Durante um evento com o então presidente russo Dmitry
Medvedev, em 2010, Barack Obama comentou o fato de o colega ter criado
uma conta no Twitter: "Nós agora podemos jogar fora aqueles telefones
vermelhos que estão estão aí, inúteis, há tanto tempo."
Apesar do tom de piada do comentário feito pelo
presidente americano, de fato, líderes mundiais vêm cada vez mais usando
a ferramenta para incrementar suas relações diplomáticas e se comunicar
com a população.A análise levou em conta 505 perfis ─ entre presidentes, premiês e chancelarias ─ de 153 países e incluiu comentários e críticas sobre a maneira como tuítam os líderes latino-americanos.
Quase todos os países da região, exceto Suriname e Nicarágua, têm contas oficiais na rede social e o uso do espanhol nos perfis analisados passou de 15% em 2012 para 31% neste ano, justamente pela participação dos líderes da região.
"O Twitter se consolidou como uma ferramenta de integração na diplomacia, inclusive na América Latina. É uma ferramenta rápida e muito útil nesse sentido", diz a consultora Paula Bakaj, da agência Burson-Marsteller Brasil, responsável pelo estudo, à BBC Brasil.
Mas se o Twitter é popular entre os líderes da região, o modo como eles usam a ferramenta varia bastante e vai dos que postam em grande quantidade aos que abandonaram seus perfis, passando por outros que usam a mídia social apenas para divulgar sua agenda oficial.
Confira abaixo alguns destaques do Twiplomacy sobre o comportamento na rede social dos líderes e governos da região e algumas comparações com seus pares mundo afora.
A mais popular
- Cristina Kirchner (@CFKArgentina): mais de 2,1 milhões de seguidores
- Enrique Peña Nieto, presidente do México (@EPN): 1,9 milhões
- Juan Manuel Santos (@JuanManSantos), presidente da Colômbia: 1,9 milhões
- Dilma Rousseff (@dilmabr): 1,8 milhões, mesmo sem atualizar desde 2010
- Nicolas Maduro (@NicolasMaduro): 1,2 milhões, sendo que entrou no Twitter neste ano e conquistou 1,1 milhão de seguidores em menos de 3 meses
O perfil com mais atualizações
- Presidência da Venezuela (@PresidencialVen): média de 41,9 tweets por dia.
- Presidência da República Dominicana (@PresidenciaRD): 35,3 tweets pr dia
- Presidência da Colômbia (@infopresidencia): 30,7 tweets por dia
- Presidência do México (@PresidenciaMX): 24,9 tweets por dia
O mais bem conectado
- Ministério das Relações Exteriores do Brasil (@MREBrasil): 15 conexões mútuas com outros órgãos ou líderes mundiais
- Laurent Lamothe (@LaurentLamothe), primeiro-ministro do Haiti: 14
- Ministério das Relações Exteriores do Peru (CancilleriaPeru): 12
- Presidente da Colômbia (@JuanManSantos): 10
O mais 'conversador'
- Rafael Correa (@MashiRafael), presidente do Equador : 83%
- Ricardo Patino (@RicardoPatinoEC), chanceler do Equador: 43%
- Laura Chinchilla (@Laura_Ch), presidente da Costa Rica: 39%
- Presidência do Panamá (@SecComunicacion): 15%
- Sebastián Piñera (@sebastianpinera), presidente do Chile: 15%
O 'caso Dilma'
O último tweet de Dilma (@DilmaBR) foi ao ar assim que foi eleita, em dezembro de 2010: "Amigos, muito legal ser tão lembrada no twitter em 2010, Logo eu, que tive tão pouco tempo p/ estar aqui c/ vcs. Vamos conversar mais em 2011."
"Os mais de 1,8 milhão de seguidores da presidente ainda estão esperando pela continuação dessas conversas", disse Paula, lembrando que a ferramenta poderia ter sido bem usada durante os protestos para conversar com os brasileiros. "O custo de governantes não usarem ou usarem mal o Twitter é o de deixar a população desinformada, um grande risco."
Apesar do perfil inativo de Dilma, a Presidência da República também mantém no Twitter um perfil do Blog do Planalto (@blogplanalto), que não aparece entre os perfis analisados pelo estudo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário