Rumores de que a ponte iria desabar podem ter causado a tragédia; tumultos com vítimas fatais em celebrações religiosas são frequentes na Índia
Ao menos 91 pessoas morreram em um tumulto ocorrido
neste domingo em uma ponte em frente a um templo no centro da Índia,
anunciou a polícia.
"O número de mortos agora é de 91 pessoas e 10 estão em
estado crítico", indicou à AFP D.K. Arya, um funcionário do alto escalão
da polícia, sobre o tumulto ocorrido no distrito de Datia, no Estado de
Madhya Pradesh. O balanço anterior era de 60 mortos e de uma centena de
feridos.
Arya indicou que a confusão foi provocada por rumores de
que a ponte poderia desabar depois de ter sido atingida por um veículo
pesado. Além disso, "teme-se que muitas pessoas tenham caído no rio",
acrescentou este funcionário.
Atualmente os hindus celebram o fim do festival
Navaratri, dedicado ao culto do deus hindu Durga, que atrai milhares de
fiéis aos templos, especialmente no norte da Índia. Outras fontes
policiais indicaram que 20.000 pessoas estavam na ponte sobre o rio
Sindh quando a confusão começou.
A multidão se dirigiu durante a madrugada ao local para
celebrar o fim do Navaratri, e até 400.000 devotos já estavam dentro ou
ao redor do templo de Ratanharg, 350 km ao norte de Bhopal, a capital
estatal. Testemunhas do drama denunciaram que a polícia se precipitou
contra a multidão com cassetetes, algo que Arya desmentiu.
"A polícia utilizou cassetetes durante o período de
pânico, o que agravou a situação e fez com que várias pessoas pulassem
da ponte", explicou Manoj Sharma, morador de um povoado próximo, ao
Times of India.
O ministro do Interior do Estado, Uma Shakar Gupta,
indicou que a causa do tumulto ainda não era conhecida e negou erros nas
medidas de segurança.
"A segurança estava garantida, trata-se de um evento anual", disse.
O deputado da região, Ashok Argal, culpa, por sua vez, a multidão que se precipitou sobre a ponte.
"É falso dizer que a administração geriu mal o evento.
Havia tomado as medidas para evitar qualquer incidente dramático",
declarou à AFP. "As pessoas às vezes se mostram pouco cooperativas e com
muita pressa, o que originou este incidente", acrescentou.
Segundo o Times of India, a multidão lançou pedras na
direção da polícia diante da lentidão das operações de resgate. A
densidade de circulação dificultou o acesso aos feridos e o transporte
aos hospitais. Cerca de vinte médicos conseguiram, no entanto, chegar ao
local da tragédia e os hospitais se preparavam para acolher os muitos
feridos, acrescenta o jornal em seu site.
O ministro em chefe do Estado, Shivraj Singh Chouan,
anunciou uma indenização de 150.000 rúpias (2.000 euros) para as
famílias de pessoas mortas e de 50.000 rúpias para os feridos.
Os tumultos com vítimas fatais em celebrações religiosas
são frequentes na Índia, onde em fevereiro 36 pessoas morreram
pisoteadas na peregrinação de Kumbh Mela, às margens do rio Ganges. Em
2011, 102 hindus morreram em outro tumulto no estado de Kerala, e 224
peregrinos faleceram em setembro de 2008 em Johpur.
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