Uma comissão de inquérito da ONU anunciou nesta
segunda-feira que, apesar de suspeitas levantadas anteriormente, ainda
não é possível concluir com certeza que agentes químicos foram usadas no
conflito na Síria por qualquer um dos lados envolvidos.
Mas a declaração manteve a incerteza a respeito
das armas químicas do país, que não é signatário da Convenção sobre as
Armas Químicas (CWC, na sigla em inglês) nem ratificou a Convenção de
Armas Tóxicas e Biológicas (BTWC, na sigla em inglês) e nunca fez uma
declaração formal sobre o tamanho de seu arsenal.Porém, além de não se saber ao certo quantas armas do tipo o país possui, também não se sabe exatamente como o arsenal do país foi obtido ou desenvolvido.
Recentemente, relatos de vítimas e médicos aumentaram a desconfiança em relação ao uso de gás sarin, um agente altamente tóxico, em ataques de rebeldes contra as forças do governo.
Por outro lado, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha acusam as forças leais ao presidente Bashar al-Assad de ter empregado o mesmo tipo de agente contra os insurgentes.
Gás mostarda e sarin
Armas químicas no século 20
-
Agentes químicos foram usados pela primeira vez como armas pela Alemanha na 1ª Guerra Mundial.
-
O gás mostarda já foi empregado em inúmeros conflitos, como pelas forças britânicas na Guerra Civil Russa de 1919, pelas forças soviéticas na China em 1930 e pelas tropas italianas e espanholas no Norte da África.
-
O gás sarin foi inventado por um cientista alemão nos anos 30 na véspera da 2ª Guerra Mundial.
-
O ex-líder iraquiano Saddam Hussein usou agentes tóxicos como o sarin e o gás mostarda nos curdos entre 1987 e 1988 e no Irã entre 1980 e 1988.
-
A seita militante do Japão Aum Shinrikyo usou o gás sarin no metrô de Tóquio em 1995.
Além disso, a CIA, o serviço secreto americano, também acredita que o país já tentou desenvolver agentes mais tóxicos e letais, como o gás VX.
Um relatório indiano nas áreas de defesa e segurança estima, com base em dados de agências de inteligência ocidentais, árabes e turcas, que o estoque de armamentos químicos na Síria é de "cerca de 1 tonelada, armazenada em 50 cidades diferentes".
"A capacidade de armas químicas da Síria é conhecida por estar em estado de prontidão e portanto representa uma ameaça maior do que qualquer capacidade nuclear que o país possa ter", informa o levantamento.
Além disso, há preocupações sobre a capacidade da Síria de fazer uso desses agentes.
A CIA acredita que esse armamento possa ser empregado de diferentes plataformas, como bombas aéreas, granadas, foguetes ou mísseis balísticos.
Há relatos de que a Síria tenha adquirido gás mostarda do Egito entre 1972 e 1973, antes da Guerra do Yom Kippur. Nos anos 80, o governo do país teria começado a produzir o agente a partir de fontes próprias.
A produção local do gás sarin também teria começado na mesma década. Autoridades americanas alegam que a Síria recorreu a pesticidas para a fabricação do agente tóxico em 1988, segundo um relatório.
Outro relatório, da publicação Jane´s Intelligence, indica que, em 1993, teria início a produção de artilharia aérea com gás mostarda.
Impacto do uso de armas químicas
O ataque a moradores da cidade de Khan al-Assal no norte da Síria em março passado pôs a discussão sobre as armas químicas de volta no centro das atenções.Ambos os lados do conflito trocaram acusações sobre o uso desse tipo de armamento no ataque, que deixou 27 pessoas mortas.
Imagens de supostas vítimas do gás sarin no distrito de Sheikh Massoud, em Aleppo, no norte do país, caíram recentemente na Internet.
O vídeo mostra pessoas espumando pela boca e se contorcendo, sintomas típicos da exposição ao agente tóxico.
O gás Sarin é considerado 20 vezes mais mortal que o cianeto e não pode ser detectado por ser insípido, inodoro e incolor.
A toxina ataca o sistema nervoso, causando frequentemente problemas respiratórios, além de causar a morte dentro de alguns minutos após a primeira exposição.
Já o gás mostarda é uma toxina que queima os olhos e a pele, se exposto, e pulmões e garganta, se inalado.
Apesar de não ser tão letal quanto o sarin, não há tratamento ou antídoto para o agente. Para eliminá-lo, é preciso que o paciente o remova totalmente do corpo.
Veja abaixo uma tabela com as características e impacto na saúde dos dois gases:
Armas químicas
| Gás mostarda | Gás sarin | |
| Aparência/odor | Incolor e às vezes inodoro. Apresenta um cheiro semelhante ao de cebolas podres, alho ou mostarda. | Inodoro, insípido e incolor. |
| Forma | Líquido à temperatura ambiente, mas é mais comumente usado em sua forma gasosa. | Líquido, evapora rapidamente (gás) e tem ampla difusão. |
| Absorção | Contato com a pele ou inalação. | Contato com a pele ou inalação. Pode ser ingerido na comida ou na água. |
| Velocidade do impacto | Não há sintomas imediatos mediante contacto; vítima demora de duas a 24 horas para sentir efeitos. | Os primeiros sintomas aparecem segundo após a exposição ao vapor e até 18 horas após exposição à forma líquida. |
| Efeitos | O gás provoca a formação de bolhas, além de ardor nos olhos e na pele expostas a ele. Também causa irritação nos pulmões, boca e garganta, se for inalada. Normalmente não é letal, mas pode causar câncer e desfiguração grave. |
O sarin ataca o sistema nervoso. Sua inalação pode provocar a morte entre um a dez minutos após a exposição. |
| Sintomas | Conjuntivite, queimaduras na pele, dor de garganta, tosse e susceptibilidade à infecção e pneumonia. | Exposições curtas podem causar irritação nos olhos, corrimento nasal, visão borrada, salivação, tosse, aperto no peito, diarréia, confusão, sonolência e náusea. Exposições longas podem matar em questão de minutos, sem tratamento. Os sintomas incluem insuficiência respiratória, perda de consciência e paralisia. |
| Tratamento | Não há nenhum tratamento ou antídoto para lesões do gás mostarda. O agente deve ser removido totalmente do organismo. | Antídotos como atropina e fisostigmina têm de ser administrados imediatamente. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário