O ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, afirmou nesta
segunda-feira (26), logo após a reunião da coordenação política da
presidente Dilma Rousseff com os ministros, quer o governo não pretende
diminuir os recursos para o Bolsa Família.
"Na minha opinião, há condições de fechar o orçamento sem mexer nos
recursos do Bolsa Família, que é um dos programas que fundamenta a
questão social. Não podemos fechar essa porta", sintetizou Berzoini.
Na semana passada, o relator do Orçamento de 2016, deputado Ricardo
Barros (PP-Pr), propôs um corte de R$ 10 bilhões dos R$ 28,8 bilhões
previstos para o programa no ano que vem. Berzoini disse que respeita a
proposta "séria e responsável" do relator, mas acrescentou que o tema -
polêmico, segundo ele - deve ser tratado de maneira "mais refletida e
fundamentada".
Na coletiva, Berzoini disse, ainda, que o governo ainda não definiu o
tamanho do déficit nas contas públicas de 2015, que será anunciado nos
próximos dias. "Ainda não há definição por parte da equipe econômica.
Tratamos dessa questão em outras reuniões da semana passada e
acreditamos que a equipe econômica, dialogado com Tribunal de Contas, e
buscando consolidar expectativas macroeconômicas, expectativa de
arrecadação para este ano, qual vai ser a perspectiva para o ano que
vem, possamos definir esse número e apresentar ao país”.
Na semana passada, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse que
o déficit primário deve ser de cerca de R$ 50 bilhões, equivalente a
0,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Antes de assumir o déficit, o
governo trabalhava com uma meta fiscal de superávit de R$ 8,74 bilhões
(0,15% do PIB).
Segundo Berzoini, a segunda revisão da meta fiscal em menos de três
meses e a perspectiva de déficit não devem comprometer a credibilidade
internacional do Brasil porque o quadro mundial também é desfavorável
para outros países.
“Não podemos considerar uma situação isolada a que o Brasil vive.
Temos expectativa de que com medidas anunciadas pelos ministros da
Fazenda, Joaquim Levy, do Planejamento, Nelson Barbosa e pela
presidenta Dilma, possamos convergir para a estabilidade das
expectativas: precisamos reduzir inflação para algo mais próximo da
meta, precisamos construir as condições para ter taxas de juros mais
baixas e precisamos para isso ter orçamento mais equilibrado”, listou.
O ministro citou a conversa com prefeitos na última semana e disse
que o governo vai voltar a reunir governadores para buscar apoio a
propostas que levem a um “pacto de equilíbrio fiscal”.
Articulação política
Além do Orçamento, Ricardo Berzoini disse que a agenda de negociações
com o Congresso esta semana tem como prioridades matérias que visam a
reequilibrar as contas públicas, entre elas o projeto de lei que permite
a repatriação de recursos não declarados à Receita Federal; e as
propostas de emenda à Constituição que tratam da recriação da
Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e da
prorrogação da Desvinculação de Receitas da União até 2023.
“Não ignoramos as dificuldades, porque são medidas que têm algum grau
de polêmica. Mas, ao mesmo tempo, estamos convencidos de que avança na
Câmara e no Senado a compreensão sobre a necessidade para o país de
realizar esse trabalho integrado com prefeitos, governadores, deputados e
senadores para assegurar que o Brasil tenha os instrumentos para
superar as dificuldades orçamentárias”, disse.
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