segunda-feira, 27 de maio de 2013

Jornalista de televisão da Síria é morta durante reportagem

Yara Abbas tinha 26 anos e foi atingida por um atiradorUma jornalista síria morreu enquanto fazia uma reportagem para a televisão  Al-Ikhbariya. De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ONG ligada aos rebeldes sediada em Londres, Yara Abbas, de 26 anos, teria sido atingida por um atirador.
Outro integrante da equipe também foi ferido. Segundo o G1, a matéria iria mostrar o conflito entre as tropas do regime e os rebeldes pelo controle da cidade de Qousseir.
A emissora, que é pró-governo, emitiu uma nota sobre o acontecimento. "O ministério da Informação anuncia que a companheira Yara Abbas entrou para o grupo dos mártires mortos por terroristas perto do aeroporto de Dabaa". 

Kerry e Lavrov conversam sobre a Síria, UE sem acordo sobre embargo a armas

Os chefes da diplomacia dos Estados Unidos e da Rússia se reuniram esta segunda-feira, em Paris, para delinear os contornos de uma conferência de paz sobre a Síria, enquanto em Bruxelas a União Europeia fracassava em alcançar um acordo sobre o embargo de armas.
O secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, iniciaram um encontro crucial em um luxuoso hotel de Paris para analisar detalhes de uma conferência internacional sobre a paz na Síria, com a participação das partes em conflito.
O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, tinha previsto retornar em caráter de urgência de Bruxelas, onde os 27 países europeus discutiram sem sucesso o fim do embargo de armas para a oposição síria, para se reunir com Kerry e Lavrov durante um jantar de trabalho em Paris.
Os ministros das Relações Exteriores dos 27 países europeus discutiram a possibilidade de suspender o embargo de armas para poder armar os rebeldes, mas não chegaram a um acordo.
"Condeno que não tenha sido possível chegarmos a um compromisso com a França e a Grã-Bretanha", disse o ministro austríaco das Relações Exteriores, Michel Spindelegger, cujo país se opôs firmemente às pressões de Londres e Paris para suspender o embargo a favor dos opositores ao regime de Bashar al Assad.
Antes de viajar de Bruxelas a Paris, Fabius disse haver "suspeitas crescentes" sobre o "uso localizado" de armas químicas no conflito na Síria, embora tenha acrescentado que ainda seria necessário "uma verificação detalhada" para confirmar esta informação.
Enviados especiais do jornal francês Le Monde, presentes na Síria em abril e maio, insistiram esta segunda-feira no uso de armas químicas contra as forças rebeldes nas proximidades de Damasco.
O uso de armas químicas já tinha sido objeto de suspeitas há várias semanas e em diversas regiões da Síria, mas até agora isto não pôde ser comprovado.
A ONU tem pedido a Damasco de forma insistente que permita a especialistas investigar as acusações recíprocas entre o governo e grupos rebeldes sobre o uso destas armas.
Neste contexto, a comunidade internacional se concentra na conferência de paz, por enquanto denominada Genebra 2.
Em Paris, as discussões a portas fechadas na noite desta segunda-feira deveriam permitir - segundo um diplomata francês - fazer esclarecimentos sobre os participantes da conferência, prevista para uma data em junho, ainda não definida. Também discutem o mandato desta conferência.
O governo sírio, apoiado pela Rússia, já anunciou sua decisão "de princípio" de participar da conferência, ao mesmo tempo em que a oposição, reunida desde a quinta-feira em Istambul, permanecia profundamente dividida ao ponto de não poder se pronunciar até agora.
A oposição, no entanto, havia pedido à UE que suspenda o embargo às armas, alegando que as forças governamentais tinham retomado a ofensiva e ganhavam terreno em áreas controladas pelos insurgentes.
Apoiado por combatentes do grupo libanês Hezbollah (que sofreu pelo menos 79 baixas em uma semana), o exército sírio travava combates na segunda-feira para recuperar a cidade de Qousseir, no centro do país.
Yara Abbas, uma jornalista de 26 anos, que trabalhava para a rede síria de televisão Al Ikbariya, morreu perto do aeroporto de Dabaa, a 6 km de Qousseir.
Em Homs, no centro do país, pelo menos quatro pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na explosão de um carro-bomba, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, advertiu esta segunda-feira para o "pesadelo" que se desenha na Síria. Uma "catástrofe humanitária, política e social já está ocorrendo e um verdadeiro pesadelo nos espera", disse.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse por sua vez sentir-se "profundamente inquieto" diante do papel crescente do Hezbollah na Síria.

'Somos todos vítimas', diz piloto de balão que caiu na Capadócia

O piloto do balão que caiu na Capadócia na semana passada, matando três brasileiras e ferindo outras 22 pessoas, diz acreditar que ele e os passageiros foram "vítimas de uma infeliz tragédia", ocasionada por "distração" do balonista que voava por cima.
Em entrevista por e-mail à BBC Brasil, o português Rodrigo Neves, que ainda tem dificuldades para falar por causa dos ferimentos que sofreu na boca, afirmou que o acidente foi o primeiro "em 16 anos de experiência profissional". Ele teve alta do hospital na última sexta-feira, dia 24 de maio.
"Tenho claro que este acidente não tinha que ter acontecido e era totalmente inevitável. Aconteceu por total distração do piloto que voava por cima", afirmou.
"Mas o pior já passou e agora toca a todos devemos ser fortes e nos recuperarmos das feridas do acidente. Entre passageiros e piloto somos todos vítimas deste infeliz acidente e temos de nos manter unidos e confiantes na nossa recuperação física e psicológica."
Na última segunda-feira, um balão com turistas brasileiros, espanhóis e argentinos caiu na região da Capadócia, na Turquia, ponto de encontro internacional de balonismo. Três brasileiras, Ellen Kopelman, de 81 anos, Marina Rosas, de 77 anos e Maria Luiza Góes, de 85 anos, morreram no acidente.
Segundo Neves, o balão voava a uma altitude de cerca de 500 metros do solo quando foi atingido no topo pela cesta de outro balão "sem qualquer pré-aviso". A colisão teria provocado um rasgo de 15 metros no tecido, de acordo com o piloto.
"Como consequência, nosso balão perdeu parte do ar quente que o sustentava e começou a descer sem parar. Acabamos por bater no chão na vertical a uns 50 km/h", relembra.
Neves diz que "tudo aconteceu em poucos segundos". Ao perceber que o balão despencava, ele afirma ter ligado os dois queimadores "para compensar a perda de ar quente e tentar travar a descida". Logo sem seguida, deu instruções a todos os passageiros.
A recomendação, segundo o piloto, era ficar com os joelhos flexionados e segurar nas cordas com as duas mãos.
"Dei instruções a todos os passageiros para como se preparar para o inevitável embate no solo e se tentarem proteger ao máximo de possíveis ferimentos. Todos participaram e obeceram às minhas instruções".
A versão de Neves contrasta com a da brasileira Vera Monteiro, que estava no balão. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, ela afirmou que quando questionou o piloto sobre o que tinha acontecido momentos após a colisão, Neves teria dito que "não tinha acontecido nada".
Monteiro, entretanto, confirmou ao jornal as recomendações dadas por ele. "Depois ele (Neves) mandou a gente abaixar e segurar nas argolas (na parte interna do cesto)".

Preferência

Rodrigo Neves | Arquivo pessoal
Neves diz não ter recebido comunicação de piloto que sobrevoava seu balão
Neves diz que houve "distração" do piloto que voava por cima e provocou a colisão, uma vez que, segundo ele, o balão que voa por cima tem o dever de avisar por rádio ou manter-se a uma distância de segurança do que voa por baixo.
"Os balões que estão por baixo de outros não têm qualquer visibilidade para cima pois o seu próprio balão tapa a sua visão vertical. Por isso o balão de cima tem de reagir e informar o balão de baixo do possível perigo", afirmou.
"Quero acreditar que o piloto do balão em cima estava distraído e nem sequer se apercebeu que se aproximava de um balão que voava por baixo dele. Por isso não fui chamado pelo rádio nem o balão voando sobre mim fez qualquer tentativa para evitar a colisão", acrescentou.
Na semana passada, em entrevista à BBC Brasil, o dono da empresa Anatolian Balloons, que operava o balão pilotado por Neves, já havia recorrido ao mesmo argumento e isentado o piloto de culpa.
Balões só possuem dirigibilidade vertical; sua direção é definida pelos ventos.
Por essa razão, regras internacionais preveem que a preferência é de quem voa por baixo, uma vez que o piloto não consegue enxergar o que está sobre ele.
Neves afirma que já se encontrou com todos os passageiros do balão que ainda estão internados para "dar-lhes todo o apoio necessário".
"A empresa (Anatolian Ballons) também está ajudando financeiramente a trazer familiares dos passageiros acidentados dos seus países aqui para a Turquia".

Síria: diplomacia em Paris, guerra no terreno, indício de armas químicas

Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia não conseguiram chegar a um acordo sobre o fornecimento de armas aos rebeldes sírios, ao mesmo tempo em que os chefes da diplomacia americana, russa e francesa se preparam para se reunir em Paris para organizar a conferência de paz sobre a Síria.
O chanceler francês, Laurent Fabius, que retornou a Paris logo após a reunião em Bruxelas sobre a questão do embargo sobre as armas destinadas à oposição, deve se encontrar com o secretário de Estado americano, John Kerry, e com seu colega russo, Sergueï Lavrov, no início da noite.
Antes de deixar Bruxelas, Fabius afirmou que "não há acordo" sobre a retirada do embargo, acrescentando, no entanto, que há "suspeitas crescentes" sobre o uso de armas químicas na Síria.
Dois enviados especiais do jornal Le Monde testemunharam nesta segunda-feira a utilização de armas tóxicas contra as forças rebeldes entrincheiradas nos pomares de Damasco.
A utilização de armas químicas é alvo de suspeitas há algumas semanas, mas ainda não foi oficialmente provada.
A ONU pede a Damasco que permita a investigação por especialistas em meio às acusações recíprocas do regime e da oposição sobre o uso de tais armas.
Por hora, a comunidade internacional privilegia a organização de uma conferência de paz, Genebra 2.
Em Paris, as discussões a portas fechadas devem permitir, segundo um diplomata francês, esclarecer questões sobre os participantes desta conferência, prevista para acontecer em junho, e sobre seu mandato.
O regime de Damasco confirmou no domingo a participação do governo de Assad na conferência de Genebra, considerada por ele uma "boa oportunidade para uma solução política".
Já em Istambul, a Coalizão Nacional - o maior grupo da oposição síria - entrou nesta segunda-feira em seu quarto dia de debates sem conseguir uma posição de consenso sobre a participação nas negociações de paz impulsionadas por Estados Unidos e Rússia.
A Coalizão pediu, no entanto, para que a União Europeia retire seu embargo sobre as armas, no momento em que as forças do regime retomaram sua ofensiva e têm ganhado terreno.
Teerã, que os russos gostariam de ver participar da conferência de Genebra 2, uma possibilidade rejeitada por Paris, anunciou que receberá na quarta-feira uma "conferência internacional" para encontrar uma "solução política" para o conflito na Síria.
"Mais de 40 países são esperados, além de um representante do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan", indicou o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Hossein Amir Abdollahian.
Annan é o ex-mediador da ONU e da Liga Árabe no conflito que, segundo o Observatório dos Direitos Humanos, deixou mais de 94.000 mortos desde março de 2011.
Apoiado pelos combatentes do Hezbollah, que perdeu ao menos 79 homens em uma semana, segundo uma ONG, o Exército sírio trava intensos combates pelo controle da cidade estratégica de Quseir (centro).
Uma jornalista da televisão estatal síria Al-Ikhbariya morreu quando fazia uma reportagem sobre a batalha de Quseir perto do aeroporto de Dabaa, localizado 6 km ao norte de Quseir.
Os insurgentes defendem com todas as forças esta cidade e seus arredores, região estratégica para os dois lados em conflito.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU deve evocar na quarta-feira "a deterioração da situação dos direitos Humanos na Síria e os recentes massacres em Quseir", um debate exigido com urgência por Estados Unidos, Turquia e Qatar.
Na abertura nesta segunda-feira da 23ª sessão do Conselho, Navi Pillay, Alta-Comissária da ONU para os Direitos Humanos, alertou para o "pesadelo" que se desenha na Síria. Uma "catástrofe humanitária, política e social, verdadeiramente um pesadelo", declarou.
Por sua vez, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou-se no domingo "profundamente preocupado" pelo papel crescente do Hezbollah na Síria e pediu para que os esforços sejam redobrados com o objetivo de impedir que o conflito se estenda a outros países.

Especialista defende tratamento que humanize criminosos sexuais

Uma consultora que trabalha há 15 anos na recuperação de criminosos sexuais na Grã-Bretanha disse que é preciso humanizar esse tipo de agressor para, assim, minimizar o risco de que eles voltem a cometer esses crimes.
Em depoimento à BBC, Lydia Guthrie falou sobre os dilemas que enfrenta ao tratar os criminosos, entre eles pessoas condenadas por abusar de crianças.
Embora admita que não “cura mágica” para esses criminosos, a consultora diz que faz seu trabalho porque reconhece o dano causado às vítimas e porque, se há algo que pode fazer para tentar evitar novos crimes do tipo no futuro, então vale a pena.
Ela também ressaltou a necessidade de aperfeiçoar o trabalho preventivo da polícia, vigiando potenciais criminosos, juntamente com a realização dos tratamentos para que eles não se tornem reincidentes.
Leia abaixo o depoimento:
"Minhas pernas tremiam à medida que eu descia as escadas, enquanto me perguntava se seria capaz de lidar com a situação e me sentar diante de um homem que fez coisas tão terríveis.
Era a primeira vez que eu lidava com um agressor sexual.
Apesar de estar horrorizada com os crimes que ele havia cometido contra crianças, tomei coragem e o chamei por seu nome.
A pessoa que se levantou era um tipo comum. Não tinha chifres como o demônio, nem rabo, ele aparentava ser como qualquer outra pessoa.
Me apresentei e lhe disse para me contar o que ele achava que eu deveria saber sobre ele.
Ele me olhou nos olhos e e disse: "Eu fiz coisas horríveis. E a primeira coisa que penso quando acordo e a última do dia, quando vou dormir, é na dor que eu causei. Agora estou tentando reconstruir minha vida."
Por um lado, eu enfrentava os sentimentos que tomam qualquer um que se coloque diante de uma pessoa que tenha feito mal a crianças e suas famílias, mas, por outro, estava diante de alguém que pedia ajuda.
Devia dar vazão a minhas emoções e tratá-lo com desgosto, ou deveria agir como uma profissional e fazer tudo o possível para ajudá-lo?
Eu escolhi a segunda opção e trabalhei com ele durante dois anos até o ponto em que acreditei quando ele me disse que nunca mais iria querer machucar alguém.
Nos últimos 15 anos, continuei a trabalhar com homens que cometeram crimes horríveis. Eu estudei para ser assistente social antes de me tornar uma consultora e acabei responsável por um programa de tratamento agressores sexuais.
Às vezes as pessoas me perguntam: Como você pode se sentar na mesma sala que um agressor sexual e não bater nele?
Eu faço isso porque reconheço o dano causado às vítimas. Se há alguma coisa que eu possa fazer para reduzir as chances de isso aconteça novamente, então o meu trabalho vale a pena.

Reincidência

Estatísticas mostram que, no período de 12 meses entre julho de 2010 e junho de 2011, 18,5% dos agressores sexuais adultos cometeram crimes do tipo mais deu ma vez – um número que se manteve constante ao longo da última década.
"Eu faço isso porque reconheço o dano causado às vítimas. Se há alguma coisa que eu possa fazer para reduzir as chances de isso aconteça novamente, então o meu trabalho vale a pena."
Lydia Guthrie
A reabilitação funciona para alguns criminosos sexuais e estar em bons programas de tratamento faz, sim, a diferença.
Como sociedade, estamos preparados para aceitar que pessoas com diferentes tipos de problemas, tais como vício em drogas ou álcool, são capazes de mudar.
Mas somos céticos sobre as possibilidades de reabilitação de agressores sexuais.
O programa de reabilitação tem que ocorrer paralelamente ao aperfeiçoamento da segurança pública. A polícia deve usar todas as ferramentas à disposição, tais como rastreamento por satélite, para controlar aqueles que oferecem risco elevado.
A duração do tratamento varia. Indivíduos de alto risco podem passar por até 200 horas de tratamento, geralmente em blocos de duas horas.

Vingança

Durante o tratamento deve-se levar em conta a maneira como os agressores querem levar suas vidas. E eles devem acreditar que há uma possibilide de reinserção na sociedade.
Isso pode ser algo difícil de se ouvir. Eu sou mãe de dois filhos e se alguém abusasse sexualmente deles, sentiria raiva e ódio. E iria querer vingança.
Mas, como sociedade, temos de ver a melhor maneira de reabilitar criminosos sexuais.
Vivemos em uma sociedade na qual não há pena de morte e maioria dos agressores sexuais um dia será liberado.
Todos nós já ouvimos os casos extremos de pessoas que cometem muitos crimes contra crianças. Esses casos formam a base do debate público, mas essas pessoas são exceção.

Humanizando o agressor

"É preciso que haja profissionais – nas prisões e nas comunidades - preparados para trabalhar com criminosos sexuais, preparados para tratá-los como seres humanos, com pontos fortes e fracos e problemas como qualquer ser humano."
Lydia Guthrie
O abuso sexual existe em todas as sociedades. Dizer isso não é minimizá-lo - ele sempre causou danos e trauma.
Mas, como a sociedade, devemos evoluir para formas mais inteligentes de lidar com esses criminosos. O que fazemos agora é desumanizar os criminosos.
Há atualmente na Grã-Bretanha cerca de 40 mil agressores sexuais. Vamos colocá-los todos em um avião e esquecê-los para sempre?
Os seres humanos são complexos e capazes de sentirem raiva e desejo de vingança. Lidamos mal com problemas. E não acredito que a sociedade possa ser facilmente dividida entre aqueles que fazem coisas horríveis e todos os outros.
Com isto não estou tentando desculpar os agressores sexuais. Se você trabalha nesta área, tem de pensar sobre o que vai dizer em uma festa se perguntarem com o que você trabalha. Algumas pessoas preferem inventar profissões, mas eu escolhi falar a verdade.
Digo que meu lado humano sofre ao pensar na dor das vítimas, mas meu lado profissional reconhece que nós não temos nenhuma cura mágica.
É preciso que haja profissionais – nas prisões e nas comunidades - preparados para trabalhar com criminosos sexuais, preparados para tratá-los como seres humanos, com pontos fortes e fracos e problemas como qualquer ser humano.
A única diferença é que eles fizeram algo realmente terrível."

Um ano após decisão do STF, aborto de anencéfalos esbarra em entraves

Passado um ano desde que o Supremo Tribunal Federal autorizou o aborto em casos de gravidez de fetos anencéfalos (sem cérebro), pacientes brasileiras estão tendo acesso mais fácil ao procedimento, mas ainda há importantes deficiências a serem resolvidas, dizem médicos consultados pela BBC Brasil.
A decisão do STF – tomada em abril de 2012 e detalhada no mês seguinte em resolução do Conselho Federal de Medicina – tem forte oposição de grupos religiosos, que a veem como um retrocesso das garantias do direito à vida.
Antes, mulheres grávidas de fetos sem cérebro tinham de pedir à Justiça autorização para interromper a gestação, algo que podia ou não ser concedido pelo juiz.
"Em São Paulo, isso poderia levar de uma semana a dois ou três meses", afirma o ginecologista Cristião Rosas, da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Atualmente, esse período foi reduzido a dias, caso a mulher decida pelo procedimento.
"Mas a rapidez não vem em primeiro lugar", complementa o ginecologista Thomaz Gollop, coordenador de um grupo de estudos sobre o aborto. "A paciente deve receber orientação psicológica e ter tempo de amadurecer (sua decisão)."

Informações

A gravidez de anencéfalos é considerada de alto risco, porque o feto fica em posição anormal e há o perigo de acúmulo de líquido no útero, descolamento de placenta e hemorragia. E não há perspectivas de longa sobrevivência para o feto, que em muitos casos morre durante a gestação.
Os médicos aguardam a publicação de uma norma técnica do Ministério da Saúde, com diretrizes claras sobre como os profissionais devem lidar com o tema. A norma está em fase final, mas não há data para sua publicação.

Ancenfalia

Em abril de 2012, o Supremo Tribunal Federal autorizou a interrupção da gravidez em caso de fetos anencéfalos (sem cérebro)
A decisão foi publicada pelo Diário Oficial em maio, com critérios definidos pelo Conselho Federal de Medicina
Cabe à gestante decidir se quer ou não manter a gravidez
O diagnóstico de anencefalia é feito por exame detalhado de ultrassom, a partir da 12ª semana de gestação. Para que haja a interrupção da gravidez, é necessário um laudo assinado por dois médicos
Até então, o aborto só podia ser realizado mediante autorização judicial
Enquanto isso, especialistas dizem que há desinformação, tanto entre pacientes quanto entre as próprias equipes de saúde; que os serviços que realizam o aborto (entre 50 e 60) são insuficientes; e que muitos profissionais alegam razões de foro íntimo para não informar as gestantes de seu direito ou mesmo para negar o procedimento.
"Ainda há (entre alguns médicos) a falsa ideia de que a interrupção é mais arriscada do que deixar a gravidez evoluir. E é ao contrário", explica Cristião Rosas. "Daí o médico posterga tanto que, quando a mulher chega ao hospital (para interromper a gestação), já está em situação de risco."

'Chorei tanto'

A dona de casa pernambucana Elisa (nome fictício), de 23 anos, descobriu estar grávida de um bebê anencéfalo no mês passado, seu quinto de gestação.
"Era uma menina, uma filha que eu desejei muito", diz Elisa. "Chorei tanto. Fiz de novo o ultrassom e o médico falou que eu poderia interromper a gravidez. Decidi interromper."
Mas o hospital procurado por Elisa, a 680 km de Recife, é dirigido por religiosos católicos, que negaram o procedimento. Elisa recorreu a uma prima, enfermeira em um hospital em Recife, onde a jovem fez a antecipação terapêutica do parto.
Clique Leia mais: 'É muito difícil saber que o filho na sua barriga vai morrer'
O Ministério da Saúde afirma que, diante da decisão do STF e sendo o Brasil um Estado laico, hospitais que se negarem a realizar procedimentos legais podem ser acionados na Justiça.
Já a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defende o direito de médicos e entidades exercerem objeções de consciência.

Disparidades

Polêmicas à parte, para Thomaz Gollop, o direito ao aborto no caso de anencefalia está consolidado "por 21 anos de (emissão de) alvarás judiciários (autorizando a prática), algo sacramentado pela decisão do Supremo". Mas a ausência da norma técnica abre espaço para disparidades.
"O procedimento é rápido nos Estados onde existe o serviço legal (de aborto)", diz ele. "Não acredito que as mulheres estejam desassistidas. Mas não temos nenhuma mensuração."
"A mulher sente culpa, derrota. É uma situação emocionalmente difícil"
Jefferson Drezzet, do hospital Pérola Byington
Não há dados oficiais sobre os abortos legais de anencéfalos no Brasil nem sobre o impacto da decisão do Supremo.
Mas o médico Jefferson Drezzet, do hospital Pérola Byington – referência em saúde da mulher em São Paulo -, diz que a decisão do Supremo não fez aumentar o número de procedimentos.
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"A anencefalia é uma doença cuja incidência obedece a uma constante. É diferente do aborto de gestações indesejadas. Portanto, não houve aumento de casos", diz.
"O que mudou é que as mulheres diagnosticadas não precisam passar pela torturante tarefa de ir a uma vara criminal por um pedido que podia ou não ser concedido."

Luto

A isso – e independentemente se a mulher decida fazer ou não o aborto - se soma um dolorido processo de luto, explica Drezzet.
"A mulher sente culpa, derrota. É uma situação emocionalmente difícil."
Elisa diz à BBC Brasil que ainda tem crises de choro quando pensa na filha que não teve.
"Todas as vezes que eu mexo nas coisinhas que comprei para ela, eu lembro e choro."
Dados globais indicam que a incidência de anencefalia é de em média 1 em cada 10 mil gestações, mas – por razões não totalmente compreendidas – o Brasil é um dos países com o maior número de casos. A prevenção é feita com a ingestão de ácido fólico antes da gestação, o que reduz consideravelmente os riscos, diz Drezzet.
Os médicos consultados dizem que, em meio à perda, é importante que a mulher não se sinta como culpada ou criminosa.
"Ela tem que saber que tem liberdade de decidir", diz Gollop.
Para Débora Diniz, pesquisadora da Anis (grupo de bioética que propôs a ação no Supremo), a decisão do STF acabou com a instabilidade jurídica antes enfrentada pelas mulheres.
Mas o tema está longe de consensos.
"Nos preocupa o modo como o Supremo decidiu pela não-vida do anencéfalo", diz à BBC Brasil Lenise Garcia, da comissão de bioética da CNBB. "Sua perspectiva de vida é pequena, mas ele só pode morrer porque está vivo. E a vida humana precisa ser resguardada até a morte."
Garcia relata histórias de mulheres que optaram por dar continuidade à gravidez de anencéfalos, os fetos sobreviveram mais do que o esperado e, até sua morte, "existiu uma interação de muito amor" entre mãe e filho.

domingo, 26 de maio de 2013

Nova demonstração de força dos opositores ao casamento gay em Paris

Dezenas de milhares de pessoas contrárias ao casamento homossexual protestaram novamente nas ruas de Paris neste domingo, em uma jornada marcada por incidentes no início da noite, a três dias da celebração da primeira união civil de um casal gay.
Depois de a manifestação ter sido realizada sem um ato violento maior, a tensão aumentou no início da noite nas imediações do monumento dos Inválidos, quando cerca de 200 a 300 baderneiros atacaram as forças de segurança e jornalistas com pedras, barras de ferro e sinalizadores. Um fotógrafo da AFP ficou levemente ferido.
As autoridades haviam alertado esta semana os organizadores da "Manifestação por todos" para os riscos de participação de grupos extremistas de direita. No total, 4.500 policiais e guardas foram mobilizados.
Mais uma vez, os números sobre a participação foram muito diferentes, com a polícia indicando 150.000 pessoas e os organizadores reivindicando mais de um milhão. Cerca de 2.800 pessoas também participaram de outra manifestação convocada pelo Instituto Civitas, ligado aos católicos integristas.
Mas a mobilização parece ter sido menor com a votação definitiva, em 23 de abril, da lei liberando o casamento e a adoção aos casais do mesmo sexo. A última grande manifestação nacional, realizada no dia 24 de março em Paris, tinha reunido 1,4 milhão de pessoas, segundo o grupo "Manifestação por todos", e 300.000, de acordo com a Polícia.
O presidente François Hollande, que prometeu durante sua campanha presidencial o "casamento para todos", tem sofrido forte oposição, especialmente por parte de militantes da direita e círculos católicos.
"Último Dia das Mães antes da liquidação!", "Não acabou, apenas começou". No Quartier Latin, turistas observavam surpresos o ato. Pilar, uma espanhola disse: "Sabia que parte da sociedade francesa é conservadora, mas, a este ponto, não é a imagem que eu tinha da França".
Apesar do imponente esquema de segurança, cerca de dez militantes do pequeno grupo Geração Identitária conseguiram escalar a sede do Partido Socialista, exibindo uma bandeira na qual era possível ler "Hollande renúncia". Eles foram detidos e levados em uma viatura policial.
No total, 96 pessoas foram detidas durante o dia, de acordo com um registro do Ministério do Interior estabelecido antes dos incidentes do início da noite.
Uma das principais figuras dos protestos, Frigide Barjot, havia desistido de participar da manifestação "devido ao clima de violência."
Mas vários políticos da União por um Movimento Popular (UMP), principal partido da oposição de direita, e da Frente Nacional (extrema direita) participaram do ato.
O presidente da UMP, Jean-François Copé, aproveitou para pedir que os opositores ao casamento gay "transformem seu engajamento social em engajamento político", considerando que "o próximo encontro será nas urnas", para as eleições municipais de 2014.
Adotada definitivamente pelo Parlamento francês em 23 de abril, a lei que permite o casamento e a adoção por casais do mesmo sexo foi promulgada em 18 de maio, depois de quatro meses de batalha no Parlamento e nas ruas.
Em uma ironia do destino, neste domingo à noite, o júri do Festival de Cannes concedeu sua Palma de Ouro ao filme "A vida de Adèle", do franco-tunisiano Abdellatif Kechiche, recompensando pela primeira vez uma obra abordando abertamente a homossexualidade.

Pobreza e violência põem em xeque futuro de brancos na África do Sul

Durante o apartheid, período de segregação racial na África do Sul, o país se preocupava apenas com os brancos. Agora, eles voltam a ser motivo de preocupação, mas por uma razão diferente: milhares deles estão mergulhados na pobreza e expostos à violência.
Todos na África do Sul, independentemente da cor, concordam que os brancos ainda têm uma vida melhor do que a dos negros.
São eles que controlam a economia, detêm grande nível de influência na política e nos meios de comunicação e são proprietários dos melhores imóveis e ocupam os melhores empregos.
Tudo isso é verdade, mas olhando abaixo da superfície, encontra-se uma camada da população branca imersa na pobreza e na vulnerabilidade, cujo futuro está ameaçado.
Parece que apenas determinadas partes da comunidade branca têm um futuro assegurado: os que sustentam melhor status social.
Os da classe trabalhadora, em sua maioria africáners, enfrentam uma crise. Mas não se trata de uma crise noticiada nos jornais ou na televisão porque despertaria questões sobre um passado que todos na África do Sul querem esquecer.
Segundo o ativista político Mandla Nyaqela, isto é consequência do terrível nível de brutalidade com que se tratou a população negra durante o apartheid.
"Os efeitos estão sendo sentidos entre os brancos de hoje, ainda que possuam a maior parte da riqueza do país", diz ele.

Acampamentos

Milhares de sul-africanos vivem na pobreza em acampamentos perto da capital, Pretória.
Ernst Roets, líder africander membro da organização AfriForum, me levou a um desses acampamentos ocupados por brancos.
O local foi erguido dentro da propriedade de um fazendeiro branco que se solidarizou com o grupo. O lugar é batizado com o nome otimista de Canto Ensolarado.
acampamento (foto: BBC)
Acampamento nos arredores de Pretória
Há carros abandonados e móveis velhos espalhados por toda parte. Entre as choupanas, há lixo amontoado, água parada onde se multiplicam mosquitos, e apenas dois banheiros.
No acampamento Canto Ensolarado não há água nem eletricidade. Seus habitantes sobrevivem a base de dois mingais de aveia por dia doados por voluntários locais. Eles não têm seguro saúde nem seguro de vida, situação semelhante a dos negros durante o apartheid.
Segundo Roets, há ao menos 80 acampamentos que abrigam brancos pobres apenas nos arredores de Pretória. E em toda a África do Sul, cerca de 400 mil brancos podem estar vivendo na miséria.
"Não quero viver num lugar assim”, diz Frans de Jaeger, que antes era pedreiro e que, com sua barba, se parece com um dos pioneiros bôeres – colonizadores holandeses, alemães e franceses que se estabeleceram no país há quase 200 anos.
"Mas não tenho para onde ir", acrescenta. Sua mulher morreu há alguns anos de câncer e ele virou alcóolatra e indigente.

Fazendeiros ameaçados

E ainda há um outro grupo de sul-africanos brancos que ocupa uma posição mais alta na sociedade e que também sofre ameaças, literalmente.
Quase todas as semanas, a imprensa local noticia assassinatos de fazendeiros brancos, ainda que a informação não corra nos meios de comunicação internacionais.
Na África do Sul, um fazendeiro branco tem mais chance de morrer do que um policial, e os policiais são conhecidos por terem uma vida particulamente perigosa.
A organização de Ernst Roets publicou nomes de mais de 2 mil trabalhadores do campo que morreram nas últimas décadas e até o momento o governo não parece dar prioridade à resolução desses crimes.
Há duas décadas, havia 60 mil fazendeiros brancos na África do Sul; em 20 anos esse número caiu para a metade.
Na pequena localidade de Geluik, (Felicidade, em tradução livre), pistoleiros invadiram uma propriedade e abriram fogo há poucas semanas, matando um fazendeiro e um de seus filhos.
Belinda van Nord, filha e irmã das vítimas, conta como viver no campo é perigoso. A polícia não se interessou muito pelo caso, diz ela.
No pequeno cemitério onde seu pai e irmão estão enterrados há outros túmulos de fazendeiros assassinados recentemente. A paisagem maravilhosa que os rodeia se transformou em um campo de morte.

Unidade antiterror francesa investiga facada em soldado


PARIS, 26 Mai (Reuters) - Uma unidade antiterror da França está investigando o esfaqueamento de um soldado francês em Paris, que a polícia disse que pode ter sido inspirado pelo assassinato de um soldado britânico em uma rua de Londres.
A polícia está procurando um homem com barba, de cerca de 30 anos, e, possivelmente de origem norte-africana, que fugiu para dentro de uma estação de trem lotada, depois de atacar o soldado de 23 anos pelas costas, com uma faca ou com um estilete, no sábado.
O ministro do interior, Manuel Valls encarregou uma unidade antiterrorismo de Paris da investigação. Ele disse no sábado, que a dinâmica do ataque lembrou a assassinato do soldado britânico do dia 22 de maio.
O porta-voz do sindicato dos policiais - UNSA - Christophe Crespin, disse que havia similaridades com o ataque de Londres.
"Acho que essa pessoa quis imitar o que aconteceu em Londres," disse ele à Itele TV, repetindo o que o ministro da defesa da França havia dito mais cedo, que o soldado havia sido um alvo devido ao seu uniforme.
Mas Valls alertou que não se devem tirar conclusões precipitadas sobre um eventual ataque de militantes islâmicos, porque a polícia ainda não havia prendido um suspeito ou reunido provas suficientes para fornecer qualquer teoria sobre o motivo do ataque.
Uma fonte da polícia disse à Reuters que o assassino fugiu sem dizer uma palavra depois de atacar o soldado, que estava patrulhando o centro financeiro de La Defense, na região oeste de Paris, com outros dois policiais, quando foi esfaqueado na parte de trás do pescoço.
Neste domingo, o soldado estava se recuperando em um hospital militar perto de Paris, segundo a mídia francesa.

Seria a hora de limitar o uso da cafeína?

Autoridades dos EUA estão investigando quão segura é a presença da cafeína em lanches e bebidas energéticas, preocupadas com o "efeito cumulativo" do estimulante - que é usado em um número cada vez maior de produtos. Será que nossa sociedade movida a chá e café está dependente demais da droga favorita no mundo?
O bule borbulhante, o aroma que vem da caneca e o primeiro gole amargo (e às vezes doce também) da manhã formam um conjunto de rituais sem o qual a jornada de trabalho seria, para milhões de pessoas, horripilante.
A cafeína é, de acordo com a revista New Scientist, a "droga psicoativa" mais popular. Nos Estados Unidos, estima-se que mais de 90% dos adultos a usam todos os dias.
Mas agora, até mesmo os EUA - berço da Coca-Cola, da rede de cafeterias Starbucks e dos energéticos 5-Hour Energy - está questionando a adição de cafeína a alimentos diários como waffles, sementes de girassol, mix de castanhas e doces e até jujubas.
Em um comunicado recente, a Food and Drug Administration (FDA), agência que regula a qualidade de medicamentos e alimentos, condenou o "exemplo infeliz" da goma de mascar Wrigley, que produziu pacotes de oito bastões de chiclete com tanta cafeína quanto em metade de um copo de café. Posteriormente, a Wrigley disse que iria suspender a produção do produto.
A agência também está olhando atentamente para bebidas energéticas cafeinadas, e informou que estava preocupada com o "efeito cumulativo" da dependência de produtos estimulantes.

Tratamento de emergência

De acordo com a Substance Abuse and Mental Health Services Administration, agência governamental americana que cuida do abuso de substâncias e saúde mental, o número de pessoas que procuram tratamento de emergência após a ingestão de bebidas energéticas dobrou para mais de 20 mil em 2011.

Maiores bebedores de café per capita

  1. Finlândia: 12 kg
  2. Noruega: 9,9 kg
  3. Islândia: 9 kg
  4. Dinamarca: 8,7 kg
  5. Holanda: 8,4 kg
  6. Suecia: 8,2 kg
  7. Suíça: 7,9 kg
  8. Bélgica: 6,8 kg
  9. Canadá: 6,5 kg
  10. Bósnia Herzegovina: 6,2 kg
Fonte: Chartsbin
No entanto, a indústria de bebidas energéticas diz que seus produtos são seguros e insiste que não há prova de uma ligação entre consumo e qualquer reação nociva.
Casos de overdoses fatais causadas por "efeitos tóxicos da cafeína" foram documentados, embora sejam muito raros. Cientistas da Johns Hopkins University que estudaram as propriedades viciantes da substância descobriram que os sintomas de abstinência incluíam cansaço, dores de cabeça, dificuldade de concentração, dores musculares e náuseas.
Mas não há qualquer tipo de consenso científico de que o uso da cafeína é prejudicial. Um estudo recente da Escola de Saúde Pública de Harvard sugeriu que "beber café não possui graves efeitos prejudiciais à saúde" e que a ingestão de até seis xícaras por dia "não estaria associada ao aumento do risco de morte por qualquer causa".
Em moderação, a cafeína pode ter alguns efeitos positivos. Pesquisas sugerem que poderia estar associada à redução do risco de câncer de próstata e mama. Um estudo recente liga beber café e chá a um menor risco de diabetes tipo 2.
Como resultado, a FDA se comprometeu a "determinar o que é um nível seguro" de uso da cafeína.
O movimento da agência foi bem recebido por aqueles que temem que a cafeína esteja invadindo demais as nossas vidas diárias - muitas vezes em produtos inesperados.
"Muitas pessoas não estão cientes da cafeína que estão tomando", diz Lynne Goldman, diretor da Escola George Washington University de Saúde Pública e Serviços de Saúde.
Como resultado, diz ela, há problemas como insônia, indigestão ou aumento da pressão arterial.
O consumo de cafeína é especialmente preocupante para os pais, que podem achar difícil regular o que ingerem seus filhos.
Mas, desafiar a hegemonia da cafeína pode ser uma tarefa difícil em um planeta que consome 120 mil toneladas da substância por ano.
Na Finlândia, o país mais viciado em cafeína no mundo, um adulto médio consome 400mg da droga a cada dia - o equivalente a quatro ou cinco xícaras de café diárias, e igual ao limite recomendado pela Food Standards Agency da Grã Bretanha, por exemplo.
"O apelo (da cafeína) é de que nos ajuda a ganhar mais dinheiro"
Stephen Braun, autor do livro "Buzz: The Science and Lore of Alcohol and Caffeine"
"Achamos que, quando usada com moderação, a cafeína não representa um risco", diz Sanna Kiuru, um oficial sênior da Evira, a autoridade finlandesa de segurança alimentar. "São principalmente os adultos que bebem café, não crianças. Em nossa opinião, os níveis são bastante moderados".
Mesmo os finlandeses amantes da cafeína têm se preocupado com o aumento do uso não evidente da substância, no entanto.
"Estamos preocupados com o aumento da cafeína em alimentos diferentes", diz Kiuru.
Bebidas altamente cafeinadas na Finlândia são obrigadas a conter etiquetas de advertência - uma prática que será estendida a toda a União Europeia a partir de 2014.
Para a maioria dos consumidores de cafeína, seu benefício principal é que, ao estimular a atenção, a substância ajuda a produzir mais.
Esta é uma característica que a torna incomum entre as substâncias recreativas, diz Stephen Braun, autor do livro Buzz: The Science and Lore of Alcohol and Caffeine (Burburinho: A ciência e a tradição do álcool e da cafeína, em tradução livre).
"O apelo (da cafeína) é de que nos ajuda a ganhar mais dinheiro", acrescenta Braun.
"O que a torna diferente de outras drogas é que é usada como uma ferramenta de produtividade - e não por prazer, como a cannabis, ou como um relaxante, como o álcool."
Talvez a analogia mais próxima seja com folhas de coca, mascadas por trabalhadores para lhes dar energia extra em países como Peru e Bolívia.

Popularidade e produtividade

Não é coincidência, avalia Braun, que a popularidade da cafeína tenha crescido na Europa no início da revolução industrial, com a corrida por maior produtividade.
Muitas mentes criativas da história também têm sido associadas a algumas façanhas verdadeiramente épicas no consumo de cafeína.
De acordo com um biógrafo, o romancista e dramaturgo francês Balzac bebia cerca de 50 xícaras de café por dia. "Se não fosse pelo café, uma pessoa não poderia escrever, o que quer dizer que não poderia viver", insistiu ele, certa vez.
Foto: BBC
O cantor Robbie Williams seria um grande consumidor de cafeína.
Durante sete anos, o cineasta David Lynch jantou no mesmo lugar em Los Angeles todos os dias, sempre bebendo até sete xícaras de café adoçado "com muito açúcar" de uma só vez, o que, segundo ele, seria uma garantia de que "muitas ideias" viriam.
Ludwig van Beethoven contaria meticulosamente exatos 60 grãos de café por xícara quando preparava diariamente a bebida - para consumo próprio.
Talvez um dos contos recentes mais bem divulgadas sobre excesso de cafeína atribui ao cantor Robbie Williams o consumo de até 36 espressos duplos e 20 latas de Red Bull por dia.
Mas as tentativas de reprimir a disseminação da substância se provaram inúteis historicamente.
Em 1911, o governo dos EUA processou a Coca-Cola Company, afirmando que a cafeína na bebida era "prejudicial à saúde", mas a Coca-Cola venceu nos tribunais.
Um problema com a tentativa de regular o consumo, sublinha Braun, é que a substância afeta todos de forma diferente, tornando impossível estabelecer um limite "seguro" que funcione para todas as pessoas.
"Em última análise, você tem que se tornar seu próprio cientista - não há alternativa a uma cuidadosa auto-experimentação", diz ele.
Mas os críticos dizem que isso não se aplica a bebidas energéticas e alimentos com cafeína, cujos efeitos são, indiscutivelmente, mais difíceis de julgar.

sábado, 25 de maio de 2013

Brasil perdoa quase US$ 900 milhões em dívidas de países africanos

O governo brasileiro anunciou que vai cancelar ou renegociar cerca de US$ 900 milhões em dívidas de países africanos, em uma tentativa de estreitar as relações econômicas com o continente.
Entre os 12 países beneficiados estão o Congo-Brazzaville, que tem a maior dívida com o Brasil – cerca de US$ 350 milhões, Tanzânia (US$ 237 milhões) e Zâmbia (US$113 milhões).
As transações econômicas entre Brasil e África quintuplicaram na última década, chegando a mais de 26 bilhões no ano passado.
O anúncio foi feito durante a visita da presidente Dilma Rousseff à África – a terceira em três meses – para participar, na Etiópia, do encontro da União Africana para celebrar os 50 anos da instituição.
Além dos três países já citados, também serão beneficiados Senegal, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Gabão, República da Guiné, Mauritânia, São Tomé e Príncipe, Sudão e Guiné Bissau.
"O sentido dessa negociação é o seguinte: se eu não conseguir estabelecer negociação, eu não consigo ter relações com eles, tanto do ponto de vista de investimento, de financiar empresas brasileiras nos países africanos e também relações comerciais que envolvam maior valor agregado", disse Dilma. "Então o sentido é uma mão dupla: beneficia o país africano e beneficia o Brasil."

Estratégia

De acordo com o porta-voz de Dilma, Thomas Traumann, quase todas as negociações envolvem cancelamento das dívidas. O restante, segundo, ele envolve menores taxas e prazos mais longos de pagamentos. "Manter relações especiais com a África é estratégico para a política externa do Brasil", disse. Ele afirmou ainda que praticamente o total das dívidas foi acumulado nos anos 70 e já havia passado por outras renegociações.
O Brasil vem expandindo suas relações econômicas com a África, que é rica em recursos naturais, na chamado coperação Sul-Sul. As negociações entre Brasil e países africanos subiram de U$ 5 bilhões em 2000 para US$ 26,5 bilhões no ano passado.
Na África, empresas brasileiras investem pesado em setores como o petrolífero e o de mineração e em grandes obras de infraestrutura. O Brasil também abriu 19 novas embaixadas na África na última década.

Problemas

Líderes mundiais foram à Etiópia participar das celebrações dos 50 anos da União Africana
No entanto, a sede do Brasil por recursos naturais também é alvo de críticas, especialmente no que diz respeito à atuação de empresas nacionais no continente.
Em artigo sobre a relação Brasil-África publicado em janeiro, o instituto Think Africa Press diz que a crescente ação de empresas brasileiras no continente pode sujar a "marca" do país na região. "Agentes privados com agendas distintas estão se tornando cada vez mais visíveis, e há um risco de que isso prejudique o projeto político do Brasil de se retratar como um parceiro que sempre prioriza o benefício mútuo num espírito de cooperação e igualdade", diz o texto.
Um dos principais exemplos ocorreu no mês passado, quando centenas de manifestantes em Moçambique bloquearam o acesso a uma mina de carvão da Vale. O grupo era formado por trabalhadores que diziam não ter recebido toda a indenização que haviam acordado com a empresa após serem realojados com o início das operações da mina
A Human Rights Watch, ONG que defende os direitos humanos, afirma que eles foram realojados para terras áridas, onde não conseguem produzir, e por isso vêm sofrendo com falta de alimentos. A Vale e o governo de Moçambique prometeram melhoria para os trabalhadores.
A empresa também enfrenta resistência na Guiné, onde obteve licença para explorar uma reserva de minério de ferro. Em julho, moradores ocuparam um acampamento da empresa, acusando-a de descumprir acordo para a contratação de funcionários de etnias locais. Seis manifestantes foram mortos por soldados do governo em ação que, segundo políticos locais, contou com o respaldo da empresa.
A empresa nega qualquer participação no ocorrido na Guiné e diz buscar melhorar as condições de moradia das famílias deslocadas por sua operação em Moçambique.
Já em Angola, quem enfrenta problemas é outra companhia nacional, a construtora Odebrecht. Ativistas a criticam por manter negócios com políticos locais. A empresa nega ilegalidades.

Serviço secreto britânico é acusado de tentar recrutar suspeito da morte de soldados em Londres

Michael Adebolajo, de 28 anos, e seu cúmplice, Michael Adebowale, de 22, que foram feridos pela polícia no local do crime, permanecem no hospital
O serviço britânico de inteligência (MI5) está na mira da opinião pública, após ter sido acusado de tentar recrutar Michael Adebolajo, que assumiu a autoria do assassinato de um soldado em Londres na quarta-feira (22).
Segundo um dos amigos do acusado, Abu Nusaybah, Adebolajo rejeitou a oferta do MI5 de trabalhar para eles. Os agentes continuaram a convidá-lo, depois de uma temporada na Nigéria.
Ataque em Londres: ex-namorada diz que suspeito era normal, amigável e educado
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Suspeito de ataque em Londres se converteu ao Islã depois de 2001
"Em termos gerais, ele foi assediado pelo MI5. Isso foi uma coisa sobre a qual ele foi bem específico", declarou Abu Nusaybah, que conheceu Michael Adebolajo em 2002, durante uma entrevista à BBC.
Ainda segundo Nusaybah, os serviços de inteligência queriam saber se ele conhecia determinadas pessoas.
"Depois de lhes dizer que ele não conhecia essas pessoas, eles lhe perguntaram se ele não queria trabalhar para eles", completou.
A BBC informou que Nusaybah foi detido logo após a entrevista.
Já a polícia anunciou que os agentes britânicos de contra-terrorismo prenderam na sexta-feira (24) à noite em Londres um homem de 31 anos, suspeito de preparar, ou de querer cometer atos terroristas.
O homem foi detido na sexta por volta das 21h30 (17h30 de Brasília) por policiais da força anti-terrorista da Scotland Yard, dentro da Lei do Terrorismo de 2000. Ele foi levado para uma delegacia no sul de Londres.
A detenção de Nusaybah não parece estar relacionada diretamente ao homicídio do soldado Lee Rigby, atacado com facas e um cutelo por dois islamitas em uma rua de Londres.
Buscas também foram feitas em duas casas no leste da capital, informou a Scotland Yard em um comunicado.
Agora, os serviços de segurança britânicos tentam explicar como os dois assassinos, particularmente Adebolajo, um jovem cristão de origem nigeriana que se converteu ao Islã radical, escaparam de sua vigilância.
Michael Adebolajo, de 28 anos, e seu cúmplice, Michael Adebowale, de 22, que foram feridos pela polícia no local do crime, permanecem no hospital, mas não correm risco de morrer, segundo a polícia.
Os suspeitos estão em hospitais diferente e sob custódia policial, e ainda não estão em condições de serem interrogados.
O caso aumenta os temores de reações violentas contra a comunidade muçulmana no Reino Unido.
Neste contexto, o diretor da Faith Matters, uma organização que afirma atuar para reduzir o extremismo, Fiyaz Mughal, indicou que os incidentes antimuçulmanos registrados passaram de uma média de quatro a oito por dia para 150 nos últimos dias.
"Alguns deles são (...) ataques muito agressivos", declarou à BBC.
Frente ao medo de novos atos de violência contra muçulmanos durante uma manifestação da EDL (Liga da Defesa Inglesa) prevista para este sábado (25), centenas de policiais foram mobilizados nas ruas de Newcastle, no noroeste da Inglaterra.
Poucas horas após o assassinato, 250 militantes anti-islamitas da Liga da Defesa Inglesa entraram em confronto com a polícia próximo a estação do metrô de Woolwich Arsenal, e dois homens foram detidos no momento em que planejavam atacar mesquitas.

Ataque em Londres leva a aumento de ofensas contra muçulmanos

Uma organização que promove a cooperação inter-religiosa na Grã-Bretanha afirma que vem registrando um aumento no número de ofensas contra muçulmanos desde o assassinato de um soldado britânico nas ruas de Londres, na quarta-feira.
Os dois suspeitos de matar Drummer Lee Rigby, de 25 anos, afirmaram em imagens que circularam o mundo nos últimos dias que suas ações foram motivadas pelo fato de que "soldados britânicos matam muçulmanos todos os dias".
O diretor da organização Faith Matters (Fé Importa, em tradução livre), que possui um disque-denúncia, disse à BBC que nos últimos dias a entidade recebeu 162 ligações sobre incidentes contra muçulmanos, como ataques a mesquitas, pichações e xingamentos.
"O preocupante é como esses incidentes estão se espalhando", afirmou Fiyaz Mughal à Rádio 5 da BBC. “Eles vêm de todas as partes do país”.
"Também temos registrado um aumento deste tipo de atividade online, o que sugere uma coordenação de incidentes e ataques contra instituições onde muçulmanos se reúnem."
Desde o ataque da quarta-feira, em Woolwich, no sudeste de Londres, a polícia prendeu pessoas acusadas de postar mensagens ofensivas contra muçulmanos em mídias sociais.

Proposta do MI5

Michael Adebolajo, de 28 anos, e Michael Adebowale, de 22, são suspeitos de terem matado o soldado. Eles foram baleados na cena no crime e permanecem internados sob guarda policial. Ambos são britânicos de origem nigeriana e eram conhecidos dos serviços de inteligência britânicos, segundo fontes ouvidas pela BBC.
Na noite de sexta-feira, um amigo de Adebolajo foi preso após conceder uma entrevista ao programa Newsnight, da BBC. A Polícia Metropolitana de Londres disse que a prisão não está diretamente ligada ao assassinato do soldado.
Abu Nusaybah disse ao programa que Adebolajo teria rejeitado, há seis meses, uma proposta para trabalhar para o MI5, o serviço de inteligência britânico.
A oferta teria sido feita depois que Adebolajo voltou de uma viagem ao Quênia, na África, de onde ele chegou com comportamento "diferente", segundo Nusaybah.
Ele disse que Adebolajo teria sugerido que sofreu agressões físicas e abusos sexuais durante o interrogatório feito pela polícia no Quênia.
Na semana que vem, o diretor-geral do MI5, Andrew Parker, deve prestar depoimento em um comitê parlamentar que investiga os indícios de que os serviços de segurança conheciam os suspeitos.
Na sexta-feira, a mulher do soldado morto, Rebecca Rigby, disse que conhecia os riscos que seu marido corria em países com conflito, como o Afeganistão.
"Eu não esperava que isso poderia acontecer aqui na Grã-Bretanha. Eu pensava que aqui eles (soldados) estavam em segurança", disse ela.

Revolta nos subúrbios da capital da Suécia chega ao sexto dia

Vários carros foram quebrados, e marcha de extremistas foi impedida.
Incidentes provocam debate sobre a questão da integração dos imigrantes.

Vários veículos foram queimados, nesta sexta-feira (24), na sexta noite consecutiva de incidentes nos bairros carentes do subúrbio de Estocolmo, capital da Suécia, onde a tensão parece ter se reduzido em relação aos dias anteriores.
Um fotógrafo da AFP testemunhou um carro sendo incendiado antes da chegada dos bombeiros, no bairro de Tensta. Veículos também foram queimados em outros três bairros da capital sueca, de acordo com a agência local de notícias TT.
Os incidentes têm acontecido todas as noites há uma semana nos bairros mais pobres da periferia de Estocolmo, onde vivem muitos estrangeiros. Com o reforço policial, a intensidade dos eventos diminuiu.
Nesta sexta, um porta-voz declarou que a polícia "recebeu reforços de Goteborg e de Malmoe', segunda e terceira principais cidades suecas. O número de policiais enviados não foi informado.
Bombeiros apagam fogo em escola de subúrbio de Estocolmo, capital da Suécia, na madrugada deste sábado (25) (Foto: AFP)Bombeiros apagam fogo em escola de subúrbio de Estocolmo, capital da Suécia, na madrugada deste sábado (25) (Foto: AFP)
Na cidade de Orebro, 160 km ao oeste de Estocolmo, uma escola e alguns carros foram incendiados na noite desta sexta, informou a polícia, acrescentando que a calma teria voltado por volta da meia-noite (19h de Brasília).
Cerca de 200 extremistas de direita pretendiam circular pelos subúrbios, nesta sexta à noite, mas a forte presença policial evitou, aparentemente, uma escalada da violência.
O Ministério britânico das Relações Exteriores e a embaixada dos EUA em Estocolmo divulgaram comunicados, alertando seus cidadãos para que evitem determinadas áreas na capital sueca, em função dos conflitos.
Os recentes episódios violentos provocaram um debate no país sobre a integração dos imigrantes, que representam cerca de 15% da população e são o grupo mais atingido pelo desemprego no país.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Enem 2013 já tem mais de 5,1 milhões de candidatos, diz MEC

Prazo termina às 23h59 da próxima segunda-feira (27).
Provas serão realizadas em 26 e 27 de outubro.

O Ministério da Educação afirmou que, até as 18h15 desta sexta-feira (24), 5.199.918 pessoas já haviam feito sua inscrição na edição de 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O período de inscrições foi aberto no dia 13 e termina às 23h59 da próxima segunda-feira (27).
Segundo o MEC, o prazo de inscrições não será prorrogado. O ministério ainda sugeriu que os candidatos aproveitem o fim de semana para se inscrever, e não deixar a tarefa para o último dia.
Após o encerrramento das inscrições, o pagamento da taxa, no valor de R$ 35, pode ser feito até o dia 29. As provas serão nos dias 26 e 27 de outubro.
De acordo com o ministério, São Paulo já tem 809.608 inscritos no Enem 2013. O segundo estado com o maior número de inscrições é Minas Gerais, com 564.401, seguido do Ceará, com 393.454, do Rio de Janeiro, com 379.318 candidatos, e da Bahia tem 377.759 inscritos.
O MEC colocou no ar um site com o passo a passo para ajudar o candidato fazer a inscrição para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2013). O endereço do site é www.enem.inep.gov.br. Nele também é possível acessar o link para a página de inscrição.
O passo a passo mostra como a inscrição deve ser feita e traz informações importantes, como a de que o Cartão de Confirmação da Inscrição será enviado, por via postal, para o endereço informado pelo participante no ato da inscrição; como encontrar no sistema a escola onde fez o ensino médio; e de que o estudante deverá guardar o número de inscrição para acessar o sistema futuramente.
No balanço divulgado pelo MEC às 18h30 da segunda-feira, o Enem já computava  472.495 inscrições. No ano passado, no primeiro dia de inscrições, até as 20h20, foram contabilizadas 512.029 inscrições.
"O sistema está funcionando muito bem, todos os testes foram feitos para que o estudante tenha muita tranquilidade neste período de inscrição. O estudante não precisa pressa, o sistema está respondendo bem", diz Costa, em entrevista à rede de comunicadores, programa interno da assessoria de imprensa do Ministério da Educação.
O Ministério da Educação calcula que 6,1 milhões de estudantes deverão se inscrever para as provas que podem garantir acesso à universidades federais e institutos federais de ensino superior, e nesta edição de 2013 promete mais rigor na correção da prova de redação e um investimento maior na segurança para evitar fraudes.
Criado em 1998, o Enem tem suas notas usadas no processo seletivo do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para vagas em universidades e institutos federais. O exame já tinha sido adotado em sua totalidade por várias universidades de destaque como a UFRJ e UFF, e nesta edição substituirá os vestibulares da UFMG, UnB, UFJF, Ufes e UFRN, entre outras.
  •  
CRONOGRAMA DO ENEM 2013
Início das
inscrições

13/05
Término das inscrições
27/05 (23h59)
Pagamento
das incrições

Até 29/05
Taxa de
inscrição

R$ 35

Data das
provas

26/10 (13h - 17h30):
- ciências humanas
- ciências da natureza                     
27/10 (13h - 18h30):
- linguagens
- matemática
- redação
Divulgação do gabarito
Até dia 30/10

Resultado individual
Data a ser divulgada
Fonte: Inep
O Enem também é usado para o candidato pedir bolsa de estudos pelo Programa Universidade para Todos (Prouni), solicitar benefícios do Programa de Financiamento Estudantil (Fies), e obter certificado de conclusão do ensino médio.
Como se inscrever
A isenção do pagamento da taxa pode ser feita por meio do sistema de inscrição e é conferida ao aluno que vai concluir o ensino médio em 2013 em escola da rede pública declarada ao Censo Escolar ou a estudantes que se declaram membros de família com renda per capita de um salário-mínimo e meio. Para isso, será preciso apresentar documentos que comprovem sua condição. Os documentos serão analisados pelo Inep, que poderá negar a isenção.
No ato de inscrição, o candidato deve fornecer o número de Cadastro de Pessoa Física (CPF) e o seu número do documento de identidade (RG). Estudantes com necessidades especiais deverão informar no ato da inscrição sua situação. O Inep oferece provas diferenciadas, intérpretes e salas de aula com mobiliários acessíveis. Neste ano, também serão oferecidas duas opções de tamanho de letra da prova, além da usada pelos demais candidatos. Quem tiver necessidade poderá optar pela prova com letra ampliada (fonte de tamanho 18 e com figuras ampliadas) e pela prova com letra super ampliada (fonte de tamanho 24 e com figuras ampliadas).
Estudantes que estão internados e recebem aulas dentro do hospital poderão realizar a prova no próprio hospital, desde que indiquem a necessidade na inscrição.
Quem for usar o Enem para obter a certificação de conclusão do ensino médio deverá indicar uma das instituições certificadoras que estará autorizada a receber seus dados cadastrais e resultados. Para receber a certificação, é necessário tirar nota mínima de 450 nas quatro provas e 500 na redação.
O edital indica ainda que cabe ao candidato verificar no sistema do Inep se a inscrição foi concluída com sucesso. Quem não for isento deverá acompanhar a confirmação do pagamento da taxa. O candidato deverá guardar número da inscrição e a senha. Elas são indispensáveis para todo o processo do Enem, como inscrição, realização da prova, obtenção dos resultados e participação no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que seleciona os alunos melhores classificados no Enem para vagas em universidades públicas cadastradas
Também será usado nos programas de bolsa de estudos (Prouni) e de financiamento estudantil (Fies), entre outros programas do Ministério da Educação, como o Ciência sem Fronteiras. O comprovante da inscrição estará disponível no endereço http://sistemasenem2.inep.gov.br/inscricao.

Estudo diz que Rei Ricardo III foi enterrado às pressas

Estudo afirma que o Rei Ricardo III foi enterrado às pressas. Indícios disso é que a sua sepultara não estava condecorada e que suas mãos estavam amarradas. Além do mais, o esqueleto continha múltiplas fraturas.
De acordo com pesquisadores da Universidade de Leicester, na Inglaterra, o sepultamento do Rei Ricardo III ocorreu às pressas. Os cientistas, que são os responsáveis por encontrar a ossada o Rei, publicaram o primeiro artigo acadêmico sobre o estudo do corpo do monarca.
Conforme os cientistas da Universidade, a sepultura foi mal preparada, o que indica que seu enterro aconteceu de forma rápida. Outro indicativo da pressa é que o Rei Ricardo III foi enterrado com a “mínima reverência” e ainda em uma “posição estranha”. Os cientistas também acreditam que suas mãos estavam amarradas.
Os especialistas, para autenticar a veracidade da descoberta, realizaram datação por carbono, como também testes de DNA e exames de raio-x.  Eles também compararam as observações que haviam feito com informações que foram estabelecidas por especialistas em armas e traumas, como também de estudiosos do padrão de vida e também dieta dos medievais.
Ricardo III reinou na Inglaterra entre 1483 e 1485. O monarca faleceu durante a batalha de Bosworth e estava enterrado em um atual estacionamento, local que havia uma capela. Tal capela havia sido destruída no século XVI e desde a data não havia indícios sobre a sua localização exata.
O estudo foi divulgado na publicação especializada Antiquity e foi realizado por vários cientistas liderados pelo arqueólogo Richard Buckley. 

Satélite lançado pelo Equador é atingido por escombros de foguete soviético

A Agência Espacial do Equador (EXA) está tentando captar sinais de seu único satélite depois que o equipamento foi atingido por escombros de um antigo foguete lançado na era da União Soviética.
O pequeno satélite, chamado Pegasus, foi lançado da China há menos de um mês. Ele é o primeiro e único satélite do Equador em órbita.
Especialistas afirmam que o objeto colidiu com restos de um foguete soviético lançado em 1985. Ainda não está claro se ele foi danificado, mas o satélite permanece em órbita.
Engenheiros espaciais estão monitorando o Pegasus, mas só poderão ter maiores informações sobre o seu estado 48 horas após a suposta colisão.
O Centro de Operações Espaciais, baseado nos Estados Unidos, que monitora todos os objetos artificiais na órbita da Terra, informou que não houve nenhum acidente direto, mas que seus "dados indicaram uma colisão lateral com partículas" do foguete soviético.
O centro acompanha mais de 22 mil objetos em órbita na Terra, dos quais 87% são resíduos e satélites inativos.

Ainda há esperança

O chefe da EXA, Ronnie Nader, afirmou em sua conta no Twitter que o satélite Pegasus continua sendo monitorado. "O Equador ainda tem seu satélite, as pessoas ainda têm Pegasus", disse Nader.
"O Pegasus pode estar danificado ou fora de controle, mas como ele ainda está em órbita, temos esperança", acrescentou.
O satélite, um pequeno cubo pesando apenas 1,2 kg, está orbitando a Terra a uma altura de 650 quilômetros.
O governo equatoriano contribuiu com US$ 700 mil dólares (cerca de R$ 1,4 milhão) para o seu lançamento a bordo de um foguete não-tripulado.
O Equador planeja lançar um segundo satélite em agosto, chamado Kryasor, da Rússia.

Damasco dá sinal verde para conferência de paz

A Rússia, principal aliado do regime sírio, afirmou nesta sexta-feira ter chegado a um acordo de princípio com Damasco para uma conferência de paz que será realizada em Istambul, mas a oposição síria indicou que se mantém cética.
"Afirmamos com satisfação que recebemos de Damasco um acordo de princípio do governo sírio para participar de uma conferência internacional", declarou o porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores, Alexandre Lukachevitch.
Trata-se de agir de forma que "os sírios possam chegar a uma solução para o conflito que destrói o país e a região", acrescentou Loukachevitch.
O acordo foi obtido após uma visita do vice-ministro sírio das Relações Exteriores, Fayçal Moqdad, a Moscou na quarta e na quinta-feira.
Fayçal Moqdad foi à capital russa para abordar a iniciativa de russos e americanos de fazer uma nova conferência, lançada em ocasião da visita do secretário de estado norte-americano, John Kerry, a Moscou no início do mês.
Kerry e o ministro russo das Relações Exteriores Serguei Lavrov devem se reunir novamente no dia 27 de maio em Paris.
A Rússia é vista como o país de maior influência sobre o regime da Síria, de quem é aliada e fornecedora de armas desde a época soviética.
A Coalizão Nacional Opositora síria, reunida desde quinta-feira em Istambul para discutir sua participação na conferência, se mostrou cética.
"Nós queremos ouvir essa declaração da boca do governo (do presidente Bashar) al-Assad", declarou à AFP Louay Safi, porta-voz da Coalizão, principal grupo de oposição sírio.
"Tudo isso é ainda muito vago e o governo de Assad é muito evasivo quando se trata de dar declarações ou informações sobre soluções políticas", afirmou Safi.
"Os russos já disseram que o governo sírio tinha uma equipe para negociar. (Mas) nós não sabemos segundo quais termos. Eles têm ou não têm os mandatos para negociar de boa-fé a transição?", questionou o porta-voz da Coalizão.
"Nós queremos saber se eles têm realmente a intenção de negociar a transição para um governo democrático que inclua a saída de Assad", continuou Safi.
A oposição síria exige que toda solução política implica a partida do presidente Assad e dos membros do regime mais envolvidos nos atos de violência, que já deixaram mais de 94.000 mortos em dois anos.
Essa posição teve o apoio dos 11 países "Amigos da Síria", entre eles os Estados Unidos, que em declaração comum na última quarta-feira em Amã afirmaram que "Assad, seu regime e seus assessores que têm sangue nas mãos não poderão desempenhar um papel no futuro da Síria".
O porta-voz da diplomacia russa disse nesta sexta-feira que já havia excluído qualquer condição anterior à conferência.
"Nós observamos novamente o aparecimento de uma pré-condição para a saída do presidente Bashar al-Assad, a questão da formação de um 'governo' sob a égide da ONU", declarou Lukachevitch.
"Tudo está senod feito para tirar o sentido da conferência", acrescentou.
Lukachevitch considerou precipitado eleger a data de 10 de junho para esta conferência, adiantada pela imprensa ocidental, O encontro dará continuidade ao encontro realizado em Genebra em junho de 2012.
"Não é correto pedir que se decida imediatamente a data para a conferência antes mesmo de saber exatamente quem, e com quais prerrogativas, se exprimira em nome da oposição", declarou Loukachevitch.
Em entrevista concedida recentemente ao jornal argentino Clarín, Assad garantiu que se recusará a deixar o poder antes das eleições presidenciais de 2014.
Os esforços em vista de uma conferência acontecem num momento crítico para a oposição síria, com o lançamento de uma vasta ofensiva do Exército sírio -- apoiado pelo movimento xiita libanês Hezbollah -- em Qousseir, cidade estratégica no oeste e dominada pelos rebeldes.
O conflito teve reflexo no Líbano, onde combates entre partidários e opositores ao regime sírio deixaram pelo menos 23 mortos em cinco dias na cidade de Trípoli, norte do país.

Ataques isolados alimentam debate sobre extremismo

Dois irmãos de Boston instalam bombas caseiras que, ao explodir durante uma movimentada maratona, deixam três mortos e cerca de 260 feridos.
Um mês depois, em plena luz do dia, dois homens matam a facadas um soldado britânico em Londres, gritando palavras de ódio, em um ataque descrito como "bárbaro" pelas autoridades.
Separados por um oceano, os incidentes têm em comum o fato de terem sido praticados por indivíduos sectários, agindo em nome da "guerra santa" – jihad – mas sem aparente apoio logístico ou material de redes extremistas.
Além disso, tanto em Boston como em Londres, os autores dos atentados eram velhos conhecidos dos serviços de segurança dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, respectivamente, levantando questões sobre por que os ataques não puderam ser evitados.
"A intolerância e a violência desatadas por preconceito, ódio político ou fanatismo religioso são tão antigas quanto a própria humanidade", disse à BBC Brasil Yonah Alexander, diretor do Centro International de Estudos sobre o Terrorismo do Potomac Institute, com sede em Arlington, no Estado americano da Virgínia.
"Mas estamos lidando com essas pessoas em missões ideológicas, teológicas ou que quer que sejam, sem saber muito bem as regras do jogo no que concerne a eles".

'Guerras assimétricas'

Os incidentes voltaram a lançar uma luz sobre as chamadas 'guerras assimétricas' – como a chamada guerra contra o terror iniciada pelo presidente americano George W. Bush, e modificada e continuada pelo seu sucessor, Barack Obama.
É um debate que não é novo e nem está resolvido, como indicou Obama em um discurso sobre terrorismo na National Defense University, em Washington, na quinta-feira.
O presidente fez uma defesa dos polêmicos métodos usado por seu governo, entre eles, o uso de aviões não tripulados em ataques aéreos e o emprego de força letal contra certos indivíduos considerados de alto risco.
"Estamos lidando com essas pessoas em missões ideológicas, teológicas ou que sejam, sem saber muito bem as regras do jogo no que concerne a eles."
Yonah Alexander, diretor do Centro International de Estudos sobre o Terrorismo do Potomac Institute
Por bem ou por mal – e por vias legais ou ilegais, já que o debate ainda está em aberto –, o discurso mostrou que os estrategistas de hoje já são capazes de desmantelar organizações extremistas da mesma forma que os generais de outrora eram capazes de vencer manobrando seus exércitos no campo de batalha.
O problema está na lógica dos ataques de Boston e Londres, onde a assimetria é maior – e a previsibilidade, menor.
Em entrevista na quinta-feira ao programa Newsnight, da BBC, Richard Barrett, ex-oficial do MI6, serviço secreto de inteligência britânico voltado para o exterior, acredita que os autores do ataque de Londres provavelmente não tinham a intenção de cometer o crime até recentemente.
"Eu acredito que eles provavelmente façam parte de um pequeno grupo que não necessariamente tem conexões com redes extremistas no exterior ou na Grã-Bretanha que despertasse muito a atenção dos serviços de segurança", afirmou Barrett.
"Em que momento uma pessoa que expressa opiniões extremistas e que se une a um grupo radical passa a ser violento?", indaga o ex-agente. "Identificar esses sinais é extremamente difícil", completa.
Para Yonah Alexander, não é possível "eliminar de vez esse tipo de terrorismo", mas pode-se lidar com os fatores que contribuem para a violência e a radicalização.
"Podemos não saber onde e quando os ataques vão ocorrer, mas podemos ver as tendências; podemos ver os fatores que contribuem para eles, desde divisões étnicas a preconceitos e intolerância religiosa."

Desativando o ódio

Em relatórios passados, seu centro de estudos recomenda que os governos invistam não somente em segurança, mas também em desenvolvimento econômico para criar empregos e oportunidades, e em educação para reduzir o fanatismo religioso.
E no campo da política externa, o instituto chama atenção para os benefícios da chamada "smart power" – expressão que pode se traduzir como "poder inteligente" –, que combina os aspectos "duros" da influência, como o militarismo, com o seu lado "soft", que inclui a cooperação econômica e a educação.
Woolwich / PA
Dois homens foram acusados de matar um militar no sudeste de Londres
Em seu discurso sobre a estratégia do governo contra o terrorismo, Obama afirmou que "a tecnologia e a internet aumentam a frequência e a letalidade (do extremismo)".
"Hoje, uma pessoa pode consumir propaganda fazendo apologia ao ódio, se comprometer com uma agenda violenta e aprender a matar sem sair de casa."
Entretanto, o presidente disse que seu governo tem procurado estabelecer parcerias entre a comunidade muçulmana nos EUA – "que tem consistentemente rejeitado o terrorismo" – e a polícia para "identificar os sinais de radicalização" entre os seus indivíduos.
"Essas parcerias só podem funcionar quando reconhecemos que os muçulmanos são parte fundamental da família americana", disse Obama.
Alexander também enfatiza que cabe às sociedades, por meio de seus grupos religiosos, educacionais e políticos, e incluindo os meios de comunicação, assumir a "responsabilidade de desativar os elementos que contribuem para o ódio".
"Mas cada situação precisa ser avaliada individualmente", diz o especialista. "Não podemos oferecer soluções muito métricas nem desenhar um grande esquema que se aplique para todas elas."