Durante a sabatina, o candidato Eduardo Campos, do PSB, afirmou que "nunca mudou de lado"
Candidato do PSB ao Palácio do Planalto, Eduardo Campos afirmou nesta
segunda-feira (11) que a presidente Dilma Rousseff (PT) não aprovou uma
reforma tributária no Brasil porque "atendeu a pedidos pontuais no
balcão e nada deu certo". De acordo com o ex-governador de Pernambuco,
durante seu primeiro mandato, a petista "nem tentou fazer a reforma
tributária". O presidenciável promete apresentar um projeto para alterar
os impostos, caso seja eleito, já nos primeiros dias de governo. As
medidas detalhadas em seu programa preveem evitar aumento dos tributos,
simplificar o sistema, eliminar o caráter regressivo, que pune os mais
pobres, reduzir a taxação dos investimentos, justiça tributária,
transparência e melhor repartição de receitas entre governo federal,
Estados e municípios.
Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso
(PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentaram promover reformas no
sistema tributário durante seus mandatos, mas nunca conseguiram chegar a
um projeto capaz de alcançar consenso dentro do Congresso por
dificuldades para conciliar interesses do governo federal com os dos
empresários, dos Estados e dos municípios, que tinham medo de perder
receitas com as mudanças. Em entrevista ao portal G1, Campos foi
questionado sobre sua relação com o governo do PT, do qual foi ministro
da Ciência e Tecnologia (2004-2005) e esteve na base até o fim de 2013.
O candidato disse que "nunca mudou de lado" e que só deixou de apoiar a
presidente Dilma quando políticos como o ex-presidente Fernando Collor
(PTB-AL) e o senador José Sarney (PMDB-AP) "ganharam protagonismo".
Collor e Sarney, no entanto, fazem parte da base de sustentação do
governo petista desde a gestão Lula, e sempre ocuparam cargos de
relevância política. O candidato repetiu as críticas que tem feito à
política econômica de Dilma Rousseff e defendeu mais uma vez a
independência do Banco Central e a criação de um Conselho de
Responsabilidade Fiscal para "criar um ambiente de confiança" que faça
com que os juros baixem e o câmbio se normalize.
NEPOTISMO
Campos
comentou ainda reportagem da Folha da semana passada sobre o cargo de
seu tio, Marcos Arraes de Alencar, em uma diretoria da estatal federal
Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia), em
Pernambuco, apesar de há seis meses o governo do Estado, então comandado
pelo presidenciável, ter informado que ele havia pedido demissão.
"Quando saímos do governo, ele não tomou posição de sair. Mas eu
discordo dessa postura", disse Campos, completando que Alencar é pai da
vereadora Marília Arraes (PSB), "que apoia Dilma" à reeleição.
Outra polêmica familiar debatida na entrevista ao G1 foi sobre a mãe de
Campos, Ana Arraes, que em 2011 foi eleita ministra do TCU (Tribunal de
Contas da União). O candidato afirma que o cargo da mãe "não é um
problema" porque até se aposentar, daqui um ano e meio, quando
completará 70 anos, "nem terá condições de ver as primeiras contas do
nosso primeiro mandato". O ex-governador negou que tivesse pretensão de
ser candidato à Presidência da República em 2011, quando ajudou na
campanha da mãe para o TCU. "Não imaginava".
TEMAS POLÊMICOS
Ao
final da entrevista, Campos respondeu com "sim" ou "não" a temas
polêmicos que costumam aparecer durante a campanha eleitoral. Disse ser
contra a legalização das drogas, privatizações, foro privilegiado a
políticos, unificação das polícias e ensino religioso nas escolas
públicas. E, por outro lado, declarou-se favorável à taxação de grandes
fortunas, ao casamento gay e ao voto obrigatório. Sobre o aborto,
reafirmou a posição de que "a legislação sobre o tema é adequada".
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