O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta
terça-feira que planeja uma intervenção militar "limitada" na Síria, mas
"com uma estratégia mais ampla" de fortalecer os rebeldes de oposição
no país - indicando que os EUA irão além de apenas bombardear supostas
instalações de armas químicas sírias.
"Queremos uma ação limitada e proporcional que
enfraqueça as capacidades (militares) do (presidente sírio Bashar)
al-Assad", disse Obama, em conversa com líderes do Congresso americano.Obama decidiu intervir na Síria alegando ter provas de que o regime Assad atacou sua própria população com armas químicas. Mas o presidente americano pediu que uma intervenção tenha o aval do Congresso - que deve votar a medida ao voltar do recesso, na semana que vem.
Iraque e Afeganistão
O presidente ressaltou que a intervenção "não será como no Iraque ou no Afeganistão, (porque) não envolve soldados em campo"."Mandaremos uma mensagem não apenas ao regime Assad, mas a outros interessados em testar normas internacionais (sobre o uso de armas químicas), de que isso traz consequências."
Nesta terça, congressistas farão uma reunião confidencial a respeito do assunto. O secretário de Estado, John Kerry, e o secretário de Defesa, Chuck Hagel, falarão pertante a Comissão de Relações Exteriores do Senado.
Dois líderes de oposição cujo apoio é considerado crucial para que o Congresso aprove a ofensiva já manifestaram seus apoios a Obama no tema.
O presidente da Câmara dos Representantes (deputados), o republicano John Boehner, disse que apoiará o "chamado à ação" presidencial.
Por sua vez, o líder da maioria republicana na Câmara, Eric Cantor, também defendeu uma intervenção, alegando que o regime Assad "é uma ameaça direta aos interesses americanos e de seus aliados".
Obama também parece já ter conseguido o apoio de dois de seus principais críticos em política externa, os senadores republicanos John McCain e Lindsay Graham.
Entretanto, muitos temem que, ao fortalecer a oposição síria, a intervenção externa fortaleça também radicais islâmicos que estão entre os rebeldes.
Aliados
Na França, o presidente François Hollande disse estar esperando a decisão do Congresso americano e que Paris não atacará a Síria por conta própria.Caso o Congresso negue autorização para um ataque, a França "apoiará a oposição democrática (na Síria) de forma a que haja uma resposta (a Assad)", agregou Hollande.
Israel, outro aliado americano, realizou nesta terça-feira exercícios militares conjuntos com os EUA no Mar Mediterrâneo. Os exercícios foram confirmados à BBC pelo alto escalão do Ministério da Defesa israelense.
Os exercícios são mais um sinal de que Israel leva a sério a possibilidade de que uma ofensiva militar americana seja retaliada com ataques ao território israelense - perpetrados pela Síria ou por seu aliado no Líbano, o grupo militante xiita Hezbollah.
Crise humanitária
O debate em torno de uma intervenção externa na Síria ocorre em meio a uma crise humanitária.Segundo a ONU, chega a 2 milhões o número de sírios que se tornaram refugiados. E os mais de dois anos de guerra civil já deixaram estimados 100 mil mortos no país.
A crise chegou ao auge em 21 de agosto, quando surgiram relatos de um possível ataque com armas químicas nos arredores de Damasco.
Os EUA dizem ter provas de que o ataque matou 1,4 mil civis, incluindo mais de 400 crianças, ainda que outros países e organizações tenham contabilizado um número bem menor de mortos.
O governo sírio, por sua vez, nega o uso de armas químicas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário