Para Davi (nome fictício), que começou a usar a droga aos 14 anos, a motivação pessoal é a melhor arma para se livrar das drogas. Na tentativa de se afastar dos amigos que também faziam uso da substância, ele se mudou com a mãe para Brasília. Segundo Davi, se não houver uma forte decisão de abandonar o consumo o processo é muito mais difícil.
"Não adianta mudar de cidade, de bairro, se as coisas não mudarem dentro da gente. Justificativas sempre encontramos [para usar droga], mas, na verdade, começar o consumo foi uma decisão minha. Colegas me ofereceram e eu podia ter dito não", reconheceu o rapaz.
Cardozo reconheceu, no entanto, que ajustes no programa podem ser necessários para o direcionamento das ações a partir dos dados encontrados, como garantir um foco maior no Nordeste. A região concentra cerca de 40% dos usuários de crack nas capitais.
O secretário Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), Vitore Maximiano, defendeu o fortalecimento das ações de prevenção, sobretudo nas escolas. De acordo com a pesquisa, os usuários de crack têm baixa escolaridade, sendo que apenas dois em cada dez cursaram ou concluíram o ensino médio. Em relação ao ensino superior, a proporção é ainda menor: cerca de 0,3% cursou ou concluiu o ensino de terceiro grau. Maximiano também ressaltou que, diante dos dados revelados pelo estudo, a discussão sobre a internação compulsória no país se torna desnecessária.
Segundo Maximiano, existem mais de 2 mil pessoas em comunidades terapêuticas, financiadas com recursos federais. A meta é ampliar para 10 mil vagas até 2014. Ele informou que a Senad publicou, este mês, o edital para a contratação de mais 3,2 mil vagas para o acolhimento nessas comunidades.
Além do Perfil dos Usuários de Crack e/ou Similares no Brasil, o Ministério da Justiça também divulgou a Estimativa do Número de Usuários de Crack e/ou Similares nas Capitais do País. Encomendadas pela Senad à Fundação Oswaldo Cruz, as pesquisas representam o maior e mais completo levantamento sobre o assunto no mundo.
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