De 21 bloqueios realizados hoje pelo MTST, nove foram apenas na região metropolitana de SP; rodovias Anhanguera e Anchieta seriam bloqueadas hoje no início da noite.
As rodovias Anhanguera, na altura do município
de Sumaré (região metropolitana de Campinas), e Anchieta, nas
proximidades de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), serão os dois
novos alvos de bloqueios por parte do Movimento dos Trabalhadores Sem
Teto (MTST) na tarde desta quarta-feira. A ação faz parte de uma série
de outros 21 interdições realizados durante o dia em sete Estados
brasileiros – nove desses pontos, apenas na região metropolitana de São
Paulo.
Os dois novos atos foram anunciados por líderes
do MTST hoje à tarde. Coordenadores do movimento aplicaram as razões
dos bloqueios e afirmaram que amanhã outros três Estados serão
atingidos.
Os coordenadores nacionais do MTST, Guilherme Boulos e Jussara
Basso falaram hoje em SP sobre bloqueios que atingiram 21 Estados
Foto: Janaina Garcia / Terra
De acordo com Guilherme Boulos, um dos
coordenadores nacionais do movimento, a ação de hoje teve basicamente
três eixos: cobrar do governo federal não apenas a implementação da
terceira fase do programa Minha Casa, Minha Vida, como a revisão de
ações de ajuste fiscal que impactam em direitos dos trabalhadores, além
de oferecer uma resposta às manifestações do último domingo – nas quais
se misturaram bandeiras anticorrupção, pró-impeachment da presidente
Dilma Rousseff (PT) e, em menor número, pró-intervenção militar.
“A posição o movimento é clara contra o ajuste
fiscal que tem sido feito e conduzido de forma antipopular; ajuste esse
que ceifou verbas de programas de moradia”, disse Boulos. “Pedimos ainda
uma reforma urbana – o movimento tem pedido e não é de hoje uma nova
lei do inquilinato para enfrentar a especulação imobiliária e para lidar
com os despejos forçados de quem não consegue pagar aluguel”,
completou. “E depois das manifestações de domingo, essas mobilizações
de hoje vieram marcar posição clara de enfrentamento: não vamos assistir
calados ao aumento da intolerância e a defesa de intervenção militar e
de golpismo no País. É uma resistência brava e decidida por parte dos
movimentos populares”, concluiu.
Boulos enfatizou que o MTST não saiu nem sairá
às ruas em defesa do governo Dilma contra os que pedem o impeachment,
mas assinalou que o movimento apoia passeatas como a de sexta passada,
convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras centrais
sindicais, em defesa dos direitos dos trabalhadores e contra iniciativas
consideradas “golpistas” e atentatórias à liberdade democrática.
“Nossa expectativa é que o governo federal
acorde e tome medidas populares; não temos como defender um governo que
toma medidas contra os trabalhadores. Queremos que ele realizem o
programa que o elegeu”, defendeu o coordenador, que admite a
possibilidade de novos bloqueios em rodovias e avenidas de grandes
cidades.
Além de São Paulo, o ato de hoje foi realizado
também nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Bahia,
Paraíba e Paraná. Só na capital paulista e Grande São Paulo, os
bloqueios – com queima de pneus e outras ações – aconteceram em vias
como as Marginais Pinheiros e Tietê, além das avenidas Aricanduva,
Radial Leste, Giovani Gronchi e Teotônio Vilela, além de trechos da
Estrada de Itapecerica e das rodovias Raposo Tavares, Régis Bittencourt e
Dutra.
Ministério não especifica data para nova fase de programa
Procurado, o Ministério das Cidades informou que a terceira fase do Minha Casa Minha Vida “terá uma nova modalidade chamada de Faixa 1 com FGTS, combinando os incentivos da Faixa 1 com os da Faixa 2”, com objetivo de “aumentar o acesso de beneficiários”. Por outro lado, a pasta não definiu data para implementação dessa nova fase – disse
Procurado, o Ministério das Cidades informou que a terceira fase do Minha Casa Minha Vida “terá uma nova modalidade chamada de Faixa 1 com FGTS, combinando os incentivos da Faixa 1 com os da Faixa 2”, com objetivo de “aumentar o acesso de beneficiários”. Por outro lado, a pasta não definiu data para implementação dessa nova fase – disse
“Também está em estudo a possibilidade do
beneficiário poder usar as cotas dos recursos do FGTS como parte do
pagamento, nos casos de financiamento do imóvel. A meta é contratar mais
3 milhões de moradias até o fim de 2018, totalizando 6,75 milhões de
unidades habitacionais nas três fases do programa, atendendo 25 milhões
de pessoas”, diz o ministério, em nota. A terceira fase dependeria ainda
do resultado das ações de um grupo de trabalho com representantes do
ministério, do Ministério do Planejamento, da Caixa e de integrantes da
construção civil “para avaliar as mudanças e a transição da fase 2 para a
fase 3 do programa”.
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