Ex-espião garante não ter qualquer apoio financeiro para suas atividades.Bruxelas – O ex-técnico da CIA Edward
Snowden denunciou ao Parlamento Europeu (PE) que autoridades do governo
dos Estados Unidos pediram sua "execução", que os serviços secretos
russos o contataram para ter informações sobre a espionagem americana e
que ainda há muitos programas secretos não revelados.
Snowden
fez as afirmações em resposta por escrito enviada à Comissão de
Liberdades Civis do PE, que investiga o escândalo de espionagem em
massa de Washington na Europa e às quais a Agência EFE teve acesso.
No texto, o ex-espião, que garante não ter qualquer apoio financeiro
para suas atividades, reitera à comissão do PE: "Oficiais do governo
americano (...) pediram minha execução".
Em outro ponto, Snowden
afirma que "certamente" os serviços secretos russos se aproximaram
dele quando o escândalo veio à tona, mas "estavam decepcionados" porque
"não levei comigo nenhum documento de Hong Kong".
Snowden
acrescenta que o governo dos Estados Unidos reconheceu que "não há
provas de qualquer relação" entre ele e a inteligência russa e que
também não está em contato com as autoridades chinesas.
"Um serviço de inteligência não demora muito tempo para perceber quando não teve sorte", ironizou.
A declaração à comissão do PE encarregada de investigar o escândalo
ocorre após vários meses sem acordo sobre seu formato e após uma
videoconferência ser descartada.
Snowden, que está asilado na
Rússia, anuncia que fará novas revelações sobre operações de espionagem
em massa de cidadãos europeus, quando as circunstâncias forem
"seguras".
"Há muitos outros programas secretos que impactariam
nos direitos dos cidadãos europeus, mas deixarei esse assunto de
interesse público para quando for seguro revelá-lo a jornalistas
responsáveis", acrescenta.
Snowden reitera aos eurodeputados que
"nenhum governo ocidental provou que esses programas são necessários"
para a luta contra o terrorismo e os considera "não apenas ineficazes,
mas carentes de base legal", ressaltando que "bilhões" de pessoas são
espionadas.
Perguntado sobre seus pedidos de asilo em alguns
países da União Europeia (UE), Snowden diz que continua à espera de uma
resposta positiva, mas indica que alguns parlamentares nacionais lhe
confessaram que os "Estados Unidos não permitirão" que aceitem o
ativista.
O americano, que se recusa a revelar novas informações
confidenciais, confirma que a Agência de Segurança Nacional Americana
(NSA) exerce pressão nos países da UE para "mudarem suas legislações a
fim de permitir a vigilância em massa" e menciona operações nesse
sentido na Suécia, Holanda e Alemanha.
"A NSA não só permite e
guia, mas também compartilha alguns sistemas de vigilância em massa e
as tecnologias com agências dos Estados-membros da UE", destaca.
Além disso, ressalta a autenticidade dos documentos que detalham
ciberataques por parte da NSA às instituições europeias, à ONU, ao Fundo
das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a entidades como Swift e
Belgacom.
"Diariamente são utilizadas ferramentas de
vigilância em escala global como meio de espionagem econômico",
acrescenta Snowden, que declara que denunciou as práticas durante seu
trabalho na CIA a mais de dez oficiais diferentes sem obter resultados.
"Se querem me ajudar, podem fazê-lo ajudando a todos: declarem que a
divulgação em massa e indiscriminada de dados privados por parte dos
governos é uma violação de nossos direitos que deve terminar", pede o
ex-analista aos eurodeputados.
Para Snowden, "a comunidade
internacional deve conjugar normas comuns de comportamento e
investimento no desenvolvimento de medidas técnicas para se defender
contra a vigilância em massa".
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