No que depender da prefeitura, quem utilizar o metrô
de Salvador a partir do início da operação comercial, anunciada pelo
governo para o dia 31 de outubro, não vai pagar mais do que R$ 2,80, o
valor de uma tarifa de ônibus.
De acordo com o secretário municipal de Urbanismo e
Transporte (Semut), Fábio Mota, a prefeitura já fez o estudo de
integração com o Sistema de Transporte Coletivo por Ônibus (STCO)
e,somente quando tiver certeza de que a população não vai desembolsar
R$ 3,90 por um trecho de pouco mais de seis quilômetros, vai implementar
esse projeto.
“A prefeitura quer
que o povo seja beneficiado. E nós estamos falando de um metrô de cinco
quilômetros que vai custar quase R$ 4. A população não pode pagar esse
preço”, disparou.
No
dia 31 de outubro, o governo do estado pretende iniciar a cobrança do
metrô que passa pela Avenida Bonocô. Prefeitura só aceita fazer
integração se tarifa custar até R$ 2,80. Foto: Almiro Lopes/Arquivo
CORREIO
|
Um
dos pontos do impasse atual entre os governos do estado e município
está na integração entre os meios de transporte. Para o subsecretário da
Semut, Orlando Santos, a integração que está sendo planejada vai trazer
prejuízos à população.
“O
usuário vai ter que pegar um ônibus, parar em uma estação e vai ser
obrigado a pegar o metrô para ir para outra estação, e lá pegar outro
ônibus se for preciso para chegar ao seu destino, disse Orlando. “A
prefeitura não vai admitir que quem paga R$ 2,80, e pega dois ônibus com
o Bilhete Único, fique obrigado a pagar R$ 3,90 para agradar os
empresários que exploram o metrô”.
‘Teto’O
secretário de Desenvolvimento Urbano do estado, Manuel Ribeiro, não
confirma que a tarifa de R$ 3,90 e o plano de integração já estejam
estabelecidos. “Esse valor é um teto de uma tarifa para 40 quilômetros
de metrô”, afirmou. Ele disse que o valor poderá ficar abaixo do teto
admitindo a possibilidade do valor ficar em R$ 2,80. “Depende da minha
demanda, de que tipo de integração a gente vai conseguir fazer com a
prefeitura. Falamos ontem exaustivamente sobre isso, acho que agora já é
hora de sentarmos em uma mesa de negociação”, argumentou.
Como
alternativa, Ribeiro disse que pode criar um sistema auxiliar de
alimentação do metrô com ônibus administrados pelo estado. “Mas essa é
uma medida extrema, e não é de nosso interesse. Eu sou favorável a uma
negociação para atender à demanda do metrô. Porque é um absurdo se
investir como se investiu para ter um metrô ocioso”, disse.
A estação do Campo da Pólvora é uma das seis que o metrô de Salvador possui. Governo promete mais. Foto: Arquivo CORREIO
|
Segundo Fábio Mota, a prefeitura já fez o estudo
necessário para a criação do plano de ação de integração dos modais. Mas
ainda não obteve informações do governo sobre as demandas necessárias
para o metrô. “Até hoje, o estado não nos mostrou quantas pessoas
comporta em cada estação para sabermos quantas linhas serão
necessárias”.
Para
Orlando Santos, a integração precisa ser dimensionada para ver se as
estações comportam o número de ônibus necessário para atender a
população. “Não adianta a gente imaginar que vai cortar ônibus no
Retiro, porque a estação pode não ter a capacidade para receber esse
número de veículos”, explicou.
EntraveO
preço da tarifa é o maior entrave. A prefeitura está irredutível quanto
ao valor de R$ 2,80. Orlando Santos explica que não há a possibilidade
de extinguir linhas de ônibus para que as pessoas paguem um valor mais
alto para usar outro meio de transporte.
“Não vamos cortar as linhas que passam no metrô, de forma a obrigar o
usuário a usar o metrô se ele continuar caro. Vamos manter a linha e o
usuário escolhe se vai querer descer e ir para o metrô ou continuar no
ônibus até o seu destino final”.
Para não encarecer demais a tarifa, Manuel Ribeiro
admite que governo pode usar subsídios. “Eles (a prefeitura) já estão
supondo que eu vou pedir a integração fechada, e também estão supondo o
valor da tarifa. Existe a possibilidade de R$ 2,80, só que a prefeitura
tem que lembrar que esse preço da passagem de ônibus é até 31 de
dezembro, porque depois deve aumentar para mais de R$ 3”, disparou.
Empresa ainda tem uma série de pendências legais
Outro problema que assombra o metrô de Salvador são as pendências da CCR Metrô Bahia, concessionária responsável pela construção e operação do modal, com a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município. Segundo Orlando Santos da Semut, a CCR ainda não sanou uma série de pendências legais que impedem a liberação das estações. “Se a prefeitura quisesse prejudicar o funcionamento do metrô, a gente embargava todas as estações, mas estamos sendo pacientes porque não queremos prejudicar o metrô”, afirma.
Outro problema que assombra o metrô de Salvador são as pendências da CCR Metrô Bahia, concessionária responsável pela construção e operação do modal, com a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município. Segundo Orlando Santos da Semut, a CCR ainda não sanou uma série de pendências legais que impedem a liberação das estações. “Se a prefeitura quisesse prejudicar o funcionamento do metrô, a gente embargava todas as estações, mas estamos sendo pacientes porque não queremos prejudicar o metrô”, afirma.
O
secretário de Desenvolvimento Urbano do estado, Manuel Ribeiro, diz que
a concessionária entregou tudo o que era necessário para a emissão dos
alvarás e do habite-se da estação, mas não obteve sucesso. “É só olhar
as estações que estão com o alvará de funcionamento. Se existe alguma
coisa lá, é uma exigência demasiada. A concessionária entregou tudo que
foi pedido, mas por algum mistério ainda não conseguiu nada”, ironizou.
De acordo com Silvio de Souza Pinheiro,
superintendente da Sucom, ao todo a CCR tem 15 processos com
complexidades diversas. “Tem desde termos de conclusão de obra, que
equivale ao habite-se, até estações que precisam de um documento final
da prefeitura dizendo que estão aptas a funcionar”, explicou. Ele ainda
esclareceu que quando as pendências são apresentadas, a concessionária
tem até 20 dias para apresentar a solução para os problemas apontados,
mas não soube informar se o prazo dos 15 processos já expiraram.
A CCR Metrô Bahia foi procurada, mas não se pronunciou até o fechamento dessa edição.
Nenhum comentário:
Postar um comentário