Primeiro-ministro é interrogado sobre a suspeita de ter recebido
indevidamente presentes e benefícios de empresários. Procuradoria
decidirá se abre uma investigação criminal contra o premiê.A polícia
israelense interrogou nesta segunda-feira (02/01), por mais de três
horas, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu numa investigação sobre
vários casos de corrupção. O premiê é suspeito de ter recebido
indevidamente presentes e benefícios de empresários.
De acordo com a polícia, Netanyahu foi interrogado "sob cautela" -
termo que indica que tudo o que ele disser poderá ser usado como
evidência. Antes do interrogatório, o premiê negou que tenha cometido
algum delito.
O interrogatório aconteceu na casa de Netanyahu. A polícia não deu
detalhes sobre o depoimento. Um painel preto foi colocado em frente à
residência oficial do premiê antes da chegada da equipe de
investigadores para evitar que os jornalistas que já se concentram no
local fizessem imagens.
O Ministério da Justiça divulgou uma nota dizendo que Netanyahu seria
questionado sobre a suspeita de ter recebido benefícios de empresários.
De acordo com o ministério, polícia investigou também suspeitas de
financiamentos de campanha irregulares e fraudes em despesas com
viagens, mas não encontrou evidências para uma acusação criminal nestes
casos.
Após o interrogatório, a procuradoria decidirá se abre uma investigação
criminal, na qual poderiam ser imputados crimes de fraude, quebra de
confiança e aceitação ilegal de presentes.
Netanyahu nega
Netanyahu negou as notícias que saíram nos jornais sobre o recebimento
de presentes de pelo menos dois empresários. Num encontro do seu
partido, o Likud, antes do interrogatório, o premiê voltou a negar o seu
envolvimento em quaisquer práticas incorretas.
"Temos ouvido o ambiente de celebração e a atmosfera nos estúdios de
televisão e pelos corredores da oposição. Eu gostaria de lhes dizer
'parem com as celebrações', não se precipitem", afirmou o
primeiro-ministro. "Não haverá nada, porque não há nada", concluiu,
assegurando que as suspeitas não têm fundamentos.
Segundo a televisão israelense Canal 2, Netanyahu aceitou "favores" de
um empresário de Israel e de outro estrangeiro. Membros da família do
premiê também estariam sendo investigados. A emissora também adiantou
que uma investigação criminal deverá ser lançada na próxima semana.
A polícia demorou mais de uma semana para conseguir um espaço na agenda
do primeiro-ministro para este interrogatório, que está sendo gravado e
transmitido em tempo real para procuradores, segundo informou o jornal
Maariv.
O interrogatório se centra em dois casos de corrupção investigados pela
procuradoria há meses, o principal nomeado "Caso 1.000" e outro de
delitos menores denominado "Caso 2.000".
O inquérito inclui 50 depoimentos, entre eles o do empresário judeu
americano Ron Lauder, um velho amigo de Netanyahu, que confirmou à
polícia ter dado vários presentes ao primeiro-ministro e financiado uma
viagem ao exterior para seu filho Yair, informou o jornal Haaretz.
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