Palestinos relacionam a batalha de Mandela contra o apartheid com sua luta contra a ocupação israelense
Os palestinos choram a morte de
Nelson Mandela, que apoiou veementemente sua luta contra a ocupação
israelense. Já em Israel a repercussão da morte do líder sul africano
inclui autocritica pela longa história de colaboração do país com o
regime do apartheid.
Logo depois da morte de Mandela o presidente da
Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, determinou a colocação das
bandeiras a meio mastro e decretou um dia de luto nacional.O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniya, também lamentou a morte de Mandela e afirmou que ele "inspirou os palestinos a lutarem por liberdade, união e democracia".
Homenagens
Neste domingo serão realizadas missas em cidades palestinas na Cisjordânia, em homenagem a Mandela. A missa principal deverá ocorrer na Basílica da Natividade, em Belém, com a presença de líderes palestinos e do embaixador da África do Sul.Na última sexta-feira, manifestantes palestinos, que saíram às ruas de aldeias na Cisjordânia para protestar contra a construção do muro israelense, portavam fotos de Nelson Mandela.
Marwan Barghouti, considerado o mais importante prisioneiro palestino detido por Israel, escreveu uma mensagem para Mandela, de sua cela na prisão de Hadarim, onde se encontra desde 2002.
Palestinos lembram Mandela como o homem que sempre apoiou a causa palestina
Em sua mensagem, Barghouti lembrou a declaração de Mandela de que a liberdade dos sul-africanos "não será completa sem a liberdade dos palestinos".
Constrangimento
A longa história de colaboração de Israel com a África do Sul durante o apartheid torna a repercussão da morte de Mandela no país bem mais complexa.O primeiro ministro Binyamin Netanyahu declarou que Mandela era "uma das figuras exemplares de nossos tempos, o pai de seu povo, um visionário que lutou pela liberdade e se opôs à violência".
Segundo o presidente Shimon Peres, "o mundo perdeu um líder de enorme grandeza, que mudou o rumo da História".
No entanto, vários analistas mencionam que durante o período em que Mandela lutava contra o apartheid, Israel vendia armas para o governo sul-africano e manteve essa aliança militar por vários anos, apesar do boicote generalizado da comunidade internacional.
"Os dois lideres (Netanyahu e Peres) obviamente não mencionaram o fato histórico de que Israel manteve uma aliança vergonhosa com o regime racista quando este era considerado pária pela comunidade internacional", afirma o jornalista Arik Bender, no diário Maariv.
O governo israelense aderiu às sanções internacionais contra a África do Sul em 1987, 10 anos após o embargo decretado pela comunidade internacional ao regime do apartheid.
Segundo o analista Hemi Shalev, em artigo no jornal Haaretz, "nós (israelenses) admiramos a luta corajosa de Mandela contra o apartheid e seu papel crucial na transição pacifica e democrática para o poder da maioria negra, mas sentimos um certo constrangimento por nosso apoio histórico a seus inimigos e também por sermos vistos como seus sucessores".
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