Por nove votos a dois, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados
arquivou na tarde desta terça-feira, 18, o processo por quebra de decoro
parlamentar que corria contra o deputado Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ), que
teve conversas gravadas nas quais afirma ter recebido propina.
O
relator do caso, Paulo Freire (PR-SP), chegou a apresentar um parecer
preliminar pedindo o prosseguimento das investigações, mas os deputados
rejeitaram o texto e aprovaram o arquivamento proposto pelo deputado
Fernando Ferro (PT-PE).
Em gravações feitas por sua ex-mulher
Vanessa Felippe, o peemedebista diz que recebia comissões ilegais de
ONGs contratadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio
de Janeiro, pasta que chefiou entre 2011 e 2012. Bethlem também confessa
nas gravações, segundo representação movida pelo PSOL, ter uma conta
secreta na Suíça.
No parecer que foi aprovado, Fernando Ferro diz
que Bethlem enviou documentos ao colegiado nos quais Vanessa declara
apresentar "grave quadro psiquiátrico" e indica ter "fantasiado"
situações "inverídicas" envolvendo seu ex-marido.
Ferro alega
ainda que, no material enviado, a ex-mulher do peemedebista diz ter
reunido e entregue à imprensa "documentos descontextualizados e
inverídicos" com o objetivo de prejudicá-lo. Além do mais, segue o
petista, Bethlem não possui em seu passaporte anotação que aponte sua
entrada na Suíça.
"Diante desses elementos, entendo que a presente
representação é carecedora de provas e não apresenta justa causa para
ensejar o prosseguimento do feito", afirma Ferro. "Uma conversa de
divórcio feita por um casal não pode ser a única prova para ensejar uma
representação por falta de decoro".
Por último, Ferro pontua que
os parlamentares são "pessoas públicas" e por isso tornam-se
"verdadeiros 'alvos' dos meios de comunicação". Após a revelação das
denúncias, o Bethlem desistiu de se candidatar a um novo mandato de
deputado.
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