Aplicação de penas alternativas para tornar o Judiciário efetivo e a
manutenção da maioridade penal em 18 anos foram defendidas nesta
terça-feira (1º) pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
ministro Sebastião Reis Júnior. Em audiência pública nessa manhã na
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, convocada para
discutir mudanças no Código Penal, o ministro ressaltou que a falta de
estrutura investigatória, acusatória e ressocializadora do sistema penal
brasileiro resulta na “pouca efetividade das normas brasileiras”.
Para
Sebastião Reis Júnior, o receio é que a reforma do Código Penal que
tramita no Senado tenha um excesso de criminalização e crie normas que
não sejam viáveis na prática, o que para ele acaba gerando um descrédito
da lei.“Acho que nós temos que achar um meio termo para que Código
[Penal] atenda aos reclamos da sociedade e, ao mesmo tempo, para evitar
um excesso que o torne inaplicável”, ponderou. Ele também disse que é
importante o Congresso ouvir a sociedade civil, mas alertou temer que
tanto o legislador como o aplicador da lei ajam motivados por atos
pontuais.
Diferentemente do que entende o ministro da Justiça,
José Eduardo Cardozo, e a maioria dos juristas, para Sebastião Reis
Júnior a redução da maioridade penal não é inconstitucional. Apesar
disso, o magistrado não acredita que essa seja a melhor alternativa.
“Reduzir a maioridade não vai resolver problema nenhum. O grande
problema é a falta de preparo do Estado em dar educação e uma
perspectiva de vida aos menores carentes. O Estado se omite e o crime é o
caminho que acaba sendo escolhido”, avaliou, lembrando que o sistema
prisional não tem condições de atender a essa demanda. Reis Júnior disse
ainda que reduzir a maioridade penal é dar é voz a um desejo de
vingança da sociedade.
Ainda sobre essa questão, o ministro
admitiu a possibilidade de que, em situações excepcionais, os menores
infratores sejam tratados de forma diferenciada pela lei. A mesma ideia é
tema da proposta de emenda à Constituição de iniciativa do senador
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que abre a possibilidade de menores
infratores entre 16 e 18 anos sofrerem uma punição diferenciada por
participação em crimes hediondos (PEC 33/2012). A PEC foi rejeitada pela
CCJ, mas o plenário do Senado tem que se manifestar sobre o assunto,
devido à apresentação de recurso por Aloysio Nunes.
Segundo o
presidente da CCJ, Vital do Rêgo (PMDB-PB), o esforço é para que, ainda
este semestre, a proposta de reforma do Código Penal Brasileiro seja
votada no plenário do Senado. Depois disso, a matéria segue para
apreciação da Câmara dos Deputados.
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