O ciclone Phailin, que causou a evacuação de quase meio
milhão de pessoas na Índia, chegou à costa oriental do país, com ventos
de 200 km/h, segundo as autoridades, causando cinco mortes. Quatro
pessoas morreram com a queda de árvores, causada pela passagem do
ciclone, e uma idosa de 80 anos morreu quando sua casa desabou.
Dessas pessoas, duas morreram no distrito de Ganjam, no
estado de Orissa, devido à queda de uma árvore derrubada pelos fortes
ventos causados pelo ciclone antes de chegar à costa, segundo o jornal
The Times of India. Outras duas morreram de forma semelhante no distrito
de Jagatsinghpur, também em Orissa.
Cerca de 440.000 pessoas foram evacuadas em dois Estados
da Índia antes da chegada do ciclone Phailin, que ameaça devastar na
noite deste sábado os Estados de Orissa e Andra Pradesh, na costa leste
do país.
Este ciclone pode se transformar no mais intenso dos
últimos 14 anos nesta região da Índia, com uma alta das águas de até 3
metros.
As 440.000 pessoas, residentes nas zonas costeiras
desses Estados, foram evacuadas neste sábado, segundo um responsável da
Agência Nacional de Catástrofes, Marru Shashidhar Reddy.
Os evacuados lotavam ônibus e riquixás para abandonar
suas casas com seus pertences e eram conduzidos a refúgios de
emergência. Trata-se de um dos maiores movimentos de população
organizados na Índia, disse o representante da agência estatal.
Em Golpagur, na costa, mulheres e crianças foram os
primeiros a se proteger em escolas, abrigos de urgência e edifícios
públicos. "O governo deu ordem de evacuar à força quem resistir", disse
um responsável dos serviços de ajuda do estado de Orissa.
Cerca de 300 equipes de médicos do Exército, de
engenheiros e de especialistas em tarefas de socorro foram mobilizadas
nas áreas de maior risco, acrescentou.
A Cruz Vermelha indiana também posicionou suas equipes de socorro e helicópteros e aviões do Exército estão em alerta.
Em Visakhapatna, povoado costeiro de Andhra Pradesh, um
pescador de 60 anos, Tonka Rao, prendia seu barco olhando as ondas com
preocupação. "Este barco custa 400 mil rúpias (cerca de 5 mil euros).
Não quero perdê-lo", disse à AFP. "Me dá medo este Phailin. É como se o
fim do mundo chegasse", declarou Apurva Abhijeeta, um estudante de
Puri, em Orissa.
Nesses dois Estados pobres ameaçados pela tormenta,
muitos habitantes moram em barracos. "Objetos grandes poderiam voar" com
o vento, previu nesta sexta-feira Singh Rathore, diretor geral dos
serviços meteorológicos. Os cultivos, nesta região fortemente dependente
de agricultura, poderiam ser arrasados, alertou.
O centro norte-americano de vigilância de ciclones,
administrado pela Marinha, alertou que pode haver ventos de até 315
km/h. O Tropical Storm Risk britânico classificou este ciclone na
categoria mais perigosa.
O governo de Orissa, onde vivem 40 milhões de pessoas,
fixou um objetivo de "zero vítima" e uma evacuação total nas zonas de
risco. Muitas lojas deste Estado ficaram sem estoques porque as pessoas
aproveitaram para fazer compras por precaução.
A área que será afetada pelo ciclone Phailin já foi
atingida em 1999 por outro ciclone que provocou a morte de mais de 8
mil pessoas. Contudo, as autoridades acreditam estar melhor preparadas
desta vez, graças a previsões mais acertadas e uma maior antecedência.
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