Dezoito pessoas foram presas, em caráter temporário, em
operação deflagrada hoje (6) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate
ao Crime Organizado (Gaeco) do Paraná, coordenado pelo Ministério
Público Estadual. Denominada Operação Sucupira, a ação
foi motivada pela suspeita de desvio de dinheiro dos cofres da
prefeitura de São Jerônimo da Serra (PR), por meio de licitações
públicas fraudulentas. Ainda não há estimativa do valor desviado.
Entre os presos na operação estão dois filhos
do prefeito Adir dos Santos Leite (PSDB), dois secretários municipais,
três vereadores e empresários. A Justiça também concedeu 55 mandados de
busca e apreensão e autorizou a quebra do sigilo bancário de 51 pessoas
físicas e jurídicas. Policiais militares e civis estão cumprindo os
mandados na sede da prefeitura e também em empresas e endereços
associados aos investigados em Santa Cecília do Pavão, Maringá, São
Sebastião da Amoreira, Fazenda Rio Grande, Pinhalão, Nova Santa Bárbara,
Mandirituba, além de São Jerônimo da Serra.
Embora
seja suspeito de chefiar o esquema e o Gaeco tenha pedido sua prisão
preventiva, o prefeito Adir Leite não estava entre os procurados pela
polícia, pois a Justiça não havia concedido mandado de prisão contra
ele. Apesar disso, o prefeito acabou detido por porte ilegal de
armamento depois que policiais encontraram três armas ilegais em sua casa – aonde haviam ido para prender seus dois filhos.
Após
cinco meses de investigações, o Gaeco de Londrina (PR) e a Promotoria
de Justiça de São Jerônimo da Serra concluíram que pessoas ligadas à prefeitura
e empresários se uniram para desviar dinheiro público. Segundo o
coordenador do Gaeco, o procurador de Justiça Leonir Batisti, a
prefeitura autorizava o pagamento de despesas injustificadas, como a
compra de combustível e o uso de maquinários, para fins pessoais.
Batisti
também garante que foram encontrados indícios de que o Poder Executivo
superfaturava contratos de serviços que eram terceirizados e realizados
por valores bem abaixo do valor empenhado pela prefeitura. Para isso, as
licitações eram forjadas a fim de beneficiar empresários que
participavam do esquema. Além disso, os promotores também suspeitam que a
prefeitura pagava com dinheiro público o apoio de vereadores aos seus
projetos.
“Não temos dúvida quanto ao superfaturamento. Os
serviços contratados poderiam ser feitos por preços bem abaixo dos pagos
pela prefeitura”, afirmou Batisti à Agência Brasil. “Vamos
terminar de cumprir os mandados de busca e apreensão, recolher
documentos, computadores e outros objetos presumivelmente associados à
fraude, ouvir os investigados, analisar os dados obtidos com a quebra
dos sigilos bancários e identificar o papel desempenhado pelos
participantes do esquema para então denunciar os que estiverem
envolvidos”, disse Batisti. Os investigados podem responder pelos crimes
de peculato, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, fraude à
licitação e organização criminosa.
A reportagem entrou em contato
com a prefeitura de São Jerônimo da Serra, mas não conseguiu conversar
com nenhum de seus representantes. Responsável por investigar e combater
o crime organizado, o Gaeco é formado por representantes do Ministério
Público, Polícia Civil e Polícia Militar e, no Paraná, pela Secretaria
de Fazenda. Vinculado diretamente ao Procurador-Geral de Justiça do
Paraná, o órgão goza de autonomia institucional.
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