CAMPO GRANDE, MS, 5 de junho (Folhapress) - O índio da etnia terena
atingido com um tiro nas costas na tarde de ontem durante a invasão de
uma fazenda em Sidrolândia (MS) está consciente, mas pode ter sequelas
neurológicas.
Josiel Gabriel Alves, 34, continua com a bala alojada na sétima
vértebra da coluna, mas não corre risco de morrer, segundo o
diretor-técnico da Santa Casa de Campo Grande, Luiz Kanamura.
Alves será transferido ainda hoje para a enfermaria da Santa Casa,
onde foi internado ontem à noite. O médico disse que os exames apontaram
que não há necessidade de retirar a bala e que uma cirurgia no momento
não traria benefícios.
No entanto, Kanamura afirmou que "existe possibilidade de sequela". O
índio não autorizou o hospital a passar detalhes de seu estado de
saúde.
Alves é parente de terceiro grau de Oziel Gabril, índio terena que
morreu no dia 30 de maio, durante confronto entre policiais e indígenas
na fazenda Buriti, também localizada em Sidrolândia.
A área das fazendas invadidas está em processo intermediário de
demarcação como terra indígena. Os índios protestam para reivindicar
agilidade do governo federal.
Segundo Otoniel Terena, uma das lideranças da aldeia Córrego do
Meio, Alves levou o tiro no momento em que ele e um grupo de índios
invadiam a fazenda São Sebastião. "O pessoal estava fazendo a retomada
quando foi recebido à bala", disse.
O advogado Newley Amarilha, que representa o dono da fazenda, disse
que o orientou a deixar a área sem oferecer resistência caso houvesse
invasão. Por meio de Amarilha, o produtor disse que não estava na
propriedade quando o tiro foi disparado e nega que tenha ocorrido
conflito.
O proprietário disse que pediu para que os funcionários retirassem o
gado da área, pois havia informação de que os índios haviam queimado
parte do pasto.
Os índios terenas, segundo o advogado Amarilha e Otoniel Terena,
invadiram outras duas fazendas na região nesta terça e consolidaram a
invasão à fazenda Cambará, iniciada no domingo.
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