O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, admitiu que poderia levantar
as sanções contra a Rússia e disse que não está comprometido com um
antigo acordo entre EUA e China em relação a Taiwan. As declarações são
sinais de que ele deve usar todo poder de barganha disponível para
realinhar as relações dos EUA com seus principais rivais estratégicos.
Em entrevista ao The Wall Street Journal,
Trump disse que, "pelo menos por algum tempo", deve manter intactas as
sanções contra a Rússia impostas pela administração Obama em dezembro,
em resposta aos supostos ciberataques de Moscou para influenciar a
eleição presidencial norte-americana. No entanto, ele sugeriu que pode
remover essas penalidades caso a Rússia se mostre útil na guerra contra o
terrorismo e ajude os EUA a alcançar outros importantes objetivos.
"Se
tivermos boas relações e a Rússia estiver mesmo nos ajudando, por que
haveria sanções?", disse. O presidente eleito afirmou também que está
preparado para encontrar o presidente russo, Vladimir Putin, após tomar
posse. "Entendo que eles gostariam de se reunir conosco, e por mim está
tudo bem."
O desejo de mudar as relações com Moscou em particular
tem sido um objetivo de presidentes dos EUA desde que as tensões
começaram a aumentar, sob a Presidência de Vladimir Putin. A
ex-secretária de Estado Hillary Clinton fez tentativas nesse sentido no
começo da administração Obama, assim como o ex-presidente George W.
Bush.
No entanto, os esforços diplomáticos de Trump vão encontrar
resistência no Congresso, inclusive entre republicanos. Os legisladores
querem que a administração adote uma postura mais dura em relação à
Rússia após os serviços de inteligência terem concluído que Putin tentou
influenciar o resultado das eleições presidenciais com uma campanha de
ciberataques.
Trump disse também que não vai se comprometer com a
política conhecida como "Uma China", que não reconhece a soberania de
Taiwan, enquanto não vir progressos nas práticas cambiais e comerciais
de Pequim. "Tudo está em negociação, inclusive a política de Uma China",
afirmou.
A China considera Taiwan uma província rebelde desde
que os nacionalistas liderados por Chiang Kai-shek estabeleceram um
governo na ilha, em 1949, após anos de guerra civil. Washington rompeu
relações diplomáticas com Taiwan e reconheceu a política de Uma China em
1979, o que era uma das precondições para que EUA e China
restabelecessem relações diplomáticas.
Trump parece não ter
paciência para protocolos diplomáticos envolvendo China e Taiwan. Após
sua vitória nas eleições, Trump atendeu uma ligação do líder de Taiwan,
provocando manifestações de reprovação de Pequim. Especialistas em
relações internacionais dos EUA questionaram se Trump teria noção das
implicações de uma conversa desse tipo.
"Vendemos para eles US$ 2
bilhões em equipamento militar no ano passado. Podemos vender US$ 2
bilhões dos melhores e mais modernos equipamentos militares, mas não
podemos aceitar uma ligação. Em primeiro lugar, seria indelicado não
aceitar a ligação", disse.
No passado, Trump disse que
classificaria a China como manipulador cambial após tomar posse. Na
entrevista, ele disse que não adotaria tal medida em seu primeiro dia na
Casa Branca. "Vou conversar com eles antes", afirmou, acrescentando que
"certamente, eles são manipuladores".
O presidente eleito deixou
claro seu descontentamento com as práticas cambiais chinesas. "Em vez
de dizer 'estamos desvalorizando nossa moeda', eles dizem 'nossa moeda
está caindo'. Não está caindo. Eles estão fazendo isso de propósito.
Nossas empresas não podem competir com eles porque nossa moeda está
fortalecida e isso está nos matando." Fonte: Dow Jones Newswires
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