O jornal
Global Times
, ligado ao Partido Comunista da China (PCCh), publicou nesta
sexta-feira um editorial crítico no qual adverte que se a diplomacia da
equipe do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, prosseguir
com seus desafios, ambas as partes "deveriam pensar em se preparar para
um enfrentamento militar".
"Como Trump ainda tem que tomar posse, a China mostrou contenção cada
vez que os membros de sua equipe expressaram pontos de vista radicais,
mas os EUA não deveriam pensar que Pequim tem medo de suas ameaças",
afirmou a publicação, que pertence ao mesmo grupo editorial do
Diário do Povo
.
O artigo responde principalmente às alusões que o secretário de Estado
designado por Trump, Rex Tillerson, fez durante seu comparecimento ao
Senado na quarta-feira, onde deu a entender que Washington não
permitiria que a China tivesse acesso às ilhas do Mar da China
Meridional, cuja soberiana, total ou em parte, é reivindicada por vários
países vizinhos.
"A menos que Washington planeje lançar uma guerra em grande escala no
Mar da China Meridional, qualquer outro método para evitar o acesso
chinês a essas ilhas será estúpido", garantiu o
Global Times
, que é conhecido por seus pontos de vista belicistas e nacionalistas.
O jornal lançou inclusive a hipótese de um conflito atômico, ao
assinalar que "Tillerson faria bem em se atualizar sobre estratégias
nucleares se quer que uma potência nuclear (em referência à China) se
retire de seus próprios territórios".
A China disputa com outros países da região, como as Filipinas e o
Vietnã, a soberania de arquipélagos no Mar da China Meridional como as
ilhas Spratly e as Paracel, mas esse contencioso esfriou com a chegada
de Rodrigo Duterte à presidência filipina, já que o mesmo defende mais
diálogo com Pequim e o afastamento de suas relações com Washington.
"Justo no momento em que as Filipinas e o Vietnã tentam melhorar suas
relações com a China, as palavras de Tillerson não poderiam ser mais
irritantes", opinou o
Global Times
, que, ao longo do ano passado, já publicou vários artigos com críticas a Trump.
Em seu comparecimento no Senado, Tillerson comparou as ações da China
nas ilhas disputadas com a anexação russa da Crimeia, e assegurou que o
novo governo de Trump, que assumirá a presidência em 20 de janeiro,
enviará a Pequim um sinal claro de que deve interromper sua ampliação
artificial das ilhotas na região que controla.
No editorial, o
Global Times
afirmou que as palavras de Tillerson, "as mais radicais até agora" que
os EUA emitiram na questão do Mar da China Meridional, poderiam ter sido
apenas um gesto teatral, para que ele se mostrasse como um político
firme em relação a Pequim.
Outro jornal oficial, o
China Daily
, também se mostrou condescendente, assinalando que "é melhor não levar
a sério as declarações (de Tillerson) porque são uma mistura de
inocência, falta de visão, preconceitos e fantasias políticas não
realistas".
Se forem colocadas em prática "no mundo real" as ideias do futuro secretário de Estado, acrescentou o
China Daily
, "isto abriria o caminho para um devastador confronto entre China e Estados Unidos".
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