Nove deputados federais começam, amanhã (8), a investigar as
denúncias de que funcionários da Petrobras teriam recebido propina da
companhia holandesa SBM Offshore. Enquanto não há uma decisão sobre a
instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Congresso
ou no Senado, a apuração sobre suspeitas envolvendo a estatal ficará
apenas nas mãos da comissão externa criada pela Casa na última semana.
O
grupo tem a primeira reunião de trabalho agendada para as 10h desta
terça-feira, quando deve definir cronograma e apontar quais serão os
primeiros documentos requeridos e quem será convidado para prestar
esclarecimentos sobre o caso. Os parlamentares estudam a possibilidade
de visitar órgãos que já investigam essas suspeitas, como a
Controladoria-Geral da União, Tribunal de Contas da União e o Ministério
Público Federal, além da própria Petrobras e da SMB, na Holanda.
O coordenador da comissão externa, deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), explicou que quer ouvir
representantes dessas instituições para tentar reunir as informações
que já existem. Apesar do consenso em torno da estratégia de trabalho, o
colegiado tem algumas limitações para agir.
Se de
um lado a comissão não tem prazo regimental para concluir os trabalhos,
de outro não pode, por exemplo, pedir quebra de sigilo de comunicações
ou convocar autoridades, um tipo de requerimento com efeito mais prático do que o convite, que pode ser recusado.
Para
contornar qualquer dificuldade nas apurações, Quintella já anunciou que
pode pedir ajuda de comissões permanentes. Outra aposta do parlamentar é
que, se for solucionado o impasse em torno da instalação da CPI, a
comissão externa possa contribuir e ter apoio
da comissão de inquérito que também vai apurar as denúncias envolvendo a
SBM Offshore que fornece equipamentos à Petrobras e teria pagado
propina para conseguir contratos de locação de plataformas petrolíferas
entre os anos de 2005 e 2012.
Senadores e deputados
aguardam uma decisão sobre a comissão de inquérito ainda esta semana. A
oposição já ameaçou, inclusive, recorrer ao Supremo Tribunal Federal e,
na Câmara, alguns partidos prometem obstruir a pauta de votações e
boicotar o esforço concentrado anunciado pelo presidente Henrique
Eduardo Alves (PMDB-RN) na semana passada.
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