A Justiça do Rio Grande do Sul determinou, neste final de semana, a
suspensão das dispensas por parte de Iesa Óleo e Gás, que não tem
recursos para bancar as demissões. A empresa, alvo da Operação Lava
Jato, da Polícia Federal (PF), enfrenta crise financeira. A Prefeitura
de Charqueadas, município da região metropolitana de Porto Alegre onde
fica uma unidade da empreiteira, estuda decretar estado de calamidade,
caso as rescisões sejam confirmadas.
No entanto, a empresa, que teve executivos presos no último dia 15,
está impedida judicialmente de demitir cerca de mil funcionários, sob
pena de arcar com uma multa de R$ 100 milhões. Conforme determinação
judicial, a Iesa Óleo e Gás deve negociar as rescisões com o Sindicato
dos Trabalhadores Metalúrgicos, com mediação do Ministério Público do
Trabalho (MPT), e tem de apresentar soluções à recolocação da mão de
obra. Neste domingo (23), terminou o prazo para que a Iesa Óleo e Gás
apresentasse um plano de recuperação judicial para não se desmantelar
financeiramente.
A Iesa Óleo e Gás enfrenta uma crise financeira após o fim de um
acordo de R$ 800 milhões com a Petrobras, que também é alvo da Operação
Lava Jato. No último dia 18, uma comitiva de Charqueadas, além de
prefeitos de cidades próximas, se reuniram com o vice-presidente da
República, Michel Temer (PMDB), para discutir as possíveis demissões da
Iesa (leia aqui). Mas ainda não há solução definida para a empresa arcar com as rescisões.
O diretor financeiro do Sindicato dos Metalúrgicos de Charqueadas,
Luis Wolff, compareceu a uma audiência no MPT, com uma representa da
empresa e disse ter ficado com a impressão de que a falência da
empreiteira é inevitável, segundo informações do jornal gaúcho Zero
Hora.
"Para pagar rescisões eles contam com termo aditivo de R$ 20 milhões a
ser pago pela Petrobras", afirmou o dirigente. Por sua vez, o prefeito
de Charqueadas, Davi Souza, avalia que a solução para o impasse está na
estatal. "Acredito que a Petrobras irá pagar e que os funcionários
dispensados não vão sair sem as rescisões", acrescentou.
Lava Jato
A operação Lava Jato investiga desvios de recursos públicos em nível
nacional. Segundo as investigações, além da Iesa Óleo e Gás, fizeram
parte do esquema as empresas Andrade Gutierrez, Camargo
Corrêa, Construtora Queiroz Galvão, Engevix, Galvão Engenharia, Iesa,
Mendes Junior, OAS, Odebrecht e UTC. Ao todo, 23 executivos ligados a
essas empreiteiras foram presos no último sábado (15), a maior parte da
OAS.
As investigações apontaram que esquema, liderado pelo doleiro Alberto
Youssef, desviou pelo menos R$ 10 bilhões. De acordo com o ex-diretor
de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, dezenas de políticos,
além da estatal, estão envolvidos. O ex-dirigente, que tem delação
premiada (quando o réu colabora com as investigações em troca de
reduções na pena) afirmou que contratos da estatal tinham cobrança de
propina de até 3% pagas por empreiteiras, que abastecia especialmente
três partidos - PT, PMDB e PP. PSB e PSDB também foram beneficiados.
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