A Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) do Senado aprovou nesta terça-feira (18), o fim do voto secreto em
todas as deliberações do Poder Legislativo. A Proposta de emenda à
Constituição (PEC) 43/2013 segue agora para o Plenário da Casa, em
regime de urgência, a pedido pelo líder do PT, Wellington Dias (PI). De
acordo com a proposição, ficam extintas as votações secretas para
cassações de mandatos, escolha de autoridades (magistrados e
embaixadores, por exemplo), dirigente de agências reguladoras e análises
de vetos presidenciais.
O
debate na CCJ foi intenso, com manifestação sobre o mérito da proposta,
mas também sobre a questão regimental, já que o relator da PEC 43, o
senador Sérgio Souza (PMDB-PR), modificou seu parecer sobre a proposta,
apresentado na semana passada. Na ocasião, ele havia apoiado o fim do
voto secreto para todas as situações da atividade legislativa e sofreu
forte pressão de sua própria bancada. Nesta quarta-feira (18), o texto
de Souza recuava na implementação do voto aberto, limitando a mudança à
cassação de mandatos. Após três horas de debates, o relator voltou atrás
e reapresentou o parecer da semana passada, apoiando o voto aberto
irrestrito.
Assim,
foi aprovado o parecer inicial do relator, que respalda a abertura de
todas as votações no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e
Câmaras Municipais. "O eleitor brasileiro avançou e quer transparência. O
eleitor brasileiro quer democracia plena, quer o fim do voto secreto.
Ele quer saber como se posiciona o eleito, o seu Senador, o seu Deputado
Federal, enfim. Nós aqui o representamos. Como ele vai nos dar uma
procuração e nós vamos usá-la sem ele saber como é que a estamos usando?
", ingadou o senador Wellington Dias (PI), acrescentado que a bancada
do PT defende o fim do voto secreto em todas as suas formas.
Wellington
destacou, ainda, o poder de investigação e julgamento do Legislativo
brasileiro. "Acho que precisamos exercer o mandato com a coragem de
representar quem aqui representamos. Em qualquer voto, não há sentido
Parlamentar ter medo de procurador, de juiz, de magistrado na hora de
expressar o seu voto, até porque a própria Constituição de 1988 assegura
ao Poder Legislativo a condição de investigação e do julgamento. Nós
somos o poder que julga membros do Judiciário ou do Executivo, cassa
mandato, afasta de cargo. Então, que história é esta de termos receio,
na hora de expressarmos o voto, de haver qualquer retaliação? Essa é a
posição clara, firme, cristalina, em meu nome, como senador, mas também
como Líder em defesa da posição do Partido dos Trabalhadores", declarou.
A
proposta segue agora para dois turnos de votação no Plenário do Senado,
onde poderá ser anexada à PEC 20/2013, de iniciativa do senador Paulo
Paim (PT-RS) e que também derruba o voto secreto em todas as
circunstâncias no Legislativo. A PEC 20/2013 já foi aprovada pela CCJ e
aguarda inclusão na Ordem do Dia do Senado. Se o apensamento acontecer, a
PEC 43/2013 voltará a ser examinada pela Câmara dos Deputados, mesmo
sem ter sido alterada pelos senadores.
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