A Organização das Nações Unidas (ONU) alertaram hoje para uma
“deterioração alarmante” dos direitos humanos no Leste da Ucrânia, onde o
exército combate uma revolução lançada por separatistas pró-Rússia.
Num
relatório divulgado hoje (16), a comissária da ONU para os Direitos
Humanos, Navi Pillay, manifestou também preocupação pelos "sérios
problemas" de perseguição e intimidação contra os tártaros na Crimeia,
território anexado pela Rússia em março, perante a indignação da
comunidade internacional.
Em resposta, o porta-voz da diplomacia
russa, Alexandr Lukachevich, divulgou comunicado acusando a ONU de
“falta de objetividade total” no relatório. “A falta de objetividade
total, as contradições revoltantes e a utilização de dois pesos e duas
medidas não deixam dúvidas de que os autores (do relatório) cumpriram
uma orientação política para ‘branquear’ as autoridades autoproclamadas
de Kiev”, afirmou.
O relatório da ONU, que cobre o período entre 2
de abril e 6 de maio, cataloga uma lista de "assassinato, tortura e
espancamentos, raptos, intimidação e em alguns casos assédio sexual",
que estariam sendo cometidos por grupos antigovernamentais no Leste da
Ucrânia.
Os governo interino de Ucrânia trava uma ofensiva militar
contra separatistas pro-Rússia, que pegaram em armas, após a
destituição do presidente Viktor Ianukóvitch apoiado pela Rússia em
fevereiro.
Os confrontos ocorrem quase todas as noites,
particularmente próximo ao bastião rebelde de Slaviansk, e dezenas de
pessoas já morreram desde que Kiev lançou a sua “operação
antiterrorista" em meados de abril.
No Leste do país, o relatório
afirma que houve aumento "preocupante" dos raptos e detenções ilegais de
jornalistas, ativistas, políticos locais, representantes de
organizações internacionais e membros das forças armadas.
A ONU
manifesta ainda sua preocupação com a deterioração do ambiente para os
meios de comunicação no Leste do país, onde os rebeldes proclamaram a
independência em duas regiões, após consultas populares por meio de
referendos – que são considerados ilegais por Kiev e pelo ocidente.
Na
Crimeia, o relatório diz que a anexação da península pela Rússia em
março, após um referendo do mesmo gênero, cria dificuldades para
residentes, particularmente os tártaros. "Mais de 7,2 mil pessoas
originárias da Crimeia – a maioria tártaros – tornaram-se deslocados
internos em outras partes da Ucrânia", indica o documento.
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