrárias ao governo, mas foram dispersados pela polícia.
Muitas mensagens no Twitter reclamavam sobre a falta de cobertura da mídia internacional sobre os protestos.

Islamização sutil

Os Estados Unidos expressaram preocupação em relação ao modo como o governo turco está lidando com os protestos. A Anistia Internacional condenou as táticas adotadas pela polícia.
O polêmico projeto de revitalização do parque Gezi – que defragrou a onda de violência – prevê a retirada de árvores para realizar obras com o objetivo de aliviar o trânsito de veículos nas imediações da praça Taksim.
Opositores do projeto disseram que o parque é uma das poucas áreas verdes preservadas em Istambul.
Correspondentes afirmaram que a questão colocou em evidência o descontentamento das camadas mais jovens da população contra o governo e o partido AK – devido ao que chamam de uma islamização sutil do país.
Na semana passada, o Parlamento turco aprovou uma legislação que restringe a venda e o consumo de bebidas alcoólicas entre 22h e 6h.
O partido AK tem raízes políticas no Islã. Mas o premiê tem afirmado estar comprometido com o secularismo do Estado.
Erdogan está no poder desde 2002 e muitos turcos têm reclamado, afirmando que o governo dele está se tornando cada vez mais autoritário.
No mês passado, a polícia entrou em choque com milhares de pessoas que participavam de uma passeata de primeiro de maio em Istambul.